Quarta-feira, 29 de Fevereiro de 2012

Uma sugestão

Porque aposto que já toda a gente teve vontade de fazer isto:

Explica-se em três penadas

Há pessoas que não sonham com o estrelato, com serem conhecidas e reconhecidas na rua. Há pessoas que apreciam o recato, acarinham a sua privacidade, não têm gosto ou propensão em expôr a sua intimidade e a dos seus. Há pessoas que gostam de viver anónimas, de só os amigos e familiares conhecerem o seu nome completo, e alguns outros, mas também próximos e/ou identificáveis, a sua cara. Há pessoas que não gostavam de ser capa de revista, ou que o seu nome / vida / qualidades ou falta delas / profissão / guarda roupa fossem do domínio público. Há pessoas que se reservam, e as razões por que o fazem não incluem a inveja de quem não o faz, serem feias que nem um penedo, ou terem uma vida triste e deprimente.
E há pessoas que não entendem isto, mas ao menos o deviam respeitar, mas obviamente estavam de folga quando foi distribuído o bom senso.

Vá lá a gente perceber esta gente

Primeiro fizeram um banzé desgraçado que não se podiam casar, que casamento era para procriação, e que um casal que não pode procriar era anti-natura.
Agora que podem casar, não os querem deixar procriar.
Em que é que ficamos, pá?

Longe de casa

Percebes que deixaste há já uma vida o teu subúrbio, e não reprimes um sorriso snob, quando na notícia sobre um macabro acontecimento nem sequer consegues perceber onde raio fica o local do crime.
Percebes que afinal não, que a memória antiga é uma cabra ou então serás suburbana forever, quando reconheces imediatamente a rua onde vivia a vítima e até te lembras do nome da artéria.

Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012

I'll be there

Se há coisa que aprendi com a leitura de O Conde de Montecristo foi que a vingança é um trabalho a tempo inteiro, e muito mal pago. Dá uma trabalheira do caneco, exige uma dedicação sem igual, e é capaz de ser coisa que leva o seu tempo, tipo, uns anitos valentes a congeminar, a traçar planos, a urdir a rede e, finalmente, com um nadinha de sorte e oportunidade, uns minutos a ver a mosquinha a ser apanhada e a contorcer-se. Ah, e dinheiro, muito carcanhol. Uma vingança assim bem catita exige meios.
Não quero atirar aqui um spoiler, mas acho que toda a gente já sabe como acaba aquilo (se não sabem deviam saber, o livro é bestial e já devia estar lido, shame!). À terceira (que é na verdade quarta, para mim o Caderousse também conta) mosca o homem percebe que se calhar tinha empregue melhor o seu tempo noutra coisa qualquer, um clube de lavores, uma obra caritativa, ou simplesmente a fumar charuto enquanto contemplava o tecto. Mas já estav feito, e a verdade é que até o mais santo leitor rejubila um cadichito ao assistir à agonia daquela corja de malfeitores.
Voltando ao princípio, a vingança dá uma trabalheira, e esse é o ponto a fixar. Por muito mal que nos tenham feito, andar a remoer num "hás-de pagá-las" ou pô-lo em prática acaba por ser uma chatice das grandes. E se eu tenho coisas melhores para fazer, como nenhum. Mas a verdade é que nunca esquecemos aquela farpazita, aquela injustiça de que fomos alvo. Avança-se, mas fica a marca; pode não doer, mas lembra. E se por um enorme acaso da história das coisas cair a guilhotina sobre aquele especial pescocinho, bom, sou preguiçosa o suficiente para não me ver como carrasco, mas não sou santa, e admito que vou gostar de ver.

Aleluia a São Blogger, que já me deixa postar

Por enquanto, e para não desfazer no espírito de segunda feira, só para dizer que apesar de já estar calorzinho não é caso para andarem já a pilhar a nova colecção e vestir as cores vomitado da nova estação. De manhã e à tardinha ainda está frescote, e é assim que as apanham, e depois vão empatar os senhores médicos de família e deixarem-nos sem tempo para atender as velhinhas do costume, as que precisam de renovar as suas 7291 receitas e trocar os 834 comprimidos que entendem que afinal não funcionam.
Mais má disposição já a seguir, logo que tenha uma aberta na minha agenda demasiado cheia.

Domingo, 26 de Fevereiro de 2012

Calha-me sempre o lado cansativo

Eu sei que todos os que cá calha pensar julgam que estou a passar o fim-de-semana num resort em Marraquexe ou num Spa em Freixo de Espada à Cinta, degustando maragaritas à beira da piscina enquanto contemplo um por-do-sol perfeito, livro maravilhoso no regaço, mão que não segura o copo na mão de meu amantíssimo e mui cobiçado espoNZo, enquanto estreeio qualquer autefite da nova estação, comprado de propósito para a ocasião.

