Terça-feira, 29 de Novembro de 2011

Em compensação

Este ano paguei o imposto de circulação antes do último dia (amanhã).
Até ligava a mamãe para lhe referir o facto, mas já sei que levo de resposta um "era o que faltava se deixasses para a última hora" ou "não fizeste mais que a tua obrigação". Ou ambas. Desculpo-lhe a falta de desvelo porque acho que tinha melhores expectativas a meu respeito e ainda não ultrapassou a dura realidade.

(por razões de honestidade inteléquetuali devo mencionar que a DGCI me mandou dois emails dois a avisar para pagar o impostinho. abençoados.)

Crónicas de uma dona de casa perfeita: o frigorífico e eu, BFF

Ontem encontrei um cacho de uvas na gaveta dos vegetais que nem me lembro quando comprei.
Ah, estavam boas, obrigada.

Segunda-feira, 28 de Novembro de 2011

Já venho um bocadinho atrasada

Mas também tenho um faduncho preferido:



E também gosto muito desta versão (conta como fado? conta?)

Modo de vida

Stressar muito. Ficar com o estômago colado às costas. Pensar "ai que não sou capaz, ai que está tudo mal, ai que vou dar cabo desta merda toda, ai que vou fazer uma figurinha, ai que e que". Ultrapassar esta inabilidade inata para me desenrascar e dar a volta às cenas. Lutar por isso, até porque nem é por mim. Ver uma luzinha ao fundo do túnel. Destressar (um nadinha). Ficar exausta.

Um dia cresço e passo a funceminar de outra forma. Até lá, é aguentar fazer de conta fingir que sei muito bem o que estou a fazer por cara alegre acreditar fazer acreditar, ter esperança, avançar e por fim descansar.
Chiça, podia ter saído uma pessoa menos enconadinha.

É um mistério maior que o(s) da fé, e hei-de morrer sem o ter desvendado

Porque é que as pessoas odeiam tantos os piscas, que nunca os usam?

Domingo, 27 de Novembro de 2011

E peço a todos os santinhos, os que existem e os que são inventados

Que me conservem a serenidade e o bom senso, e não me dê uma travadinha e desatar a fotografar nichos aqui da casa, incluindo a fotografia do nosso casamento (que não temos), caixote da gata, saco das cebolas, sapateira, gaveta do congelador, emaranhado de fios atrás da secretária, estendal de roupa interior, cotão debaixo da cama, tudo salpicado de bombons, nem se sabe muito bem a que preço, mas era capaz de jurar que não há o que pague, mas isso sou eu que sou um bocado atrasadinha, até porque cá em casa os bombons não duram o suficiente para os dispor em pose romântico-coisa e os fotografar. Ah, lambona. Sou sim senhora, mas ao menos escolho os que me apetece e pago-os com o dinheirito ganho a trabalhar. E não há cá misturas, nem vendas ou arrendamentos, nem exposição de intimidades. Ainda que genialmente inventadas ou mais jeitosamente encenadas.

I'm so bored e tenho tanto que fazer

Se fôssemos um país de gente civilizada, se não houvesse tanto empreiteiro a querer encher os bolsos à custa de contribuintes vaidosos, que vêem na abundância um sinal de que semos muita bons, se calhasse em qualquer momento da história termos largado os hábitos dos descobridores, que vendiam a cana e compravam o açúcar, que queriam era o corte de veludo brocado que os vizinhos já ostentavam, inspirados num rei que atirava ouro à sua passagem e presenteava o Papa com elefantes;
Se por um acaso fôssemos tudo isso, gente que preza a ordem, o sossego, o viver bem com o que se tem, Lisboa tinha apenas um estádio, as pessoas eram educadas e sabiam partilhar, as claques eram formadas por gente que gosta mesmo de bola e não de buber-encher-berrar-socar, e quem não tem nada a ver com isto não tinha de cruzar com hordas de grunhos num dia que não sabia que havia bola e portanto não evitou a segunda circular, nem ter de aturar cumbersas de taxista/porteira sobre quem esteve mal, quem é mais vândalo, a minha tia ou a tua, e não sei quê.

