Sexta-feira, 31 de Agosto de 2012

Kultura

Konfesso: eu era uma miúda muito menos kulta antes de me mate me ter dado a conhecer a teoria do Tarantino sobre o Top Gun.
Não conhecem? Ai que incóltos. C'orrore.
Não morram na inguinorância(vejam até ao fim):



Mate é também grande fã da Kathryn Bigelow, já a conhecia antes de ser oscarizada. A razão, é o filme Point Break, que ele diz e crê e jura por tudo que só pode ser uma grande e gigantesca piada sobre o universo masculino muito cheio de testosterona, e glorificado em filmecos como o por alguns tão celebrado Top Gun. Bom, o ter contratado o Keanu Reeves e o Gary Busey são indício disso, presumo. Diz mate, que é fulano que lê muita revistinha de cinema, que a Kat encheu o filme de tensão homoerótica de propósito, num gozo chapado e intencional, e que só assim se explica no filme haver, numa cena tensa entre o Swayze e o Reeves, uma deixa com o seguinte teor: "I know you want me so bad it's like acid in your mouth. But, not this time."
Obrigou-me a ver o filme, embora eu ache o género um secão. E dou a mão à palmatória: o homem é capaz de ter razão.

Amerika

"Our dining room table was a fold down ironing board in the kitchen." -- Ann Romney

"Can you imagine? It must have been so awkward when the maid interrupted their dinner to iron." -- Stephen Colbert
 
O pior e o melhor estão aqui resumidinhos, em cima.
 
[O Mitt Romney herdou fortuna, e aumentou-a em negócios de especulação, comprando empresas em situação difícil, desmantelando-as e vendendo os resto; quem viu o filme Wall Street - o primeiro - sabe pelo menos ao de leve como isso funcemina. O Mitt fez fortuna sem construir nada: é um empreendedor do dígito, um apostador que ganha à custa de desfazer unidades de produção, aquelas que investem, criam, e empregam. Todavia, o americano médio, o que se calhar teve de deixar a casa quando rebentou a bolha do mercado imobiliário, que todos os meses faz contas para pagar o que come, deixa-se levar por estas historietas, estas farsas do 'todos podemos lá chegar' e egoisticamente vai jogando agora, na esperança de um dia conseguir, por mérito, ser o multimilionário que lhe prometem que merece mas nunca vai ser; acredita que liberdade se alcança não se taxando os ricos e não o obrigando a contribuir com impostos para que um tipo que nem conhece, na outra ponta do país, e que às tantas até é homossexual e se casou com outro ou outra pervertido/a, possa ser tratado de graça num hospital. O americano médio é uma criança grande, curiosa, divertida, afável, é verdade, que gosta de brincar com os brinquedos de todos, mas se recusa a partilhar os seus. E depois se comove, quando em concursos promovidos por um tipo com o comb-over mais ridículo dos states, se exalta a competição pura e dura, com o fim de ver qual a celebridade mais competente, e onde tudo o que se angaria vai - snif - para a caridade, coitadinhos dos desgraçadinhos. Abençoados sejam, mas todos os dias acordo a dar graças por ser europeia.]

Classy

Nos pés, uns sapatos de seiscentos euros; no corpo, uma saia transparente e sem forro.

[podes tirar a pessoa da barraca, o difícil é tirar a barraca da pessoa]

Quinta-feira, 30 de Agosto de 2012

Li ali uma cena

Foram as linhas gerais do programa de governo (ficava giro mas muito óbvio por ali um 'des' antes, mas isto hoje acordou um blog hipster, não faz piadas óbvias, querem Fernando Mendes liguem o um, enquanto há) do Romney e o estampa do vice que ele tem, e, com franqueza, se sabendo daquilo, se os gajos nem se dão ao trabalho de esconder, está lá, preto no branco, dizia que se sabendo e não podendo ignorar as intenções daquela gente, os amaricanos os elegerem, livre e conscientemente, merecem bem tudo o que lhes vai acontecer. E vai ser mau. Não gostam, emigrem para o Canadá, que gozam, gozam, mas lá não se morre por não haver guita para pagar a quimio.
 