Lamento desapontar, mas não. Aliás, passei o domingo numa alegre brincadeira mas com dois velhos amigos, o Jerónimo M. e o Belmiro A., que mandaram os seus mandaretes preparar-me uma gincana que achava ser exclusivo da minha empregada: ora adivinha lá onde arrumei não-sei-o-quê. É uma emoção: de repente precisamos desse não-se-o-quê, e não fazemos ponta de ideia onde está, apesar de nos lembrarmos muito bem onde o vimos da última vez, e consiguirmos, com recurso à lógica, até imaginar onde deveria estar. Este jogo pode demorar mais ou menos tempo, consoante a argúcia e perspicácia dos jogadores. Posso confidenciar que ando há meses a tentar descobrir onde a minha assistente doméstica encafifou determinada cena, mas nem por sombras lhe darei a satisfação de perguntar. Tenho o meu orgulho, caneco.

Como o palácio do Belmiro é maior e com muito mais frequência, e tendo eu a paciência ou tempo disponível para tanto, desisti de lá encontrar a) papel vegetal (ahém, ao lado dos sacos de congelação e papel de alumínio, hum?, só uma ideia); b) nutella (juro, esta nunca, mas nunca está onde devia, cruzes, pá, vejam lá isso, tipo, ao lado dos doces e coisas para barrar pão?, agradecida); c) natas; d) ovos que não fossem de galinhas escravizadas e ilegalmente aprisionadas. Em compensação, no palacete do Jerónimo M. há menos gente, que há, os produtos da casa são melhorzinhos, e consegue-se voltar atrás e pesquisar os corredores que já vimos (nunca se sabe se a nutella não estava agachada atrás de um frasco de compota ou compal laite quando a gente passou), sem ter um ataque de nervos com a perspectiva de atravessar aquele povo todo e andar o equivalente a meia maratona. Juro, não fosse a maldição dos cupões. Que hoje pagaram o Bushmills, os Moskoskoiso e o Havana Club (não me julguem, o homem quando bebe não me bate. nem quando está sóbrio, por acaso. e, ao que julgo saber, também não tem nenhuma lista com as febras com que planeia trair-me.) E ainda darem sacos de borla, que de quando em vez fazem falta para o lixo.

Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2012

Post dedicado

Rita Maria, isto é que são missionários ateus:
(clicar para aumentar)

A espalhar neuroses existencialistas, desde sempre, e desde que nos deixem. De nada.

Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012

Olha, finou-se

demotivational posters - IF YOUR GOING TO FAIL
see more Very Demotivational

Queria começar este post por um disclaimer: este blog não me dá trabalho. Se me desse trabalho, ia querer que me pagasse, e então já cá me viam a tentar vender quanta porcaria há. Não dá trabalho porque isto é uma brincadeira, um tubo de escape da loucura diária, a cova para onde gritava o barbeiro do príncipe das orelhas de burro.

Dizia portanto que não dá trabalho, mas ele há dias em que é uma canseira; e outros (felizmente menos) em que se torna um desgosto, o filho ingrato que eu não merecia. Porquê? Ora, não consigo postar há dois dias a partir do meu posto de trabalho. Ou se trata de uma medida anti-anhanço e pró-produtividade (que dispara pela culatra, sem tubo de escape eu rebento no trabalho, capisce? não é bonito, não. vai dar confusão. e não me peçam para barbear o príncipe orelhudo assim, lamento.), ou o senhor do universo, também conhecido por google, anda a tentar calar esta santa boquinha. Pois que eu tento e coisE, e o blogger não abre, fica ali uma ventoinha a girar na página de texto. Vai daí vou ao painel, a ver se arranjo modo de reparar a avaria, e vejo lá um botanico a anunciar a nova plataforma do blogger, ou lá o que era aquilo. E penso eu: ah, queres lá ver, se calhar é por isto. E continuo: e se eu clicasse ali só para ver? E zás, cliquei.

E finou-se de vez. Disse que o meu bráuser não é compatível, se eu não queria instalar o crómio. Instalei, e foi a sentença de morte: tudo esquisitóide. (Agora que penso nisso, não era suposto eu conseguir instalar cenas no bules, segurança e assim, mas alguém deve ter adormecido na guarita, adiante). Página de blogger um imenso branco, tipo calota polar. Ali eu no meio do glaciar, e tomo a única opção cientificamente válida: desinstalei o crómio. Ah, agora já vejo a entrada do blogger! Viva! É pena é não conseguir abrir uma página para postar.

Bom, e estamos nisto. Eu perdi a minha máquina de dar puns e fazer uma festa disso, que era a única coisa que me possibilitava manter a compostura e eficiência profissional o resto do dia. Espero o pior. Tivesse eu um tabléte, um coiso daqueles que custa dois bilhetes de avião daqui a Londres (BA para Heathrow, sou fina e já não tenho idade para ir com a rapaziada nova naqueles autocarros do ar), se calhar safava-me, mas era mais um pinchavelho para eu perder a cabeça, enquanto aprendia a lidar com ele. E é caro, e assim. O telelé tem um ecran pucachito e a vista já não é o que era. Portanto, ou começo a escrever posts no mail e edito em casa (ou não edito, porque entretanto baixou a noção e tenho vergonha), ou então vou andar a melgar toda a gente nos respectivos blogs, em forma de comentários parvalhões. De qualquer forma, ou é assim ou qualquer dia levam-me daqui numa carrinha branca porque perdi a cabeça e dei um chute em alguém. Face a isto, acho que posso contar com a compreensão de todos vocêzes, que sois uns santos, não desfazendo. Agradecida.

Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2012

Não gosto disto

Cérebro em stand by, parece que ele teve tolerância de ponto, a não conseguir desencravar, a não conseguir descolar, nem para a frente, nem para a direita, nem para esquerda, não há jeito, faz intervalo, repensa lá tudo de novo, bom, vamos lá outra vez, chiça, outra vez num impasse, o que faço a isto, nervos, vá, mais um bocadinho, ai o prazo, caneco, vê lá isto melhor, revê lá aquilo outra vez que se calhar falhou-te algo, e ai, não está aqui aquele documento, porra, que chatice, quando é que as pessoas aprendem a fazer as coisas como deve ser, caraças, pronto, ao menos já está alinhavado, mas coso mesmo por aqui, ou mais acima, ou mais ao lado, vou mas é para casa que aqui nem o pai morre nem a gente almoça, não, vou tentar mais um bocadinho, olha, afinal na mesma, já deixavas de ser uma coninhas, qué que foi, só quero fazer isto em condições, o tempo que já perdi com isto e nem me decido nem me indecido, que se lixe.
E foi um dia inteiro nisto, diz que é carnaval ninguém leva a mal, mas não há chocolate em casa e preciso de colinho.

Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2012

Novo vício

A estúpida da box da xon(é) só deixa gravar sete (sete! isso é para meninos) séries ao mesmo tempo. Ou seja, o resto a gente que programe à la pata, que remédio. E se há muito por onde escolher, safa. Os Bórgias já foram pelo cano (o Jeremias Ferrinhos tem de ganhar para o pão, mas a mim ninguém me paga para ver), o Era Uma Vez idem (seca), e no seu lugar já temos substitutos, de entre os quais, a saber, Wallander. Série policial (acho que não falho uma; Lei e Ordem é o meu enche-chouriços de eleição), desta vez a passar no AXN Black (fox crime, estás-me a falhar), e com o Kenneth Branagh, é mais uma adaptação made by BBC (boa) de escritos policiais vindos lá do frio nórdico. Yep, para quem ache que Stieg Larsson é muito last season, cá está mais um sueco a inventar historinhas de muito suspense (parece até que tem precedência cronológica), com crimes de gelar o sangue (mesmo), e mais um polícia com extensos problemas pessoais, ali taco a taco com o Harry Hole de Jo Nesbo. Anda uma pessoa a pensar que lá pelos países gelados é tudo gente civilizada, de altos padrões e tal, que os latinos é que são povo de sangue quente que despacha famílias à catanada e vizinhança à cachaporrada, e vêm estes senhores com tramas que faz favor e enredos que upa upa. Agora de onde lhes vem a inspiração, não sei, que nunca li o Correio da Manhã lá do sítio.
Aconselho vivamente, e cada episódio de hora e meia é uma história independente, pelo que estais sempre a tempo de apanhar a carreira.


A minha excitante e trepidante vida, agora acessível a todos, num blog perto de si

Espantoso, já não posto nada há quatro dias! E o último foi só um youtubio. Imagino desde já hostes de leitores angustiados, sem saber o que fazer à vida porque a sua gurua não lhes aponta os caminhos. Nada de pânicos! Apesar do muito que fazer, cá estou de volta, e cheia de conselhos para que possam ter uma vida tão bonita como a minha. Por exemplo, tomem banhinho, não se esqueçam de lavar a dentuça, e vistam-se antes de sair de casa. Mudem a cama uma vez por semana e arejem o quarto depois de levantar. Ah, tanto que se aprende comigo, eu sei, nada de agradecimentos, faço-o por puro altruísmo. 

Sinto, também, uma ténue consternação e preocupação de amáveis leitores, indagando-se se mi vida corre bem, para estar tanto tempo longe deles, a razão do meu existir. Nada temeis! Já regressei. E não, não aconteceu nada que me apartasse de vós, apenas a vida, a minha preenchida vida, que apesar de ser maravilhosa porque é minha, por vezes também é um longo e sinuoso vale de lágrimas, principalmente naquelas não tão raras ocasiões em que tenho resmas de trabalho para abater e nenhuma vontadinha de escrever fantásticos e divertidos disparates, para gáudio de uma imensa e gostosa plateia.

