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Estou de férias.
Porque não basta praticá-la. É preciso prestar-lhe a mais honesta devoção possível.
Sexta-feira, 30 de Março de 2012
Quarta-feira, 28 de Março de 2012
In luuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuv
Me mate chega com a novidade: ah, diz que é o Sherlock Holmes, mas adaptado aos dias de hoje. Torci o nariz. Há coisas com que não se brinca. Para alguns será a religião, para outros o clube de futebol, para mim é o Sherlockinho, riquezas do meu coração (entre outras coisas, mas isso agora não interessa nada). Afivelei a minha cara céptica nº5 e vi o primeiro episódio. Passados minutos já estava a pensar ir para a rua espalhar a boa nova. Caneco, está tão bom. Tão bom. Telemóveis, internet, GPS, equipas forenses, quem diria que o Sherlock do my heart manteria a sua genialidade mesmo com tanta ajuda externa? Com tudo a que tem direito, sim, temos Watson, Lestrade, Mycroft e... tchanan, Moriarty. E, como brinde, temos Londres (já cá faltava esta minha homilia), para além de um actor que uai, uau. Sim senhora, a BBC está a querer que eu lhes vá para a porta acender velinhas e entoar cânticos de louvor. Luther, Wallander, Sherlock, mandem vir que eu estou cá.
E depois há a questão das cores da moda
Nunca acertam nas que eu gosto. Pronto, os criadores são como um relógio parado, e de vez em quando lá calha. Por acaso a coisa do rosinha clarinho e verdinho que nos anos 80, quando também se usou, se chamava água mas agora é menta, foi completamente ao lado. Mas deve ser devido à recessão, crise, o diabo, e felizmente continua a ver-se coisas em cores mais fortes: o azulão, coral, ou verdão. E eu gosto de azulão. E verdão. Outro dia vi calças nessas cores numa loja e, vai daí, e porque havia o meu número sou uma fácil, decidi experimentar. Entretanto desenvolvi uma teoria interessantíssima sobre segurança em superfícies comerciais, nomeadamente lojas de roupa, e que consiste no seguinte: instituir a obrigatoriedade de todas as empregadas dessas lojas terem curso de socorrismo e existir um kit de reanimação na zona dos provadores. Ou isso ou começam a ser mais exigentes com o pessoal que faz os moldes das calças, ou ao menos facultam a respectiva identificação à clientela. Por nada de mal, só por coisas.
Dúvida féchionista
Com tanto relógio Swatch giro, mais em conta, e de boa qualidade, porque anda meio mundo feminino a babar por relóges Maical Córs?
(nem menciono os calvin queléin, essa bimbice a fazer de conta que é dizaine, e os guess, colecção trailer park white trash. a sério, muito a sério: quantos brilhinhos é possível por num relóge? perguntem à guess.)
Terça-feira, 27 de Março de 2012
Preciso de aligeirar um bocadinho
Enquanto se espera que uma moca cravejada de pregos ferrugentos passe a ser considerada um instrumento de trabalho obrigatório, canta-se.
Segunda-feira, 26 de Março de 2012
Já tenho material para uma tese de doutoramento
Anda meio mundo de historiadores e filósofos há carradas de anos a debater em que raio consiste a tal da portugalidade, que inefável característica nos fez destacar o Condado Portucalense do resto da península, e pá, estou em condições de afirmar que tenho uma teoria muito pessoal mas transmissível. Não que conheça muitos povos, mas tenho cá p'ra mim (o ter p'ra si é razão de ciência inabalável em Portugal, e eu também quero fazer uso) que isto é um povo de trafulhas como não há memória. Bandidos, trapaceiros, salteadores, mentirosos, sempre prontos a contar uma história pela metade, desde que seja a metade que os favorece e, se nem isso, pois que se arranja argumentos noutro sentido, o nosso, bem polvilhados de um diz que coiso e parece que assim. O português não pega nos factos e reclama os seus direitos com base neles; o português acha que tem determinados direitos e compõe os factos nesse sentido. E o que é uma mentirinha se o fim é justo, justíssimo, como seja granjear uma vantagem que nos é totalmente merecida? Pois.
Colectivamente, diz que também há indícios deste tipo de comportamento. Mas individualmente, ai individualmente. Ainda está por fazer a estatítica, e nem sei muito bem como seria exequível, mas tenho p'ra mim (vide supra) que há uma larga maioria de indivíduos, cidadãos, que empatam os serviços públicos deste país com os seus direitos muito mal explicados. Ora quando um gajo ganha a vida a ouvir os tais dos cidadãos, mesmo que em diferido (bendito papel, que não há cu para certas pessoas), não se pode levar a mal a um gajo por, de vez em quando, perder a fé na humanidade, ou vá, nos seus compatriotas. Um dos requisitos mais necessários a quem ganhe a vida assim, tenho eu p'ra mim, é o olfacto apurado. O "cheira-me a esturro" é um dos sentimentos intuitivos de que mais se faz uso. Ele há casos, tenho ouvido dizer, que de tanto esturro cheirado uma pessoa perde o nariz para a coisa, ou simplesmente deixa de se ralar que lhe cheira tudo ao mesmo, mas em verdade vos digo que, a esta que escreve, não costuma falhar nem esta o costuma descurar. E se hoje estou em dia que cheira a queimado, e não, não me estou a referir ao aroma que invadiu ontem mi casa, partindo da cozinha. É assim a modos que um esturro metafórico, um cheiro acre a malandrice pegada, mascarada de indignação manifestada de forma muito histriónica. Coitadinhas das pessoas e das suas histórias. Poucas escapam a um crivo de análise mais apertada, uma vez detectado o tal cheirete a esturro. Levanta-se a tampa do tacho e é uma bonita vista de cebola preta pegada ao fundo. Lixo, é o destino normal de tais reivindicações, mas e a trabalheira que dá, senhores? É preciso analisar bem o conteúdo do pote, perceber se foi falta de azeite, demasiado tempo ao lume e, finalmente, justificar porque não lhe deve ser ofertado novo trem de cozinha, garrafinha de azeite virgem e cebolinha para compensar o estrugido estragado. E aguentar a indignação. Ai a indignação de quem (diz que) paga impostos e tem o direito. Temos todos tantos direitos. Somos todos do reino da fantasia, onde a nossa história é a mais justa, a mais merecedora de atenção, e também de uma atençãozinha, se me faço entender.
