Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2011

Fon-fon-fon-fon-fon

Tenho uma alergia, uma urticária, uma brotoeja muito especial guardada para esta época de festas. Fico assim a modos que fenhé, e fujo a todo o custo aos clichés porque sim, pronto, é mau feitio, à falta de melhor explicação. E balanços não é comigo, que o meu ouvido interno não escapa à geral miséria genética que herdei e sou pessoa com fraco equilíbrio (não, não é em sentido figurado, mas 'tá bem, pode ser).

Mas pronto, agora venho quebrar a minha tradição, que é a de não abraçar os tradicionais clichés festivos; e como não abraço eu o cliché de fazer um balanço? Fazendo um não balanço. Ora eu lembro-me lá qual foi o melhor filme que vi este ano, o melhor livro que li, nem me lembro o que almocei anteontem. Não que seja mais importante (podia ser), mas a título de exemplo. E cenas más, bof, há-as todos os anos, mas se a falta de memória tem coisa boa é a de não facilitar o armazenamento de rancores. Muita cangalhada, já não há espaço. Um dia arrumo. Not.

A única coisa que sei é o que fui e que se calhar depois de amanhã continuo a ser. Sei mais ou menos o que gostava de mudar apesar de não saber bem como, e dispenso tretas do muda se não estás bem, isso é muito fixe para quem vem equipado de nascença com gps, e eu nem um mapa de estradas razoavelzinho. O que muitas vezes tenho a certeza é que andará por aí alguém a viver a minha outra vida, aquela que eu não vivi quando decidi virar à esquerda em vez de seguir em frente. Também sei o que já muito dificilmente deixarei de ser, a tal sarnicosa implicante pica-chouriços (palavras de mamãe. there's unconditional love for you), descarada e com pavio curtinho, sarcástica, sardónica, irónica, demasiado intensa (mamãe, again), com um sentido de humor demasiado negro e cruel (mamãe em alta, hoje), impetuosa, pouco realista, cabeça no ar, asneirenta (omito carroceira que já falei muito de mamãe), impaciente, bruta, niquenta, e estas são só as qualidades. Também sei que sou (e gostava de ser um bocadinho menos) bichinho do mato, frequentemente paralisada por timidez e sentimento total inadequação social, ansiosa, tensa, acometida de tristezas súbitas e profundas sem razão aparente, arredia, panicada, desorganizada e por vezes caótica, dada a turbilhões e inquietações, all over the place, enfim, um desastre que já aconteceu, daqueles a pedir inem aos molhos, bombeiros, equipamento de desencarceramento e muita serradura espalhada. Ai que exagero, exagero não, muita experiência, são quarenta anos a disfarçar, a assobiar para o alto e andando de mãos nos bolsos, aos pulinhos, ou julgam que deixo que qualquer um repare?

E pronto, resumidamente sou assim, e muito provavelmente continuo a ser na segunda; talvez pareça um bocadinho menos que sempre é mais um fim-de-semana de permeio a aprender a controlar a coisa. A vida continua, não há uma cancela entre o amanhã e o depois de amanhã; espera-se que um nadinha melhor, uma ou outra pata na poça mas haja um par de sapatos secos para trocar. Nos entretantos cá se vai andando, sempre com a sensação de que em muito tenho eu resmas de sorte, a maior delas é olhar para o lado e ver alguém que no meio deste quadro de miséria até me acha graça, consegue fazer melhores piadas sobre mim que eu mesma (he's a keeper), e até diz coisas boas sobre mim e assim. E mesmo depois de trocar de lentes insiste que não, eu não estou nada gorda (a keeper, I told ya).

Booooom, dito isto, até ao mau feitio da próxima semana, vocês não sei mas eu cá estarei. Isto é, se os dois automobilistas que me tentaram abalroar na véspera de Natal não decidirem acabar o trabalho (bêbados do c@r@lho) (sim, há uma conspiração global para acabar comigo, e corajosamente eu persisto). E façam o favor de entrar bem no próximo ano, siiiim? Ena, que entusiasmo. Eu sei, sou de uma alegria contagiante.

Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2011

Life's too short

O Ricky Gervais tem uma nova série, e eu a trabalhar.

Eu também tenho um rol de números aleatórios mesmo bons para levantar o moral à populaça

- Por cada dez moscas varejeiras há 30 abelhas trabalhadeiras;
- Por cada cão sarnento há um pudim gostoso e peganhento;
- Por cada copo de cicuta há vinte simpáticos filhos da p*ta;
- Por cada copo de veneno, há mil autefites em saldo, em tamanho piqueno;
- Por cada idiota na assembleia, há uma caixa de geleia;
- Por cada litro de leite estragado, há muito gato afofinhado;
- Por cada borbulha no nariz, há dez igrejas matriz;
- Por cada cromo repetido, há éne leis com sentido;
- Por cada (cena feia-má) há (bué mais, um númbabro que ninguém se vai lembrar de verificar) (cenas fofinhas sobre nós, os outros, o mundo em giral).

À atenção dos senhores publicitários, de nada.

Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2011

The Izzie Way Out - receitas de uma especialista em fuga para a frente para uma vida plena e feliz

Agora que já vos captei a atenção, suas marotas e seus marotos, devo dizer que a ideia original até era postar sobre uma coisa de elevado gabarito e craveira inteléquetual, com vista a debater soluções adequadas para problemas actuais e por aí fora, mas entretanto fiz como toda a gente, olhei para o meu umbigo e achei-o mais interessante que os demais, pelo que o tema que hoje me (nos) ocupará é o drama existencial, o puro horror meta-ultra-pessoalíssímo que atravesso, e que tem a ver com calças skinny.

[pausa para a audiência, acometida de grave achaque pela gravidade do tema, tomar meio ansiolítico. MEIO, não abusem.]