 

Quarta-feira, 29 de Agosto de 2012

Já não sou uma blogoexcluída

Sou um target, ou qualquer coisa do género, e pretendo começar uma aliciante carreira de blogger profissional. Ou não. Sim, a alminha que vos escreve recebeu um convite de uma operadora de têbê para experimentar num sei o quê, e dizem que como contrapartida me podem oferecer serviço grátes. Ora embora eu seja muito sensível à palavra grátes, e até se trate da operadora que gastamos lá em casa, sinto-me um nadicha ofendida pela falta de atenção ao título do blog. Experimentar? E se calhar ainda querem feed back, não? Não temos tempo. Nem vagar. Aqui a pessoa é uma pessoa calona, e é uma pessoa que não mexe o real traseiro por contrapartidas económicas a não ser no trabalho, e já chega. De resto, é esta mesma razão me me leva a dar tampa aquela que nunca me fez decidir mudar de operadora. Isso e uma embirração pessoal com a principal concorrente, que já tive oportunidade de comunicar a um simpático recibista verde que me ligou a aliciar: é deixar de pagar um bambúrrio aos tipos da vossa pub e reduzirem as tarifas, e talvez me motive à trabalheira de denunciar um contrato e assinar outro.
De qualquer forma, de nada.

Eu sabia, eu sabia

Que havia uma boa razão para não por os pés no El Corte Inglès há mais de dois meses. Havia coisa de uns trinta pares de sapatos que era já, e umas dez malas que era logo a seguir.

Felizmente tornei-me uma pessoa virtuosa, recém convertida da Igreja Nacional Poupista e dos Saldos dos Últimos Dias, e sigo religiosamente o primeiro mandamento do Evangelho Segundo São Víctor, a saber, reduzirás a despesa. Creio também que o caminho para a sobrevivência a níveis mínimos de dignidade se encontra numa vida de ascetismo e abnegação, e consumindo apenas os bens que a nossa terra nos dá, como nos ensinou São Álvaro; e que no dia do Julgamento (que coincidirá com o do final de prazo para entrega de IRS; faz-se em duas levas, portanto) apenas os crentes que se apresentem de costelas à vista e em trapos de, pelo menos, duas saisons atrás, receberão reembolso, amén.

Mas, nunca fiando, caso amanhã ou depois renegue a luz, e enverede pelos escusos caminhos do socrismo, e siga a sua doutrina de gasta hoje que amanhã não sabes se há, e por ali siga, montada na chave da danação eterna que é o gold, platinum ou mesmo silver card, vou já comprar umas indulgências rasgando algumas das facturas da farmácia e do doutor que (ainda) me dão algum benefício fiscal, e assim, talvez, conseguir evitar a ira do Senhor dos Passos, e ao menos assegurar uma temporada no purgatório da insolvência pessoal, crente na infinita bondade dos senhores deuses troikos e seu perdão, seja feita a sua vontade.

Terça-feira, 28 de Agosto de 2012

Tanta conversa sobre competência e produtividade

Mas a verdade é que os tradutores que insistem em legendar "júris", quando se referem aos membros de um júri, continuam a ter emprego.
Nem o google translator (fui verificar) faz uma calinada destas, senhores, e olha que é preciso pontaria. Primeiro, não sabem o suficiente da língua inglesa (ou nem se dão ao trabalho de pegar num dicionário) para ver qual a tradução de jurors, que por acaso (!) não é igual à de jury. Segundos, ó filhos, eu até podia ter como sonho de vida ser uma alcateia, mas não é possível porque: a) não nasci loba; b) sou só uma.
Uma manada de alarves ignaros, é o que é.

Sexta-feira, 24 de Agosto de 2012

Esta vidinha de dondoca forçada

Anda a dar cabo de mim, roporó-popó-pó-pim, ou lá o que é. Sofro horrores, mas ainda tenho de executar vários mandados de despejo sobre a poeirada que se instalou cá em casa. A que montou barraca nos livros, então, está a dar-me cabo do juízo. A coisa vai, mas toda a gente imagina como é: bate-se à porta, finge que não está ninguém, arromba-se a porta e enxota-se a poeirada entre gritos e protestos de que tem direito a abrigo e não sei que mais, enfim, na verdade estou a limpar e rearrumar todas as prateleiras da sacana da estante do escritório, onde, para além do pó-okupa, já se tinha instalado uma comuna de livros anarcas amontoados à balda, sem regras, sem ordem, sem respeitinho à autoridade.
 
