Quinta-feira, 31 de Maio de 2012

Mantra do dia

So much to bitch about, so little time.

Ele há dias que mais valia trancar-me numa cave e engolir a chave

Estou aqui com um nervosinho miúdo na ponta dos dedos que normalmente só se cura comprando um par de sapatos de que não precise.

[ontem voltei para casa com uma blusa nova, mas não conta, porque foi uma compra absolutamente sensata]

[e cuecas, mas também muito práticas, sensatas, e absolutamente necessárias]

[ando cá com umas nóias de ténis amarelos. até sonho com uns. onde é que anda a pê-ésse-pê nestas alturas, para algemar quem precisa, hum?]

Quarta-feira, 30 de Maio de 2012

Este blog lamenta e pede desculpa aos amáveis leitores pela prolixidade dos últimos posts

Mas não tenho tempo para ser mais sucinta.

[cheira-me que tenho ali na mesa do laboratório um Caloteirus invictus para dissecar]

Terça-feira, 29 de Maio de 2012

Zoologia, essa ciência tão esquecida

Olá pequeninos! Saudades da titi Izzie, e das suas educativas e interessantes prelecções? Eu sei! Eu sei! Acalmaide então vossas manifestações de júbilo por minha presença e sentaide-vos à minha roda, enquanto vos desvendo mais um mistério da natureza, desta feita sobre alguma da simpática fauna que faz deste ameno e florido rectângulo à beira mar seu habitat natural. Tomaide notas, que trataremos hoje de tema muito importante, todavia olvidado por tantos naturalistas, decerto invejosos por não possuirem em seus países este magnífico exemplar. Muitos chegam ao topete de negar a sua existência, outros simplesmente insistem em o incluirem no ramo mais genérco dos Lusitanus Simplex, mas nós, que cá vivemos, sabemos que se trata de uma derivação que merece qualificação própria.

Falamos do Trafullis piratus lusitanus, esse amável mamífero da família dos primatas. O Trafullis (chamemos-lhe assim, por comodidade) caminha sobre os dois membros inferiores, erecto, embora seja visível uma pequena curvatura na parte superior da coluna. Tal deve-se ao recorrente hábito que o exemplar desta espécie mantém de se fazer passar despercebido, e melhor se esgueirar, furtivamente, por entre a multidão, quando detectado. O Trafullis tem actividade recolectora e/ou caçadora: não produz quaisquer artefactos, não se dedica a trocas, nada. O Trafullis passa todo o seu tempo de vigília tentando detectar uma presa, enredá-la e cercá-la até a conduzir ao seu território natural, e ali a confrontando com determinada situação da qual só poderá sair se ofertar ao Trafullis todo o seu espólio. Então, e enquanto contempla o sucesso que o manterá durante muito tempo, é comum observar o Trafullis utilizando as extremidades dos membros superiores esfregando-as uma na outra, enquanto esboça um esgar que se pode assemelhar a satisfação; tal semblante, porém, é imediatamente desfeito quando se dá conta de ser observado, ou se encontra na presença de terceiros, perante os quais consegue justificar os inesperados ganhos com o seu esforço e mérito pessoal.  Apesar de se tratar de caçador que não despreza qualquer presa, o Trafullis tem especial apetência pelo Estupidis insegurus lusitanus, conseguindo até que o mesmo exemplar desta sub-espécie seja por si capturado mais que uma vez. Se não conseguir detectar um Estupidis, o Trafullis não se faz rogado em perseguir qualquer Lusitanus simplex, ou mesmo Estrangeirus incautus - é a globalização! São também mencionados casos esporádicos em que o Trafullis levou a melhor sobre Prevenidus inteligentiis lusitanus, mas não existe nenhum relato certificado, o que decerto também se prenderá com a exiguidade - ou natural discrição, quiçá - de exemplares desta família disponíveis para estudo e entrevista.

E agora, pequenitos, perguntaides vós a titi Izzie, como, como posso eu distinguir os Trafullis piratus lusitanus, evitando cair em suas sedentas garras? Ah, amiguinhos! Pudesse eu sossegar vossos inquietos espíritos! Atentai: o Trafullis não é portador de qualquer sinal distintivo, o Trafullis é ser mimético, que caminha e vive entre nós, e até logra dar aos que o rodeiam a sensação de que é pessoa séria e interessada, honesto e de primorosa civilidade, qualidades que não se cansa de apregoar como suas. Só quando encurralados, num beco escuro, o distinguireis pelo esgar demoníaco, e então será tarde de mais! Existem relatos de existirem alguns exemplares de Lusitanus simplex dotados de um poderoso olfacto que os permite distinguir dos demais; mas temo tratar-se de pura mitologia.

Sexta-feira, 25 de Maio de 2012

O sofrer faz parte do meu viver

Aquela maltinha que acha fofi-romântico-deliciosa aquela espécie de musiqueta indigente do anda comigo ver os aviões não deve trabalhar num edifício por baixo da rota de aterragem. Just sayin'.

Gosto muito disto

Agora a maltinha preguiçosa também já pode participar na campanha, sem levantar o cuzinho do sofá: ó aqui. Não me importava nada de aproveitar, mas tenho mesmo de ir ao super este fim de semana, faço a doação presencial. Suspiro.

