Sexta-feira, 29 de Junho de 2012

Guitarrinhas!

Uma das coisas com que fui amaldiçoada - e se são muitas - é o gostar de música de gajo. Um inferno. Não é da música de gajo-gajo que falo: gosto de (algum) metal, que gosto, mas depois de cinco minutos dá-me uma dor de cabeça insuportável. Deve ser da bateria (ou bombo, como já ouvi dizer, não me perguntem em q circunstâncias, guardo isso para um post sobre violência doméstica). Que eu gosto muito, assim mêmo muito é de guitarrinhas. A guitarrinha, seja acústica, seja eléctrica, fica sempre bem. Musiquinha sem solo nem é róque enrole, é super pop (limão), desculpinhas. Também há pop do bom, que há, mas agora não estou a falar de pop, pelo que não vou avançar pelo pop.

Ora retomando o problema, (que é o meu porque este blog é de quem, de quem) eu gosto de música de gajo, e se fosse só isso não estava mal. Gosto de muita coisa de gajo, incluindo alguma roupa (não, não sou transgender), e se há muito gajo que acha imensa gracinha a isso, não é de uma forma muito positiva. Ai a Izzie é uma gaja tão porreira, ai a Izzie é uma fulana tão tal, ai a Izzie é tão friendzoned. História da minha vida. Até que um dia me apareceu um fulano que achou mesmo graça, e não do género que patusca que esta é, ao facto, por exemplo, de quando nos conhecemos, e à pergunta o que andas a ler, eu ter respondido Neil Gaiman. Já agora, também contou a favor dele, saber quem é o Neil. Aliás, desse livro em particular (e muitos outros, bof) há dois exemplares lá em casa. Daí em diante foi cumbersé animado até às nove da matina do dia seguinte (true story).

E claro que eu tinha de gostar desta banda, os verdadeiros sulistas-elitistas. E machistas, também; aliás a musiquinha que se segue é de um machismo bem giro, a cena do gajo que tem de ir conhecer mundo e assim, e tu não me podes mudar, woman, deixa-me ir. Mas estes tipos tocam bem guitara, tá? Mêmo bem. Ora ouvide lá.





Também muito tasqueiros, muito música de gajo mas aqui num clássico mais soft - até certo ponto - há estes aqui, ó, com uma grande moca ou mau som de retorno, que o gajo entra mal uma série de vezes:

Quinta-feira, 28 de Junho de 2012

Quarta-feira, 27 de Junho de 2012

Só para que fique bem patente a minha relação com o futebol

Estava a torcer pela Inglaterra (juro, era mesmo do best, uma final Inglaterra-Alemanha, mas uma final PIIGS - Alemanha também é bom. muito bom.).
E agora, a dar uma pincelada mercenária aqui ao blog: quanto me pagam para hoje eu torcer pela Espanha?
E quanto valeria para vós, eu torcer pela Espanha e não ver o jogo?

[Portugal tem uma hipótese, porque desta vez não joga no dia do meu aniversário. a não ser assim, até escusavam de acender uma velinha, que era kaput certinho. há precedentes.]

Terça-feira, 26 de Junho de 2012

Estava eu posta em sossego, quando insígne blogger que eu não posso linkar mas dá pelo nick de Charlotte me desafia. Como sou uma pessoa para lá de espectacular (o blog é meu, eu digo o que eu quero), está um calor do caracinhas e não me apetece fazer mais nada (nem me ocorre qualquer bacorada significativa para postar, o habitual), vou responder à chamada.
O desafio (adaptado) consiste em:

1. Quem recebe esta etiqueta deve postar 11 factos sobre si.
2. De seguida deve responder às 11 questões que quem deu o selo colocou e escrever 11 novas perguntas para as pessoas a quem oferecer o selo responderem.
3. Escolher 11 bloggers e linká-los. [tá bem abelha, olha a trabalheira]
4. Não se pode etiquetar quem nos etiquetou. [garantido]

Ora cá vai, onze interessantíssimos e nada abonatórios factos sobre moi.


