Pela primeira vez, em quarenta anos, tive a oportunidade de assistir a uma missa completa. Mentira. Acho que já assisti a uma, num casamento, quando tinha uns cinco ou seis anos, mas não vale: não prestei puto de atenção ao que se passava ali para os lados do altar, entretida que me mantive a olhar para a igreja, as talhas, as figuras, os vitrais. Mas voltando à vaca fria, eu, ateia, por razões que não interessa muito escalpelizar, assisti a uma missa que por acaso até era a primera de uma série de crianços que por lá estavam. Sacramentos e assim, não me perguntem mais que não sei. Várias coisitas me ocorreram, assim de repente:
1) A concluir pela amostra, não andava a perder nada;
2) Já tive a oportunidade de agradecer à senhora minha mãe nunca me terem enfiado nestes assados;
3) Se calhar, nos dias que correm, tudo o que vem à rede é peixe, mas a ICAR não perdia nadinha em fazer um recrutamento e selecção mais rigorosos dos seus sacerdotes, e umas avaliações de desempenho também não iam nada mal;
4) Se começam com uma leitura do livro do Genesis, e dado o público alvo e situação em causa, podiam escolher uma coisa menos complicada (filosoficamente falando) que a cena da maçã, pá, a não ser que a mensagem fosse "obedeçam";
5) Seguir daí com prelecções sobre o mal, a serpente malvada que é o Satanás e não sei que mais, ó filhos, os putos ainda não têm idade para distinguir bem o cu das calças, se calhar começávamos pela definição do que é o bem, sem ser por antítese ao mal, uma opinião muito minha, pronto;
6) Se calhar davam aos sacerdotes um bocadinho de formação em psicologia infantil e pedagogia, penso eu de que, que está mais que demonstrado que os putos seguem mais depressa a cenoura que evitam a chibata, chama-se reforço positivo, vamos a isso;
7) A propósito, não, não me parece que Jesus fique zangado se não forem à missa todos os domingos, e não, não acho que Jesus funcione numa de só podem pedir se também derem, mas se calhar li um evangelho diferente do do senhor padre;
8) Ligado ao referido em 3), e esmiuçando, tenho cá para mim que a um bom padre não chega ser beato até ao ridículo e ter sotaque de Viseu; dotes de oratória são capazes de ajudar e, já agora, um bocadinho mais de trabalho a preparar os sermões e leituras, há muito por onde escolher e conseguia-se uma unidade temática interessante, em vez de se pisar e repisar sempre no mesmo;
9) Não há pachorra para o senta-levanta-fica de pé até estalarem as varizes que até nem tínhamos; um gajo é ateu mas um gajo tenta demonstrar respeito, mas um gajo às tantas já não se aguenta nas canetas e um gajo decide que fica sentado até ao fim, caneco, que aquilo dura e dura e dura;
10) A apreciar pela carita e ar alheado da maioria dos putos de túnica branca, mantenho e re-mantenho a minha opinião de que esta tradição católica de te baptizar quando nem uma palavra sabes articular, e te por a comungar antes da idade da razão, é uma bizarria total, sem qualquer suporte nas escrituras, inventada pela igreja, durante muito tempo justificada com um argumento bem cruel, o de os petizes não baptizados irem parar ao limbo de onde agora foram despejados porque deixou de existir. Valor, valor, tem alguém decidir aderir, de livre vontade, formada esta quando já existe - e atenção, uma criança pode ter tal vontade. A educação religiosa começa em casa e, se a criança criar interesse, então que se leve a missas, acompanhada pela família, se introduza na vida religiosa. O que não entendo, não me entra, é esta palermice de obrigar os putos a catequese e primeira comunhão, quando muitas das vezes os pais nem participam activamente na igreja, marimbam-se para as missinhas, e até se dizem católicos não praticantes. News-flash: se não são praticantes, são cristãos, não são católicos. Ser católico implica a participação, acho eu. Conheci muito boa gente que batia punhos no peito, citava a bíblia, se escandalizava com a minha falta de fé, e nunca punha os cotos numa igreja. Para esses: batatinhas e piretes.
31 comentários:
O senta-levanta-fica-senta, baralha-me sempre. E a mim não me doem os joelhos imagino que aquilo para quem já têm dores de ossos e articulações ainda seja uma maldade maior.