(não admira que o fado seja canção nacional. até a mim já me apetece um xaile preto e um aaaaaiiiii muito cá do fundo da ialma)

Sábado, 26 de Novembro de 2011

Must Have

As duas. Vão ficar na mesma parede do "Aqui há gato".

(na Loja dos Carimbos, Rua Augusta)

Sexta-feira, 25 de Novembro de 2011

Ontem até foi um dia bom

Graças a um comentário numa caixa de comentários, conheci um comediante de quem ainda não tinha ouvido falar.
Afinal é fácil esquecer uma semana de trabalho e preocupações acima da minha média de tolerância.

Ai, caraças, que este não conhecia mas está bestial



(quanto tempo vamos precisar de esperar até se começar a brincar/gozar com a figura do botas, sem que venham hordas refilar que o Tarrafal e não sei o quê, e haja respeito e coiso? 30, 40 anos? a sério, ridicularizar os monstros também é uma forma de lutar contra eles.)

Quinta-feira, 24 de Novembro de 2011

Povo português, telespectadores, leitores de blogues

Greve? O que vem a ser isto? Não, não. Não me voltem a repetir. O que o país precisa é de produzir. Produzir. Produzir! Muito, de preferência, que ainda havemos de ser os chinesinhos da Europa - mas com bigodes patuscos. Sabem o que custa um dia de greve? Estamos em crise! E como se sai da crise? Com trabalho, muito trabalho. Olhem para os que trabalham e não podem fazer greve, os que não têm luxos como contratos de trabalho, horário, férias pagas e subsídios. Subsídios! Nunca os tive, e acho mal. Felizmente vai acabar essa mama. É pelos subsídios, é? Disparate! Ponham os olhos no privado, que não pára - apesar de greve geral querer dizer que também os abrange, mas vamos ignorar essa questão agora, sim?, só porque não me interessa. O privado não pára porque no privado se sua a camisola, a amarelinha canário que o patrão obriga a usar e cujo custo é descontado do primeiro salário. É da maneira que a estimamos - à camisola. Este povo tem é benesses a mais, tiram-lhes o que nunca deviam ter tido e é o que se vê, mordem a mão que os alimenta. Produzam, mas é. E não se ponham com revolucionices, que o que este país precisa é de trabalho. Sim, é preciso mudar qualquer coisa, mas a trabalhar, de acordo com as regras que nos impõem, é que lá vamos. Estes habitozinhos, estes habitozinhos de refilar por tudo! Os meus paizinhos andavam na terra, de sol a sol, unhas encardidas, mãos calejadas, e puseram dois filhos na escola, para serem doutores. Jantavam pão com azeite, mas têm a sua casinha. Já morreram, Deus os tenha, lá da aldeia ao hospital eram três horas de burra, um ficou-se com uma trembose e outro de tétano. E vocês, massas anónimas e mal habituadas, que querem tudo, sem fazer por o merecer, e ainda fazem gazeta por causa de não sei o quê? Andor.

Adenda: basicamente, é isto. Vão pedir ao Dias Loureiro.

Entretanto, no meu maravilhoso mundo não menos doirado e brilhante

Número de dias, esta semana, em que o meu almoço foi uma sande de queijo: 3.

Sabes que estás out quando

Não fazes ideia se umas leggings te ficam bem ou mal, e percebes que nem vale a pena responder a essa questão, porque não sabes como raio ou com quê deves vestir aquilo.

Pois que as vi na zara e as achei mais giras que as normais que tenho visto por aí: um tecido elástico mas grossinho, portanto não confundível com collants, e ar muito confortável. Decidi pegar no meu número (XS, claro), e experimentar em casa. Na altura estava com uma camisola normal, e aquilo é suposto ser usado com camisolões ou mini-vestidos, pelo que era mais aconselhável fazer a experiência em casa, com o autefit adequado. Dito e feito: enfio as leggings, um mini-vestido de malha que comprei o ano passado (na verdade, na minha tabela féchion, é uma camisola comprida, adiante), e vi-me ao espelho. Contive os gritos de pavor: credo, os meus tornozelos tão estreitinhos, comparados com os presuntos! E tudo tão justo! Jasus! Ai mãe! Depois baixou a compostura: 'péra lá, vou calçar as botas altas, a ver se isto se compõe. Não ajudou. Virei-me e revirei-me e não me habituei. Assim não saio à rua, não senhora, nein, nein. E por baixo de uma saia, ficarão bem? Nope. As minhas saias são todas pelo joelho ou um nadinha acima, ficava a parecer uma matrafona. Se calhar é uma questão de hábito, deixa cá olhar outra vez para o espelho: aaahhhhhhhhh. Tiremos as teimas: experimentei as calças pretas de sarja, corte direito, ainda com o dito mini-vestido: ah, bom, assim, sim.