11 Factos

1. Tenho um ódio de morte, feroz e muito acirrado, a marquises. Acho-as o símbolo, por excelência, da nacional-patetice: num país onde há dois ou três meses de inverno (e nem muito maus) fecha-se a varanda para isolar a casa? Ou arranjar espacinho extra? Hello, comprassem uma casa maior. O meu sonho é criar um movimento cívico de intervenção armada, o BAM: Brigada Anti-Marquise. Traz o teu calhau da calçada e juntos destruiremos esse flagelo.

2. Tenho uma fobia irracional e avassaladora a agulhas. Não é bem irracional, que sei precisamente o que a desencadeou. Só faço análises se a) tiver mesmo de ser; b) estiver mais que ligeiramente acagaçada com o meu estado de saúde. Sim, já “perdi” muitas receitas de análises. E continuo viva.

3. Quando era miúda tinha ciúmes doentios do meu irmão, e inventava histórias terríveis, desde o clássico “és adoptado” até doenças que não existem. Ele não acreditava em nada, o estúpido.

4. O sentido de humor é a minha tábua de salvação, sempre. O meu sentido de humor, sublinhe-se: a minha prioridade é rir, não é fazer rir. Aliás, o que mais ouvi, toda a vida, da senhora minha mãe, foi “não tens gracinha nenhuma”.

5. Peso 75 quilos e tenho 1,67 m. Blogosfericamente, portanto, sou gorda. Vivia melhor com menos 5 ou 10 quilos, but look, this is the amount of f#ck i give: none.

6. Há 21 anos foi-me diagnosticada perturbação de ansiedade, depressão e síndrome do pânico, e tomo anti-depressivos desde então. Já estive pior, tomei mais cenas. Já tive vergonha, já não tenho. Se falo disto é por esta razão: não é nenhum drama, é incapacitante mas pode-se controlar a coisa para níveis aceitáveis, consegue-se viver com isso e até ter a funcionalidade de uma pessoa normal (não é o caso, adiante - e até dá para umas piadas boas, que também não é o caso desta). Se com este discurso consegui motivar ou inspirar alguém, foi sem querer, desculpinhas. Só queria dizer que ser fraquinho de cabeça não é ser anormal. Há anormais altamente funcionais, e não deixam de ser anormais. E notem bem: mais vale neurótico que psicótico. Se alguém que me lê é psicótico, na boa para inverter as orações.

7. Antes de fazer qualquer tarefa que me desagrada, passo um tempinho a queixar-me, a deprimir ou a sentir-me miserável. Na verdade, às vezes passo mais tempo a queixar-me do que me duraria fazer a cena. É uma maneira de ser. Atenção, isto não é procrastinar, é dramatizar. Só para que fique claro.

8. Padeço de indigestão crónica e refluxo gástrico, e há um batelão de cenas que não posso comer. Isto faz de mim a mais chata das clientes em qualquer restaurante, porque tenho de saber o que leva cada prato (incluindo condimentos) e como é cozinhado. Acho que não seria bem recebida num restaurante daqueles chefs hipé, por isso nem tento.

9. Considero-me uma pessoa muito bicho do mato, miss pata na poça, uma inábil em ocasiões sociais, para não dizer fóbica social, mesmo. Evito. É uma descarga de adrenalina muito intensa, um esforço horrendo, que isto de parecer uma pessoa normal (ou pior, interessante!) não é fácil. Com muito treino consegui reduzir a mínimos históricos os trambolhões patéticos, o derrube de objectos, o entornar de bebidas e até os actos falhados. Mas é uma canseira.

10. Não tenho muito jeito para nada em especial, e gosto de muitas coisas em geral. Disperso-me com imensa facilidade, e muitas vezes não acabo os projectos que inicio. Canso-me. A mim mesma, com esta inconstância.