Ora isto conta-se em três penadas, e começa com as minhas calças de ganga preferidas a romper nos fundilhos, e eu dirigir-me a uma superfície comercial nórdica para comprar substitutas, mesmo número, mesmo corte, mesmo tom. Fiz-me acompanhar de amiga que, aproveitando-se de meu espírito enfraquecido por penosa labuta diária, me convence a experimentar um modelo de ganga skinny, com palavras duras como andas sempre com calças largas ou à boca de sino, fazem-te mais gorda, tens pernas de magra, as skinny vais ver que te favorecem. Já de olhos marejados de lágrimas perante tão cerrado ataque às minhas mais íntimas convicções, renego as loyal escuras ligeiramente elásticas de perna direita e levo para o provador umas skinny, que passo a experimentar. Mostro-me com ar céptico e ao mesmo tempo receoso e arrisco um huuummm, não sei..., ao que ela responde com a violência que lhe é característica, esbofeteando-me, puxando-me cabelos, atirando-me contra as divisórias do provador, tudo enquanto a plenos pulmões anunciava a parva que eu sou, ficas mais magra, mais alta, mais gira, e eu a fugir ai deslarga-me, as empregadas a tentar suster aquela fúria assassina que só cessou quando prometi levar as calças, ai, ai, não me batas mais.

Ora agora, protegida aqui atrás deste ecrã de computador, embrulhada na minha vergonha, confesso ao mundo: já as usei. Uma vez. Por dentro de botas altas (shame!). Concedo que me estreitam as pernas, principalmente do joelho para baixo, mas a coxinha continhua lá, em todo o seu rotundo esplendor. Acresce que por dentro das botas as sacanas das calças apertam e fazem vincos nas perninhas, o que é péssimo para a circulação; não tenho daqueles botins da moda todos motard que agora as garotas usam com as calças justinhas (nem vou comprar); com sapatos, hum, não me parece, não estou habituada a ver mais que a biqueira dos meus e agora avisto tudo até ao tornozelo finito e totalmente abraçado pelo piqueno perímetro das bainhas; tenho menos camisolas compridas do que julgava e com calças justas até baixo faz ali um contraste enorme entre a redondeza de cima e a estreiteza do artelho; e estou cheia de dúvidas existenciais, e baixou a insegurança, já ousei pensar até que às tantas faço a triste figura de cota gaiteira a imitar a miudagem, e ai valha-me a nossa senhora da auto-estima onde anda ela, como raio devo eu usar umas parvas de umas skinny sem me sentir assim.

emo scene hipster - By CMFEO (Crying My Forlorn Eyes Out)
see more Go Cry Emo Kid
Help?

Terça-feira, 27 de Dezembro de 2011

Parecia uma stripper crossdresser aleijadinha, a pobre

Finalmente já vi uma catraia féchion com as sapatonas tamancas coturnos da moda, umas tais de (jose)litas que são coisa para custar quase duzéntos mérreis ao par e dão um ar e andar, como dizer, muito característico e assim (usai a imaginação), e com franqueza sou capaz de jurar que me veio à memória aquele dia em que penei para abrir umas nozes e avelãs rijas filhas da mãe, e que tive de ir buscar o martelinho à caixa de ferramentas, que nem o maço de madeira me valia, mas com aquilo, não sei, até pregava nine inch nails nas paredes.

A sério, há mesmo quem compre daquilo disto:

Pá, a sério

Estou aqui a pensar fazer um tutorial (quiçá um uorquechópe) de "como atirar barro à parede e ter uma garantia mínima de que cola". Há muito pouca gente que se interessa, mas há muita gente que precisa; e se me dessem atenção talvez me consumissem menos tempo que podia empregar a fazer trabalho a sério, em vez de explicar detalhada e informadamente a cada marreco com uma mão cheia de terra porque é que mais vale não se dar ao trabalho de tentar. Ou pior, ter de varrer a porcaria toda que me deixam aqui à volta. Consumidinha, deixam-me consumidinha dos nervEs.

Segunda-feira, 26 de Dezembro de 2011

Quero ter o emprego que a minha mãe julga que eu tenho

Ligou-me há bocado a perguntar se não queria ir com ela ao Ikea.

A sério, pessoas? A sério?

Depois da psicose das compras de Natal, a histeria dos saldos.
Ainda vos sobrou guito, hum?

O post 3 em 1

Agora que estamos todos a recuperar da overdose de açúcar (o truque é ir reduzindo, reduzindo devagarinho. não se metam em cold turkeys), só três apontamentos:

Esta continua a ser uma das melhores (a melhor?) série policial de sempre, e está a passar no axn:
Bem escrita, bem escrita, bem escrita. Caraças, que bem escrita. É produto brit, selo da BBC, do best.

E ontem, estávamos nós a "despachar" os dois primeiros episódios, quando aparece uma ruazita com bancas, e solto eu um: Oh, Petticoat Lane! É o mercado de Petticoat Lane! E era mesmo. Deu-me aqui uma pontada de lado, juro que no coração, e dou-me conta que morro de saudades de Londres, morro mesmo, e entretanto já estava a viajar na maionese, passeando mentalmente por Camden, Greenwich e o raio que o parta e todos os sítios que ainda não lhe mostrei, damn you, Álvaro, Pedrito, troika, contenção, em 2012 volto lá.

A última é a razão pela qual passámos a tarde de Natal a "despachar" episódios de séries. Andava a gravar o Luther para ver tudo de uma vez (a sério, não se aguenta esperar uma semana), mas baixou poltergeist na nossa zon box e hoje vai lá um especialista exorcisá-la. Não é falha tecnológica: é a segunda box com os mesmos problemas, pelo que está cientificamente demonstrado. A casa tem bicho, que se entranha em circuitos e nos jana a maquineta. Se hoje nos formatam aquela coisa (again), ou a substituem (again), e perdemos tudo o que lá está gravado (again, again, again!) juro que arranco cabelos, porque não é na net que vamos encontrar os episódios do The Killing para ver, cruzes, que cenas em inglês sem legendas ainda vá, mas dinamarquês não dá, mesmo. Dou uma semana para a coisa se compor ou mudo para o meo (se trouxer pacote anti-ectoplasma). O anúncio da meo de Natal é muitíssimo irritante, mas o da zon está quase ao mesmo nível, o que ajuda. E com muito ansiolítico talvez esqueça que é grupo pêtê, e os gatos e o camandro. Dói. Dói muito.

Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2011

A dona do blog partilha o seu espírito natalício

Façam o favor de ter um muito bom Natal.
(da próxima, não se incomodem em trazer a mirra)

Espero que os politiqueiros televisivos e povo em geral estejam satisfeitos

Não há tolerância de ponto, e aqui trabalha-se. Quem não está de férias, quero eu dizer. Apesar de nestes dias o Estado mais parecer um Titanic a navegar em direcção ao iceberg que continua a desvalorizar (quando não a ignorar), a casa das máquinas está operacional.

Já mate, empregado no sempre enaltecido "privado", está de folga, carinhosa e paternalmente atribuida pela bem amada entidade patronal - a mesma que o fez desembolsar integralmente o custo do exercício inútil de team-building jantar de Natal (e se foi upa-upa, que aquilo deve ser tudo doutores, quais filetes com arroz de tomate). Ai a produtividade, ai a produtividade.

(podia estar a trabalhar em casa? por acaso até podia. mas a electricidade paga iva a 23%, o passe está pago quer se use ou não, e puta c'os pariu a todos que se me querem a bulir que me paguem os meios de produção.)

Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2011

É um pedido antecipando o Natal

Não graduar o afecto dos demais pela contabilidade do que nos ofertam.
A vida é maior que isso, e arriscam-se a não percebê-lo.

(além de que é muito feio. muito, muito feio; quase tão feio como pedinchar seja o que for, ainda mais coisinhas que custam para cima de dezenas de pastéis de bacalhau)

Toda eu sou dúvidas

Esta já me vem incomodando há algum tempo, mas hoje não me larga: diz-se ouvi na rádio ou ouvi no rádio?
Costumo dizer ouvi na rádio, e porquê? Porque me estou a referir a um conteúdo, que ouvi na radiodifusão, apesar de o ter ouvido através do aparelho radiodifusor. Ou seja, eu ouço pelo rádio(difusor), mas o que estou a ouvir é a radio(difusão), e refiro-me ao respectivo conteúdo, programa, uotéva. pronto, é este o meu raciocínio, mas admito que possa estar errado.

Sim, que eu sou um tipo de pessoa B, ou seja, daquelas que volta e meia começa a questionar o que já faz mecanicamente, apesar de ter uma justificação e tudo, mas e se a justificação é totalmente errada? Bem-vindos à mente labiríntica de um neurótico.

E afinal, qual é que está certo?
(hoje nem durmo, a pensar nisto)

Quarta-feira, 21 de Dezembro de 2011

Só para terminar o dia com um bocadinho de melhor disposição

E ainda dentro da temática do dia.

Acho que é a isto que se chama um padrão

Na minha vida, todos os elogios vêm seguidos de um "mas".

Me life still sucks

Sentença de morte comutada à última hora. Parece que precisam de chamar o técnico para olear a guilhotina. Com um bocadinho de sorte os cortes nas famosas gorduras incluíram custos de manutenção com viscosidades. Era adequado. E simpático, vá. Espero que não lhes dê para execuções manuais e à moda antiga. Bom, bom, era o espírito natalício durar até ao dia de reis. I should be so lucky.

Me life sucks

Tenho hora marcada no cadafalso, e ainda a secreta esperança que a guilhotina emperre.
(este ano, para o Natal: me head in a box. 'tis the season to be jolly, indeed.)

Terça-feira, 20 de Dezembro de 2011

Now, there's your problem

Nos comentários deste post perguntei-me se teria pago o imposto de circulação relativo a 2010 em prazo. A resposta chegou hoje e consiste no seguinte: toma lá mais 15 mon chéries para o erário público. É desta que me emitem um cartão de sócio? Douradinho?

A minha theme song para o Natal



E para o resto do ano também.
( a parte do I don't care too much for money é relativa, claro, que um gajo tem de comer, e não é mau ter para mimos e tal, but you get my drift)

Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2011

Deve ser da idade, ou coisa que o valha

Escrevi um post e depois achei melhor eliminar. Um gajo chega aos 40 e ou há dias em que ainda se metia numa máquina do tempo e ia para Paris, mil nove e sessenta e oito, atirar uns calhaus à polícia reacção, ou antes quer é uma sopinha quente e ficar sugadito no seu canto a ver a primeira deprimência que passar na tevê. Calhou baixar o último, azareco.

Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2011

Calinadas vivas, para quando o museu

Também as colecciono, e tenho um catálogo inteiro no reader.

(não! não partilho convosco meu catálogo nem meu saber! vocedes não me merecedes. invejosos, humpf!)

Toda a gente precisa de um hobby

E eu tenho um muito poucochinho mas que me diverte, e que consiste em coleccionar (mentalmente) calinadas. Já nem falo do mui repetido "vestoria" em vez de vistoria, que está lá num dos lugares cimeiros, mas as que me dão mesmo gozo são as verdadeiras cargas de pancada no juridiquês que algumas pessoas, juro que licenciadas e que deverão ter mamado tantas sebentas como eu, insistem em dar. Uma das minhas preferidas é a do "cheque sem previsão". Imagino sempre um cheque muito aluado, a sair à rua em chinelos e depois de se ter esquecido de ler o horóscopo. 'Tadinho, anda aos papéis. Depois há o inefável "tráfego de droga". Até consigo visualizar uma imensa fila de automóveis, cheios de panfletos, quartas, palhinhas, todas a buzinar freneticamente. Mas recentemente topei com uma que é transversal e não apenas jurídica: "conjectura actual". Oh, mãe. Se querem mesmo usar expresões de sete e quinhentos, googlem antes, pá. Verdade que na actual conjuntura muito se conjectura, mas a sério, "conjectura actual"? Entrou para o top ten.