Pronto, vou trocar. Por uma camisa branca, qual a dúvida? Uma camisa branca faz sempre falta. Eu que o diga, tenho umas 782, e o encardido de algumas já não engana.

Quarta-feira, 23 de Novembro de 2011

De volta ao tom habitual (pateta e patético)

Comprei umas leggings. Espero ansiosamente a ordem de internamento compulsivo, e aviso já que só vou de boleia (embulência a fazer tinoni bem alto, e uma daquelas camisas de apertar atrás. gosto de saídas em grande).

(ainda não experimentei: as outras pessoas não têm de se sujeitar a gritaria de desespero e pânico nas lojas. dá para trocar, haja caridade, e nisso me fio.)

E agora, coisas muito sérias

Aqui há dias, dizia me mate que no dia em que voltarmos à Alemanha (Berlim, esperamos), se vai por a bater palmas, e a gritar-lhes, "Bravo, conseguiram, e sem disparar uma única bala." Fico grata por saber que não é o único a pensar assim. Sei que já não se usa falar do "perigo alemão", que é coisa dos antigamentes, que horror, que exagero. Mas que cheira a perigo, cheira; e cheira também a cherne pescado há três quinze dias, e cheira a inépcia, e cheira a não há volta a dar a isto, se continuamos por este rumo.
A democracia é um bebé muito frágil, foi deixado nu na praça e é quase inverno.



Video visto aqui

Tevê sopeirinha

Há lá coisa melhor que chegar a casa estafadinha de longa e penosa jornada laboral, enfiar a botufa (bota + pantufa), abancar no sofá com a tigelinha de sopa quentinha (o sofá é meu, a casa é minha, como onde eu quiser, mãe), ligar o televisor e ver a maior pepineira disponível, um desfiar de misérias alheias que nos distraiam das nossas e, por comparação, nos faça sentir pessoas equilibradas e vá, normais? Não, não há. E como a tv cabo é mãe e pai, e a tv cabo dá, existe o canal ideal, melhor mesmo que o sique gaja: chama-se travel and living channel (TLC), é o nº71 na minha box, e no início do serão passa os melhores freak shows que já me entretiveram.

Começamos por pessoas que conseguem ter casas mais desarrumadas e cheias de cangalhada que eu:

Pá, é gente com evidentes disturbios psicológicos e que, por falta de senso ou de possibilidades económicas, em vez de se tratarem com profissionais, recorrem ao imenso poder terapêutico da tevê. Abençoados. Eu alterno entre o medinho de um dia dar por mim numa casa com revistas Visão de 1998, mobília partida recolhida num passeio para um dia (que não chega) recuperar porque é vintage, e o consolo de pensar que afinal o nosso escritório não está a barafunda que parece estar, a roupa ainda ter espaço no roupeiro, o chão da casa ser visível, e ser possível sentar no sofá e deitar na cama.

Depois há este:
Gente que, por necessidade ou puro vício, dedica o seu tempo livre (que é mais que o meu), a recortar e organizar cupões, guardar os ditos em bem organizadas pastas, planear compras em ficheiros excell, e idas a supermercados, onde açambarcam stocks de molhos, champôs, refrigerantes, cereais de pequeno almoço, comidas prontas, que não pagam graças aos descontinhos. Num episódio, um indivíduo fez compras no valor de cerca de 5.000 dólares e pagou menos de 100. Juro. Agora comidinha boa, lá no meio, não vi. Só merduchas processadas e perfeitamente desnecessárias, e detergentes que davam para uma barrela à escala mundial. Como é que o sujeito vai dar vazão a coisa de 2.000 dólares de cereais, é um mistério. Ao menos doava, canudo. Para uma pessoa que vive e armazena numa casa sem despensa (moi), que tenta passar o menos tempo possível no hiper (moi, again), este pugrama é uma revelação, um national geographic dos maluques.