Porque sou uma 'soa muito sensível, também me apercebo do azedume de uma corja de anónimos ressabiados, a pensarem decerto que ah, deve andar no laréu, a fazer as coisas que as desocupadas sem filhos fazem nos seus tempos livres, tipo asa delta no Pão de Açúcar, subir o Amazonas, explorar grutas nos confins da África equatorial, mergulhar na grande barreira de coral. Nada disso, queridas invejosas ressabiadas! Apesar de ser uma zecutiva de sucexo, com uma vida profissional e pessoal recheada de momentos altos, a verdade é que sou uma criatura muito terra a terra, muito próxima do povo - o que eu adoro o povo! - com raízes rurais que volta e meia gosto de relembrar. Ah, nada como voltar à terra. Daí ter passado um fim de semana bem rusticozinho, a mondar ervas, a plantar ou replantar, a apanhar fruta e assim. Eu sei, eu sei, sou tão acessível, eu sei. Como o demonstram os arranhões nas minhas secas e gretadas mãos, mãos que trabalham, mãos que produzem, mãos que passam do papel à urtiga com a naturalidade inata de alguém tão simples e adorável como eu.

Enfim, assim é a minha mui invejável vida, plena de coisas boas, entre as quais a inauguração da época de esplanada, que a vitamina D não se sintetiza sozinha. E hoje cá estou eu, fresca e galhofeira, sem soninho nenhum, sem vestigios de spleen, e cheia de vontade de produzir e fazer este país sair do atoleiro onde não o enfiei. Sem nunca perder o espírito da época! Pois que vim mascarada de assassina psicopata tresloucada, pois foi. Ah, não pareces nada, estás vestida de normalinha, cá para mim. Ah sim? Então experimentem lá vir cá chatear que já vão ver. Experimentem. Vá.

Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012

E agora sinto-me mazinha e ressabiada, e vou destilar

Féchionistas da treta, atenção, não se diz que se vai usar cores pastéis ou mesmo, na loucura, sei lá se não vos dá para isso, pasteles. Pastéis são os de bacalhau (já marchava) ou os de nata (idem); as cores são pastel, sim, usa-se o singular mesmo depois do plural de cores. Cores pastel é que é, ou melhor, tons pastel. Acho que derivará dos tons usados por Degas, que era muito amigo dessa técnica e do desmaiadinho, e isto já sou eu a inventar, para ele resultava, para mim não, verdinho auga, amarelinho icterícia, por acaso é moda que já usei em mil nove e oitenta e seis, quinze aninhos à data, e à qual não pondero voltar. Quem levou uma década inteira com o Dallas e o Dinastia não entra nestes revivalismos, 'brigadíssima.

Se a vida te dá limões, atira com eles à mona de alguém

Ou então tira-se a casquinha e faz-se um carioca, que ainda não é tempo de limonadas. Tipo, se o espectáculo que querias ver está esgotadíssimo, rejubila por a cidade ainda te oferecer uma temporária de Picasso e outra de retratos Lucien Freud. Este quase mas não tão deprimente como cavalinhos e pessoas a serem chacinados, mas é o que se pode arranjar.

Calimerando*

Acho de uma notável ironia ou, vá, antes uma estúpida injustiça, que alguém que goste tanto de cinema e teatro tenha sido fadada com uma cabra de uma valente claustrofobia. Com a agravante que baixou sabe-se lá vinda de onde, que não me lembro de me ter picado em nenhum fuso, nem consta que beijos de princípes ou sapos ma possam curar. Pronto, há um ansioliticozinho muito jeitoso que dá uma ajuda em dias mais complicados, mas a verdade é que sem lugares de coxia, nada feito. O facto de deixar de haver lugares marcados na maior parte dos cinemas faz parte da gigantesca conspiração que o universo não se cansa de urdir contra mim, claro, mas eu tramo-o bem chegando cedíssimo às portas de modo a escolher lugar. Agora quando se trata de marcar espectáculos lá longe, e ainda por cima coisas boas que tendem a esgotar, consumo-me dos nervos. E se eu sou uma rapariga nervosa.

*também tenho direito aos meus momentos Calimero. E, já agora, dentro de aviões ou elevadores no pasa nada. Na boa. Não há como negar sou uma triste vítima das circunstâncias e que a vida gosta de me apertar onde dói mais.

Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012

Aprendam, que eu não duro sempre

Não se escreve um documento profissional em comic sans. Aliás, não se escreve um documento profissional em qualquer tipo de letra floreada, com curvinhas, redondinha, a imitar letra de primária, gótica, romance do século XIX. Não se escreve um documento profissional em itálico, maiúsculas ou negrito (bold). Borla final: abusar do sublinhado pode resultar num efeito perverso, que é o leitor ficar cheio de dores de cabeça e desistir. Ah, só mais uma: existe uma ferramente muito gira para quem tem preguiça de carregar no alt cada vez que escreve "à", chama-se correcção automática. Resulta. Resulta também consultar dicionários, até há online.

De nada, e antecipadamente grata a quem fizer o favor de tomar em consideração.

Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012

Mantras do dia

Vantagem de ter 40: poder dizer isto.