(caraças, as imagens que eu não invento para embelezar uma tarefa chata como uma panqueca)
 
Bom, no meio desta nobre e sublime tarefa (lá estou eu outra vez, tenham paciência), fiz a descoberta do século e vim logo partilhar. Uma solução estratégica para arrumação de livros para quem ainda disponha de espaço em paredes, mas não de espaço onde encostar estantes, ou onde prateleiras ficariam feias. Num dos meus (muitos) intervalinhos para repor energias, dar uma de Madame Bovary cheia de spleen, deitadinha no sofá da sala a assistir a qualquer sopeirice (sou doutorada na arte de engonhar), pesquisei floating shelves no goo, e acabei a descobrir isto:
 
 


Genial, hein? E o efeito é bem giro, um gajo até pode fazer uma instalação pós-moderna na parede do corredor, sei lá, que é demasiado estreito para outra solução. O melhor: vende-se na amazon.co.uk, e da informação que lá constam, já enviam para Tugaland. Lacrimejei. Além de que pensem nisto: dada a força da gravidade, o pó acumula-se sobretudo no livro de topo, nem tanto nas lombadas, facilitando imenso a tarefa anual (sim, anual, não sou tarada das limpezas) de limpeza das livralhadas lá de casa. Acho que vou mandar vir meia dúzia.

Quinta-feira, 23 de Agosto de 2012

E vai daqui um agradecimento público à zara

Por, nesta época de crise, reiterada e sistematicamente desincentivar o consumismo, incrementando a poupança em pessoas que, outrora, procuravam no retail therapy consolo para as suas vidas chatas e modorrentas.
Obrigada.
 Muito obrigada.
 Ultra-obrigada.
 Re-obrigada.
 Muitíssimo agradecida.

Segunda-feira, 20 de Agosto de 2012

Com uma influência destas cá em casa, não admira que eu seja uma peste

Eu a ver o que se passa na net, berro-lhe: "Olha, o Tony Scott morreu, matou-se." E ele: "Oh! É verdade que fez o Top Gun, mas não era razão para tanto."
E ainda há quem nos pergunte porque não temos filhos. É uma caridade, uma caridade que fazemos ao mundo, não os ter.

Domingo, 19 de Agosto de 2012

É só mesmo mais esta

Cada vez que postam ou feicebucam uma foto de pés na areia ou com mar em fundo, há uma criança a contrair uma doença que lhe garantirá uma lenta agonia e uma morte prematura.
Pensem nisso.

Prometo que amanhã me faço uma pessoa super fofinhucha e boassssinha, mas é só mais esta cartada de mau génio

Pessoas, universo: por favor párem de fazer peças de artesanato urbano e bijuterias com cápsulas nespresso usadas.
Se é para ser giro, não é, é muito foleiro, careta, trapalhão e porcalhão; se é para reciclar, mais vale entregá-las numa loja nespresso, que reciclam não só a cápsula como também as borras de café.
Muito agradecida.

Sexta-feira, 17 de Agosto de 2012

Sumário

Está a ser uma semana quinzena muito mázita. Aqueles que se queixam que em Agosto parece que tudo está parado e ninguém trabalha, obviamente nunca tiveram de trabalhar em Agosto, durante as férias de colegas. Há menos freguesia, ao menos isso, mas não compensa a falta de mão de obra. Por isso, se no serviço público a que decidiram recorrer, porque estão de férias e agora têm tempo para tratar daquele assunto, o pouco pessoal não dá vazão, tende calminha, sim? Tenho soluções:
- chegar mais cedo da próxima vez (resulta, olha que há que séculos que não vejo filas à porta da segurança social, logo às oito da matina, passo por dois centros a caminho do trabalho);
- se der para marcar hora, marquem e não se atrasem, ou engatam o dia todo a quem atende e a quem vem a seguir (já sei, quase impossível pedir isto, né, sois pessoas mui ocupadas);
- em vez de entrarem em diatribes de parece impossível, e a gente a pagar-lhes, façam antes um acto de caridade: adoptem um funcionário público, dêem-lhe cama, comida, roupa lavada, muito carinho, um ouvido atento. E pronto, aí sim, podem gabar-se de contribuir para o sustento dessa canalha;
- se ainda assim têm muitas razões de queixa do serviço, antes de dar voz pública à birra pensem lá se por acaso não são comproprietários de um estabelecimento comercial onde ele há freguesas, não sei, ouvi dizer, que têm uma recepção fria, distante, com resposta inaudível à sua saudação, e onde até ganham uma mirada de alto abaixo, muito snob, para logo de seguida serem completamente ignorados, tipo, invisível, topas (yep, fui lá, sou cusca, shoot me).
E pronto, era só, saudinha e faz favor de ficar bem, que além do resto ainda tenho as férias da empregada também para fazer. Aicabom.