Resumidamente, numa noite em que ele chega mais tarde, me sentia um trapinho de limpar chão, sem um único neurónio em estado razoável, pá, foi uma beleza. Em cheio. Mas menos que as casinhas, despensas e arrecadações desta gente, felizmente, que eu já tenho muito que arrumar, que faria se fosse acumuladora compulsiva (apesar de - antes disto - achar que até dava ares).

Terça-feira, 22 de Novembro de 2011

Felicidade é

Ter sopa feita e não precisar de cozinhar quando chegar a casa. "Quando" é a palavra chave da frase anterior, e fico desde já à espera de um rol de comentários de comiseração e profunda empatia. Vá, eu ajudo, começam assim: "como te entendo..." ou "parece que fui eu que escrevi isto!". Nã, esqueçam o último; não quero saber de gente mais desgraçada que eu. Façam como eu: arranjem um blog para se lamentarem.

Tenho umas reacções surpreendentes ao excesso de publicidade

- Não sou e duvido que alguma vez venha a ser cliente optimus*;
- Este ano acho que vou dispensar os Ferrero Rocher e me dedico (quase) exclusivamente aos Mon Chérie**.


*no meu Código Penal, são culpadíssimos de Beatlicídio. Dá um porradão de anos de cadeia. A que se soma a pena do crime de Promoção de Eventos Chic-o-Parvos e Perfeitamente Idiotas, ainda que distintamente apelidados de flash-mob. Uma mob nunca é uma coisa boa, digo eu. Lembra-me logo camponeses armados de ancinhos e tocha em punho.

**prevê-se uma séria concorrência dos after-eight.

Segunda-feira, 21 de Novembro de 2011

Depende da perspectiva

Hoje, dia de S. Pagamento, não sei se me hei-de sentir feliz por ainda ter subsídio de Natal ou infeliz pela cóntidade de euros que vi serem-lhe subtraídos.
E para o ano não há mais.

Preciso mais que um/a secretário/a, preciso de um/a mordomo/governanta

Tenho quatro chapéus de chuva, a saber: a) um pequeno todo escavacado para emergências muito emergentes, b) um pequeno bonitinho para dias em que ainda não chove mas pode chover, c) um grande do Ikea family para emergências, d) um grande de bengala bonitinho para quando já chove quando saio de casa. O exemplar a) está sempre no trabalho, o exemplar c) sempre na mala do carro, os exemplares b) e d) em casa e saem comigo, excepto nos dias em que me esqueço e tenho de recorrer aos emplares a) e c).
Depois há aqueles dias em que, em virtude de emergências passadas, os exemplares a), b), c) e d) ficam todos em casa, provavelmente a jogar à bisca lambida, e eu prevejo grande desgraça para o fim de tarde de hoje.

E nem vou falar da problemática "não me lembro onde arrumei os collants todos quando começou a primavera que ainda não os encontrei e Novembro já vai a meio". Sou um caso perdido, e não há uma instituição que se dedique a judar gente assim.

Sexta-feira, 18 de Novembro de 2011

Ai que o assunto perde actualidade e eu ainda não mandei umas larachas - a sequela