11. Fui caixa d’óculos, bucha e marrona na escola. Ou, pelo menos, era o que os outros diziam. Deixei de ser caixa d’óculos aos trinta e poucos, e foi das decisões que mais me custou tomar: a intervenção implicava tubo de soro. Medinho. Miufa. Só do tubo de soro. (doeu, já agora).

11 Respostas

1. Fantasia literária: sim ou não?
- Sim. Sou boa boca, leio tudo, até a Dica da Semana.
2. Quantos livros da Margarida Rebelo Pinto leste?
- Zero. Afinal não sou boa boca.
3. Se tivesses de optar entre uma vida sem comer a tua comida preferida ou um mês a comer apenas isso, qual escolhias?
- Um mês a comer o que gosto, duh. O chiclate tem tantas variantes.
4. Qual a resposta para a vida, universo e tudo? (não vale googlar)
- Diz que é 42, mas para fins de contradição, arte em que sou muito versada, proponho 31. É um número bem mais fofinho.
5. O que apareceu primeiro, o ovo ou a galinha?
- O McNugget, for all I care.
6. Preferias tatuar "amor de mãe" (local à escolha) ou fazer um piercing no mamilo?
- Nem um nem outro, por favor. Afastem de mim as agulhas, mesmo para fins recreativos ou estéticos. Já foi uma tourada, furar as orelhas.
7. Há alguma série da qual consigas citar uma cena de praticamente todos os episódios?
- Não, tenho memória de galinha. Mas consigo arranjar uma tirinha da Mafalda para quase todas as situações da vida.
8. Comprimido azul ou vermelho?
- Não aceito medicação de estranhos.
9. Interior do Alentejo ou de Trás-os-Montes?
- Alentejo, sempre.
10. Se só pudesses escolher um jogo para jogar o resto da vida, qual seria? (computador, consola, etc... não valem respostas filosóficas de "Jogo da Vida" e afins)
- The blame game. Tão tuga, tão judaico-cristão (vou registar a ideia).
11. Um amigo encontra-te na rua, entrega-te um pacote que deves esconder e diz-te que não o abras sob risco de morte. O que fazes?
- Se tivesse um amigo dessa qualidade, o que ele merecia era que eu aceitasse o pacote e depois lhe desse o mesmo destino que às receitas de análises.

11 Perguntas
Como sou um bocadinho torta, não vou linkar ninguém nem passar a bola. Tal como não ma passavam nos jogos de educação física, mesmo quando estava desmarcada e mesmo à beirinha do cesto. Pirraça. Quem quiser pegar, que leve.
Perguntas? Ora, que trabalheira, mas até faço.
1. Porquê? [my all time favourite, ask mum]
2. A sério, porquê, não há nada melhor para fazer?
3. Pronto, isso quer dizer que és tão deprimente como eu, é?
4. Ok, não queria ofender, mas és uma pessoa assim, tipo, cheia de paciência, não?
5. Adiante, gatos ou cães?
6. Canários ou piriquitos?
7. Carne ou peixe, ou és um chato de um corta relva?
8. O que é mais chato, marcar bainhas ou costurar bainhas?
9. Sabes/gostas de mudar lâmpadas de médios e mínimos num carro?
10. Se sim, estás disponível hoje?
11. Qual é o melhor tipo de carne de vaca para picar?


Pronto, e é tudo. As minhas perguntas parecem assim um bocadinho parvas, muito centradas nas necessidades de quem as faz e não no interesse em conhecer quem as responde? Ora, que disparate. E se não gostam, façam as vossas.

Segunda-feira, 25 de Junho de 2012

O meu dia a dia é mais merdoso que o teu

Ideia para reality show, em que pessoas respondem à pergunta "então, o que fizeste hoje?". Ganha o que fizer adormecer mais pessoas do público.
Os outros concorrentes iam só para encher chouriços, que o prémio final já estava no papo. Nas calmas.