Segunda-feira, 13 de Agosto de 2012

Objectivo de vida (a curto prazo)

Acabar o A Dance with Dragons à hora de almoço. Ainda (só?) faltam umas vinte páginas, mas já estou a compor mentalmente uma cartinha para o autor. Ai a minha vida.

Sexta-feira, 10 de Agosto de 2012

Dias wtf

Apesar de me considerar uma depressiva crónica, chata de galochas, neurótica de primeira, drama queen existencial, a verdade é que sempre que me vejo em apertos mais ou menos graves tendo a procurar encarar as coisas de uma forma positiva e humorística. Mesmo que arme um estrilho do caneco (drama queen), me comece a queixar de que sou uma desgraçadinha (drama queen), tento fazê-lo em tom de palhaçada, que se a gente não se ri das maiores e menores amarguras ainda são elas que se acabam a rir de nós, e isso é que não. E se eu sei ser palhacita. E bobona. Juro que há dias em que ouço guizos como se os tivesse num barretinho colorido. Por isso, quando faço aqueles teatrinhos do 'sofro muito', 'ai o que eu padeço', 'sou a empena de esgoto do universo', é só isso mesmo: teatrinho. Claro que eu não sou a empena de esgoto do universo, sou só a fossa séptica do bairro de lata do universo. Bom, o fundamental é isto: não é para levar à letra, nem para pensar que sou uma egomaníaca a julgar-se o único e mais sensível ser a sofrer as agruras da vida. Não sou. Embora seja. Pronto, já se percebeu.
E depois há aqueles assuntos ou aqueles dias ou aquelas ralações que nem nos parecem ter piada nenhuma ou sequer ponta que se lhe pegue para fazer piadolas. Que são só uma sombra, se comparados com coisas bem piores que nos podiam acontecer (e podiam), mas moem, chateiam, e não dão vontade de fazer o habitual número de circo. Felizmente é raro, que quando me dá a vontade de rosnar ela costuma gastar-se só com uma rosnadela. Mas ele há dias em que podia imitar todo um jardim zoológico de bicharada irritada e ainda continuava com vontade.

Quinta-feira, 9 de Agosto de 2012

Devia haver uma convenção, ou assim

Hoje de tardinha, 32º, e de caminho para casa vi duas senhoras com collants. Pretos.
Ok, eu também estava de calças. Pretas. Mas é diferente.

Palmas de pé para o freak show

Quando uma pessoa julga que o mundo da moda não se consegue superar, eis que passa as vistinhas pelo site da zara e dá de caras com o horror inominável:

Que lindo, que classudo, que tudo.
Para combinar com este colarito eu-é-que-sou-a-princesa-Anastásia-e-vou-andar-com-isto-ao-pescoço-até-acreditarem-ou-dar-cabo-da-cervical-que-o-raio-dos-vidrinhos-pesam-p'ra-burro:


Agora vender umas calças clássicas vincadas em castanho, é que não, apre, não somos quadradões.
Abençoadinhos dizáineres.

Quarta-feira, 8 de Agosto de 2012

Só se lembram de Santa Bárbara quando troveja

Quando este ano estive em Londres, na Páscoa, vi um anúncio no metro que, pelo bizarro, até fotografei. Entretanto perdi a foto (desastrada), mas consistia num aviso a incitar a poupança de água, que se estava em ano de seca. O bizarro, achei eu, estava em que naquele primeiro dia de viagem choveu copiosamente, e nos cinco seguintes houve sol e seco em dois dias, e olhamaqueles a falar em seca, sabeides lá o que é seca. No dia seguinte ou noutro, já não me lembro, leio um anúncio no jornal, a publicitar uma coisa por acaso muito jeitosa, um bidon que se pranta debaixo de um algeroz, acumula água de chuva, e se esvazia por uma torneirita, tcharan para regar o seu backyard este ano, porque a partir de 1 de Maio, derivado à seca, é proibido hosing. Isso mesmo: final de Abril chuvoso, eu lá para o constatar, e a partir de 1 de Maio ia ser proibido regar jardins à mangueirada. Como verdadeira tuga que sou, pensei logo que disparate!, que exagero! Mas depois entreguei-me a alguma reflexão, será que naquele outono-inverno choveu ou nevou menos, e por isso se preparam já para uma eventualidade de escassez de água? Hum, às tantas, e não é mal pensado, não, porque realmente é parvo gastar água própria para consumo em jardinagem, quando no verão pode haver pouca. E continuei cogitando, olha lá na terra também choveu pouquicho, este inverno, mas ainda ninguém se preocupou. Eu cá não vi nenhum aviso de seca, alguém viu? Népia. Niribi. Cá só se considera seca quando chegamos ao estado de pocitas de água nos rios, e tudo mortinho à míngua, suspeito.
Nem mais nem antes: meados de Agosto, jornal da tarde, agricultores em Trás-os-Montes queixam-se da falta de água para a ingricultura. Pá, a sério. A sério. Em Agosto. Vivemos mesmo no país em que o pirete tem de ser símbolo nacional. Que desgosto.