Desvantagem de ter 40: isto também acontece.



Por outro lado, não sei se é bom ter consciência disto. Mas é verdade.

Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012

Querido Estado

Agradecida por ainda existir e ainda (nunca é de mais frisá-lo) me pagar o ordenado; aquela percentagenzita que me tirou faz alguma falta, que faz, dos subsídios ainda não posso falar porque só caíam em Junho e Novembro, mas já os choro por antecipação, peço desculpa se incomodo.
Feita esta breve introdução em que me mostro grata pelo que devo assim me mostrar, só para que não fique para aí a remoer que sou uma piegas queixosa, passemos ao desagradável da situação e que me traz aqui. Ora hoje é sexta-feira e é o primeiro dia desta semana em que consigo chegar às onze da manhã sem os pés transformados em blocos de gelo que só então começam a derreter. Verdade: tenho os pés quentinhos, ao contrário do que sucedeu segunda, terça, quarta e quinta. E isso deveu-se a ter deixado o radiador ligado a noite toda, pelo que quando cheguei aqui a arca frigorífica estava habitável, em vez de mais se assemelhar a uma gruta escavada no gelo ali para os lados do círculo polar ártico. Ah, mas então isso esteve a gastar a noite toda! Pois esteve. E a crise, ó abécula, não sabes tu da dificuldade que há nos pagamentos, que é preciso diminuir as despesas? Então não sei, vocelência não se cala com isso, mas uma pessoa a tiritar é uma pessoa que não está a trabalhar, e isso também é capaz de ser mau, penso eu.
É claro que havia uma maneira de resolver isto, mas implicava que V. Exª e seus amáveis contabilistas fossem dotados de um espírito um nadinha mais visionário do que têm demonstrado. Compravam umas fichas com temporizador que forneciam ao pessoal (nomeadamente, eu), o pessoal (nomeadamente, eu) programava o reloginho para as sete e meia, e quando cá chegasse às oito e meia, nove, já se podia trabalhar sem o casacão disforme que ali tenho para estas situações.Simples, não? Ah, não há dinheiro para compras avulsas. Pronto, eu já sabia. Afinal ainda me lembro que a tripla que aqui está é minha, e se não a comprasse que me lixasse. Mas digo eu, gastando uns tostões a curto prazo podia poupar uns milhoes a médio, não? Não sei se já recebeu o aviso, mas a EDP cobra todos os dois meses, e com iva no máximo. E não julgue que os chineses o vão fornecer fiado. Mas pronto, como eu sou amiga, não deixo ligado tooooodo o fim-de-semana, e ofereço-me ao sacrfifício na segunda. E já vai cheio de sorte, malandro.

Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2012

Este blog também quer mandar larachas sobre relações e o amorrrrrr, tudo em tom muito paternalista e pedagógico

Penso que toda a gente já está familiarizada com o conceito de deal-breaker, ou seja, aquelas atitudes, situações, características da cara-metade ou candidato a que não podemos aceitar, e mais vale separar logo que enveredar numa relação que mais não será que um penoso vale de lágrimas. Pois eu também tenho os meus. Ou antes, os meus almost-deal-breakers, que seriam the real thing tivesse eu espinha dorsal e menos esperança em mudar o parceiro.

Que ele goste de heavy metal aguenta-se, até porque o ouve de fones; a playstation atura-se porque só joga quando eu não estou (e hoje vai ter mais uma horinha, o malandro, para matar zombies, nazis, ou que bicho anda ele agora a perseguir); filmes de terror com gente a ser esventrada das formas mais nojentas idem, pelo que não me atinge. Mas há uma coisa a que fiz vista grossa e que, fosse hoje!, não sei se me tinha atirado em seus braços sem que largasse aquele hábito horrendo.

Não são tampas de sanita levantadas, não são meias ou outra roupa usada largada pelo chão, que felizmente é rapaz asseado (embora nem por isso arrumadinho, e ainda bem). É algo bem pior, minhas amigas, e que teria pudor em expôr, não fosse a vaga esperança de, ao levantar aqui o véu sobre os podres da minha vida conjugal, poder estar a ajudar outras desgraçadas. É, eu sou assim, boa e altruísta a um extremo; não me exponho pelo gosto de saber que vem aí catrefada de fãs histéricas a concordar, ou porque a minha vida é tão cinzentona (que por acaso até é) que ao menos na net tenha um bocadinho de brilho e brilharete, tornando-me mais interessante do que sou. Não! É tudo pelo bem, pelo vosso bem, apesar de ser assunto que muito me dói, massacra, sangra mostrar ao mundo. Ai, coragem, Izzie!, revela-te, que aqui é só gente boa, munida de abracinhos e lencinhos para te consolar. Cá vai. Ai.

