Estava eu posta em sossego, quando insígne blogger que eu não posso linkar mas dá pelo nick de Charlotte me desafia. Como sou uma pessoa para lá de espectacular (o blog é meu, eu digo o que eu quero), está um calor do caracinhas e não me apetece fazer mais nada (nem me ocorre qualquer bacorada significativa para postar, o habitual), vou responder à chamada.
O desafio (adaptado) consiste em:
1. Quem recebe esta etiqueta deve postar 11 factos sobre si.
2. De seguida deve responder às 11 questões que quem deu o selo colocou e escrever 11 novas perguntas para as pessoas a quem oferecer o selo responderem.
3. Escolher 11 bloggers e linká-los. [tá bem abelha, olha a trabalheira]
4. Não se pode etiquetar quem nos etiquetou. [garantido]
Ora cá vai, onze interessantíssimos e nada abonatórios factos sobre moi.
11 Factos
1. Tenho um ódio de morte, feroz e muito acirrado, a marquises. Acho-as o símbolo, por excelência, da nacional-patetice: num país onde há dois ou três meses de inverno (e nem muito maus) fecha-se a varanda para isolar a casa? Ou arranjar espacinho extra? Hello, comprassem uma casa maior. O meu sonho é criar um movimento cívico de intervenção armada, o BAM: Brigada Anti-Marquise. Traz o teu calhau da calçada e juntos destruiremos esse flagelo.
2. Tenho uma fobia irracional e avassaladora a agulhas. Não é bem irracional, que sei precisamente o que a desencadeou. Só faço análises se a) tiver mesmo de ser; b) estiver mais que ligeiramente acagaçada com o meu estado de saúde. Sim, já “perdi” muitas receitas de análises. E continuo viva.
3. Quando era miúda tinha ciúmes doentios do meu irmão, e inventava histórias terríveis, desde o clássico “és adoptado” até doenças que não existem. Ele não acreditava em nada, o estúpido.
4. O sentido de humor é a minha tábua de salvação, sempre. O meu sentido de humor, sublinhe-se: a minha prioridade é rir, não é fazer rir. Aliás, o que mais ouvi, toda a vida, da senhora minha mãe, foi “não tens gracinha nenhuma”.
5. Peso 75 quilos e tenho 1,67 m. Blogosfericamente, portanto, sou gorda. Vivia melhor com menos 5 ou 10 quilos, but look, this is the amount of f#ck i give: none.
6. Há 21 anos foi-me diagnosticada perturbação de ansiedade, depressão e síndrome do pânico, e tomo anti-depressivos desde então. Já estive pior, tomei mais cenas. Já tive vergonha, já não tenho. Se falo disto é por esta razão: não é nenhum drama, é incapacitante mas pode-se controlar a coisa para níveis aceitáveis, consegue-se viver com isso e até ter a funcionalidade de uma pessoa normal (não é o caso, adiante - e até dá para umas piadas boas, que também não é o caso desta). Se com este discurso consegui motivar ou inspirar alguém, foi sem querer, desculpinhas. Só queria dizer que ser fraquinho de cabeça não é ser anormal. Há anormais altamente funcionais, e não deixam de ser anormais. E notem bem: mais vale neurótico que psicótico. Se alguém que me lê é psicótico, na boa para inverter as orações.
7. Antes de fazer qualquer tarefa que me desagrada, passo um tempinho a queixar-me, a deprimir ou a sentir-me miserável. Na verdade, às vezes passo mais tempo a queixar-me do que me duraria fazer a cena. É uma maneira de ser. Atenção, isto não é procrastinar, é dramatizar. Só para que fique claro.
8. Padeço de indigestão crónica e refluxo gástrico, e há um batelão de cenas que não posso comer. Isto faz de mim a mais chata das clientes em qualquer restaurante, porque tenho de saber o que leva cada prato (incluindo condimentos) e como é cozinhado. Acho que não seria bem recebida num restaurante daqueles chefs hipé, por isso nem tento.
