Estava aqui indecisa sem saber sobre que embirração postar hoje, mas entretanto lancei moeda ao ar e já está. O assunto não é novo, não é excitante, e já está mais que batido. Mas afinal bater no ceguinho é desporto nacional e não quero que alguém duvide do meu amor ao espírito pátrio, portantinho, cá vai, e o tema é publicidade. Nada contra a dita, quem a faz e quem vive dela. O que me encanita é a publicidade encapotada, aquela feita com manha e arte a ver se nos leva na cantiga. Acho adoráveis aqueles momentos de "apresentações promocionais" ou de "divulgação comercial", normalmente em programas muito popularuchos, em que alguém com um ar muito credível nos tenta impingir a maior baboseira já inventada. Pontos extra se se trata de um produto de venda livre, destinado a melhorar a nossa saúde em qualquer coisa, e o apresentador está de bata. Kudos! Pois se é doutor e diz que a depuracoisa não sei quê, aquilo vai lá dar-nos uma diarreia monstra e um enjoanço de todo o tamanho? (não sei, ouvi dizer, a sério, alguma vez comprava aquela bosta). Ainda assim, estes preciosos momentos de partilha de informação estão devidamente assinalados, ou lá vem coima. É, existem regras e assim, e os meios de comunicação têm de identificar a publicidade, é uma questão de honestidade e respeito pelo consumidor, esse bicho fascinante.
E depois chegamos aos blogues, que por mais visitas e visibilidade que tenham não se consideram orgãos de comunicação social e não assinalam porra nenhuma. Há quem tenha algum respeito pela inteligência dos leitores e abra o jogo, há quem considere (ou saiba...) que a média de QI do seu público anda ali abaixo do seu peso e nem se dá ao trabalho. E chateia-me, e muito. É uma prática desleal, desonesta, nada transparente e que, tenho cá para mim, não abona nada a favor de uma concorrência saudável e imagem de quem assim se promove. Se há uma caixa na coluna do blog com determinada marca, duh, todos sabemos que é pub, não é disso que falo. O que me dá alergias tremendas é o post publicitário que quer passar por post experiência de vida, aconteceu-me agorinha, ahahahahah. Verdade, só come quem é parvo. Ou não. Sei lá. Mas é desleal.
Vejamos uns exemplos destas práticas.
Agora inseria aqui um texto em que mencionava o que me tinha lambuzado estas festas, ai, preciso de cuidar de mim, saladinhas é que é, quem me dera, mas e o preço a que está o tomate?, c'orror, e que bem que me faziam agora umas vitaminas e um pedacito de antioxidante. E qual não é a minha sorte, quando passo numa loja que vende tomate a granel e a preços imbatíveis! Entrei só para ver e saí com quatro caixas! Vou passar a ser cliente da tomatodiscountshop (com link), sem dúvida, ora vejam a qualidade dos meninos:
Seguem-se imeeeeeensos comentários, a pedir que lhes forneça todos os pormenores da minha experiência tomatal, para saberem se vale a pena tornarem-se clientes. Mas entretanto, surpreendentemente (ou não), eu não dou seguimento. Sem pilim não há palhaços tomate.
Depois há outro tipo de publicidade que exige um processo de corte e namoro mais longo, até que se chega ao noivado, anelinho no dedo, tudo nos conformes. Exemplifico. Escrevia agora um texto com o sugestivo título "Quero-vos muito!", e logo a abrir, uma foto do objecto desejado:

Depois passo a explicar como aprecio sopa de abóbora, doce de abóroa, estufado de abóbora, até bolo de abóbora, e que embora pretenda continuar a consumir abóbora, estou curiosa quanto a esta raiz colorida, que diz que faz bem a tudo em geral e aos olhos em especial. E depois é só esperar: com um bocado de sorte algum comerciante de cenoura me manda um camião delas, a troco de eu mencionar o simpático comerciante a tooooodo o meu simpático público. Se não acontecer, pois ora abóbora, mas ao menos tenta-se. É a chamada táctica do "a ver se cola", e o pessoal cai que nem uns patinhos. Se por acaso tiver a sorte de uns quantos comentadores mencionarem na caixa de comentários que são clientes satisfeitíssimos do Emporium Cenoura, ali às Avenidas Novas, até pode dar-se o caso de eles terem um alerta no google, ou lhes mandar um mail, a ver se ...
Agora podem dizer-me e qual é o mal? as pessoas fazem pela vida! querias tu, teres um blog de que gostas e viver disso! A estas pessoas, pois que vão ali ao talho da esquina, que diz que a mioleira está em promoção. Não, eu não (bocejo) tenho a ambição de viver do blog. E depois, nada tenho contra quem o faça, só não aprecio especialmente chicos-espertos, trafulhinhas, gente poucochinha que tem os outros em tão pouca consideração que não se importam de os fazer de parvos para proveito próprio. Porque é disto que se trata, de se julgar mais esperto que os outros, tentar passar-lhes a perna, jogar em esquemas sem lisura ou transparência. A publicidade deve estar assinalada, para que quem a veja possa saber que se trata não de uma experiência relatada desinteressadamente, mas de uma louvaminha paga. O consumidor tem o direito de formar a sua vontade de forma livre, e se há astúcia, encobrimento, engano, não há liberdade de escolha.
Quanto às marcas que apostam neste tipo de promoção, só uma atitude: se o vosso target é o tipo de gente que se deixa levar com tanta facilidade, não vendem nada que me interessa.