Batatas fritas com sabores. Pronto, já disse. Ele gosta de batatas fritas com sabores, cheetos, tiras de milho com picante ou sem, todas aquelas porcarias nojentas embaladas em pacotes que fazem muito barulho, a cheirar a gorduranga da mais rasca, tipo aquela raspada das fritadeiras de farturas e que depois deve, de certeza, ser usada na confecção destas abominações. E eu sei que ele come disto às minhas escondidas, e eu finjo que não sei. Farei mal????? Sim, eu finjo que não sei!!!! Mas o pior sucedeu um destes dias: cheguei a casa, cansadinha da labuta diária, e ele mastigava algo crocante, que o meu olfacto apuradíssimo detectou ser um desses estercos. E eu, tentando manter a compostura: batatas com sabor a bacon?, e ele não, com sabor a chili. Mordi o lábio, mas não lhe dei a satisfação de ver minhas lágrimas, correndo copiosamente por esta face alva e aveludada. Mas há pior, queridas, muito pior: ontem abri um armário da cozinha, e que vejo eu? Um pacote, inteiro, por encetar!!! Fiz-me de lucas, mas terei agido bem???? Não sei!!!! Estarei a comprometer a minha integridade, por não ter atirado com aquilo para o lixo, entre gritos histéricos de ou eu ou elas, e ameaçando ligar a mamãe (havia de me servir de muito, adiante)? Eu sei que é importante manter a relação, temos uma gatinha em quem pensar, mas será justo para mim, enquanto mulher, esposa e pessoa? Transigir assim em algo que me é tão caro? Batatas fritas fedorentas e rançosas, lá em casa? Choro só de pensar nisso. Mas se consegui aceitá-lo e à sua necessidade de pizza hut de vez em quando, não deverei também neste caso fazer um esforço?

Tantas dúvidas, tantas. Alguém me ajude, apesar de eu já saber qual a resposta correcta, claro que sei, sou a pitonisa da blogoland, e qualquer pessoa que me sugira algo contrário provavelmente não tem o que precisa para uma relação de sucecso. Como a minha. Somos tão felizes. Menos quando ele come batatas com sabor a frituras várias.

I'm so ugly, that's ok 'cause so are you

Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2012

Permitam-me um bocadinho de alegria e excitação por antecipação

Camden market. Casa-museu Freud. Tate. Covent garden (sempre). Teatro. Madame Tussauds (ele não conhece. vamos tirar foto ao lado do Benny Hill.). Stratford. Abbey Road? Speaker's corner, sábado de tarde ou domingo de manhã (passagem obrigatória). Cabinet war rooms. Mais teatro? Greenwich? Spitalfields. John Lewis, (para acalmar a sopeirinha que vive em mim). Waterstones Piccadilly (levar trolley extra). Burligton Arcade. Kew Gardens? St James Park, decerto (patinhos! corvos! esquilinhos!). E talvez seja desta que a gente encontra a estátua do Peter Pan (no Hyde Park).

Eu sei que a jubentude gosta e suspira é com Nova Iorque, I blame Carrie, mas para mim Londres é que é. E será, pela quinta vez, tudo correndo bem (bate na madeira). E ainda há tanto para ver, caneco.

Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2012

Um dia destes

Juro, deixo de dar trela a sopeiras.
Nos entretantos, é sempre muito interessante ver pessoas a enrolar-se nos emaranhados dos seus raciocínios, e não conseguir explicar porque uma medida de gestão claramente tomada para facilitar a vida ao próprio não vai aumentar em nada a produtividade dos demais, antes pelo contrário.
[Chaos ensues].

Desanuviando

Tive o prazer de conhecer a dupla Jeeves e Wooster numa viagem-escapadinha a Madrid. Calculei mal a leitura, e ao segundo dia já tinha terminado o livro que levava. Instalou-se-me o pânico e corri para a fnac mais próxima (que por acaso era bem próxima), direitinha à parte internacional (não, não leio em castelhano). Andei a bisbilhotar e dou com um nome que me dizia qualquer coisa: P.G.Wodehouse. A contracapa prometia diversão, e pronto, não foi preciso mais nada. Às primeiras páginas já estava fisgada, ihihihih, com as aventuras e desventuras de Bertie Wooster, o estouvado, palerma, descerebrado, desocupado, enfim, pobre pateta inútil que vive de rendimentos, que toma como seu manservant o impecável Jeeves. Linguagem refinadíssima, humor subtil, personagens rocambolescas e deliciosas -  a tia Agatha é um prato, e o não menos pateta e eterno amigo Bingo idem. Fiquei rendida e fã, comprei (muitos) mais livros, e entretanto, tomo conhecimento desta série:
A dupla Fry-Laurie retrata na perfeição o que já havia sido tão brilhantemente criado em papel, I say. And may I say more: sejam as férias dele homologadas, mantenham-se os bilhetinhos ao preço a que estão, e fingers crossed, daqui a dois mesitos vou comprá-lo, pessoalmente. Porque é daquelas coisas que vale a pena pagar, ter e manter. What-ho.

Então? Quem é que vamos trabalhar no carnavalito?