Tenho um fraquinho por iconoclastas

E hoje o mundo perdeu mais um. Que pena.

Isto é que vai aí uma crise, hein?

Passam neste momento trinta e seis minutos do meio dia e já recebi, hoje, três sms de lojas a anunciar promoções extraordinárias. Já me arrependi de não ter começado a contabilizar as sms no início da semana, caneco, já não posso com eles, livra, e nem sou cliente habitual assim de tantas lojas, safa, e larguem-me da mão, apre, se não sabem porque não vendem leiam os jornais, chiça, e habituem-se que parece que está para durar, porra.

Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2011

Sopeirinha Challenge

Há pessoas que, mister do ar rarefeito do local onde passaram a primeira infância, ou possivelmente em consequência da falta de estimulação cognito-sensorial nos primeiros meses (anos?) de vida, não sabem lidar muito bem com a maravilhosa diversidade da espécie humana, não focam bem ao longe, não raciocinam fora de determinada linha de pensamento. Para essas maravilhosas - porque a diversidade é maravilhosa, lembremo-nos - pessoas, em quem talvez Aldous Huxley se tenha inspirado para criar os epsilon do seu regime de castas, o mundo não é a preto e branco por um triz, mas há apenas uma tonalidade de cinzento muito ali a meio cuja existência admitem, não porque tenham visto, mas porque já ouviram falar e não são pessoas de desconfiar e assim.

Estas pessoas ou acham bem ou acham mal, sendo que relativamente ao que acham bem é tudo o que é bonito, inspirador, encantador. Acham bem os sapatos de sola à benfica porque é caro e anda nos melhores pés; acham bem que se pague um balúrdio por malocas monogramadas e que ninguém lhes pague pela publicidade grátis de as trazer ao ombro; acham bem suspirar por coisas que custam o sustento de uma família Somali durante uma década só porque qualquer Olívia Palerma aparece com elas. E ai de quem diga ui! Porque não há mal nenhum em sonhar.

Estas pessoas também acham bem que quem tenha dinheiro o gaste como muito bem entenda e no que bem lhe apeteça, porque na sala de cinema das suas mentes cinemascope projectam um filme em HD onde elas são as protagonistas. E nesse filme as pessoas (nós) são todas bem sucedidas mesmo sem fazer um cu; bonitas, magras, elegantes; vestem bem e calçam melhor, pelo que gostamos muito delas (nós), e têm uma vida linda (nós).

Estas pessoas não acham bem aqueles que dizem mal ou fazem pouco das pessoas bonitas. Acham que são pessoas que não têm uma vida bonita, e por isso querem que as vidas dos outros sejam tooooodas feias. Acham que são pessoas negativas, ruins por dentro, e só estão bem quando vêem os outros mal. Acham que são pessoas incapazes de ver os outros felizes ou se regozijarem com o seu sucesso, e por isso tentam destruí-las, dizendo mal de tudo o que as distingue nesse sucesso e felicidade! Como têm empregos miseráveis, vida pessoal e sexual nula, vivem num subúrbio pobrezinho, são feias, marrecas, com caspa e mau hálito, caixas d'óculos, sempre enfiadas em casa, a olhar para papéis com rabiscos, e não têm amigos ou se dão com ninguém, levam a mal quem não é nada disso.

Estas pessoas não gostam disto! E ainda menos gostam de dar com um grupo das outras pessoas, as tais feias, marrecas, com caspa e mau hálito, caixas d'óculos, juntas atrás de uma moita, a espreitar as pessoas bonitas e bem sucedidas, fazendo pouco destas, ou pondo em causa as suas atitudes em público, ou as ideias que expressam! Se não gostam, porque não vão olhar para outro lado? Porque não se fecham no recato do lar, a ver reality shows e a fazer pouco das pessoas de que se pode fazer pouco porque toda a gente bonita faz pouco dessas pessoas que entram nesses reality shows? Ora bolas! Porque no fundo, acreditam estas pessoas, as tais outras feias, marrecas, com caspa e mau hálito, caixas d'óculos têm é um problema!

Ganha um doce quem o souber identificar, começa por "i" e não é "inteligência", porque as tais pessoas de que se fala desde o início do post nunca a viram nem a sabiam identificar no meio de uma vara de porcos.

E vai daqui um grande beijinho

Aos senhores da oficina, que continuam a contribuir para eu me tornar uma pessoa mais simples, despojada, e quiçá deslargada das cenas materiais desta vida e o caralhinho.

Só desgostos*

Vou arranjar um burrico. Está decidido. O fardo de palha deve ser consideravelmente em conta em relação à gasolina, tenho um candeeiro público à porta de casa onde o posso amarrar, e de certeza não precisa de seguro, imposto de circulação, revisão anual com direito a óleo, pastilhas novas e, ao que julgo saber, nunca lhe descobrirão amortecedores janadíssimos e que juntos me vão custar os olhos da cara (ou, em moeda féchionista, uma LV daquelas tipo bauzinho).