Sexta-feira, 22 de Junho de 2012

Entretanto, lá em casa há brinquedo novo

O televisor antigo já está reparado, mas como não me fio que dure (é do tempo da reforma por inteiro aos 60 anos) já tem como destino um local onde não vai ser tão usado lá em casa. No seu lugar está agora um LCD todo supimpão. Não me perguntem muitas esquisitices téquenológicas: é LED porque gasta menos, classe energética A+, tem 4 entradas HDMI porque precisamos de 3, e diz que está preparado para o 3D (caguei). Ainda nos tentaram explicar as vantagens de uma smart tv, mas os nossos cérebros desligaram passados 30 segundos. Acho que era audível o tuuuuuuuuuu que emitiam. Consigo ligar e desligar este (agora não têm botão, os maganos), e já não é mau. O principal é que custou dentro daquilo que tínhamos estipulado gastar.
Durante os dois primeiros dias sofremos algumas tonturas e vertigens, que não estávamos tão habituados a ver as pessoas tão perto e tão bem. Capaz de dar para contar os pelos do queixo dos actores. Agora que já estou habituada, fuck, o que andava a perder. Ô, telão bão. Vimos a trilogia Regresso ao Futuro em HD e cena, méne. A chatice é que os DVD antigos, de filmes ainda não digitalizados, parecem um trigueiral: grão a perder de vista. Mas se pensam que agora vamos repor tudo em blurrei, pirete.

Quero bolo. De chocolate. Com gelado. De chocolate.

Só para avisar que o excesso de cansaço já deu fomes inacreditáveis, já passou a fastio aborrecidinho, deu a volta e regressou aos apetites incontroláveis. De vez em quanto senhora minha mãe repreende-me, insiste que devia deixar de fumar; respondo-lhe que sim senhora, mas isso só acontece deixando de trabalhar. Para emagrecer acho que só lá vou com a mesma receita. Sim, que se o trabalho desse saúde, vendia-se na farmácia.

(raciocínio não válido caso a depuralina se venda em farmácias)

Quinta-feira, 21 de Junho de 2012

Ainda dizem que o povo não tem sentido de humor

Contaram-me, que eu ainda não vi, que há por aí quem tenha vindo trabalhar vestido de preto ou com braçadeira negra no braço. É, hoje é o dia de óbito (oficial) do subsídio de férias (eterna saudade).

Quarta-feira, 20 de Junho de 2012

Juro que ainda estou para entender

O ar orgulhoso e altaneiro com que andam na rua certas mulheres, malonga fake-mais-fake-não-há dependurada no bracinho. A sério? A sério? Que ainda enganem alguém, vá, dou de barato; mas que se enganem a si próprias é desolador. E ainda que fosse the real thing, far-vos-ia mesmo mais elegantes, top, fantásticas, maravilhosas? Nope. Lamento.

Terça-feira, 19 de Junho de 2012

A ver se com este singelo exemplo consigo fazer passar a verdadeira imagem do farrapinho triste, andrajoso e amarrotado em que o trabalho me transformou

Isto anda de tal maneira que há coisa de quatro dias habita no meu congelador uma caixa de gelado de chocolate, e ainda nem tive apetites de a encetar.

[muito mal, ando muito mal]

Domingo, 17 de Junho de 2012

Já mereço um subsídio do IFAP

É sempre grato saber que as lagartas continuam a apreciar o meu mangericão, e que não se deixam incomodar pela água com sabão hipé-ecológica com que o borrifo;

Suspeito que tenho um formigueiro alojado no meu minigarden, e que as ditas se alimentam das dezenas de sementes de salsa, mangericão e coentros que teimam em não germinar;

As petúnias estão lindas e muito frondosas, mas começaram a sofrer de uma moléstia que não faço ideia do que seja, mas se manifesta numa poalha branca que seca as folhinhas;

A cochonila aprecia o ramo do alecrim e já alojou lá a família;

Senhora minha mãe assegurou-me que era quase impossível matar uma avenca, mas enganou-se;