Acho que andei a pagar as quotas do clube feminino no guichet errado

Uma pessoa vê o Capitão América (o filme), e quando acaba, à pergunta "que tal?", responde "OMG, OMG, OMG, o casaco do Caveira Vermelha, OMG, quero um assim."


True story: quando me dá para o féchionismo, acerto sempre ao lado do que é féchion. Ou genericamente aceitável, vá. Há precedentes: o chapéu e sacola do Indiana Jones. Também, primeiro tinha de arranjar uma profissão que me permitisse andar nestes atavios. Como canto muito mal, vocalista de banda gótica está posto de parte, mas aceitam-se sugestões.

Terça-feira, 7 de Agosto de 2012

Não és tu, sou eu

Querido blog que abandonado jazes,
não desesperes que de súbito renascer das cinzas há-des,
deixa passar apenas este vendaval de agonia,
este demente furacão pós-obria.

Cedo terei arrumada toda a cangalhada,
E toda a superfície casal devidamente aspirada,
Prometo só mais uma vez o chão a pano passar,
E companhia assídua de novo te fazar.

Sabedes tu, porém, o que sofro?,
A saudade de que também morro?,
Ai!, mas mui enfadada o trabalho doméstico me deixa,
Mui requebrada e pouco galhofeixa.

Neste baixo e irritante espírito,
Possível não é contigo partilhar meu fadário,
Juro, todavia, de pronto retornar ao mau feitito,
E de novo te inundar de disparate diário.

No entretanto minha musa é a esfregona,
Meu amante o pano do pó, a mopa amigona,
Mas meu blogue amigo, meu santo amparo,
Amanhã conto a teus braços rejubilante voltaro.

Quinta-feira, 2 de Agosto de 2012

Abençoada seja a blogosfera (e os meus blogues guilty pleasure)



Juro que até ao princípio desta semana não fazia ideia de que o Robert Pattinson namorava, e  muito menos com quem.
O que vou fazer com a informação agora adquirida, ainda não sei, mas aceitam-se palpites.

Quarta-feira, 1 de Agosto de 2012

Não sei se consigo explicar bem

Mas o actual aspecto da minha casota está ali entre uma panificação e uma fábrica de processamento e embalagem de coca: pó branco por todo o lado. A massa de betumar paredes é lixada, em todos os sentidos, e o resultado é uma poeirada dos diabos. As portas, que ainda são dez, ao todo, são lixadas, também em todos os sentidos, betumadas, mais uma vez lixadas, e cá vai mais poalha branca, que voa, flutua e finalmente se deposita, se varre, se aspira, se escapa, esvoaça de novo, e se deposita mais uma vez. Portanto cá ando, a profissionalizar-me no uso do pano de pó e aspirador, armada em caçadora da fideputa ruim da poeirada. Ah, mais valia esperar pelo fim das obras, só tinhas trabalho uma vez. Isso é muito bonito, e até de muito de acordo com a minha filosofia de vida, mas não resulta quando um indivíduo vive na casa objecto de intervenção, tem de poisar cenas na bancada da casa de banho, descansar os quartos traseiros em assentos, e por aí fora.
Também era giro conseguir ter pelo menos uma divisão da casa arrumada, e onde estivessem apenas os objectos que lhe pertencem. Talvez me saia na rifa lá para sexta, como o euromilhões. Até lá é sofrer estoicamente e em silêncio, coisa que, obviamente, não estou habilitada a fazer.