Quinta-feira, 24 de Maio de 2012

Tenho muitas ideias, e todas elas más



Pergunto-me se haverá mercado para sessões de coaching que consistiriam apenas e tão só em eu aparecer e estar ali um bocadinho à conversa, a contar a minha vida, a mandar as minhas habituais larachas e tal, sendo que o tema e objectivo seria demonstrar às pessoas que não existe virtude nenhuma em se trabalhar de mais e o bonito resultado que daí pode advir.

Dúvidas, dúvidas que me esmagam.

Dos seguintes eventos, quais poderei incluir numa definição de "privar" com sr. Fulano de Tal ou Sra D. Sicrana Beltrana:

- passei por eles na rua;
- bebemos bica no mesmo café (uma só vez);
- usámos o mesmo elevador e, com a mãozinha no comutador, perguntei-lhes "vai para que andar?";
- estivémos na mesma esplanada;
- na mesma festa / hotel / praia / concerto / espaço whatever, a distância inferior a dois metros, e por mais de cinco minutos;
- em qualquer das situações anteriores, comentei com os ditos o estado do tempo;
- na mesma festa / evento, mas eu conhecia pessoalmente os anfitriões que os convidaram e troquei conversa de ciscunstância com;
- perguntei-lhes as horas / pedi direcções;
- assisti a um seminário / conferência dado por eles;
- idem, mas interpelei a mesa / coloquei dúvidas;
- contactámos em âmbito puramente profissional, e os supra mencionados já nem se lembrarão do meu nome e/ou da minha cara;
- ou simplesmente cruzámo-nos no edifício onde trabalho, mas roçámos manga com manga;
- costumamos ir ao mesmo cinema, e já vimos muitos filmes na mesma sala.

Por favor, alguém me esclareça, que a minha auto-estima e estado famoso by proxy depende das vossas respostas.

Debate do dia

Ontem à noite eu e mate tivemos uma terrível discussão, sobre tema muito sensível e importante, e a nossa divergência pode ameaçar as fundações de nosso relacionamento e futuro de nosso amorrr. E eu, como sou uma blogger moderna, vim logo contar tudo, e colocar a questão subjacente ao escrutínio público, para que todos possam dar a sua opinião e dizer quem tinha razão (era eu, nem vale a pena, mas pronto).

Ora cá vai: qual é o pior ingrediente que se pode escolher por na pizza, tipo, um autêntico atentado a essa obra prima gastronómica, um belhác tamanho que nos faz ficar transidos de náusea a um canto? Eu votava no ananás, e ele no milho. Ele concedeu que ananás é mau, como eu concedi que milho é má ideia, mas nenhum de nós arredava que ananás/milho é que era o pior. Mencionei pizza havaiana, essa aberração culinária, várias vezes, mas ele não se demovia.

E agora, quem tem razão? Ananás ou milho, qual a pior para por na pizza?


[atenção, nem menciono coisas como delícias do mar, brócolos, ou frutas em geral, porque nem sequer reconheço como válida a possibilidade de se ingerir tais coisas em cima de pizza. Tão absurdo como agora impingirem pizzas de ervilhas ou feijão encarnado. Digo eu.]

Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

Quem nunca fez isto que atire a primeira pedra (ou oriente uns trocos para a medicação)

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Contra os canhões marchar, marchar

Cada vez que me passa pelo zap fazer uma paragem num telejornal, arrependo-me. Sempre, certinho, camadão de nervos. Ontem, uma das notícias em grande destaque envolvia o Senhor Doutor Bastonário (vénia) da Ordem dos Médicos a lamentar que se tenham gasto 45 milhões de euros com IVGs, que podiam ser gastos em coisas mais prioritárias, e que cada IVG custa ao Estado 700 pastéis de bacalhau, e renhonhó. Imagino o pessoal que é hábito emprenhar de ouvido aos gritos lá em casa, que é uma vergonha, e a avozinha há anos à espera que lhe operem as varizes, essas badalhocas que não sei quê, rua, apedreja e por aí fora.

Bom, ainda que ache este tipo de notícias, dadas assim, sem mais dados, não só irresponsáveis como também manipuladoras e perigosas, ainda por cima na época de crise que vivemos, não quero deixar de, seguindo o mesmo critério economicista e de continhas de papel e lápes, dar o meu lamiré mas em sentido contrário, ou seja, já alguém fez as contas de quanto poupa o Estado com cada IVG? Ora pois. Dizem eles que uma IVG custa 700 aérios*. E quanto custa um parto? Ninguém diz, mas aposto que é mais que isso, e olha quantos se pouparam. E o que se poupa em subsídio de maternidade? Ui. É menos uma malandra em casa a criar vínculo com um petiz, pá, e mais um par de braços a trabalhar pela produtividade do país. Depois, como isto é um país sério, em que não se estuda porra nenhuma, não há números quanto às mulheres que recorrem à IVG. Por idades até parece que sim, mas e origem social, estrato económico (por rendimentos)? Não sei. Era giro daí tirar conclusões, do tipo, quantas das que recorrem à IVG estão a poupar ao Estado anos e anos de abono de família e rendimento de reinserção. E depois, quantas teriam condições para criar e educar as crianças, dotando-as de meios para um dia serem cidadãos integrados e independentes? Não se sabe, mas olhem que o internamento de uma criança em instituições deve custar bem mais que 700 parrecos por mês, e de um delinquente maior de idade na pildra, nem se fala. E para os saudosistas do antes, do abortinho de vão de escada, quanto se poupou em cuidados médicos prestados a mulheres que o faziam e chegavam ao hospital todas feitas num oito? E subsídios de doença posteriores e consequentes?