Já assisti a algumas nos últimos anos, a familia do Fuschio é religiosa, mas continuo a baralhar-me toda nas cantorias e nas manobras, às tantas fico quieta e espero que aquilo que acabe.
(Cheira-me que foste à mesma missa que a Ana C.)
E em relação ao post,concordo contigo de fio a pavio, mas principalmente a parte de ser cristão e não católico. Este fim de semana tive uma "discussão" sobre este assunto com um membro da minha família e cheguei exactamente a essa conclusão.
Não me considero católica, embora tenha sido educada como tal, porque não consigo entender certas "filosofias" da Igreja, mas sou cristã, identifico-me com os valores sociais e morais transmitidos por Jesus Cristo e tento viver a minha vida de acordo com os mesmos e faço todos os possíveis por transmiti-los aos meus filhos, da melhor forma que sei.
Obviamente que se os meus filhos um dia decidirem, tendo idade e consciência para o decidir, que querem ser baptizados e ir à catequese e fazer as comunhões, não os impedirei, mas, por mim, não precisam de o fazer, não precisam de ir à igreja para terem valores e fé e para serem boas pessoas.
As discussões que eu já tenho tido sobre isso que é ser "católico não praticante"! É que não podíamos estar mais de acordo. E aqueles que nunca puseram os pés numa igreja e fazem o crisma (acho que assim que se chama) só para casarem na dita? E depois deixam de lá ir. Eu não sei se é verdade, mas disseram-me que agora basta um ser batizado para o casal poder casar na igreja (acho que ao outro chamam participante, ou coisa assim).
Dulce/Porto
Podes baptizar as criancinhas mais crescidas, não tem de ser logo ali. Eu andei nisso tudo até à altura em que ganhei algum discernimento (aí pelos 15 anos, parece-me). Só fui baptizada aos 10, que os paizinhos queriam que eu percebesse o que se estava a passar. (claro que a avó beata te vem já dizer que a criancinha deve ser baptizada mal nasce, não vá quinar precocemente e depois viver para toda a eternidade no limbo)
Quanto ao recrutamento, é tão verdade. O padre cá da terra é excelente (muito bom mesmo, o padre surfista), mas há 2 ou 3 anos ouvi um num casamento que foi de fugir. A páginas tantas estava ele a dizer aos noivos que aquilo era até que a morte os separasse e interrompeu a cerimónia, recusando-se a prosseguir até os noivos lhe prometerem e jurarem a pés juntos que se iam amar até morrer.
A mais gira, gira é a dos casamentos mistos. Parte-me toda. O noivo casa pela igreja, mas a noiva que não é católica não. Mas eles não estão a casar um com o outro? Pior que o gato do Schrodinger, esta.
Concordo contigo.
O tema dá pano para mangas.
Felizmente os meus pais tiveram o bom senso de não me baptizarem e de não me impingirem religião alguma. Logo eu que tenho muito pouca paciência para contradições.
Normalmente os que muito batem no peito, são os piorzinhos.
Fuschia, apesar de não ser religiosa acho que o esquema se baseia em: oração-de pé, sermão-sentado. Já levo prática de casamentos, embora sem missa :P
DNC, nem mais, eu cá criada por pais agnósticos (mãe anti-igreja, pai não quer saber), também recebi muitos valores que acho que são cristãos. E se fosse religiosa acho que me passava da marmita se um filho meu fosse sujeito a certas coisas que já ouvi de padres. Ontem, à primeira menção de satanás e o mal, serpente e tal, fiquei logo a pensar que estava melhor lá fora a fumar um cigarrito.
Dulce, isso é que não percebo. Mesmo. E uma coleguinha de liceu, que uma vez me disse, muito consternada, quando eu revelei que não era baptizada "oh, não podes casar na igreja!". E mais espantada ficou quando disse eu que não sendo religiosa não fazia sentido casar na igreja. O pessoal gosta é de folclore. Mas acho um bocado falta de respeito casar na igreja sem saber que se trata de um sacramento importante para a religião católica, e que pressupõe um compromisso. Coisas minhas.
Mariana, eu tenho um casamento misto ;) Casámos no civil, mas gosto de dizer isto, que ele tem os sacramentos todos menos o do matrimónio. Crismou-se de livre vontade, já com mais de 20 anos, mas entretanto afastou-se da igreja (juro que não tive nada a ver com isso! não desconverto ninguém). Enfim, já ouvi padres que valha-os Deus :D
Beatriz, idem aspas, os paizinhos acharam que nós logo decidíamos. E o escândalo que foi, casarem só no registo civil e não baptizarem os filhos, nos anos 70. Abençoadinhos.