Ainda estou a ponderar se vale a pena o esforço de germinar aromáticas em casa, nos vasitos de cartão, se depois de as plantar no minigarden apenas vão servir de ementa mais variada à lagartagem (e incentivo para que as formigas o procurem cá dentro de casa);

Como sou uma eterna sonhadora, adquiri sementes de tomate cereja e de rúcula; como sou uma pessoa com pouca resistência à frustração, e que já anda a achar que o universo lhe anda a mandar umas dicas sobre o seu futuro como horticultora, ainda não as pus na terra; 

Entretanto, se alguém souber onde se arranjam comedouros de passarinhos fixes para pendurar, avise sff.


Sexta-feira, 15 de Junho de 2012

Mais provas do meu desinteresse como blogger, caso sejam necessárias

- Estou-me positivamente nas tintas para as tricas do casa-descasa de figuras mais ou menos públicas, nomeadamente Luces e Djalós, e não conto gastar nem duas linhas a comentar o assunto;
- Borrifo-me mais que completamente para o futebol em geral e euros ou mundiais em particular, mesmo estando a selecção nacional ao barulho.
Quanto ao último item gostava de receber um grande obrigado, porque nas poucas vezes em que fui obrigada a assistir, muito contrariadinha, a qualquer jogo da selecção, esta perdeu. De nada.

A minha vida é tão interessante que nunca chegarei a blogger de sucesso

Não fui aos santos (aliás, santo, o Antoninho), que sou uma alfacinha desnaturada e se gostasse de andar uma noite inteira a chutar ou pisar latas podia fazê-lo no sossego do lar; por falar nisso esta foi a primeira noite de Santo António em quatro anos que passámos em Lisboa, melhor, em Portugal, este ano os feriados separaram-se em duas semanas e há a recessão e o caracinhas e foi o melhor que se pode arranjar. Não comprei nada na zara, aliás, já não me lembro da última vez que lá entrei e muito menos da última vez que lá vi alguma coisa que me tentasse. Não há sapatos novos, nem bikinis ou corpo que os vista, não há férias senão daqui a um mês e não vão ser passadas em destino exótico com águas tipo caldo.

O mais que temos, e tem vindo a ser uma constante de há sete anos a esta parte, são as conversas parvas ao piquen'almoço, a horas pornográficas e enquanto os neurónios tentam o arranque, sendo que o tema de hoje recaiu sobre os méritos e dificuldades do homicídio à sacholada. Do lado dos pró, eu; do lado do contra, ele. Acho-o um método manual cheio de graça e encanto bucólico, que além do mais evidencia que o perpetrador não é nenhum calão (um gajo não anda de sachola ao ombro nos tempos livres). Acresce o bónus de dar uma estupenda manchete do Correio da Manhã, e garantir os 15 minutos de fama a que todos temos direito. Mate acha um método muito sujinho, que salpica tudo, sendo que o sangue e massa encefálica ainda são coisas chatas de limpar da roupa e dão vestígios muito evidentes. É um rapaz muito asseado e que já viu CSI a mais. Diz ele que também tem a dificuldade acrescida de se acertar, à primeira, à distância de um cabo, em cabeça alheia. Obviamente negligenciou o efeito surpresa e a força multiplicada que tal cabo propicia, tipo efeito alavanca ou assim. Saímos de casa com ele sugerindo a criação de um movimento cívico intitulado "Ajude um Empreiteiro", que a economia, abatendo este espécime essencial, irá fazer mirrar toda a indústria do alterne, comércio de automóveis de alta cilindrada (agora parece que se usa o tipo-jipe, em branco), e uísque marado. Tema muito importante, e esquecido por quem nos governa, o habitual.

Enfim, dada a pobreza da amostra sobre o que de miserável e triste a minha vida dá para contar, não admira que este blog ande pelas ruas da amargura. Já inventava uma vida mais glamorosa, mas, como já se percebeu, nesta cabecita só germina a parvoíce extrema e pouco mais.