Ora porra, brincar com números de forma demagógica e acéfala, a tentar criar confusão e acicatar o povinho a quem cortam tudo é fácil, até eu o consigo. Gostava era que os jornalistas não vendessem o peixe tal e qual lho venderam a eles, e demonstrassem um bocadinho de espírito crítico quando fazem as ditas reportagens. É tudo blablablá, tudo repetir mecanicamente o que lhes foi dito, e pensar um bocadinho? Ai, não, que trabalheira. Bruxo.


*acrescento eu que este número só é válido para uma IVG cirúrgica, que com comprimidos é muitíssimo mais barato. Ora como em quase todos os hospitais públicos o corpo clínico é objector de consciência, tendo as pacientes que ser dirigidas para o privado, sendo que no privado  - vá-se lá saber porquê - praticamente só fazem IVG cirúrgica, estamos conversados.
Atenção: não sou contra a objecção de consciência, mas que devia haver mais controlo sobre este abuso de método cirúrgico, devia.
Outra chamada de atenção: também não gosto de algumas coisas como estão, nomeadamente, não acho normal que cada IVG implique 30 dias de baixa - esta deve ser dada apenas se necessária e durante o tempo necessário - e muito menos acho normal que não exista uma obrigatoriedade de seguimento em consulta de planeamento familiar, sob pena de uma repetição de IVG ser ao menos cobrada parcialmente à utente. Um implante sub-cutâneo e já está, e IVG não é método contraceptivo, nisso acho que toda a gente está de acordo. Agora voltar ao antigamente, isso é que não, tenham lá paciência.

Segunda-feira, 21 de Maio de 2012

Cagacinho

Depois de um fim-de-semana com uma bem conseguida cura de sono [não vou dizer quantas horas dormi que não sou de pirraças], eis que mate sugere como programa de domingo à noite um filminho de fantasmas que, segundo ele, tinha tido boa recepção pela crítica e assim. Dada a garantia que não envolvia sangue a espirrar nem tripas a saltar, e como até se tratava de um texto que ponderei ver em teatro em Londres, anuí. Se até gostei do The Others, ora.

'Tá bem, abelha. Não tomem um xanax antes, um durante e um depois. Sou uma rapariga muito nervosa e sensível, que sou, e ia tendo um enfarte de proporções nunca vistas. Até ele, doutorado em Saws, mestre em Hostel, pós-graduado em slashers com psicopatas assassinos mascarados, confessou que pouco lhe faltava para desatar aos gritos como uma menina; ponto em que tive de por os pontos nos iii e frisar que não era comportamento adequado ao homem da casa. Alguém tem de [fingir] manter a compostura.

E pronto, fonte de suspense e cagaços monumentais, que é, mas um filme muito bem conseguido. Nada como uns fantasminhas vitorianos para nos eriçar todo o pelinho corporal. Verdade, os fantasmas de antigamente é que eram. Chiça penico.

Sexta-feira, 18 de Maio de 2012

Vende-se, aluga-se, troca-se, dá-se

Cozinha mobilada com móveis tipo rústico, tampos em lioz, equipada com frigorífico, fogão, máquinas de lavar, microondas e esquentador; torneira misturadora moderna, mesa de refeições, máquina de café, torradeira e chaleira eléctrica, espaçosa, boa iluminação. Oferece-se serventia de porta de entrada e corredor, acesso à varanda. Pede-se serventia de frigorífico e forno para aquecer pizzas, e uso de máquinas de lavar. Condições negociáveis, entrada imediata, descontos e/ou remunerações caso interessado ofereça serviços culinários.

Motivo: frustração total e irreversível após experimentar receita de queijada bolo de limão de Jamie Oliver.

Quinta-feira, 17 de Maio de 2012

E já que se fala de esquerda, para continuar

Se as greves de trabalhadores dos transportes públicos me chateiam? Claro que sim. Mas é mesmo essa a finalidade da greve, chatear os utentes, perturbar o normal funcionamento de determinado serviço e, por inerência, mostrar como esse serviço é essencial e as pessoas que o prestam devem ser mais valorizadas. Até posso achar que determinada greve não é oportuna, é injusta, não tem justificação, e explicar o meu ponto de vista. O que não posso, sob pena de mostrar ao mundo que regredi a um estado de evolução semelhante ao do australopiteco, é andar a berrar que aquilo é gente que não gosta de nem quer trabalhar, que deviam era estar no privado para ver o que é bom, mandasse eu e todos na rua, ou outras coisas semelhantes, terminem ou não com manifestação de saudades ao tipo das botas.
(tanta gente com vocação para trauliteiro acéfalo, jasus, e não os põem a britar pedra porquê)

Começamos mal

De link em link, porque sou uma fulaninha muito curiosa, fui ver o que era esse tal de manifesto para uma esquerda livre. Nem passei da primeira página do site: ora não é que o tal manifesto vai ser apresentado ao público hoje, às 11.30? Repito, às onze e trinta da matina. Não é à hora de almoço, não é em horário pós-laboral, é a meio da manhã, quando o povo e assim, sei lá, costuma estar a trabalhar. Um bocadinho burguês para quem se anuncia como um movimento cívico, para unir o pissoal numa esquerda moderna e do futuro, não? Assim de repente parece-me que se esquecem que a sociedade civil não tem os vossos horários.