Olha, era corrê-los todos a varapau, com gritos de ó da guarda agarra qu'é ladrão, mas não se pode, não me deixam, e ficamos assim, muita página escrita, muita hora perdida, muito neurónio recozido. Hoje o suave aroma a esturro já se mistura com o de mioleira frita, garanto.
(entretanto, já despachei meio pacote de bolachas. os nervEs, ai os nervEs)
(entretanto, já despachei meio pacote de bolachas. os nervEs, ai os nervEs)
Utopia
Acredito que numa sociedade justa, equitativa e avançada, pessoas como eu seriam proibidas de entrar na cozinha, e lhes seria atribuído um subsídio para contratar alguém que fizesse por elas tudo o que seja associado a essa divisão, nomeada e principalmente cozinhar.
Acredito que um dia atingiremos esse ponto de evolução, e que nesse dia as nossas queridas e benfazejas fadas do lar mediante pagamento à hora também não cairão à cama com uma virose no dia imediato a termos transformado a cozinha lá de casa em zona de calamidade.
(não estou a exagerar. podia mostrar fotografias para provar, mas acho que ninguém está preparado para tanto)
Sexta-feira, 23 de Março de 2012
Brandos costumes
Muitas dúvidas sobre a formação da PSP. A sério, este senhor nem sequer é do corpo de intervenção (não está fardado como tal, pelo menos), e quer-me parecer que um bando de gente a passar pelo Chiado e a incomodar os queridos turistas que pagam 3 euros por uma bica na Brasileira não merece uma reacção destas. Não é normal, não é aceitável. E nem eu, muito míope que fui duramnte anos, alguma vez confundi uma câmara fotográfica com uma arma. Por isso, gostava de saber, qual a explicação, qual a desculpa? Perturbação da ordem? Go fuck yourselves, que nunca vos vi reagir assim com claques de futebol reunidas no Rossio, e a fazer um valente cagaçal, por exemplo.
Haverá muitos a pedir a cabeça deste agente, mas eu gostava era de saber quem são as suas chefias, que ordens tinham e transmitiram, e quem as deu. Isso sim, é que era de valor.
Quinta-feira, 22 de Março de 2012
Completamente viciada
Foi no blog da D.S. que soube da existência de um senhor comediante de sua graça Frankie Boyle. Não conhecia, e tive de ir pesquisar, com consequências hilariantes (mesmo). Ora no meio das sugestões do youtube, apareceram uns clips de um programa chamado Mock of the Week, um segmento em que vários comediantes improvisam piadas rápidas sobre determinado tema. Céus, no que me meti: não há nada melhor para descomprimir de forma rápida no meio de um dia de trabalho.
(quanto a Frankie Boyle, é simples e adoravelmente verrinoso. depois de uma pessoa se habituar ao cerrado sotaque escocês e começar a perceber o que o sujeito diz, claro)
Sou muito vossa amiga, e não quero que vos falte nada
Se por acaso alguém que me leia estiver a pensar ir visitar a bela Paris, é favor dar um pulinho à Cinémathèque que, para além de ser um espaço muito giro, tem lá, até 5 de Agosto, uma exposição sobre Tim Burton, a mesma que vimos no MoMA há dois anos, e que é de se lhe tirar o chapéu. Com a vantagem de que neste espaço de certeza ficará bem melhor: no MoMA estava muito acatitada, e na Cinemateca vimos uma expo temporária de Stanley Kubrick num espaço bem folgado e arejado, presumo que seja ali que a puseram. Pena tenho eu de não a poder ver de novo.
Procrastinar, esse hábito tão meu
Já não bastou o desgosto de não conseguir arranjar bilhetes para o War Horse, que nem no segundo balcão havia - e segundo balcão é medida de desespero que, para quem não tenha tido essa grata experiência, consiste em estar sentado debaixo do telhado do teatro, quase a pique, com uma visão dos cenários em género borrão e dos actores tipo formiguinha - agora parece que há mais gente a apreciar Lucien Freud do que eu pensava. Ainda restavam 3 bilhetinhos mas perdi a corrida com outro amável cidadão que deve ter entrado no site uns segundos mais cedo que eu. Bem feita, para a próxima compras quando ainda há muitos, para todos os dias, temos tempo. Estúpida.
(Bom, Billy Elliot assegurado, bilhetes de coxia, eia. Agora resta perceber o raio do mapa do quimboio e respectivos horários, para decidir se fazemos a visita à terrinha do tio Bill Shakes por conta própria ou em excursão, tipo velhotes reformados. E The Mousetrap ainda em ponderação.)
Terça-feira, 20 de Março de 2012
Deve estar para acontecer alguma
Sim, sou pessoa para me queixar. Mesmo quando não há razões para isso, que não convém perder a prática e nunca se sabe quando volta a ser justificado. Além do mais a lamúria é uma coisa muito nossa, e não quero que me acusem de falta de patrotismo ou coisa parecida. A minha dedicação aos valores nobres da causa lusa é inquestionável, e prezo muito o produto nacional, como seja a manufactura de ladaínhas e choraminguices piegas. Não deixarei morrer esta forma de arte popular tão nacional, nunca!