Terça-feira, 12 de Junho de 2012

Ideias à solta depois de comer uma bifana, ou como o marquetingue é uma coisa para lá de eish-pectacular

Não sei se conhecem aquela tirinha da Mafalda em que uma cliente do melhor merceeiro do mundo - Manelinho! - lhe pergunta se as azeitonas são boas, e ele responde um hum, hum, próprias para executivos! A senhora prova, cospe com ar agoniado, e ele conclui que o problema é as pessoas terem uma visão demasiado idealizada dos executivos.

Além de ser hilariante, temos aqui uma bem humorada lição sobre o marquetingue, isto é, nem o melhor sobrevive à real qualidade do produto. Ah, e mesmo não podendo provar antes de comprar, um gajo só cai uma vez.

E vem isto a propósito de? Sim. Ontem jantei uma bifana. Porquinho preto passeado, carninha selecção continente, dizia a embalagem. Em verdade se diga, eles não revelam os critérios da tal selecção, mas agora já desconfio. Nem publicitam onde levaram o bacorinho a passear, mas suspeito que foi a um aterro sanitário, onde o deixaram alimentar-se à sua vontade com o que a natureza ali lhe ofereceu, e de onde voltou pretinho, pretinho, não de raça, mas de sujidade.

Pronto, era só isto. Ou me dedico ao vegetarianismo, ou arranjo um talho de confiança, ou encontro um poço de petróleo no quintal, as hipóteses de sucesso parecem-me as mesmas.

Segunda-feira, 11 de Junho de 2012

A primeira foi a última

Pela primeira vez, em quarenta anos, tive a oportunidade de assistir a uma missa completa. Mentira. Acho que já assisti a uma, num casamento, quando tinha uns cinco ou seis anos, mas não vale: não prestei puto de atenção ao que se passava ali para os lados do altar, entretida que me mantive a olhar para a igreja, as talhas, as figuras, os vitrais. Mas voltando à vaca fria, eu, ateia, por razões que não interessa muito escalpelizar, assisti a uma missa que por acaso até era a primera de uma série de crianços que por lá estavam. Sacramentos e assim, não me perguntem mais que não sei. Várias coisitas me ocorreram, assim de repente:
1) A concluir pela amostra, não andava a perder nada;
2) Já tive a oportunidade de agradecer à senhora minha mãe nunca me terem enfiado nestes assados;
3) Se calhar, nos dias que correm, tudo o que vem à rede é peixe, mas a ICAR não perdia nadinha em fazer um recrutamento e selecção mais rigorosos dos seus sacerdotes, e umas avaliações de desempenho também não iam nada mal;
4) Se começam com uma leitura do livro do Genesis, e dado o público alvo e situação em causa, podiam escolher uma coisa menos complicada (filosoficamente falando) que a cena da maçã, pá, a não ser que a mensagem fosse "obedeçam";
5) Seguir daí com prelecções sobre o mal, a serpente malvada que é o Satanás e não sei que mais, ó filhos, os putos ainda não têm idade para distinguir bem o cu das calças, se calhar começávamos pela definição do que é o bem, sem ser por antítese ao mal, uma opinião muito minha, pronto;
6) Se calhar davam aos sacerdotes um bocadinho de formação em psicologia infantil e pedagogia, penso eu de que, que está mais que demonstrado que os putos seguem mais depressa a cenoura que evitam a chibata, chama-se reforço positivo, vamos a isso;
7) A propósito, não, não me parece que Jesus fique zangado se não forem à missa todos os domingos, e não, não acho que Jesus funcione numa de só podem pedir se também derem, mas se calhar li um evangelho diferente do do senhor padre;
8) Ligado ao referido em 3), e esmiuçando, tenho cá para mim que a um bom padre não chega ser beato até ao ridículo e ter sotaque de Viseu; dotes de oratória são capazes de ajudar e, já agora, um bocadinho mais de trabalho a preparar os sermões e leituras, há muito por onde escolher e conseguia-se uma unidade temática interessante, em vez de se pisar e repisar sempre no mesmo;
9) Não há pachorra para o senta-levanta-fica de pé até estalarem as varizes que até nem tínhamos; um gajo é ateu mas um gajo tenta demonstrar respeito, mas um gajo às tantas já não se aguenta nas canetas e um gajo decide que fica sentado até ao fim, caneco, que aquilo dura e dura e dura;
10) A apreciar pela carita e ar alheado da maioria dos putos de túnica branca, mantenho e re-mantenho a minha opinião de que esta tradição católica de te baptizar quando nem uma palavra sabes articular, e te por a comungar antes da idade da razão, é uma bizarria total, sem qualquer suporte nas escrituras, inventada pela igreja, durante muito tempo justificada com um argumento bem cruel, o de os petizes não baptizados irem parar ao limbo de onde agora foram despejados porque deixou de existir.  Valor, valor, tem alguém decidir aderir, de livre vontade, formada esta quando já existe - e atenção, uma criança pode ter tal vontade. A educação religiosa começa em casa e, se a criança criar interesse, então que se leve a missas, acompanhada pela família, se introduza na vida religiosa. O que não entendo, não me entra, é esta palermice de obrigar os putos a catequese e primeira comunhão, quando muitas das vezes os pais nem participam activamente na igreja, marimbam-se para as missinhas, e até se dizem católicos não praticantes. News-flash: se não são praticantes, são cristãos, não são católicos. Ser católico implica a participação, acho eu. Conheci muito boa gente que batia punhos no peito, citava a bíblia, se escandalizava com a minha falta de fé, e nunca punha os cotos numa igreja. Para esses: batatinhas e piretes.