(muitos piretes, políticos profissionais de merda do costume. ide-vos reproduzir.)

Quarta-feira, 16 de Maio de 2012

Quando não me apetece trabalhar faço listas

Acho que toda a gente tem preconceitos, o problema é que nem todos estamos preparados para os assumir. Cá moi não tem problemas nenhuns: já sei que sou ruim, e estou-me marimbando para a minha imagem. Donde, assumo na boa a minha listinha (post em construção).

Sou preconceituosa em relação a pessoas que:
- usam malas Tous ou, tendo mais de sete anos de idade, quaisquer acessórios da Hello Kitty;
- conduzem SUVs ou BMW;
- dizem coisas como fizestes ou portantos (sem ser no gozo);
- sorvem a sopa;
- acreditam ou divulgam boatos e teorias de conspiração;
- insistem que no seu blog dizem o que querem, o blog é meu, os outros se não gostam não leiam, blablablá, mas ficam mais que assanhados quando aparece alguém a discordar e aí lançam logo mão do argumento que a liberdade de expressão tem limites;
- não gostam de ler;
- acham que antigamente é que era bom e ao menos o Salazar nunca roubou;
- calçam peúgos brancos sem ser com ténis da mesma cor;
- falam alto ao telemóvel;
- acham que o nosso colonialismo foi melhor que o dos outros, e usam como argumento os mulatos;
- trazem as alças de soutien a ver-se em geral, e alças de silicone em particular;
- usam soutien preto por baixo de roupa clara;
- unhacas gigantes, com desenhos, piercings ou outras palermices;
- passam a vida a queixar-se que a vida está cara e ostentam unhacas de gel que custam dezenas de pastéis a por e uns 30 aérios por mês a manter;
- se queixam da família, amigos, vizinhos e conhecidos em público, alto e bom som, exemplos escabrosos a acompanhar (arranjem um blog, please);
- usam leggings como calças e colants como leggings;
- mulheres com Pandoras ou fakes similares;
- gente que dá nomes sonantes e betos aos filhos (qué feito dos Joões e das Anas?);
- (...)

Piada de elevada relevância social e acutilante actualidade

"Pago-te quando receber o subsídio de férias", por mano.

*lá em casa seguimos todos o caminho do funcionalismo público e/ou serviços do Estado. Somos uma família feliz, e com muito pouco sentido de mercado.

Pirataria, essa saída profissional tão desprezada

Mate avisa que, por muito que tente, não consegue encontrar na grande loja dos trezentos que é a internet o último episódio do Game of Thrones em formato compatível. Depois da terceira tentativa, e depois de algumas interjeições que me dispenso de reproduzir, afirma que desiste. Não desistiu. Agora a informação é outra: a HBO bloqueou tudo. T.U.D.O.
E estamos nisto. Não temos canal scy-fi porque a tuvisão não é HD (nem é plana, verdade, de cinescópio! surpresa: não trocamos de electrodomésticos de dois em dois anos). Não temos clube de vídeo do senhor Torrentino. E eu cheia de sódades do anãozinho.

Terça-feira, 15 de Maio de 2012

Repondo a verdade, toda a verdade, nua e crua, a verdade nem que doa

Parte dois, porque o horror nunca acaba e o sofrimento não tem fim
(sim, é um post com sub-títalo)

Poderia omitir, ficar apenas pelo post abaixo, e poupar a sensibilidade do estimado leitor a mais pormenores de uma train-trip blogosférica e encontro que se seguiu, mas ensinou-me a vida que partilhando também se atenua a dor, pelo que sou impelida a continuar, e assim me libertar.

Como se a desfeita de serem giras, inteligentes, e terem conversas a condizer não fosse suficiente, ainda tive o desgosto de constatar que a companhia nunca seria um bom target para uma série de uorquechópes que estou a pensar implementar (a saber: Como Fisgar um Gajo que vos Ature; e Titi Izzie Ensina a Educar os vossos Rebentos). Verdade. As moças têm ideias muito próprias acerca dos referidos assuntos, e parece que não dá para sacar massas ensinar quem pensa (cruzes) que uma relação está bem quando funciona (até tremo) e que a gente merece é um tipo que goste de nós como somos (credo) defeitos incluídos (o facto de nem ponderarem esconder tais defeitos até os terem bem agarrados com quatro rebentos, crédito da casa, carro e cartão de crédito faz-me perder a fé no meu género). Mas nem tudo se perdeu, e tomei notas de quem sabe, sendo que o mais apetitoso ensinamento veio de uma blogger com curriculum de irmã mais velha e que me forneceu o argumento final para explicar a uma criança porque é que naquele dia não pode fazer determinada coisa, a saber, porque é quarta-feira (ou outro, atenção ao calendário). Gostei muito e vou experimentar.