Mesmo considerando que há pessoas com cultura geral (seja lá o que isso for) muito fraquinha, que não lêem, não visitam museus, não lêem jornais, não coiso e aqueloiso, a verdade é que qualquer pessoa que faça isto e muito mais não tem o direito de apontar as outras. Porquê? Porque não, porque é de uma extrema falta de educação, é um sintoma de arrogância abjecta. Dizer que há imensa falta de cultura entre estes ou aqueles é um sintoma de apenas uma coisa: arrogância e sentimento de superioridade. 
Se alguém me diz que tem pena que nem todos se deleitem com um belo quadro, aceito; porque daqui se parte para uma discussão produtiva, que é a de como dar acesso, dar a conhecer algo que nunca fez parte dos horizontes do outro e, por inerência, contribuir para os alargar. Se ainda assim, após verem o tal belo quadro, lhes explicarem a sua importância, história e tal, a pessoa se vira e diz, ah, não me interessa, respeito. Tenho pena, mas respeito. Talvez essa pessoa saiba fazer um cozido à portuguesa daqui, e mo possa ensinar. Talvez essa pessoa me possa instruir na melhor época e forma de podar uma roseira, e comigo o partilhar. Talvez essa pessoa conheça os melhores iscos e época para a pesca da taínha, e aí serei eu a dizer, ah, isso não me interessa, e então essa pessoa terá que o respeitar.
Apoucar os outros porque não correspondem à minha ideia de pessoa culta, é coisa digna de gente poucochinha. Se calhar, para alguém que leia a Sábado, a Happy é coisa de gente palonça; para quem lê a Happy, ler a Maria é coisa de sopeirinha. E depois? É alguma vergonha, querem lá ver? Eu cá não tenho nenhuma vergonha.
Leio de tudo, até caixas de cereais. Detesto MRP, Murakami, Paulo Coelho. Mas já fui alvo de chacota por ler BD, ou fantasia. Também já gozei (amigavelmente, e sem sobranceria) com quem aprecia o que não gosto. Mas não rebaixo, porque tenho telhados de vidro: não acabei o Crime e Castigo, que achei chatérrimo, mas adorei o Anna Karenina (e chamo-lhe, entre amigos, Ana Katarina, just for fun). Em que é que isso me define, como pessoa? Sou melhor, pior pessoa pelo que enche as minhas estantes? Sou detestável, por ainda hoje me deleitar com qualquer um dos Regresso ao Futuro, da mesma forma que estou, maravilhada, a começar a descobrir Fassbinder? E sou melhor, por nos intervalos de muito filme e série de puro entretenimento, até deitar o olho a coisas que foram consideradas obras-primas?
A primeira e melhor mais-valia do conhecimento é a partilha. Partilhamos ideias com o criador da obra, e partilhamos depois o que aprendemos com os demais. Construímo-nos, descobrimo-nos e aos outros nesta partilha. Temos nela alegria. Conhecimento e cultura implicam generosidade, alegria na descoberta do outro, do mundo lá fora. Servirmo-nos do nosso conhecimento para ridicularizar quem não o tem é cuspir nesse mundo. E assim não nos podemos surpreender se, em qualquer situação - que vai acontecer - o mundo nos apanhe de calças na mão e nos pontapeie de volta.

Ai que o assunto perde actualidade e eu ainda não mandei umas larachas

Já não me lembro há quanto tempo isto foi, mas foi há muito; não no tempo em que os animais falavam, mas no tempo do escudo e em que ainda nem se falava em euro (uns vinte anos, mais coisa, menos coisa - sim, sou cota). Íamos em grupo à Feira do Livro, mano e eu; em casa, mamãe deu a cada um uma nota de cinco contos (ou duas de dois, não me recordo bem) para comprarmos o que nos apetecesse. Era uma quantia jeitosa, hoje uns 20-25 euros que para pouco dão. Ora lá estávamos todos, demos uma primeira volta para picar as novidades, promoções, livros do dia. Finda esta, mano e eu entramos nas habituais negociações, de compro este que tu também queres ler se tu comprares aquele que também me interessa, e passamos à segunda volta para as compras. Nisto um amigo pergunta-nos quanto temos para gastar, e revelamos, na boa, a pequena fortuna de que mamãe nos fez depositários, com a habitual recomendação de não gastem tudo em porcarias (é mãe, e portanto trabalha em full-time, mesmo quando não pode estar presente). O nosso amigo ficou estupefacto, e disse qualquer coisa como isso é que era bom, o meu pai dar-me tanto dinheiro para livros; ele acha um desperdício gastar dinheiro em livros. Fiquei varadinha das ideias, fiquei. Não punha nem ponho em causa que uma família de classe média, como era o caso, tivesse maiores e melhores prioridades que livros, e neles não gastasse tanto como nós (verdade se diga, a Feira do Livro era o correspondente ao quando o rei faz anos, para nós); mas o que me fazia muita confusão, a pontos de me enregelar por dentro, era alguém achar um desperdício gastar dinheiro em livros, que se tratasse de uma despesa fútil ou inútil, e mais ainda se considerarmos que era gente que vivia muito razoavelmente, tinha carro, televisor a cores e tal, e lá por casa (que não era no subúrbio, como a nossa) ninguém andava mal alimentado ou mal vestido.
Ora quando é este o exemplo que se tem em casa, que conjuga um desprezo pelo livro com um sentimento de desnecessidade pelo que ele traz dentro, como se pode esperar ou pedir mais? Adianto que até há pouco tempo acompanhei esta pessoa, e confirmo que se trata de alguém com horizontes muito limitados, para quem cultura e opinião são adquiridos na televisão, revistas mais leves e um ou outro jornal que lhe calhe ao caminho. Muitas vezes o apanhei em aquilo que eu qualifico como delírios hilariantes, e para ele eram dissertações inteligentíssimas, sobre o mundo, a política, as pessoas e tudo o resto. Mas como se pode esperar ou pedir mais?
Idem aspas para aquelas casas onde o "livro" entrava em colecção, normalmente adquirida em prestações, primorosamente encadernado a pele, autor e título em letrinha doirada: serviam as mais das vezes para compor uma estante, que aliás bem mais bonita ficava que as lá de casa, cheias de livralhada em capa cartonada, folha amarela e lombada já quebrada. Só muito recentemente soube, por me mate, também ele um filho dos subúrbios onde, ao tempo, pontuavam estes clichés, que se vendiam apenas as capas encadernadas, todas coladas, como bibelô para encher espaço. Um naperon, um bambi cromado, uma moldura bonita com a fotografia do casamento dos pais e, por trás, um caixote vazio a aparentar as obras completas de Camilo ou Eça: foi assim passada a infância de muitos, e, capaz de jurar, ainda é.
E depois, ainda há gente que se admira.