Feito este intróito muito palerma, penso eu que a bater os recordes da modalidade - e se nesta tasca se está sempre acima dos mínimos, olaré - tenho a dizer que ando aqui desconfiadinha do que me reservam os próximos dias, e tudo porque o universo me deu uma abébia. Uma valente abébia, na verdade. Ontem consegui produzir um bolo de chocolate tão lindo, tão fofo, tão grande, tão airoso, tão gostoso que, não fosse dar-se o caso de não crer em patranhas, e pensaria que houve ali um alinhamento de planetas qualquer, ou que uma fadinha o tocou com a sua varinha de condão. Juro que nunca me tinha acontecido, mas o raio do bolo, nascido de uma receita já experimentada, muito fácil e à prova de grande perícia (são as únicas a que me atrevo), cresceu que foi uma beleza, não queimou, não enqueijou, não abateu, e até desenformou facilmente. Um pleno, um euromilhões da cozinha, e alto lá que só de vez em quando faço um três. Não faço ideia do que fiz de diferente, que se fizesse já tinha tomado nota.
Hoje de manhã insisti em mostrá-lo a mate, a ver se ele se dá conta que eu não sou o mau partido que alguns pensam que eu sou, a monstra nojenta que rouba meninos do doce regaço de sua mãe (ahém, sogra): olha, olha, parece um bolo capa de revista, estava bom para fotografar e por no blog. Então fotografa e põe, respondeu ele. Não fotografei, acho que me iam acusar de batota, de mentir descaradamente, inventar uma vida só para parecer bem! Além disso os individuais e pratos lá de casa não são assim tão sexy, ou mesmo rústico-chic. E não tinha uma rosa orvalhada para a poisar ali casualmente, muito elegantemente. Nem pão fresco para barrar com qualquer coisa saudável, tipo queijo creme, mirtilos elegantemente polvilhados em cima, para vos convencer que aposto no antioxidante logo de manhã. Nem um boião de compota lindo ou até que não seja marca Pingo Doce, para o poisar ali de lado, muito a fazer de conta que lá em casa é sempre assim, tudo muito fino, muito in, enfeitadinho com uma fitinha de cetim. Não havia condições, portanto. Sem ambiance não há foto.
Bom, ficam com a minha palavra, vale? Capaz de ser o bolo mai'lindo que saiu destas mãos, e feito totalmente à pressa para aproveitar uns ovos que iam passar de prazo. Espero portanto a pesada factura por este momento de glória, mas já ninguém mo tira, não, não.
Novo desporto lisboeta*
Corrida de velocidade pelas plataformas de metro.
Comboios só com três carruagens à hora de ponta? A sério? A sério?
* dos outros, pá, que eu já não tenho idade nem saúde para correrias. espero pelo próximo e sempre são mais umas linhas que leio.
Segunda-feira, 19 de Março de 2012
Um desafio no mês de Março - dizer cenas sobre cenas
Dia Whatever
Ena, consegui chegar a mais de meio. Nada mau. E agora, acabou a paciência. O tema de ontem era feriado. Ora, o que dizer, relativamente a isto? Feriado - "sim, por favor", ou "todos"? E o que interessa? Qual é a motivação? Ze-ro. O tema de hoje era série. Resposta: muitas. Ainda hoje estou meia de luto meia em estado de choque porque este sábado terminou a segunda temporada de Wallander, e no próximo sábado não há mais (fáááááácistas, que vi na amazon que há mais, eles é que não querem passar como forma de tortura). E nem faço ideia qual o tema de amanhã, que por agora ficamos assim. Já andava a hiperventilar, com franqueza; não sou pessoa para estas coisas, muita pressão, muito stress, não consigo escrever por encomenda, e se consigo só sai cocó, nada de estimulante nem para mim e muito menos para quem lê, aqui o disparate sai quando sai, quando calha e tem dias, e não me empurrem que vou quando tiver de ir.
Licencinha, despeço-me do desafio com justa causa, vou meter os papéis para o subsídio de desendesafio, e até já.
Fazem destas só para me dar cabo da cabeça, que agora não consigo pensar noutra coisa
Por que carga d'água na caixa a tinta é identificada como "Floria Blue Ink" e no frasco como "Florida Blue Ink"?
Poderei continuar a confiar na Waterman, depois de uma gralha destas?
E, já que tenho o blogger aberto, para além de álcool ou palha d'aço, há alguma forma fácil e eficaz de limpar o florida blue dos meus dedos indicador e médio?
(tinha saudades de escrever a tinta, maldita seja esta nostalgia)
Sábado, 17 de Março de 2012
Um desafio no mês de Março - dizer cenas sobre cenas
Dia 17 - Frase/poema/citação
We are all in the gutter, but some of us are looking at the stars.
Oscar Wilde
We are all in the gutter, but some of us are looking at the stars.
Oscar Wilde
Um desafio no mês de Março - dizer cenas sobre cenas
Dia 16 (eu sei que foi ontem, mas calhou eu ter sido protagonista de outro filme bem menos interessante) - Filme
Não vou indicar um favorito, ou sequer um muito bom, mas um icónico. Com licença, enquanto ponho os meus ólicos de massa e enrolo um cigarrito, e explico: o Pátio das Cantigas é o filme mais português de sempre. É porque tem piada? Não. É porque é castiço? Não. É porque está muito bem achado, sim senhor? Não.
É porque ali se vê tudo o que era e ainda é este país. Um sitiozinho enclausurado, rústico, provinciano. Um amontoado de personagens patuscas, que interagem na base da brejeirice, boquinha antipática, subtil mesquinhês. O comerciante pequeno burguês cheio de manias de grandeza, o pobrezinho honrado e que de facto faz do vinho o pão nosso do dia a dia, a menina estridente que é rainha de beleza, costureirinha de bairro com olho no modernismo lá de fora.
É espetar um prego numa parede, e ralado com os canos, que não são meus.
É vinho de borla ser a sorte grande (e, ainda por cima, palheto!).
É toda a gente acorrer de vasilha em mãos, sem sequer se perguntar de onde vem ou a que se deve o maná.
É o pequeno empreendedor a espetar pregos onde calha e rezar que lhe saia branco.
E, no final, a admiração: acabou-se! Olha a admiração.
Fomos e somos estes patêgos. Muita graça, alguma obesidade que a sande de pastel de bacalhau engorda que se farta, uns bigodes farfalhudos. Felizes e honrados, no nosso patiozinho familiar.
Quinta-feira, 15 de Março de 2012
A minha vida é tão interessante que não há páginas de internet suficientes para contá-la
Hoje cortei a franja.