Mal sabia eu que outras etapas de humilhação se seguiam. Sim, as visitantes foram agraciadas com generosos gift-bags! É, um descaramento. E nós de mãozinha a abanicar. Não, não era maquilhagem da presente season, pior, muito pior, tratava-se de coisas de comer! Falsas. O que elas querem sei eu, mas mal acabe a regueifa, pastéis de nata e aquelas trufinhas sobre as quais ainda não tive estômago tempo para me debruçar, vão ser quinze dias a alface sem tempêro, e depois falamos. Veio ainda mais uma coisa de comer, mas aí traço a linha, nem pensar. Já não andar com ela ao peito é uma sorte, apesar de eu achar que dava um acessório muito féchion. Fica a enfeitar a minha cozinha rústico-urbana, muito conservadinha no saco de origem, e se querem igual invejem-me primeiro e depois vão à procura na Confeitaria Ideal de Oliveira de Azeméis. Ó aqui o biscoito lindo enfeitadinho em forma de coraçãozinho, entre máquina de café e chaleira eléctrica, e acompanhado de caixinha mimosa com coisinhas em chocolate:
E pronto, fica a prova provada que mesmo nem sempre merecendo, às vezes tenho mais sorte na vida do que esperava, e ele há gente muito, muito, muito. Não ponho adjectivo, que sou uma cabra insensível, e por muito que tentem não me verão comovida.

Segunda-feira, 14 de Maio de 2012

Repondo a verdade, toda a verdade, nua e crua, a verdade nem que doa

Conta a lenda que a um treze de Maio, mas não numa cova e muito menos em Iria, apareceram brilhando quatro Senhoras e uma azinheira. Diz que as senhoras são santas, e são mesmo, que é preciso muita força e determinação e, porque não dizê-lo, um certo desapego da sua reputação, para levarem a azinheira a passear. A azinheira achou muito grato o primeiro embate, embora tenha ficado um nadinha desiludida por nenhuma das senhoras ter levado a sério o ameaço de ir de scarpin bem alto, vestido esvoaçante, e quiçá capeline. Este pouco caso demonstra à saciedade que as ditas senhoras ou, mesmo que nunca a tenham visto mais gorda (e ainda bem: não há provas, nunca aconteceu) conhecem de gingeira a azinheira, ou não lhe prestam corno de atenção, o que para os devidos fins vai dar ao mesmo e só atesta o grau de inteligência e preparação das ditas senhoras. Verdade seja dita, a azinheira lamentou profundamente não ter feito uma poda de véspera, uma manicure aos ramos e uma pedicure à casca, que naquela companhia não se evidenciava nada, e todos sabem como as azinheiras gostam de ser o centro das atenções. Pois esta de que falo não ouviu nem uma vez elogios de que inveja! és tão féchion! gostava de ser comá ti! É o que dá um gajo dar-se com pessoas que têm mioleira e lhe dão bom uso, melhor que certas e ditas azinheiras, e ainda por cima têm a distinta lata de ser giras comó caraças. A título de exemplo salta-me só à memória certa e determinada blogger que espalha a confusão afirmando-se viciada em bolachas, descendente de pasteleiros e dos bons, só para nos apanhar desprevenidas e incautas quando exibe o seu corpinho Elle McPherson. E depois há outras que parece que sabem cozinhar e não precisam sequer de magas assistentes de cozinha (vulgo bimbis), e uma outra que não sei quê o marido arrumou-lhe a casa toda. Parece-me mal: um gajo vai ao engano, pensando poder suscitar violentas invejites e ressaibos, e volta é para casa carregadinha deles, salivando de ódio e frustração.

Mas não se ficam a rir. Não ficam não. Venham cá abaixo e vão ver. Isto agora é uma questão de honra: vai haver metropolitana a tocar uma marchinha à chegada do comboio a Santa Apolónia; António Costa a entregar pessoalmente a chave da cidade; o ceguinho rapper em todo o trajecto de metro até ao Chiado; roteiro blogger-spotting por todos os sítios chiques onde a blogosfera féchion e pink se passeia; fotografias em frente às lojas caras da avenida e na mão uma réplica do saco da marca photoshopado; sushi até o deitarem pelas orelhas; fotografias dos pezinhos pedicurados a mergulhar na fonte do Rossio; cupecaiques lá onde raio essa m€rd@ ainda se venda; gelado na Santini; brunch no DeliDelight; uma foto na Rua do Carmo todas com perninha levantada; e lista exaustiva de toda a trapália, sapatália e cosméticália comprada em cada blog.

Ou então vamos comer um tandoori ao Martim Moniz e apanhamos o elértico para a Graça para beber um xiripitiu a ver o por do sol, enquanto se continua a cumbersa que não desfazendo foi bem boa, que também serve e eu já percebi que daqui não levo nada quanto às minhas ambições de ser a blogger mais pinkosa e féchion do pedaço. Com quem eu me havia de meter.


Sexta-feira, 11 de Maio de 2012

It's just me

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Mamãe liga-me - como sempre em horário de expediente - e queixa-se de que ando muito agressiva. Segundo poço de sapiência que é mamãe, tenho de deixar de ser tão agressiva, a agressividade até me fica mal, e segue a dar exemplos. Suspiros. Como explicar a mamãe que o meu mau-humor sarcástico e feroz, a que ela, exagerada, chama agressividade, é o meu euromilhões? E que só sai aos poucos e privilegiados pelos quais nutro algo semelhante a sentimentos? Sim, que a minha bonomia, a minha candura, a minha suave amabilidade esgota-se toda com os atrasados mentais que sou obrigada a aturar diariamente. E hoje, sexta-feira, às quatro e meia, já não havia. 