9. Considero-me uma pessoa muito bicho do mato, miss pata na poça, uma inábil em ocasiões sociais, para não dizer fóbica social, mesmo. Evito. É uma descarga de adrenalina muito intensa, um esforço horrendo, que isto de parecer uma pessoa normal (ou pior, interessante!) não é fácil. Com muito treino consegui reduzir a mínimos históricos os trambolhões patéticos, o derrube de objectos, o entornar de bebidas e até os actos falhados. Mas é uma canseira.
10. Não tenho muito jeito para nada em especial, e gosto de muitas coisas em geral. Disperso-me com imensa facilidade, e muitas vezes não acabo os projectos que inicio. Canso-me. A mim mesma, com esta inconstância.
11. Fui caixa d’óculos, bucha e marrona na escola. Ou, pelo menos, era o que os outros diziam. Deixei de ser caixa d’óculos aos trinta e poucos, e foi das decisões que mais me custou tomar: a intervenção implicava tubo de soro. Medinho. Miufa. Só do tubo de soro. (doeu, já agora).
11 Respostas
1. Fantasia literária: sim ou não?
- Sim. Sou boa boca, leio tudo, até a Dica da Semana.
2. Quantos livros da Margarida Rebelo Pinto leste?
- Zero. Afinal não sou boa boca.
3. Se tivesses de optar entre uma vida sem comer a tua comida preferida ou um mês a comer apenas isso, qual escolhias?
- Um mês a comer o que gosto, duh. O chiclate tem tantas variantes.
4. Qual a resposta para a vida, universo e tudo? (não vale googlar)
- Diz que é 42, mas para fins de contradição, arte em que sou muito versada, proponho 31. É um número bem mais fofinho.
5. O que apareceu primeiro, o ovo ou a galinha?
- O McNugget, for all I care.
6. Preferias tatuar "amor de mãe" (local à escolha) ou fazer um piercing no mamilo?
- Nem um nem outro, por favor. Afastem de mim as agulhas, mesmo para fins recreativos ou estéticos. Já foi uma tourada, furar as orelhas.
7. Há alguma série da qual consigas citar uma cena de praticamente todos os episódios?
- Não, tenho memória de galinha. Mas consigo arranjar uma tirinha da Mafalda para quase todas as situações da vida.
8. Comprimido azul ou vermelho?
- Não aceito medicação de estranhos.
9. Interior do Alentejo ou de Trás-os-Montes?
- Alentejo, sempre.
10. Se só pudesses escolher um jogo para jogar o resto da vida, qual seria? (computador, consola, etc... não valem respostas filosóficas de "Jogo da Vida" e afins)
- The blame game. Tão tuga, tão judaico-cristão (vou registar a ideia).
11. Um amigo encontra-te na rua, entrega-te um pacote que deves esconder e diz-te que não o abras sob risco de morte. O que fazes?
- Se tivesse um amigo dessa qualidade, o que ele merecia era que eu aceitasse o pacote e depois lhe desse o mesmo destino que às receitas de análises.
11 Perguntas
Como sou um bocadinho torta, não vou linkar ninguém nem passar a bola. Tal como não ma passavam nos jogos de educação física, mesmo quando estava desmarcada e mesmo à beirinha do cesto. Pirraça. Quem quiser pegar, que leve.
Perguntas? Ora, que trabalheira, mas até faço.
1. Porquê? [my all time favourite, ask mum]
2. A sério, porquê, não há nada melhor para fazer?
3. Pronto, isso quer dizer que és tão deprimente como eu, é?
4. Ok, não queria ofender, mas és uma pessoa assim, tipo, cheia de paciência, não?
5. Adiante, gatos ou cães?
6. Canários ou piriquitos?
7. Carne ou peixe, ou és um chato de um corta relva?
8. O que é mais chato, marcar bainhas ou costurar bainhas?
9. Sabes/gostas de mudar lâmpadas de médios e mínimos num carro?
10. Se sim, estás disponível hoje?
11. Qual é o melhor tipo de carne de vaca para picar?
Pronto, e é tudo. As minhas perguntas parecem assim um bocadinho parvas, muito centradas nas necessidades de quem as faz e não no interesse em conhecer quem as responde? Ora, que disparate. E se não gostam, façam as vossas.