*este post também se podia chamar "Como despachar um subsídio de Natal já bem roubado numa lata velha que não fosse dar tanto jeito já estava a criar ferrugem no sucateiro mais próximo"

Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011

Este é o melhor que posso oferecer, é de borla, e testado

funny pictures - someday...  my prints will come
see more Lolcats and funny pictures, and check out our Socially Awkward Penguin lolz!
O homem dos vossos sonhos não existe e ainda bem.
Já o homem dos vossos dias (todos ou alguns, mas esperemos que os melhores) pode existir, e pode não ser nada do que estão à espera. O importante é reconhecê-lo quando se encontrarem. É manter todos os sentidos atentos (e não apenas o visual).
Pronto, já está. Não levou dois minutos a ler, não custou um cêntimo, e é melhor verdade que qualquer outra que vos queiram impingir.
(eu é que sou a Dra Philla da blogosfera)

Afinal já sei como me vou entreter (e facturar algum)

Vou realizar dois uorquechópes de verdadeiro, ultra, hipé interesse e sofisticação:
1) Como reconhecer o homem dos seus pesadelos, dar-lhe uma traulitada e por-se a fugir;
Tenho uma série de fotografias, niks e links para distribuir. Na verdade, é só um de cada, mas aceito sugestões, que é na sinergia que se faz magia.

2) Como usar a blogosfera para seu entretenimento pessoal, rindo alarvemente toda uma tarde de uma semana que se adivinha miserável.
Uma mão cheia de links, aussi. Na verdade só um chegava.

Para não me acusarem de não tentar ganhar algum com isto, aceito pagamentos em espécie, nomeadamente, bolinhos, docinhos, chocolates e bombons vários, mas de chocolate branco não, que até eu tenho os meus princípios. O café, levo eu, numa garrafa termo. Sou uma mãos largas, eu sei.
Local: a designar. Para já penso reservar uns banquinhos de qualquer jardim público, ou leitaria castiça se o tempo estiver farrusco. Podeis trazer o tricot, o crochet, a costura da semana, que sempre ides adiantando trabalho.

Espero inscrições de todas as desesperadas interessadas na caixa de comentários!

Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2011

To be or to wannabe

Ando entediada. É uma condição que me atinge amiúde. Chego a um ponto de excesso de actividade e exigência laboral em que só me dá para divagar, e desejar ardentemente entregar-me a qualquer actividade fora da caixinha. Qualquer coisa serve, desde que me excite o neurónio criativo (o Abelardo). Vai daí, dou em pesquisar tudo o que seja cursinho que me possa entreter em horário pós-laboral. Como tenho interesses vagos, que podem ir desde o padrão de voo do chapim à escultura francesa no segundo semestre de 1874, não é fácil, a escolha. O único requisito sério é aprender qualquer coisa, em jeito de desafio. Acrescentar algo à minha vida, e divertir-me com isso, que para chatices já basta o resto. Mais nada. Pode até dar-me para frequentar um curso de costura, mas não desejo mais que aprender a lidar com os mistérios da máquina, com vista a fazer uns trapinhos para uso doméstico e pessoal. Não viso, obviamente, mudar de carreira para designer de moda, ou artesã de paninhos em full time. E quem diz costura diz o resto.

Ora nas minhas investigações, dei este fim-de-semana com um cursinho de escrita que me pareceu muito jeitosinho. Gosto de escrever, acho giro aprender as ditas técnicas e, quem sabe, talvez aprenda algo de interessante sobre a minha capacidade criativa nessa área. Ou não. No more, no less, nada de expectativas, a não ser a de aprender e dar que fazer ao Abelardo.
E eis que dou com estas piquenas exigências (presumo que do formador, passo a transcrever porque apesar de ter feito print screen e editado, não consigo carregar):

Para quem é
- Escritores de gaveta [e os de gavetão? e os prateleira?] que queiram mostrar e enriquecer os seus textos;
- Escritores no ativo (incluindo também publicitários, jornalistas, argumentistas) que pretendam desenvolver técnicas de escrita literária;
- Escritores preguiçosos que precisem de um empurrãozinho [lá preguiçosa sou eu, mas escritora é que é ser optimista, para não dizer irrealista].

Ó nervos. Não estou ali, e agora? Esclareço melhor, por exclusão, com o item seguinte:

Para quem não é
- Quem queira aprender a escrever sem erros, ou segundo qualquer doa acordos ortográficos [ufa, aimda bein que ixto ficô já ex-claressido];
- Quem queira aprender noções teóricas de gramática normativa, narratologia ou qualquer outra matéria [não faço ideia do que seja narratologia, o que deve ser bom, para o caso];
- Quem precise de saber como fazer relatórios, pareceres, papers ou trabalhos não literários em geral [aha! medinho, hein? medinho da concorrência?];
- Quem nunca tenha escrito nada e pretenda terapia ocupacional.

Ok, com esta ofenderam-me. Bués. Deep. In. The. Heart. Não que não esteja habituada a sentir-me excluída, sou doutorada, mas quais é os pobrema? Hum? Tem sarna, o pessoal que quer aprender só porque sim? Para passar tempo com uma actividade inteligente de que gosta, hein? E o que é isso de "quem nunca tenha escrito"? O qu'é isto aqui? Fórmulas matemáticas? Sim senhora que não vale um traque, mas vai-se a ver e uns 90% dos que aí vão aparecer com romances na gaveta mais valia terem-se dedicado a lavar escadas.

Pronto, já tive o meu momento de fúria insana, passemos agora ao ressabiamento puro, de língua de fora: não sabem o que perdem. E também, se é para passar muitas sessões a privar com um montão de """"escritores"""", a ver funcionar pessoas muito profundas, com imeeeeenso para dar ao mundo, sei lá, na forma escrita e coiso e tal; gente, enfim, muito mais interessante que eu, decerto, com mundos interiores lindos e plenos de pensamentos espiralescos e significativos, que só precisam de um empurrãozinho (muitos deles, aposto, era ribanceira abaixo), deixo-me cá ficar no meu cantinho, a ler os meus livrinhos, escritos por gente que publicou e é boa (toma!), que para andar a perder tempo e ganhar urticária à conta de resmas de wannabes já tenho a blogosfera.