Acho que correu bem, mas não vou pedir uma segunda opinião a um cabeleireiro.
Acho que correu bem, mas não vou pedir uma segunda opinião a um cabeleireiro.
Um desafio no mês de Março - dizer cenas sobre cenas
Dia 15 - Local de Férias
Sim, por favor.
Sim, por favor.
Quarta-feira, 14 de Março de 2012
Contem sempre comigo para vos provar que a garrafa está meia vazia
O tempo está que é uma maravilha, um calorzinho de verão e ainda nem chegou a primavera? Olha que bom. Que bom, pá.
Niusfléche: voltaram as formigas. Tchi, que saudades, já não me infestavam a casa as via desde Novembro.
Um desafio no mês de Março - dizer cenas sobre cenas
Dia 14 - Calçado
Ena, nem o desafio e o mês vão a meio e já aconteceu o que esperava: estou aborrecida. Sou assim, aborreço-me com facilidade. Quando era petiza, havia muitos dias em que interpelava mamãe com um habitual estou aborrecida. Ou um mais coloquial estou chateada. E mamãe, tentando cumprir o seu papel o melhor que intuía (não havia livros de auto-ajuda escritos por almas bondosas, bons tempos) sugeria Vai brincar/ler/fazer alguma coisa divertida!, o que te apetece fazer?, e eu, a boa filha, que podia ser usada em anúncios a métodos anticoncepcionais Naaaaada. Seguia-se um rol de sugestões entremeadas de suspiros, às quais eu respondia com um isso não me apeteceeeeeeeeeeeeeeee. E continuava ali, colada a mamãe, mesmo depois de ela me dar a entender que tinha mais que fazer. Até hoje estou convencida que se mamãe nunca praticou o infanticídio, ninguém tem justificação para o fazer.
Bom, mas como sou uma pessoa de palavra, ainda que contrariada, quanto a calçado tenho a dizer sim, por favor. É uma das minhas gajices, gosto de sapatos, botas, sandálias, ténis, tudo o que seja de calçar. Vivia bem sem metade do meu calçado, a parte que diz respeito à farpela formal para trabalho, mas já que tem de ser, compro coisas giras. Melhor: que eu acho giras. Podia tirar umas pelingrafias? Podia, mas depois ficavam a saber tanto como eu, e na posse de informação completamente inútil e desinteressante. O meu calçado é a modos que variado, há de tudo como na feira, mas os que eu amo mesmo muito, do fundo do coração, têm normalmente sola de borracha e salto quase inexistente. Gritam férias ou fim-de-semana, e disso eu gosto muito, mesmo muito, ou não se chamasse este blog como chama. Requisito universal é que não me magoem os pézes. Pézes infelizes é uma coisa muito triste, e capaz de me estragar esta sempre risonha disposição.
Terça-feira, 13 de Março de 2012
E porque hoje me sinto excepcional, em todos os sentidos, especialmente os maus
Estou que nem posso, acabei um livro e agora não sei o que hei-de começar a ler, ai, se ao menos houvesse uma coisa leve, de um autor nacional, assim ao género de entretém mas também ensina, sei lá, com uma capa bonita, que ficasse bem na mesinha de cabeceira, a combinar com a decoração do quarto que não é cor de rosa mas diz que se usa o colour block e tal, mas nada que me envergonhasse, vejam lá, nada que eu tivesse que forrar com a dica da semana que antes sifilítica que apanhada a ler uma coisa dessas, se alguém me pudesse ajudar nesta aflição e sugerir qualquer coisa, isso é que era, ó se era.
Também quero um regime de excepção, que sou uma pessoa excepcional
Ando a ter um comportamento fóbico em relação aos noticiários, a saber, mal me aparecem no televisor fico cheia de suores frios, tremuras, palpitações, vómitos, só me apetece fugir mas as pernas não obedecem. Passa-se isto desde há coisa de ano, ano e meio, e há umas palavritas que desencadeiam cada crise de pânico que já vou identificando, como sejam, "crise", "troika", "cortes", "Vítor" e "Álvaro". Basta uma destas e Aaahhhhhh, lá vem me mate de ansiolítico em punho, a correr muito.
Ultimamente somou-se outra expressão ao rol das malditas: "regime de excepção". Já estava quase a largar as injecções de valium que me foram receitadas depois das notícias dos cortes salariais e fim dos subsídios, quando pumbas, fico a saber que há sitiozinhos onde os salários também são pagos por todos os contribuintes, mas se continua sem cortes e com subsídios. E chorei. Muito. Não trabalho num desses sitiozinhos, já imaginam. Parece que a culpa é de a (ainda) maioria dos serviços públicos não ter concorrência, não estar no mercado e tal, e por isso quem está e tem de levar com a concorrência precisa de um incentivozito para continuar a picar o ponto. Claro que eu não preciso: até de borla trabalhava, queres ver. Pagavam-me em sandes de queijo (sem manteiga), já agora, e no Natal ofereciam uma perna de peru, uma filhós e uma fatia de bolo rei, porque não. De mais não preciso, até porque engorda e faz mal. E o dinheiro só serve para porcarias, vícios, mais vale receber em vales Continente, EDP e EPAL, e se queres banhinho quente aquece um tachinho d'auga no camping gas, que não financiamos luxos. No dia de aniversário, o bónus anual, em forma de pastel de Belém, que é nacional e festivo. E pronto, vivíamos muito mais felizes e honrados, a roupinha podia ser a das esposas dos senhores directores-gerais, com sorte, das esposas dos secretários de Estado! A que já não usam e nem para as empregadas serve, claro, que não se alimentam vaidades a quem jurou servir a causa pública. Quanto a habitação, ora, há tanto quartel sem uso! Às seis tocava a alvorada e, depois de reunir e cantar o hino na parada, lá íamos nós, cantando e rindo, fritar os pastéis de batata cozida na água de bacalhau do jantar da véspera da messe, para o nosso rico almocinho!, e, enquanto se vira o pastel, faz-se o desjejum com café com uma pinguinha de leite e meia carcaça seca (as gorduras matam, e já chega as da fritura). Ao fim do dia lá recolheríamos de novo e, para não gastar luz, que está uma fortuna e só temos um vale de 1,99 por mês, às nove já todos dormiriam, na santa paz, a preparar um dia novo, que amanhã é a nossa vez de levantar às cinco para ordenhar as vacas e ir recolher os ovos, que o senhor ministro gosta de piquen'almoço à inglesa, e cabeças que trabalham (muito!) precisam do estômago bem forradinho.