O Estado a que chegámos

Tive hoje notícia de que acabou aqui o stock de um consumível, e vamos todos orar para que não dê um piripaque súbito a 50% das lêmpedas do edifício. A boa notícia é que por enquanto ainda há dinheiro para pagar ao pissoal. Sem luz é capaz de se trabalhar mal, mas sem moedinha é que não há palhaços, temos pena. Essa coisa de vestir a camisola é muito gira, que é, mas por enquanto a camisola não é comestível.

(julguei que gostariam de saber o que o dinheiro dos vossos impostos já não chega para comprar)

Quinta-feira, 10 de Maio de 2012

Gosto tanto de sair à rua

Pérolas, há pérolas a cada esquina:

Ou então é uma técnica muito moderna que me ocorreu já uma dúzia de vezes: agrafam-nos a uma parede quinze dias e ninguém se evade em direcção ao frigorífico ou despensa. Lá a ver se não perdem a gorduranga e celulitezinha toda, hum?

Já pensei em rifar-me, mas acho que ninguém arriscava comprar

Como o tiriri do telemóvel me irrita, e deixá-lo no silêncio só me tem trazido desgostos (como me esquecer de reactivar o toque e deixá-lo assim dias sem fim, e depois toda a gente achar que sou uma malcriadona que não atende chamadas nem responde a sms, para além do risco sempre presente de o deixar debaixo de qualquer coisa e nunca mais o encontrar), resolvi optar pelo executivo modo "reunião". Passados três dias, ainda dou um pulo na cadeira cada vez que o cabrão vibra.

Quarta-feira, 9 de Maio de 2012

O maravilhoso mundo da atrasadice mental

Por via de links e relinks fui ter a um artigo do Público sobre mulheres que não têm filhos. Apesar de se focar mais na questão de não ter filhos por opção, acabava por também ter testemunhos de quem os não tem porque não calhou, coisas da vida, aconteceu e agora também já não apetece. Quanto ao artigo, nada a dizer, a não ser que sofremos todas com o mesmo tipo de pressões e apreciações de família, amigos e colegas.

E depois aqui a alma parva resolve ver os comentários dos leitores. Jasus. A sério: Jasus nos acuda, que só ele teria paciência. Liam-se por lá coisas tão edificantes como análises psicológicas desses monstros que resolvem não usar o útero para a procriação, como até sugestões de taxar essas valdevinas, essas flausinas, que se calhar até têm sexo sem ser para gerar meninos, de forma mais elevada que os saudáveis cidadãos e cidadoas que geraram vida. Nem mais nem antes, pumba, embrulha. O raciocínio era de uma clareza néscia: se não tens filhos quem é que te vai pagar a reforma? Os meus? Paga já adiantado. Sim, porque eu, cabra egoísta que nunca deu a teta a alimentar ninguém, nem desconto para a reforma. Ai não que não desconto, mas se mo quiserem devolver juro que lhe dou bom uso. Se o sistema funciona mal, se recebem os de hoje com o que os de hoje descontam, azarucho, que as minhas contribuições nunca falharam e não ando a perguntar aos reformados se povoaram o país ou não. E, veja-se o descaramento, dos impostos que por acaso também pago, alguns até servem para financiar o abonozinho de família, as escolas, creches, maternidades, licenças de maternidade e assim. Eu, sei, eu sei. Uma infâmia. Se calhar julgavam que nunca ter aberto as pernas para parir dava direito a um descontinho? Pois não dá. Mas se quiserem ainda estão a tempo, e eu não digo que não.

Nunca me ouvirão queixar de dos meus impostos serem pagos serviços de que beneficiarão os vossos filhos. Porque o benefício deles é directo, mas o meu, enquanto cidadã, é indirecto: estou a contribuir para a melhor saúde e educação da população. E qualquer benefício da população em geral beneficia o país e a mim também, que ainda cá vivo. Outra: cidadãos melhor educados mais hipótese têm de arranjar bons empregos, e descontar mais para a minha reforma. Yup, estou a contar com os vossos rebentos. Força aí.

A sério, fora de qualquer brincadeira. Não me queixo de pagar impostos que não me beneficiam directamente, porque o sistema vive de e para a ajuda à comunidade (tirando alguns gulosos que aparecem por aí, mas pronto). Acho lindamente que existam licenças de maternidade decentes e pagas (embora não concorde com a actual não tributação do respectivo subsídio, porque cria uma enorme injustiça e desigualdade, mas isso são contas de outro rosário). Acho que o investimento na saúde materno-infantil é primordial. Tenho para mim que a escola pública deve ser uma prioridade, desde o berço até à universidade. Penso que devia haver um maior e melhor investimento na protecção social aos menores. E não faço contas ao que, do meu bolso, saia para pagar tudo isto. Nunca gozei uma licença de maternidade, e disso tenho pena. Mas já assegurei serviço de quem as goza, e sem piar. Sou, por norma, a primeira a entrar e a última a sair - porque posso. Mas também tenho vida, e faço-o porque quero e não porque devo, numa espécie de compensação para com os outros por esta minha opção absurda. O meu útero não está para aluguer, do que faço da minha vida só dou contas a moi. Não cumpro calendário nem tive filhos por obrigação, para ser como os outros, para gentilmente povoar a terra, ou para garantir a nossa não extinção: sinceramente, nem me peçam uma opinião sincera sobre isso, que crianças há de sobra, só que a maioria não chega aos dez anos de vida. Agora ser penalizada por isso, com multas e sanções, para além da burrice crónica e o preconceito dos outros, ora, ide-vos fornicar.