Izzie, realmente aquele tempo todo em pé dá cabo das ligações dos joelhos a qualquer um, e depois é ouvi-los estalar quando uma pessoa se ajoelha, aquilo parece um concurso de castanholas.
A minha filha não foi baptizada, mas aos 7/8 anos começou a querer andar na catequese com as outras miúdas, e isso só poderia fazer se fosse baptizada. E foi assim. Só que uns tempos mais tarde, desinteressou-se e não voltou mais à igreja. Até hoje.
Creio que na província ainda há uma grande pressão das famílias, muitas vezes até de família afastada e que nem se deveria meter no assunto. Mas isso são heranças antigas, e influência de uma igreja que continua reaccionária e que continua a coagir as gentes simples.
Essa do casamento misto nunca tinha ouvido! É bom saber que é possível, mas não deixa de ser muito estranho.
Ora pois, aqui está uma descrição fiel do que foi a minha vida nos muitos anos em que me obrigaram a frequentar coisas.
Mesmo depois de eu já ter notado que nada daquilo fazia sentido, tive de continuar a ir. Saía de lá com os cabelos em pé, mas pelo menos ninguém me podia obrigar a ajoelhar-me.
Mas se tenho de ser específica, há que admitir que o ponto que mais me interessa é o 6), é tudo pela negativa, são os castigos tremendos e somos sempre os maus da fita. Isso não é coisa para se meter na mente de uma criança que preferia estar lá fora a correr. Mas enfim, fosse isso só na igreja e pelo menos os putos só ouviam o negativismo uma vez por semana...
E prontes, lá venho eu desestabilizar (não venho nada), mas é que nem de propósito, ontem baptizei o meu miúdo. :)
E vamos lá a ver. Antes de mais, concordo praticamente com toda a tua avaliação dessa situação. Eu, como sou cristã e mais nada, e faço gala em dizê-lo porque é isso que me sinto e nisso em que acredito, passava bem sem baptizar já o miúdo. Não sou especialmente fã de obrigar ninguém a professar nada. E também não me preocupo muito em transmitir determinadas historinhas, preocupam-me sim os valores e a educação. E nisso acho que o ser cristã me enquadra bem, embora como é evidente não precisasse de enquadramento algum religioso para os ter no sítio (os valores!!).
That being said, como eu sou da província (humpf *) lá fomos um bocado coagidos (embora sem o animus malicioso que subjaz ao termo) a baptizar a criança. São coisas culturais, de formação. Posso espernear e contrariar e fazer o que eu quiser. Há pessoas que, com a idade que têm e a mente empedernidamente formatada, eu não vou conseguir que me entendam. Então, e em todo o caso SÓ porque olho para o meu exemplo e do meu marido - baptizados e comungados - e observo que o caminho religioso que fizemos em miúdos e no qual fomos plantados pelos nossos pais não nos fez mal algum ao nível dos valores que nos foram incutidos, não nos embotou o juízo nem o raciocínio, nem nos impediu de escolhermos o que quer que fosse que nos fizesse mais sentido... decidimos anuir e baptizar.
Sempre no compromisso mútuo de não entrarmos demasiado nos dogmas, de nunca anularmos o sentido crítico e analítico do nosso filho e de lhe respondermos com (a nossa) verdade a tudo o que ele nos perguntar. Acho que não deve ser uma tarefa fácil, ele vai ficar muitas vezes intrigado. Mas no fim há-de retirar as conclusões DELE.
Se eu preferia de outra forma... sim, talvez preferisse. Mas por outro lado prezo a minha paz. :) E friso que não acredito que seja uma coisa que mal lhe faça. A julgar pelo que me lembro de mim mesma.
* Oh pá, nunca me caiu muito bem a expressão "província". Dita nos tempos de hoje, claro. Acredito que a intenção aqui onde li não seja nenhuma, mas a expressão, que oiço muito por parte de pessoas de Lisboa, parece-me mergulhar em ruralidade e tacanhez tudo o que saia da orla da capital. Acho um bocado tacanho in itself :) No me gusta.