Não sei como ainda não se lembraram disto.
Um desafio no mês de Março - dizer cenas sobre cenas
Dia 13 - Perfume
Actualmente é este o preferido. Tenho mais, não porque compre muito, antes pelo contrário, mas porque me duram séculos. Duas borrifadelas e já está, que sou rapariga enjoadiça e também não gosto de indispor ninguém à minha volta.
Quanto a perfumes naturais, já ansiando pelo de jasmim, que não tarda invadirá Lisboa. O de lá de casa está mirradito, este ano. Pouca chuva (e pouca atenção da dona). A senhora ministra que reze com mais fervor, que até agora nicles, hein. ou então avie lá para casa um subsídio, que também aceito.
Segunda-feira, 12 de Março de 2012
Um desafio no mês de Março - dizer cenas sobre cenas
Dia 12 - Uma Cidade
Tchi, olha que original e surpreendente que ela é.
Olha, a Sodona Lizabete estava em casa.
Não vejo a hora de lá voltar.
Até porque a primavera em Londres é coisa digna de se ver.
Ai.
Tchi, olha que original e surpreendente que ela é.
Olha, a Sodona Lizabete estava em casa.
Não vejo a hora de lá voltar.
Até porque a primavera em Londres é coisa digna de se ver.
E depois há stand up de borla, no Speaker's Corner: aqueles senhores judeus estavam muito divertidos com o número da velhota xenófoba.
(claro que a competir com Lisboa, a minha cidade de paixão e de sempre, de nascimento e residência, aquela que me causa amores e dissabores, pelo menos enquanto os respectivos habitantes forem esta tribo de vândalos que faz da rua o seu pátio privado, onde o lulu caga e dono não apanha, onde há dinheiro para pagar as prestações do qasqai branco mas deusnoslivre de dar um cêntimo que seja à emel, e afinal ainda deixei espaço para passar o parvo do peão, desde que seja magrinho, e de ladecos, e não traga crianças pela mão ou sacos de compras, e se calçada fica desarranjada, ora, ainda estou a dar trabalho aos calceteiros, a ver se não os despedem ou se extinguem. tirando alguns-muitos animais que por aqui abundam sim, é a melhor e mais prodigiosa cidade do universo. mas em Londres não preciso de andar de nariz no chão, a ver se não trago presente colado à sola do sapato. e isso é simpático.)
Domingo, 11 de Março de 2012
Um desafio no mês de Março - dizer cenas sobre cenas
Dia 11 - Uma sobremesa
Bitch, please.
(post agendado, que fui laurear a pevide. ladrões: lá em casa não há ouro, nem dinheiro, só muita cangalhada que são capazes de consegir vender a um euro a unidade na feira da ladra. não vale a pena, e para mim era uma maçada arrumar tudo, depois.)
Bitch, please.
(post agendado, que fui laurear a pevide. ladrões: lá em casa não há ouro, nem dinheiro, só muita cangalhada que são capazes de consegir vender a um euro a unidade na feira da ladra. não vale a pena, e para mim era uma maçada arrumar tudo, depois.)
Sábado, 10 de Março de 2012
Um desafio no mês de Março - dizer cenas sobre cenas
Dia 10 - Uma parte do dia
À noite estamos todos em casa, conversa-se, vê-se a série que gravou na véspera ou o que nos apetecer, e faz-se o ó ó. Não é preciso dizer mais.
(post agendado, que fui laurear a pevide. ladrões: lá em casa não há ouro, nem dinheiro, só muita cangalhada que são capazes de coneguir vender a um euro a unidade na feira da ladra. não vale a pena, e para mim era uma maçada arrumar tudo, depois.)
À noite estamos todos em casa, conversa-se, vê-se a série que gravou na véspera ou o que nos apetecer, e faz-se o ó ó. Não é preciso dizer mais.
(post agendado, que fui laurear a pevide. ladrões: lá em casa não há ouro, nem dinheiro, só muita cangalhada que são capazes de coneguir vender a um euro a unidade na feira da ladra. não vale a pena, e para mim era uma maçada arrumar tudo, depois.)
Sexta-feira, 9 de Março de 2012
Um desafio no mês de Março - dizer cenas sobre cenas
Dia 9 - Mania
(que não tenho superstições dignas de nota)
Manias, são muitas. Talvez a pessoa mais habilitada para falar disso fosse quem as atura diariamente mas, infelizmente, não é possível, sob pena de depois ficar com um traumatismo craniano.
Ora cá vai a mais chata, mais pestilenta, e que muito me aflige: voltar atrás. Voltar atrás para verificar se o carro ficou mesmo fechado. Ou, se o bicho ainda estiver à vista, carregar (pelo menos duas vezes, não vá a primeira falhar) no botão de fecho de portas. Antes de sair de casa, verificar vinte vezes se está tudo fechado (torneiras, interruptores, bicos do fogão que por acaso nem estão ligados desde a véspera, portas, portadas, enfim, de caminho verificar também se gatinha está à vista e não enfiada num qualquer armário - já aconteceu). Perguntar-lhe se verificou tudo e, ainda assim, irmos verificar nós, de novo. Chegar à rua e ficar na dúvida se se fechou mesmo a porta da rua, voltar acima e verificar, abrindo e fechando de novo.
Ai, que parva, com tanta verificação não te pode falhar, nota-se que és uma pessoa cuidadosa. Errado. Uma vez fomos de fim de semana e a fechadura ficou no trinco. Um cartão de plástico, uma mente doente o suficiente para nos levar a cangalhada imprestável que acumulamos (os nossos tesourinhos, snif), e nunca mais me recompunha. Por isso, à cautela, mais vale voltar atrás.