Sábado, 10 de Dezembro de 2011

Achei tão bom que vou partilhar

"Eu direi, com a impressão de que pouco me engano: bem-aventuradas as nações que se «desenvolvem», pois para elas está reservada a ternura dos ricos. Pobres das outras que, vizinhas, mas esgotadas, não se podem sequer opor ao aluguer dos seus filhos e nada mais têm para oferecer em retorno. E então a gente tem de se vergar à áspera realidade: os auxílios de hoje, como os de sempre, pagam-se caro, os governos, como os bancos, emprestam e ajudam a quem oferece garantias e aguenta o juro.
Por isso eu, cidadão de país necessitado, dispenso a catequese, as boas intenções, as palavras de ternura. Pouco se me dá que seja em nome de Jesus, de Marx ou do Petróleo. Se me fosse possível aconselharia os holandeses - porque afinal são ricos e tanto «dão» - o exame da consciência que eles gostam de recomendar a quem os ouve e é pobre. Acrescentando que sim, certamente é possível transformar o mundo para melhor: quando se separar o comércio das boas intenções."

J. Rentes de Carvalho, "Com os Holandeses"
pequeno excerto do capítulo "Crenças. O auxílio aos países subdesenvolvidos"

Sexta-feira, 9 de Dezembro de 2011

A melhor dona de casa do mundo

Acabei de suspirar de alívio ao lembrar que ainda há uma pizza congelada lá em casa.

Um blog também pode servir para isto

Não tenho cu tempo para ver/ler as notícias, não tenho inteligência conhecimentos que me permitam ler nas entrelinhas, não há aqui capacidade know how para perceber o que se vai passar, pelo que prefiro fazer um plebiscito aos amáveis leitores que aqui possam passar. Não é sobre que sabonete usar se quisermos ser melhores pessoas, ou se determinado autefite me arranja marido rico extremoso, é só uma coisinha de políticas e continhas, cá vai:
- Face aos resultados da cimeira, reunião, get-together, whatever, europeia, fico aqui sugadita ou vou já resgatar os meus ricos depósitos a prazo e por a guita toda a amortizar mi casita?
Agradecida. Juro que não sei o que fazer.
(pedir asilo político à Inglaterra também me passou pela cabeça, mas temo que não me aceitem)

Dito de outra forma, com mais piada e menos azedume, pelo meu iconoclasta preferido

Quinta-feira, 8 de Dezembro de 2011

Dei as tuas prendas a meninos que precisam* (post sem o mínimo espírito natalício)

Soube que estava metida numa luta que me ultrapassava no dia em que, nem sequer era de Natal ou de aniversário, e apareci com uma lembrança. E eu tenho aqui uma surpresa para ti, e ela toda entusiasmada a abrir, a deparar-se com umas meias (bem giras, por sinal, com florinhas ou assim) e a amuar, oh, é roupa, e atirar com elas para um canto. Sou menina dada a oscilações de humor, e conseguem ser bem mais rápidas e demolidoras quando me dão razão para isso. Fechei a cara, apanhei as meias do chão e respondi-lhe que tudo bem, então as ia dar a alguém que as apreciasse. Então a garota franziu-se e fez que chorava. Sim, fez que: era pura birra e fingimento, uma demonstração de não me contraries mais, devias era estar consternada por me teres aborrecido com trivialidades logo para começar. Não desmanchei nem pretendia fazê-lo, mesmo perante o olhar furioso que o meu irmão me deitava. A cunhada, como sempre a água na fervura, tira-me as meias da mão e diz que claro que ela tinha adorado, estava era cansada e tal. Deixei estar. Mas daí em diante soube que nesta família me cabia o papel que todos os outros tinham rejeitado: a tia chata, que diz não, não admite faltas de educação, e ralha. Assim seja.

Todos os Natais a minha mãe insiste pela (primeiro só a minha e agora a) nossa presença na véspera: para ver os meninos abrir as prendas! Todos os anos faz esta sugestão sabendo que a seguir vai ter de aturar o habitual desabafo em tom de humor negro da minha parte. Que se queria ver bichinhos a guinchar em volta de papel colorido e brilhante atirava celofane para a aldeia dos macacos, ou coisa do género. A verdade é que não retiro qualquer prazer em fazer parte do presépio familiar: uma roda de adultos basbaques, a arfar de ansiedade quando três catraios abrem o embrulho que eles trouxeram, a loucura de perceber se gostaram, gostaram mesmo. Como habitualmente, a essa hora já tivemos a birra do jantar, diferente do nosso, que deumalibre de dar aos meninos bacalhau; também já se assistiu às mãozinhas no prato, comer de boca aberta, levantar da mesa quando lhes apetece, importunar quem ainda janta para lhes fazer companhia. Depois é o aguentar crianças acordadas até à meia noite, porque antes não é de tradição. E, finalmente, alguém se mascara de Pai Natal e entrega o saco. Peço desculpa, os sacos. O ano passado foram três sacos, sim, para três catraios. Aquilo que amanhã pretendo qualificar a mamãe, na conversa do costume, como obscenidade pornográfica, e sim, aqui o reforço é intencional. As crianças despacham o desembrulhar num instante. Esgotam-se na tarefa da contabilização do que recebem. Não há algo que verdadeiramente queriam, que seja a emoção da noite, não: a emoção é o agigantar da pilha.

Não há pachorra. Nunca houve. Passo o tempo todo a agradecer a minha falta de instinto maternal, que se os tivesse os meus filhinhos seriam muito infelizes todos os natais, por comparação. Não é razoável, acho eu, gastar sequer cem euros com cada criança; gastar mais que isso é perfeitamente demente. E para quê? Lá têm eles o brinquedo novidade, a cena que todos os coleguinhas vão exibir na escola, e nunca por nunca lhe causaremos o trauma de também não ter. Só que acoplado a este vêm os outros, porque há sempre a questão aritmética, e deunoslibre de o nosso menino ser o que menos presentes teve. Tal como nas festas de aniversário, que é necessário ultrapassar o manicómio que foi a do coleguinha, e se tornam buffets de casamento, com convite personalizado, espaço (excitante! original! alugado! bem pago!) lúdico fora de casa, lanchinho encomendado, que ninguém já passa pela vergonha de apresentar um ou dois bolos aos convidados, sandes mistas em pão de forma ou pão de leite, gelatina e (o que para nas minhas festas era a coroa de glória, o que pedia sempre a mamãe, muito, muito) uma mousse caseira (sou tão previsível).