Sábado, 9 de Junho de 2012

Obrigada, universo

Por, antes de termos recebido o reembolso do IRS, mas depois de termos visto o orçamento para obras que é mesmo preciso fazer cá por casa, nos teres avariado de vez o televisor. Verdade, já andava a ameaçar; verdade, o reembolso já estava meio prometido para um novo; mas o que se discute não é o fundo da questão, mas o timing da mesma.
Um bocadinho mais atenção de futuro, sim? De nada.

Sexta-feira, 8 de Junho de 2012

Acho mal

A vida não é justa é o tipo de disco riscado que se ouve desde pequenino. No meu caso, associo a frasezinha ao meu sentimento naqueles dias muito simpáticos, em que me levavam a passear ao Chiado, na época do Natal, e era confrontada com soberbas montras recheadas de épicas construções em lego, que nunca caberiam no subsídio de Natal debaixo da árvore. Por mais que me dissessem que é mesmo assim, e que algumas pessoas não têm e não podem, aquilo estar ali era uma provocação. Com certeza haveria quem pudesse, e o injusto era não ser eu. Daqui ao ressaibo anarca de morte aos ricos foi um pulinho. Para além da intuição ideologicamente correcta, que também albergo no meu coração de pedra, e que se traduz no asco a que poucos tenham muito e muitos tenham pouco, quando tudo dava para que todos tivessem maizoumenos (e ser, portanto, teoricamente possível haver enoooormes e colectivas aldeias de lego onde todos brincariam - ó eu numa de Torre Bela - ou, ao menos, pudesse eu e todos termos medianas e muito satisfatórias aldeias de lego).