Notícias da crise
Estou muito orgulhosa: apesar de a electricidade ter aumentado e passado a pagar 23% de IVA, conseguimos reduzir a factura, e em meses em que utilizámos aquecimento. Yay para nós.
Por outro lado, isto de andar (mais) de transportes públicos também tem a sua desvantagem: há tanto tempo que não abastecia o me-mobile que hoje ia tendo uma coisinha de nervos. Falharam-me muitos aumentos, só pode. 60 pastéis por um depósito, e quando o comprei, no saudoso ano de 2004, ficava por 35.
WWAFD*
*what would a féchionista do
Estou com um terrível dilema féchion. Outro dia entrei na zara porque estava de caminho e para me entreter um bocadinho, e logo perto da entrada os meus olhos caem numa blusa branca muito leve e vaporosa e com laçada. Coisas de gaja, mas andava a apetecer-me uma blusa com laçada há que séculos. Vi a etiqueta, e dizia que era feita de 'mulberry silk', ao que eu pensei de imediato que devia ser um nome novo para seda sintética, olha lá, por aquele preço não é decerto seda de bichinho. Vesti-a e ficava bem, fresquíssima e tal. Comprei.
Quando cheguei a casa, antes de a pendurar e cortar aquela etiqueta enervante que me faz comichão no lombinho, verifico as instruções de lavagem: 'do not wash'. WTF? Mamãe tinha sedas, mamãe lavava sedas, à mão, com sabão próprio. Agora cada vez que vestir isto tenho de levar à limpeza? Mesmo que só a use uma vez por mês, num ano gasto em limpeza o que ela me custou. Como sou uma descrente, fui googlar mulberry silk care. Primeiro: diz que é mesmo seda, e das mais delicadas. Segundos: é mesmo para limpeza a seco. Ora que raios. Como é que químicos são mais adequados que sabão de seda ou vá, na loucura, soflan?
Agora estou neste di, quiçá trilema: 1) devolvo? 2) esqueço a minha faceta forreta e básica/prática de mete-na-máquina e fico com ela? 3) fico com ela, armo-me em parva e lavo-a à mão?
Cruzes, a minha vida é tão complicada.
Quinta-feira, 8 de Março de 2012
É só uma impressão que eu tenho
O facto de alguém hoje dizer a uma indivídua "Feliz Dia da Mulher" é sinal de que não percebe lá muito bem o objectivo da data.
Niusfléch: o mundo está cheio de gente estúpida
E eu sei: calham-me todas.
Um desafio no mês de Março - dizer cenas sobre cenas
Quarta-feira, 7 de Março de 2012
Um desafio no mês de Março - dizer cenas sobre cenas
Dia 7 - Estação
Os jacintos e os crocus já dão um ar da sua graça; mais um mês e as tulipas também.
As petúnias também já enfeitam a varanda:
Riquezas da mamã.
Presumo que seja a do ano, que sempre é algo mais interessante para falar que a estação de metro de partida ou chegada.
Como não sou mecinha de extremos, aprecio muito as estações intermédias, e como sou donzela que gosta muito do simbolismo pagão da renovação e renascimento e tal, claro que a preferida é a primavera. Sendo também uma tolinha de primeira, confesso que desde os finais de Fevereiro que ando de nariz no ar, a coleccionar cheiros, cores, e o primeiro avistamento da primeira andorinha (ainda não aconteceu).
Lá por casa, preparo-me para a primavera logo no outono e vede, vede como vale a pena:
Os jacintos e os crocus já dão um ar da sua graça; mais um mês e as tulipas também.
As petúnias também já enfeitam a varanda:
Riquezas da mamã.
Terça-feira, 6 de Março de 2012
Sofro horrores, assim uma espécie de martírio constante
Muitas vezes já ouvi repetir que o que define um enlace matrimonial ou namoral sólido é não só o profundo amor que une os membros do casal, como um forte sentimento de respeito pelo outro. E é capaz de ser verdade, que ele há dias em que só isso, ou uma falta de tempo caraças, me impede de arranjar uma trituradora de tamanho industrial e enfiá-lo lá dentro.
Não há livro com encadernação bonita ou revista feminina com muita ou pouca tiragem que vos prepare para a realidade que vou aqui expor, por isso, queridas raparigas casadoiras ou já iniciadas nas artes do matrimónio, puxaide um banquinho e sentaide-vos à roda da titi Izzie, para que eu vos sirva de guia espiritual e vos mostre a luz da verdade. E cá vai o mote: há dias em que é preciso ter uma paciência de santa, uma abnegação de mártir, uma vocação para a contenção para não ceder à mui justa tentação de lhes fracturar as rótulas com o primeiro instrumento contundente que nos salte ao caminho. Exemplificarei, para que saibais identificar as situações e assim poderdes resistir à onda de fúria que sobre vós, decerto, se abaterá. Como sabeis, não sou pessoa que caia no erro de expor a sua vida pessoal num blog, pelo que o exemplo e exercício prático que se segue não se baseia em quaisquer factos pessoais por mim vividos. Cá vai.
Imaginaide, pequenitas, que chegais a casa muito cansadinhas, depois de um dia de labuta no vosso atelier de costura, onde passaram o dia a forçar a vista e a mente nas complexas tarefas de cerzir, alinhavar, apanhar malhas de meias. Como boas espoNZas que sois, tendes já o jantar, uma frugal, apetitosa e nutritiva sopa, pronta no frigorífico. E eis que à vossa interpelação ele responde "Não tenho fome". Às minhas amiguinhas, não sendo marinheiras de primeira viagem, cheira-lhes logo a esturro, pelo que se segue a inevitável pergunta "Ó seu grande desnaturado, marido amantíssimo, espoNZo querido, que andaste tu a comiscar lá fora?". Ele responde: "Pipocas". Vós, que sois melhores do que ele merece, suspirais bem fundo, aguentais o reflexo de pontapé na canela, e rolareis os olhos em beatitude, e perdoar-lhe-eis-ze. Mas deixareis, minhas pupilas, bem expresso no vosso olhar, que ele pisou o risco, que se quer continuar assim mais vale fazer um seguro de saúde com cobertura estomatológica, que as placas custam um horror de dinheiro.