Não acho que intigamente é que era bom. Não recordo com saudade muitas das privações que havia nos anos 70 e 80, e muito menos gostaria de conhecer as ainda piores dos anos 50 e 60. Mas acho só que se entrou numa espiral de total loucura. As crianças passaram a ser tardias, fruto de um graaaaande desejo (adiado) dos pais (mas principalmente das mães), e tornam-se o centro da vida dos adultos. Que não se limitam a suprir as suas necessidades, amá-los, educá-los (às vezes, se houver tempo e disposição), como páram mesmo para os ficar a admirar, a adorar. E todos os Natais é o mesmo: ao centro os meninos Jesuses, à volta um rebanho de vacas e burrinhos, tudo a arreganhar a tacha e a fingir que assim é que é, tão bom vê-los felizes.


*um dia juro que lhes respondo assim. juro. é deixá-los ultrapassar a crença no Pai Natal (outra: para quê? sempre soube que Pai Natal era papá-mamã, e que era com o seu dinheirinho, ganho a trabalhar, que nos davam a brinquedagem.) e vão a ver.

Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2011

Sou má pessoa e reparo nestas coisas, que querem

Imaginemos que a Maria Gumercinda tem uma loja onde vende trens de cozinha, e põe no blog uma foto sua a cozinhar com os ditos. Isto quer dizer que a mercadoria é tão boa que ela comprou igual para uso próprio, ou que apenas pretende publicitar a tal mercadoria tão boa e terminado o cozinhanço lava os tachos e os devolve à loja?

Terça-feira, 6 de Dezembro de 2011

Não esquecem, não perdoam e nunca falham

Pois parece que no ano de 2009 paguei o imposto do me-mobile com seis dias de atraso, e à conta disso devo 15 aérios ao erário público.
Não sei se hei-de estar feliz por trabalharem tão bem ou infeliz por trabalharem tão bem.

Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2011

Tevê sopeirinha (a série que promete continuar)

O trabalho continua a apertar, o cérebro a ser espremido para além do que é a sua natural vocação (muito pouco, portanto) pelo que a necessidade de entreter o Zé Carlos (único neurório funcional ao fim de semana, e é um bocadinho limitado, taduxo) com qualquer tetelixo que me apareça é mui fundamental. E se a palavra de ordem é telelixo, há três canais que normalmente não falham, são eles o sic gaja, o E! e o TLC. Se bem que este último raramente falha, abençoadinho. E o que estava a dar, quando eu nele poisei, o que era? Uma mina: Outrageous Kid Parties!
Ó o logo:
E em que consiste, pergunta uma plateia ávida de entretenimento vazio. Eu respondo: pessoas que se passam da marmita e fazem uma festinha para seus amados e mimados rebentos, festa essa que custa mais do que o sustento anual de uma aldeia africana (ou poderá igualar o PIB de alguma nação africana). O que vi contava a história de uma mãe obviamente apanhada dos carretos, que resolve que o oitavo aniversário da sua mai'nova deve ser comemorado como a menina bem entender, e não se poupa a despesas. Logo quando é apresentada a família fico com um nervoso miudinho na ponta dos dedos, e que se traduz na vontade irreprimível de correr a catraia aniversariante à chapadona: estridente, mal educada, respondona, desobediente, uma cabra em miniatura, sob o olhar complacente da mãe babada. Esta confessa que sempre sonhou ser uma rock star, pelo que incentiva a filha pelo mesmo, talvez seja a próxima Miley Cyrus. Isto sou eu, mas sonhos por sonhos, preferia que uma filha minha olhasse com admiração para a Marie Curie, mas adiante. Portanto, sua excelência mimalha ia ter uma festa rock star, com banda, passadeira vermelha, cem convidados (entre os quais paparazzi de aluguer), limousine Hummer, palco e banda de apoio, fogo de artifício, insufláveis para os amiguinhos, buffet, e um bolo em forma de guitarra, a girar e com luzinhas, que custou a módica quantia de 2.500 dólares. Sim, dois mil e quinhentos pastéis de bacalhau.

No meio disto tudo, e enquanto mamãe querida se entrega à actividade de esbardalhar dinheiro numa festa memorável para a monstra, há um irmão mais velho, um menino dos seus dez, onze anos, olhar doce, que vai acompanhando tudo aquilo. O programa daria para rir de boca muito aberta e indicador apontado não fosse este menino, que confessa que a sua festa nem cem dólares deve ter custado. Como a tortura de ter de aguentar uma mana diva não deve ser suficiente, a mãe decide que é pedagógico arrastar o filho preterido para reuniões com as party planners, escolha da limousine, e prova do bolo. E aqui haviam de ver: o puto muito compostinho, a provar os diversos tipos de bolo, a tecer considerações de uma forma absolutamente cavalheiresca, e a maninha a fazer caretas e a cuspir os que não lhe agradavam. Tem mãe que é cega, hein? Sim, que a esta altura já dava comigo a pensar que por uma gajinha-filha daquelas (e respectiva gaja-mãe) a dormir na casota do cão era muito bom, para o que mereciam.

E o pai, adonde anda o pai? Pois andava lá fora a ganhar a vida. A trabalhar fora do Estado, volta alarmado depois de receber mensagens da home owner's association do bairro, e assiste boquiaberto à festinha pornográfica, fazendo contas de cabeça ao que lhe vai calhar pagar. E quanto foi, o estrago? Quase 30.000 dólares. Trinta mil bucks, um carro novo, uma viagem à Disney para toda a família e ainda sobrava, um college fund para os filhos, sei lá eu. Olhem que eu não sou maternal, mas qualquer coisa cá dentro gritou que me metia num avião e ia salvar o piqueno daquela loucura. Não sei como sobreviveu incólume até hoje.