Terça-feira, 8 de Maio de 2012

Londres 2012 - Onde gastar uns trocos (valentes)

Este post já vem um bocadinho fora de época, mas posso sempre justificar com a) hoje faz um mês que voltei; b) está toda a gente a botar faladura das vestimentas de um baile que, não fosse a blogosfera, nem sabia que existia, e eu também quero mostrar que sou muito à frente e sei dar dicas féchion. Pronto.

Portanto, abramos as hostilidades, que agora fala-se de compras de trapos. Weeeee. Se vêm à espera de comparações sobre a primark de cá e a de lá, arrepiai caminho: não gasto tempo de viagem a entrar em lojas que existem cá. Isso, não sou zaraólica e orgulho-me disso. E onde há roupa traparia gira em Londres? Basicamente, em todo o lado; mas aqui vamos só falar dos meus lados. Oxford Street, Harrods, Selfridge's ficam de parte. A primeira é a Meca da féchionista zaraólica-pindérico-tesa; os últimos só mesmo para ver que upa-upa e são grandes pa'caraças. Portanto, avancemos para os sítios onde se podem mesmo fazer compras originais e de arregalar o olho.

Sim, o paraíso dos góticos, retro ou lá o que é: Camden High Street.

Se nos convidassem para o tal baile, íamos assim.

E agora o mercado de Camden, propriamente dito. Muita banca com tralha de todo o tipo, em segunda mão, vintage, nova e original, nova e industrial. Mas cá até esta é original. E ainda há bancas com vestidinhos pipoca style (paninho sintético com estampado da moda e elástico na cintura a franzir), e de certeza mais baratinhos.

Esta parte do mercado de Camden é o paraíso do vintage e dos crafts. Muito, muito bom; e se há por aí fetiches por fardas militares, avançar com carteira já na mão.
E aqui em cima já estamos em Petticoat Lane. Género feira normal, com roupinha pseudo-féchion ou pipoca, conforme o gosto, e muita mala de plástico ou de viagem. Vale só pela curiosidade, que é um dos mercados mais antigos.
Saem de Petticoat e bute à procura de Brick Lane. Muito restaurante indiano, já têm onde almoçar. Lá, onde as feiras começam, também há bancas de comida. Aliás, em Camden também há: um gajo compra e senta-se a comer em mesas de bancos corridos que há por lá. Prático, barato, simples. E nós é que estamos em crise.

Brick Lane tem de tudo, desde um pequeno armazém de antiguidades e velharias, até cenas em segunda mão. Vale bem a pena, é uma misturada que dá gosto.
Depois de Brick Lane, é fazer o favor de ir aguçar as vistas ao mercado se Spitalfields. Muito, muito bom. Muita coisa para lá de gira, entre bijus, t-shirts, roupa feita pelos vendedores, malas e sacos. Ia perdendo a cabeça, e só comprei um fio. Ficaram-me na retina uns sobretudos em quadrados que tinham um corte de morrer, e umas saias em tartan género punk-gótico que eram de ir às lágrimas (não dá para fotografar, aquele pessoal leva a sério a cena dos direitos). Mas sou uma pessoa calma, ponderada, e não rica. Portanto, nada de frescura, vim só de vistas cheias, que também gosto de ver coisas bonitas. E se vi. Se alguém me abonar um cartão de crédito sem fundo, vou lá e depois juro que mostro aqui as comprinhas todas. Ninguém? Logo vi. Maus. Todos maus. Assim nunca vou ter um blog féchion.

Segunda-feira, 7 de Maio de 2012

Faz-me um niquinho de espécie

Que alguém se queixe, a propósito de determinado conteúdo de determinada publicação social cor de rosa, que é um assunto que não interessa nada nem a ninguém. É assim como um gajo ir almoçar a um restaurante vegetariano e ficar muito admirado por não servirem bitoque.

Sexta-feira, 4 de Maio de 2012

Gestão de crises existenciais, iniciação mais um

Que não se duvide, eu ando aqui só para ajudar o povo. Não consigo evitar, sou uma pessoa boa por natureza, apesar de a natureza (e toda a gente) ser tão má para mim. Chuif, que não fiz nada para merecer isto. (espero que estejam a tomar notas, abrir com discurseta narcisista de que se nasceu para sofrer e ninguém faz nada para mitigar nossa dor é sempre um crédito. ou não. bom, tentem de uma forma mais subtil que a minha). Como a cena de explicar às pessoas como se devem vestir, maquilhar ou tratar da pele já está muito vista, e a de dar conselhos sentimentais para agarrar o homem ideal também (e nem sabem o que perdem, o que eu tenho para dizer sobre o assunto), resolvi tornar-me uma neura advisor. Ainda não tenho nenhum workshop marcado, mas nunca se sabe. Vamos então abrir hostilidades neste campo tão extenso, desta feita para os pobres desgraçados que têm de lidar com neuras dos seus mais que tudo.