Imaginaide agora que de seguida estais, serão já encetado, no manso sossego de vosso sofá, na sala de estar, a assistir a um filme. E ele levanta-se, com a meiguice e atenção que o caracterizam adverte que não é necessário parar a gravação, vai só ali buscar uma coisa porque está com fome. E volta com um pacote de batatas fritas. E passa a abrir o pacote, daquele invólucro metalizado. E retira batatinhas bem crocantes, que mastiga, não sem alarido. E remexe de novo o pacotinho. E mastiga mais batatinhas. E põe de novo a mãozinha no pacote. Desaconselho, amiguinhas, que à ira de não ter jantado vosso fino repasto e agora estar a deglutir porcarias, somem a pura raiva de estar a fazer uma barulheira do caraças com o único fito de saciar a sua gula. Não posso advogar, filhinhas, que lhe rosnem seja o que for. Tentem, calmamente, demonstrar-lhe de forma lógica e carinhosa que devia ter despejado a merde du pacotte numa tigelinha, que é difícil para vossos intelectos esgotados seguir a dramática trama enquanto la putain de la embalage faz aquele escarcéu mesmo ao vosso lado. E não cedam nunca, bravas donzelas, à tentação de dizer que ainda lhe pregam na sua delicada cabecita com qualquer coisa pesada. Aguardai, corajosas, que ele tome a iniciativa de se levantar e o fazer, depois de um terno "querido, seu maroto, ai!".
Pronto, queridíssimas. Fica por aqui esta despretensiosa e pequena prelecção. Atentai e meditai: mesmo que estejais cobertas de razão, que certamente o estarão, noventa e nove vezes em cem, apostaria, pensaide sempre no amor que lhe tendes, no respeito que lhe devereis guardar e, principalmente, na maçada que é desfazer-se de um cadáver, antes de cederdes-ze aos vossos mais íntimos instintos homicidas. Este sim, é o segredo de uma sã e feliz vida conjugal, ide agora em paz, e se tudo o resto falhar, xanax ou um copinho de tinto bão também ajuda.
Um desafio no mês de Março - dizer cenas sobre cenas
Dia 6 - Um sabor
Bitch, please.
Vou tentar sair da caixa no dia em que o tema é sobremesa, mas não prometo.
Bitch, please.
Vou tentar sair da caixa no dia em que o tema é sobremesa, mas não prometo.
Segunda-feira, 5 de Março de 2012
Olha a dica de compras
Apesar deste blog não ter vocação féchion, e os tempos não andarem para grandes devaneios ou solturas de carteira, nem me sentia bem se não viesse aqui partilhar uma dica com as ricas leitoras que apreciam a sua sabrina, sapatinho prático e confortável mas composto, muito a jeito para os tempos de primavera que chegam não tarda. Vi na Baixa, na sapataria Ratinho (se não estou em erro fica na Rua de Santa Justa, mas não afianço, é na mesma rua da Camper e Bandarra, pronto), uma resma de sabrinas em cores variadas, desde rosa chupa a azul tuquesa (para quem gosta), passando pelo branco (estão proibidas) e dourado (só se gostarem muito e com declaração médica), mas também há nas cores clássicas. São de pele, sola em couro fino e maleável (parecia, ao menos), fabrico português e o melhor, o preço, à roda de 40 bombocas. Não as experimentei, que levava umas botas chatas de descalçar e sou calona, mas não tarda vou lá arrebanhar umas castanhas, que as minhas antigas estão uns barcos de folgadas e todas chutadas.
Não são de marca fina, mas um gajo fica servido e sem pesos na consciência.
Pronto, ide lá mas deixai umas castanhas nº38 para esta que vos escreve.
Pronto, ide lá mas deixai umas castanhas nº38 para esta que vos escreve.
Um desafio no mês de Março - dizer cenas sobre cenas
Dia 5 - Foto
Ah, tenho tantas (ó eu a armar), sei lá. Pronto, como é segunda e há que animar, a mostrar a última aquisição para a minha galeria de horrores:
Que belo suspiro, não? Calma, calma, nada de gritos, nada de atropelos, há para todas. Aliás, entre este e este
o meu coração balança. (toda a gente precisa de um hobby, e este é o meu, tá?)
Domingo, 4 de Março de 2012
Um desafio no mês de Março - dizer cenas sobre cenas
Dia 4 - Amuleto
Não tenho, e acho que não preciso. É verdade que grande parte das coisas que nos acontecem é ditada por uma total aleatoriedade que não dominamos, mas ter um objecto qualquer para que a tal alea jogue a nosso favor parece-me, além de superstição tola, de um narcisismo intolerável (quê, merecemos mais sorte que os outros porquê?).
E agora aparece alguém a dizer, ah, não acredito, todos temos rituais mágicos e numseiquê, e eu respondo, diz que sim, mas da minha perturbação obsessiva compulsiva sei cá eu, e que eu saiba repetir gestos ou actos de forma ritualística não melhora a vida de ninguém e só dá canseira e maçada. Juro que ele há dias em que me esqueço de bater na madeira quando devo, e quero lá saber.
E pronto, não há uma bolinha de cotão que carregue nos bolsos desde 1986 e que me fez ultrapassar a angústia existencial, não há uma palhinha colhida nos campos férteis do vale to Tejo que traz felicidade a este lar, e não há um burrié colado debaixo da secretária responsável por todo o meu sucesso ou falta dele.
Sou uma pessoa tão desprovida de histórias interessantes, eu sei.