Eu tenho um em casa que (coitadito) cresceu no Texas (coitadito, mesmo), onde a malta gosta de ler a Bíblia literalmente. O rapaz conhece melhor aquele livro que qualquer dos católicos, protestantes, cristãos ortodoxos ou anglicanos que tenho conhecido. E porque o Facebook é o antro da humanidade e a malta gosta de postar (é assim que se diz?) versos da Bíblia para justificar coisas tão estúpidas como impedir o casamento a homossexuais ou o ensino da evolução nas escolas, ele agora deu em postar versos da Bíblia com histórias e ensinamentos medonhos. As reacções que se seguem são sempre dignas de ler...
Eu sou um bocadinho mais comedida e desde que não me chateiem, não chateio ninguém. Já me sentei em algumas missas e devo dizer que gosto da ideia de uma horita semanal de reflexão. Já ouvi sermões muito interessantes, mas foram muito poucos. A parte do senta-levanta-ajoelha também me chateia (e sempre me sentei e levantei, ajoelhar é que não), mas acho que é para manter o pessoal acordado senão às tantas só se ouvia ressonar. A minha parte favorita é a dos beijinhos. Há qualquer coisa de apaziguador no hábito de cumprimentar estranhos e desejar-lhes paz.
Não é desses casamentos mistos, pá, não é como as tostas! É casamento misto no sentido dos noivos que casam pela igreja, mas para um é religioso e para o outro é sacramental (ou lá o que é). Isso é que é verdadeiramente estranho.
(não sei se acredito que não o desviaste. Não terás andado com mensagens subliminares? A falar-lhe ao ouvido enquanto ele dormia? Hmm?)
E acredita mesmo: não houve qualquer intenção depreciativa.
Mas é só dar uma voltas por umas aldeias da Beira Baixa (são as que conheço) e vais verificar que as coisas, no que concerne à subjugação do povo pelos padres das freguesias continua igual ao que era antes do 25 de Abril. Isto já para não falar da sua ligação a caciques locais, e a sua influência nas consecutivas eleições.
É claro que não ponho em causa alguns dos ensinamentos da Igreja. Não confio é e quem os vende.
Então e aquelas em que tens (ou deves) de dar e receber beijinhos do resto da malta?
Eu também nunca assisti a uma missa completa sem ser as dos casamentos. E não me parece que vá assistir, pelo menos a avaliar pelos padres aqui na freguesia. Contaram-me as minhas colegas que numa missa de Natal, em 2009, o padre disse que "o Pai Natal deve ser pedófilo porque gosta de ter criançinhas no colo". Achei bonito e muito natalício, apropriado ao espírito da época. :) Mais tarde, o padre que o substituiu não permitiu que uma determinada música integrasse um ciclo de ópera porque aparentemente a música tinha sido censurada pela inquisição em mil e troca o passo. Pormenor: os dois padres andam pela casa dos trinta anos.
Já tive de assistir a muitas missas porque vou a baptizados e a casamentos e a funerais, portanto tenho que levar com a coisa (como é que se foge sem parecer desrespeito para com quem nos convida ou para com quem faleceu?) mas, tal como tu, sou ateia. Levanto-me e sento-me mas não faço mais nada, houve tempos em que imitava o que os outros faziam. Sou baptizada mas não sou mais nada.
É mais coisa menos coisa, tudo que acho sobre igrejas e crenças.
Eu assisti a muita missa - longa história - até que cheguei à idade em que passei a responder ao meu próprio cepticismo com a resposta lógica: "oh foda-se se Deus existe tem mais que fazer do que isto".
Dado que a família toda é católica e muito amiga de casamentos e baptizados e ao facto de que já assisti a muita missa, sendo que meia hora de missa parecem três horas de conversa de encher couriços, reservei-me há uns anos o direito de nunca mais me levantar numa igreja.
Lembrei-me: Há um mês e picos assisti a metade de uma, na Basílica da estrela ( abanquei-me a desenhar e não saí enquanto não acabei o desenho ).
Mariana, eu sei, mas gosto tanto de dizer que somos um casal misto, dá sofisticação à coisa, sei lá :D
Vic, foi o que os meus pais decidiram connosco. Com 7-8 anos acho que se deve atender o pedido da criança, que não é à toa que o formula.
Wapy, é que é o demo, a serpente, Jesus fica triste, Jesus não gosta, a vida eterna que é negada, um horror. Por todo o lado Cristo crucificado, em sofrimento, os cântigos que são lamentos, que tristeza. Não se aguenta, desabafei que é uma religião de escravos, curvados, prostrados, e isso é anacrónico que se farta.