Domingo, 4 de Dezembro de 2011

Must Have

Vi hoje, numa livraria, e tive de me conter para não trazer já. Depois pensei que é quase Natal e tal, fazia uma bela lembrancinha. Mano e mamãe nunca sabem o que oferecer, yay!, agora já 'tá!

Um gajo percebe que isto é capaz de estar mesmo mau

Quando começa a ver arrumadores com ar de pai de família.

Sábado, 3 de Dezembro de 2011

Must Have - Esta vai com dedicatória

Ainda noutro dia, numa caixinha de comentários, se falava de gostos kitsch e assim, nomeadamente cerâmicas Bordalo Pinheiro e tal.
Pois o que há na Baixa, com que me deparo eu?

Para mim pode ser a jarrinha com sapinhos. O turquesa destoa um nadinha da decoração cá de casa, mas arranja-se sempre um lugarzinho.

Mariana, terrina não havia, mas esta molheira é de truz, hein? Eu continuo à espera da terrina-couve lombardo.
(n'A Vida Portuguesa há mais, mas já não tinha pernas para trepar até à Anchieta, fica para a próxima)

Para a Rita Maria, fica aqui a prova da colaboração Bordalo (no site da marca escrevem Bordallo, ai a confusão) Joaninha Vasconcelos, num outro must have para quem tenha coisa de três mil euritos para investir, e um sítio seguro (leia-se casa sem crianças ou animais irrequietos) para expor:
É assim, tipo, sei lá, superlativo. A fotografia não lhe faz justiça, juro.

Hoje [não] vou casar assim

Tenho muita, muita pena das pessoas que vão passear para o Chiado, andar em rebanho Carmo-Garrett acima, Garrett-Carmo abaixo, e não vão ali à Baixa ver como páram as modas. Nem sabem o que andam a perder.
Convencidos, agora?

Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2011

Ofereço-me para experiências científicas

O caso é o seguinte: tenho a séria convicção de que possuo um íman para maluques. Mas um íman muito, muito potente; e para maluques muito apanhadinhos da corneta. Não é preciso serem doentes mentais certificados, embora já me tenha acontecido (ainda não sei se prefiro bipolares ou esquizofrénicos, um bipolar na fase depressiva é sugadito mas pode dar para não se calar, true story, benzó), basta terem uma tara sui generis, uma forte tendência para o disparate, uma veia anormal para a bizarria. Calham-me todos, todos; acho injusto que isto aconteça, e apreciava muito que alguém investigasse, mormente para ver se descobre uma maneira de me desligar isto, que já não os posso ver nem aturar, livra.

(tinha de me calhar uma boa antes do fim-de-semana, 'tá visto)

Sinto-me uma pária

Ainda não montei a árvore de Natal, e antes da semana que vem não há festa para ninguém.

Team Freud

Apesar de o senhor Michael Fassbender ser um excelente argumento a favor da Team Jung.
Não há direito. Ser tão bom actor que nos faz esquecer que é o (xuxu, anda cá malandro, senta aqui para a gente conversar um bocadinho) Michael, e só vermos na tela o Jung. Juro que cheguei ao fim do filme e perguntei a mate (a cine-enciclopédia lá de casa) quem era aquele actor, que me lembrava dele de outras andanças mas agora não estava bem a situar a cara. E ele muito espantado é o Fassbender! E eu aahhhhh, tipo, burra.

O filme é denso, ou seja, traduzindo por miúdos, maçador para muitos, principalmente quem não se interesse muito por psiquiatrices, psicanalices e psicologices. À saída da sala comentava um espectador, dos seus 60 anitos, que tinha muito diálogo. Ah, bom, imperdoável, não haver uma perseguição de caleches com direito a explosões nas Ruas de Viena. Fez-me lembrar a personagem do imperador austríaco em Amadeus, sobre uma peça de Mozart: demasiadas notas.

Cá por mim, adorei, adorei, adorei. Fassbender (olá marinheiro, o que faz um matulão destes sozinho por aqui a estas horas, anda cá à menina) está genial, Viggo Mortensen está do caracinhas como Freud, e até a Keira Knightley vai bem. Fucking amazing, eu sei: histriónica como sempre, mas aqui é mesmo suposto ser assim. E não faz boquinhas quando não deve, pudera, levava logo uma chapadona do Cronenberg, que não deve ser tipo para aturar parvoeiras.

Pesadas as coisas, fiquei com uma vontade de largar tudo e me deitar a estudar assim a sério, que nisto sou apenas uma amadora curiosa, mais dos senhores Freud e Jung, saber o que fez este e para onde evoluiu depois desta época retratada no filme mas, ficando apenas só por esta fase, e por muito que me custe ó Fassbender (anda cá para eu te mostrar dizer uma coisa), continuo da Team Freud.

Quinta-feira, 1 de Dezembro de 2011

Não tenho nada para vos dar, a não ser umas dicas em tempo de crise

Gostais de chá? Então ide asinha à loja da Delta Q no Atrium Saldanha, e abarbatai latinhas de Kusmi e Marriage Frères a €9,95 cada.

Nota da redacção: antes que alguém venha com a cena do ah, qual crise, bem queria essa tua crise, a dar 9,95 por latinhas de chá, ora vejam a madama, tenho a dizer que a) é chá em folha, b) e do bão, provem aquilo e verão; c) está com um descontão em relação ao preço normal; d) e óspois façam lá as contas a quanto vos saem umas saquetas de lipton, ao quilo, à grama, como vos convier, façam. Aha! Eu bem dizia.