Sábado, 3 de Março de 2012
Um desafio no mês de Março - dizer cenas sobre cenas
Dia 3 - Local
(Para além da caminha e sofazinho, claro)
(Para além da caminha e sofazinho, claro)
Tinha uma fotografia muito fixe da vista da esplanada da Graça; como deve estar no computador antigo e nem que me batam com uma tábua cheia de pregos ferrugentos o vou ligar e esperar meia hora que abra e mais meia hora que me grave as fotos para a pen que nem sei onde enfiei, fica aqui um local que também é muito jeitoso para passear num dia soalheiro.
Há traquitanas, quinquilharia, porcaria, cangalhada? Há! Há coisas velhas, antigas, bizarras, catitas? Há! Há a moda 1980, a moda hippie, a moda militar, a moda do que calhar? Há! Há gente velha, há gente nova, há gente de fora, e gente do bairro e arredores? Há! Há coisas novas, coisas feitas, coisas abifadas, coisas requentadas? Há!
E também há uma esplanada muito jeitosa, para juntar à da Graça, do Miradouro ali da Penha, e a das Portas do Sol. Tanto para fazer em Lisboa, em sítios bem giros, e com um risco quase nulo de levar com as enchentes de domingueiros que resolveram que ao fim de semana é que é uma altura supimpa para ir ver o rio, almoçar um méquedonald ou um overpriced lunch, e de sobremesa passar uma hora numa fila para depois ir comer os pastéis para a relva onde já éne cães se aliviaram, porque banquinhos vagos, népia.
Sexta-feira, 2 de Março de 2012
Um desafio no mês de Março - dizer cenas sobre cenas
Dia 2 - Pai/Mãe
A minha mãe queria ter um filho como o meu irmão, mas saí eu. Então mamãe tentou outra vez e saiu o meu irmão. Para as outras pessoas não desconfiarem nem a polícia a prender, a minha mãe vestia-me como deve ser, embora as cores das roupas nunca combinassem. Também me inscreveu na escola, não só para tudo parecer normal, mas para haver alguém que levasse e trouxesse o meu irmão, e o defendesse dos meninos maus que lhe chamavam nomes e lhe queriam bater. Enquanto eu levantava a mesa e a minha família relaxava em frente à televisão, também conseguia ir vendo qualquer coisa. Foi com os anúncios de detergentes e comidas congeladas que percebi que havia mães que não eram como a minha, que lavavam elas a roupa dos filhos, e lhes faziam o jantar! Fiquei muito surpreendida, e percebi então que aquilo que os outros meninos já me tinham contado na escola afinal não era mentira, como a minha mãe me tinha dito. Se calhar não precisava de ter deixado de falar a todos. Desde então, tive apenas um sonho na vida: estudar muito, arranjar um bom emprego, juntar dinheiro e pagar à minha mãe um curso na escola das mães dos anúncios! Um dia apanhei a minha mãe a dizer ao meu irmão que não devia falar com estranhos, nem apanhar boleias de quem não conhecesse. Disse-lhe também que não devia ir à rua sozinho ou afastar-se dela. Fiquei muito surpreendida, porque desde os 3 anos de idade me mandava à rua fazer recados, e comprar aquelas maçãs de que gostava muito e só se vendiam na outra ponta da cidade. Eu achava que elas eram iguais à outras maçãs, mas deviam ser mesmo muito boas para a mamã me mandar à mercearia sempre a dez minutos da hora do fecho, o que me obrigava a atravessar as ruas mesmo depressa!
No fundo, eu sei que a minha mãe gosta muito de mim. Preparou-me bem para a vida competitiva cá de fora, e hoje sou uma pessoa muito desenrascada, eficiente, focada, ambiciosa e competente. Sou directora de departamento numa multinacional, ganho muito bem, só me visto e calço de coisas caras e de marca, e estou de casamento marcado com um homem muito bonito e que é doutor. Como ganho somas milionárias, consegui pagar umas férias de luxo à minha mãe: um safari por Serra Leoa, Uganda e Nigéria! Deve estar a gostar muito, ainda não voltou.
Quinta-feira, 1 de Março de 2012
Um desafio no mês de Março - dizer cenas sobre cenas
Dia 1 - Livro
Não posso escolher um. Desculpinhas, mas não dá. E não há livro da minha vida. Podia armar-me em fina e botar aqui um muito bom e tal, para mostrar a todos que sou hipé-culta. Ou então (re)inventava-me mais supé do que sou, e dizia o meu, aquele que nunca escrevi, mas pregando a peta que sim e que era grande coisa.
Assim sendo, fica o actual companheiro:
Tenho uma tara perdida por policiais, e os escritores do norte da Europa são qualquer coisa. Este é o terceiro deste escritor que leio, e não está a desiludir.
Já agora, e porque estes desafios têm também por objectivo dar a conhecer um pouco mais sobre a pessoa e tal, cá fica um segredo bem guardado: não sonho nem nunca sonhei ser escritora mas, se um dia escrevesse qualquer coisa que se assemelhasse a um livro, gostava que fosse um policial. Tipo the ultimate policial tuga ou vá, mais modestamente, alfacinha. O que eu me babava se fosse a tia Ágata Cristina portuguesa. Pode ser que um dia me dedique a isso, mas não prometo nada.
Ena, já chove
Ainda bem :) Estava tão preocupada :( este ano as féchionistas quase não tiveram oportunidade de sair à rua de galocha :/ Tadinhas :')
Tchi no que eu me meti
Anda aí um desafio de postar uma foto diariamente consoante um tema, e eu, porque tenho uma ligação lenta neurónios - boca, disse que sim antes de conseguir processar bem a situação. E agora, de duas uma: ou mantenho a palavra, ou invento uma doença de última hora. Pá, aquilo pede trabalho. E pensar. E tirar 31 fotos, sobre cenas diferentes. E eu não sou menina de fazer trabalho adiantado. E perdi o cabo que liga o telelé ao computas. E um dos temas é pai/mãe, e onde vou eu arranjar cianeto a estas horas. Enfim, vou pensar um poucochinho, e avaliar se não me arranjo de modo a ter pouco trabalho com a coisa. Ou então, já sabem, apanhei um camadão de paludismo, não dá.
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