Piegas me confesso, piegas me assumo, e nem é por me fazerem a desfeita de obrigar a trabalhar no entrudo, quando mate, trabalhador do sector privado com um acordo de empresa que o patrãozinho tem de cumprir, vai ficar a gozar as delícias do santo ó-ó. Serpentinas, confettis, isso temos cá com fartura, isto é uma alegria sem parança e nem é preciso homens peludos vestidos de enfermeira. Já 1/7 do ordenado, vai voar, e isso é que me deixa a modos que sentimental, que ainda não foi e já lhe sinto a falta. Sei lá, cá por coisas, mas um gajo habitua-se àquele rendimento anual, revisitado em Abril em cada preenchimento do impresso do IRS, e para o ano 1/7 já cá não está. E eu que até trabalhava para ele. E o gastava tão bem. Felizmente ainda pertenço àquela imensa minoria que o podia destinar a uma ou outra viagenzita, uma peça de mobiliário ou electrodoméstico que fizesse falta, e que bem calhava o do Natal no mês em que o bicho de quatro rodas vai à revisão, inspecção e paga seguro.
Ganhasse o senhor primeiro o ordenado médio nacional, tivesse ele tido que trabalhar a sério, ter ido a entrevistas, apresentar dezenas de cv, andar a palmilhar meia cidade para os entregar em mão, se calhar dava mais valor ao tal ordenadinho de merda, e muito choraria qualquer corte de meia dúzia ou dezenas de patacos. Nem lhe sobrava para lenços de papel e andaria aí a assoar-se às mangas da camisa, comprada nos saldos ou no outlet, mas prontES, a vida é como é, e quem pode manda, e quem não pode nem manda, ao menos deixem-nos com a puieguice, que pouco mais nos resta.

Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012

A receita estilosa para acabar com a (nossa) crise

Bater perna na avenida e rodar a malinha, perdão, a clutch. Ai não? Então vamos lá a ver as mensagens subliminares que a indústria do estilo nos manda. Primeiro foi a bota ortopédica dragqueen, e se já parecia mais que suficiente, ora que lo Cristianito, hermanito de la solita roja ataca:


Modelito noite de strip
Modelito madrugada na avenida (horas extra, façam horas extra depois do strip que o país precisa de trabalho)

Modelito lobby de hotel de luxo
Modelito verão no resort com o velho milionário ou sheik abastado.

E prontEs, filhas, à procura dos knockoff nas zeras, burshkas, promarks e sissáides do burgo.

Nem tudo é mau

E este filme é absolutamente delicioso, de uma doçura, de uma delicadeza, de uma fineza que não se consegue descrever. Uma prova provada de que o cinema é um veículo intemporal, e que se evolui, todavia pode(-se) voltar atrás sem perder graça ou valor. O importante é saber contar uma história, e fazê-lo bem.



De momento, amo Jean Dujardim. E o canito.

Ser português é uma alegria constante e esfuziante

Não percebo porque ainda há quem pague bilhete para ir ao circo, com tanto palhaço, equilibrista, malabarista e contorcionista a dar espectáculo de borla.

Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2012

O amor da Julieta, é o Dartacão*

Não me quero armar em puritana, que gosto de um valente arranca-rabo, uma boa peixeirada, como toda a gente. Desde que não me envolva, obviamente. A cusquice também não me é estranha, apesar de não investir grande coisa nesse campo. Mas há dias em que suspeito que tenho uma costela britânica, ou que vive em mim uma velhota vitoriana, tal a repugnância que me causa a exposição a alheia. É que se a exposição fosse uma imagem bonita de ver, uma história bonita de ouvir, mas não, quem expõe a intimidade mais íntima da sua vida pessoal ou familiar insiste sempre em estender a roupinha mais rota, encardida ou porca que por lá tem.

A freguesia aqui do tasco onde sirvo bagaceira e copos de três é muito variada e, volta e meia, sai-me alguém muito precisado de medicação psicotrópica ou divã de psicanalista, que se troca todo, confunde secretária com confessionário, e vai de vomitar toda a sua santa vidinha, a da família, amigos e, calhando, do hamster. Ainda que tenha a ver com o assunto em causa, a verdade é que, em regra, umas 99% das vezes, não adianta nem atrasa para a questão. Mas este tipo de pessoas não consegue evitar: por norma considera-se uma vítima da sociedade, do universo, da família e de todos os que com ela se cruzam. Contam as suas historinhas deprimentes para nos ganhar a simpatia e, quiçá, evitar que nos tornemos o seu 1862º algoz. Muitas das vezes nem dão conta que na narrativa, na qual se vêem como protagonistas injustiçados e perseguidos, estão lá as respostas todas: porque correu mal, porque falhou, porque porque. E sim, por norma parte da culpa cabe-lhes, e é bem notório, mesmo numa história relatada por quem quer sacudir a responsabilidade. Mas insistem. E não atingem, mesmo que se lhes lance uma pista ou outra. Talvez se fizer assim? Aaaahhhhh, não, porque sicrano é um pulha e não vai resultar. 'Tá bem, abelha.