Nêspera, se fosse uma hora de comunhão, alegria, partilha de ideias, incentivo à reflexão, até nem me desagradaria. Mas pela amostra (e alguns casamentos a que fui, com direito a sermões horrendos, mal educados e muito a despropósito, principalmente vindo de alguém que não f***, pardon my french)não tem nada a ver, é um sufoco.
Alegre Casinha, esse padre, além do mais, é ignorante, porque o Pai Natal é um santo (s. Nicolau), e se é para falar de gente adulta que gosta de ter crianças ao colo, qualquer gajo de batina tem mais é de estar caladinho.
Filipa B, como se foge? Isso queria eu saber! Da próxima acho que arranjo uma pneumonia.
Prezado, essa de Deus ter mais que fazer é tal e qual o que penso. Mas alguém acha, a sério, que há um velho de barbas que anda com livro de ponto a ver quem vai e quem se balda, ou a espreitar quem dorme com quem? Era bonito, era.
Queen, vais levar uma resposta só para ti, olha que honra (ou não ;P). Sou tão mazinha.
Bom comecemos pelo princípio:
- pressão social e familiar - em 2011? Se existe, é porque deixamos que exista. Papais casaram no civil em 1969 (mamãe com tia freira e tudo), e não baptizaram dois filhos em 1971 e 1973. No tempo da outra senhora e do Código de Seabra. Yes, we can.
- o baptismo no nascimento é um sacramento (e tradição) católico, e não cristão.Os cristãos primitivos só baptizavam gente na idade da razão. Há igrejas cristãs que o continuam a fazer. Agora, sendo um sacramento católico, é também um compromisso com a ICAR. E não entendo porque alguém se compromete, perante o seu Deus, a educar o seu filho na fé não só cristã, mas católica apostólica romana, e depois não o integra nos rituais da ICAR. Desculpa, e ainda mais vindo de uma ateia, mas acho falta de respeito.É como entrar na maçonaria só para dizer que é maçon, e depois não cumprir os deveres (sejam eles quais forem). Já assisti a um baptizado e, para além de me lembrar que é basicamente um exorcismo, é também um juramento bem rigoroso.
- a cena dos princípios e valores - bom, aqui é que me ofendo. Como costuma brincar me mate, lá em casa somos todos uns pagãozinhos que faz favor. Mas, modéstia à parte, somos bem mais rectos e honestos que muito crente. Fui criada de acordo com valores universais, alguns também são cristãos, outros não. Digamos que não divirjo muito do que se diz em declarações universais de direitos do homem, e por aí fora. Os ateus não são gente que dança nua à volta de fogueiras, come carne crua e faz sexo desenfreado nos bosques em noites de lua cheia. Mas se o fizéssemos, também daí não vinha mal ao mundo. E não julgamos quem o queira fazer, com base num livro que foi escrito há dois mil anos, quando a tortura e escravatura eram coisas normais (desde que não aligissem os nossos) por alguém que não se sabe bem quem, baseado nem se sabe em quê, segundo tradição oral de alguém que disse que era a palavra de Deus.
- finalmente, o argumento de que mal não faz - Um dia disseram-me que ao menos na bíblia não se ensinava o mal. Fiquei furiosa e admito que perdi um bocadinho as estribeiras. Não sei bem o que me enfureceu mais, se a ignorância ou a soberba, porque isto é absolutamente mentira. A bíblia ensina coisas horrendas, entre as quais que Deus é pai e amor, mas funciona contigo na base da troca. Faz x (prostra-te, roja-te, humilha-te) e dou-te Y. Ensina-te a viver em função do além, da recompensa, sem que te exija praticar o bem pelo bem. Já nem falo das histórias do antigo testamento. Ora eu acho que isto é norml se virmos a bíblia como aquilo que é, um livro escrito há mais de 2000 anos, quando certas coisas eram eticamente normais e até muito avançadas. Not any more. Por isso ter a bíblia como bússula ética, nos dias de hoje, é perigoso. Há pior, há quem ache que é um livro de história. Mas enfim, com tanto filósofo, tanto poeta, tanto artista, temos mesmo que fundar a nossa moral num documento cujo interesse é muito datado? Num sei.
Mas se não sabes, como é que conseguiste só agora ir a uma missa inteira? Como escapaste todos estes anos?