Depois cresci. E reconciliei-me com a realidade. Pronto, aceito que alguns tenham muito, mas muito mais. Não aceito bem, mas admito. Chateia-me é que muitos tenham quase nada, isso sim. Ainda assim, continuo a ter formigueiro na ponta dos dedos e uma vontade louca de me dedicar ao arremesso do cocktail de molotov quando me deparo com certas assimetrias. Que nunca aconteceriam se eu ganhasse o eurocoiso, que eu cá seria uma milionária muito simpática. E modesta: não era preciso ganhar muito para ter a minha sonhada vida de ócio, viagens, uma casa com jardim de terra-terra onde plantaria um limoeiro, passar o resto da vida a aprender o que gostasse, enfim, a coleccionar cursos. Por isso faz-me uma imensa comichão na mioleira ver como alguns afortunados gastam o seu bem ou mal ganho tostão milhão. E não, não vou falar de jogadores da bola, mas de um indivíduo que calhou aparecer no meu televisor quando fazia um zapping decrescente desde o zone reality e parei no TLC (essa pequena arca de tesouros freak): o tipo ganhou 75 milhões de pastéis de bacalhau na lotaria, e o que fez ele, para além de comprar três casas? Dedicava-se a adquirir, a pronto (pudera), tudo o que fosse veículo motorizado. O bandido tinha já gasto 600 mil dolarecos em carrinhos, camionetas, barcos, motas (incluindo de água, duas que nunca tinha utilizado). A plena e satisfatória vidinha deste meliante consiste em entrar em stands, olhar para o que ainda não tem, escolher, pagar e levar. Eu sei que daquele lado do oceano a gasosa é barata, mas isto é ridículo. Tão ridículo como encher um closet de sapatos, verdade, mas ridículo. Palerma. Insensível. Idiota. Pateta. Poucochicho. Imbecil. De uma vacuidade estonteante. Que isto do dinheiro pode tirar-te da pobreza, mas não arranca a pobreza que há em ti.

[mas estou disposta a provar o contrário, ó chave do euromilhões. vá, unzinho. só unzinho para a tal da casa e ainda me sobram uns trocos para a reforma.]

Quarta-feira, 6 de Junho de 2012

A gerência aconselha

funny pictures - A Purrfect Slogan
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Manifesto

Nestes tempos conturbados que vivemos, em que todos os dias somos arrastados numa enxurrada de (mais) más notícias, em que os pilares da democracia sofrem ataques soezes, a liberdade de informação é posta em causa, em que se adensa a suspeição sobre quem nos governou e quem nos governa, em que os números do desemprego se agudizam, em que a esperança nos deixa,
Aguardo ansiosamente,
Que a sociedade civil se revolte, faça ouvir a sua voz, se una num grito que possa ser ouvido de norte a sul, e reclame com firmeza e convicção, de uma vez por todas, aquilo que é fundamental e que é:
Não há direito negarem-nos também a vista de gajedo nu e verdadeiramente descascado nas páginas de uma revista.

O que é importante é importante, e bem haja a quem sabe distingui-lo.

[pobres de espírito, se tendes entrada directa no reino dos céus, compro já bilhete para as profundezas do inferno]

Terça-feira, 5 de Junho de 2012

Sei lá, coiso, ihihihihih

Cada vez que saio das mãozinhas do meu cabeleireiro sinto-me assim como uma tópe-model, uma estrela vipe, uma socialaite supé, uma blogo-féchionista, uma princesa romântico-gótica-moderna. Depois passo em frente a uma montra, um espelho de corpo inteiro, e pergunto-me onde é que aquela secretária de escritório de contabilidade arranjou um penteado tão giro, é pena é o resto.

Sou uma vítima da Lei de Murphy e pretendo uma indemnização

Outro dia tive a veleidade de me gabar de que, passado um pico de trabalho que me dura desde meados de 2003 (para não recuar mais), agora andava a ter, finalmente, uma relativa boa vida, perpectivando até, na loucura, começar a fazer jornadas de oito horas diárias de trabalho e tal, quiçá começar a sair às cinco e meia e assim.
Entretanto o universo, que tem ouvidos de tísica e um sentido de humor de duvidoso gosto, esfregou as mãos de contente, não deixou passar a oportunidade de me cair em cima e pumbas, deixou-me de bracinho ao peito, olho à belenenses e com equimoses várias. Obrigadinha por nada (e diz que depois das férias ainda vai ser pior, olha que maravilha).