Quando ainda era fresquinha nestas lides ainda papava as histórias todas. Interesse humano e tal. Os anos não me melhoraram o feitio, e de uma vasta colecção comecei a retirar que a) o interesse, na verdade, era pouco; b) de humano também pouco tinha. Acabou, o pachorrómetro avariou. Por isso, ao mínimo indício de que vem aí a canção do/a desgraçadinho/a, mudar assunto. Se me cheira ainda que tenuamente a estendal de historinhas pessoais ou familiares, já não tenho vergonha de atalhar com um isso não interessa nada ou não quero saber. Fantasticamente, ou não, dois dos assuntos que agora me ocupam foram aqueles em que mais vezes repeti o não interessa nada e não quero saber, vamos ao que interessa, passemos adiante, mas nem percebo bem porquê, os fregueses voltavam sempre ao mesmo. De tanto me quererem extrair compaixão e simpatia, a verdade é que só só conseguiu o contrário, isto é, a simpatia está ali pela cave, a compaixão meteu baixa, e adivinhem quem as está a substituir? A exigência e o rigor, todos os 100% de cada. Tramadíssimo. Se é preciso untar a forma para que bolo descole, a verdade é que enchê-la de manteiga não dá bom resultado. E quando me põem neste estado de espírito, não há pedra que não vire, nada que não esmiuce para ver se as coisas são mesmo como os pobres perseguidos pelo universo as contaram. E surpresa: não são. Adivinhem quem vai ter um Natal antecipado, quem é.
(* está a tocar em repeat na minha cabeça. o mau feitio dá-me uma trabalheira do caneco, que dá.)

Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2012

Era isto que gostava que me esclarecessem

Tanta conversa que vem aí um frio polar, tanto rebeubéu da protecção civil com os seus conselhos de mamã - agasalhem-se! velhos e crianças, não saiam de casa! comam refeições quentes! - e não os ouço dizer o que realmente interessa: aqueles que não têm com que se agasalhar, não têm casa onde ficar, nem refeições quentes para comer, cumequié, hum? Vamos abrir as estações de metro durante a noite, para ao menos terem onde dormir debaixo de telha? Vamos? Lá fora faz-se isso, se for incentivo. Andor.

Querido universo: decide-te

Ontem era a saia 46 que me ficava a nadar, hoje o casaco 46 que parecia ir rebentar, normaliza-se tanta merdinha, já agora dava-se conta dos númbaros da roupa, agradecida.

(o casaco era lindo e lindo e mais um bocadinho lindo. 70% de lindo. e quentinho. e colorido. era uma conversão, visto que nasci e criei-me na monocromatic persuasion.)

A alegria de ser português

De vez em quando questiono-me por que carga de água tenho eu carro, mas depois existem os dias de greve geral de transportes para me validar a opção.
(£#$%& do trânsito)

Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012

Coisas que é um bocadinho difícil explicar a pessoas pouco abonadas de massa cinzenta

Se no mesmo serviço há pessoas que têm menos volume de trabalho que outras em posição paritária, isso não se deve necessariamente a a) o dito ter ido dar uma volta e calhar não ter voltado; b) sorte; c) cunhas; d) haver alguém lá em cima, material ou imaterial, que gosta muito de mim. Um gajo pode ter menos volume de trabalho que o do lado pela simples razão de que o faz, e trabalho feito é trabalho desaparecido. Um gajo pode muito bem ter menos trabalho porque, apesar de sofrer de crises de preguicite crónica, dedicar-lhes apenas poucos momentos do dia, bem como aos lamentos que devem acompanhar tais crises, e ocupar o resto do tempo a fazer o que tem de ser feito. Se calhar um gajo que tenha mais trabalho passa o dia na choraminguice, a lamentar-se de ter tanto trabalho, a queixar-se ao do lado ah, tu tens menos, ir tomar um café para ver se coiso, ir ali para coisa, e chega ao fim do dia muito desmoralizado porque o fideputa do trabalho, esse malvado, não desapareceu. Nestas situações, alocar os que têm menos trabalho a fazer o do coitadinho que tem muito, chuif, o desgraçado, não só não é aceitável como me parece uma burrice de três em pipa. Só contribui para desorganizar quem estava organizado, diminuindo-lhe a produtividade e a de todos os que dele dependem, enquanto o pobre desgraçadinho que tem muito pouca sorte nesta vida, snif, continua a plantar morangos na quinta virtual.
Não tenho formação em gestão ou recursos humanos, não sou uma pessoa muito dotada de bom senso, mas isto parece-me clarinho como a água e hei-de enfiá-lo em certa cabecita de betão nem que seja à picaretada (será que apareço no jornal das oito por suicidar uma bezerra que aqui anda? Ui. Me wishes.)

Não quero criar expectativas irrealistas, que não quero

Mas já há muitas árvores carregadinhas de flores. Me loves.