Místico!
Os casamentos a que fui não tinham missa inteira, só o serviço. Missa inteira implica comunhão, se não há hóstia, é só pela metade. E funerais, o padre foi só fazer o serviço mínimo, também. Mas houve um ou outro casamento em que dei a fuga a meio do serviço, verdade seja dita. Era jóve e me estava marimbando :P
Oh caraças. :) Izzie, queria responder-te, mas excepcionalmente permites-me que o faça por mail? Preferia. E prometo não fazer como à Mariana, a quem devo um mail - que eu própria prometi - há mais de 3 quinze dias.
Mas também quero deixar um disclaimer, porque fizeste uma interpretação muito extensiva do que eu disse pá! :) E em público quero apenas referir-me à parte dos valores. Aí fiquei mesmo - genuinamente - triste, se há coisa que não disse nem quis dizer foi que "os valores são cristãos, quem não é não tem". Até me vou citar: "como é evidente não precisasse de enquadramento algum religioso para os ter no sítio (os valores!!)." Com isto queria eu dizer que acho os valores cristãos (cristãos em geral) bons, mas não acho que os valores venham ou devam vir, ou sequer possam emanar, da educação religiosa. De acordo contigo, portanto, o mais possível. :(
Ora bem, ri a bom rir com o que escreveste.
Sinceramente eu não sei bem o que sou, acredito que acima de tudo sou espiritual e até simpatizo muito com o budismo porque +e lá aquelas coisas (já leste os livros do Dalai Lama? Lindo, o homem é inteligentssimo...) mas vá, calhou-me ser cristã vertente católica. Mas sem extremismos, nem dramas. Acredito num Deus (não necessariamente a versão biblica), acho os sacramentos interessantes, só me faltam dois lol. Pessoalmente acho o batizado uma festa bonita, assim como o casamento; acredito que as coisas boas da vida devem ser celebradas, e bem, benções nunca fizeram mal a ninguém e nunca são demais, acho eu de que =) (tenho esta visão zen da coisa...). Posso também ser chata e profissional e dizer que o contrato psicologico detsas cenas são muito importantes e bla bla bla mas também não quero evangelizar ng (mesmo porque acho de mau gosto quem goza com a igreja e a religiao e assim, mas depois casa lá porque é giro e tal...)..
Adiante, já nem sei o que queria dizer, mas basicamente cada um com as suas, o mais importante na minha optica é passarem os valores certos aos filhos, com religiões ou sem religiões =)
Um beijinho grande =) (e sim, há padres fantásticos)
Queen, é à-vontadinha e quando quiseres. Se calhar também fui um bocado bruta - calha acontecer muito - mas acredita que entendo a tua opção. Mas sou um bocado marreta com a cena de baptizar bebés sem discernimento, tal como inscrevê-los num clube de futebol. Pronto, coisas minhas, a mim nunca me impingiram nem religião nem clube.
Espiral, acho que espirituais somos quase todos. A mim falta-me é a cena do transcendente, não creio em qualquer tipo de divindade, seja ela mais ou menos interventiva. E sim, há padres inteligentes, e ainda bem: mate teve um. Até tenho pena de nunca o ter conhecido, que me dá um gozo dos diabos discutir assuntos de religião com quem sabe a sério e pensa a sério ;)
nao tive oportunidade de ler os comentários, mas este post lembra-me um amigo meu, indiano hindu, que depois de ir a um casamento com missa se queixava que aquilo era uma confusao com tanto senta e levanta, e que ele já nem sabia o que fazer excepto imitar as pessoas. :)
Já assisti a muitas com hóstia. Esqueci-me das missas de 7º dia a que também já fui. Se calhar devia baldar-me mais, pois...
ahahah... nao pude deixar de rir do amigo hindu da Luna. Ele achou o casamento catolico confuso? E a cerimonia de casamento hindu? Esquecendo ja as varias partes do ritual casorio que duram entre 2 a 6 dias, o casamento so propriamente dito dura mais de 4 horas, em que o pessoal que assiste senta, levanta, conversa como se estivesse numa festa de cocktail de costas para os noivos, sai para almocar, regressa, tira fotos, apresentam-se familiares e amigos, danca, etc, tudo isto enquanto decorre o casamento propriamente dito, como filme em background, com cerca de 20 pessoas em cima de um palco.
http://www.youtube.com/watch?v=JeaBNAXfHfQ
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