Em primeiro lugar, um conselho aos neuras crónicos ou simplesmente repetitivos: arranjem uma palavra senha. Sim, tal como nas relações sado-masoquistas há uma palavra senha que indica ao sado que o maso já não quer mais, o neura também precisa de fazer soar um alarme de que está num daqueles dias (semanas, meses). Se o neura é do sexo masculino, nem é preciso: a gente topa-vos os humores mesmo antes de meterem a chave à porta. Mas as neuras meninas precisam de avisar, bem explicitamente. Depois não se queixem que ele estava a jogar playstation e nem vos estendeu um lencinho de papel quando lhes contaram, entre soluços e lágrimas, que viram um gatinho vadio liiiindo que não devia ter uma casinha quentinha e um colinho onde se refugiar. Uns brutos insensíveis. Lá em casa o  grito de guerra é estou frááááááááááágil. Segue-se o olhar de pânico (dele). Festinhas na cabeça, um queres um chazinho ou, se for menos insensível que a maioria, um vou buscar uma tacinha de gelado e a seguir vamos ver o midsomer murders da semana passada que já aí tens gravado há tanto tempo, não, não me apetece ver outra coisa, eu adoro o midsomer murders, que eu sei que estás mortinha por saber quem morre e quem matou e porquê e eu também!

Pronto. É simples. É muito fácil manterem a vossa querida neurazinha feliz! Tão fácil.
(vou mandar-lhe um sms para vir ler isto, nunca se sabe)

Quinta-feira, 3 de Maio de 2012

Gestão de crises existenciais, iniciação

Quando sinto chegar uma nova fase de nobody loves me, nobody cares for me, começo logo a fazer listas mentais de coisas giras para entreter e espantar a neura. Depois fico muito stressada porque a) não tenho vontade de fazer nada daquilo ou porque, b) começando a fazer alguma das coisas i) nada sai como gostaria, ii) maço-me depressa e acho que se calhar é melhor fazer outra, mas não sei bem qual.
Sucedendo a hipótese a), saio do nobody loves me, nobody cares for me para uma alegre espiral de sou um ser amorfo sem vontade nem força nem projectos, uma alforreca nojenta largada na praia mar que até a si própria dá comichão.
Acontecendo a hipótese b)i), entro de imediato numa de sou uma falhada que nem ideias de jeito tem e muito menos competência para as realizar, não passo de uma varejeira a achar-se a maior sobrevoando apenas uma fumegante caca.
Se calhar a b)ii), fico numa de não passo de um ectoplasma inútil, um ser inventado e ignóbil, dotado da inércia dos fracos e incapacidade dos falhados, que apenas deixa como memória um muco viscoso.
Fica explicado, portanto, porque muitas vezes permaneço na fase do nobody loves me, nobody cares for me. Ao menos tem aquela aura mística da melancolia gótica. E se alguém pergunta porque não reajo, porque não saio dessa, porque não vou em frente, aaahhhhhh, força!, nem me dou ao trabalho de explicar.

Cabecinha pensadora

A diferença entre fazer o que está correcto e fazer o que a lei manda pode ser abissal, mas com um pulinho de imaginação tudo se ultrapassa. Até o medo das alturas.

Basicamente, por muito que se negue, é assim que funciona



(esta musiquinha é também dedicada à esquerda indignada que ontem ouvi no telejornal, a propósito do extreme descounting. fuck off. a sério. e devolvam-me a minha esquerda, a que não trata o povinho como um rebanho de débeis mentais a precisar da vossa orientação.)

Quarta-feira, 2 de Maio de 2012

Elvis has left the building

No meio da palhaçada toda a que tenho assistido, batendo muitas palminhas, acho imensa graça a quem louva, do alto da sua sapiência e excelsa bondade, esta iniciativa  (que passarei a chamar extreme descounting) do sweet drop, porque numa altura de crise permitiu a muuuuitos portugueses carenciados encher a despensa (e, em alguns casos - true story, vi isto escrito - a dispensa. dicionários, people). A sério? A sério? Olha, cumprimentos ao Pai Natal, que deve ser visita da casa. Pá, como dizia Don Vito Corleone, it's just business. Se queriam ajudar quem mesmo precisa tinha mandado uns camiões para o Banco Alimentar, não ajudavam os pobrezinhos a levar 12 garrafas de vodka pelo preço de 6.

(claro que a muita gente que aproveitou caiu que nem ginjas, e ainda bem para eles; mas não há nada de democrático, socialmente equitativo, ou sequer remotamente solidário numa iniciativa deste tipo. ganhem juízo. e atenção: nada contra alguém carenciado comprar vodka mais barato. da maneira que isto está, só com um pifão. aliás, qualquer dia é o que distribuem à porta dos centros de saúde, que médicos, enfermeiros e outras coisas que tais já não sei se haverá.)

Uma ideia para a próxima ida ao supermercado

Dar um abracinho à menina da caixa.
(só agora vi imagens)