Adenda: sobre o assunto do video palerma e a tal falta falta de cultura geral dos jóves, já se falou melhor aqui e aqui. Para o que me interessava, esta é apenas uma história de vida, que demonstra que não, no meu tempo não era melhor.

Quarta-feira, 16 de Novembro de 2011

O único aspecto positivo do Twilight



Foi ter inspirado estes cartazes.

Mais uma prova que o mercado não funciona

Suponhamos que escrevia num blog, e ainda que assinasse com nick toda a gente sabia quem eu era, o que fazia, onde trabalhava; suponhamos agora que nesse blog, além do mais, fazia variadíssimas considerações sobre assuntos de trabalho, e tecia ainda juízos de valor sobre pessoas com quem me cruzava profissionalmente, sobre o respectivo grau de inteligência, nível de civismo ou educação, habilitações, competência e aptidão para funções exercidas, e às vezes até de forma jocosa, que sou uma pessoa (já me disseram) com imenso jeito para a comédia e muito bem disposta e galhofeira; e finalmente suponhamos que, na loucura, no blog até fazia considerações sobre aspectos físicos dessas pessoas, assim de repente, e só para exemplificar, como o facto de alguém ser zarolho e eu não simpatizar com ele porque me deu um encontrão e não pediu desculpa, o fazer um péssimo calceteiro.
A esta hora estava a lavar escadas, vos garanto.


(mas depois no público nhénhénhé e o privado é que funciona. nem sempre, camaradas, amigos, palhaços.)

Terça-feira, 15 de Novembro de 2011

Já vai a meio, felizmente

Ele há dias em que uma pessoa só tem vontade de mandar tudo às malvas, bater com a porta, e dizer que vai mas é para casa dedicar-se a escrever um livro*.
Este é um deles.




*mais valia dedicar-me antes à costura/pesca do cachalote, e ninguém acredita na falta de jeito que tenho para a costura/pesca do cachalote. ainda assim, se calhar saía-me melhor que a escrever um livro, adiante, fica a ideia, é mais o conceito que interessa.

Segunda-feira, 14 de Novembro de 2011

Tens problemas? Ri-te, pá!

Numa das piores alturas da minha vida, obrigava-me ao humor. Foi uma altura mesmo má, muito down (só para dar um colorido istranjeiro à coisa), e tinha de fazer por isso: via comédias, quanto mais parvas melhor; enchia-me de BD cómica, o meu Calvin & Hobbes deu a volta, a Mafalda foi mais que relida, enfim, era um exercício de sobrevivência. Foi a única altura em que verdadeiramente me obriguei a tal, já que, desde sempre, o humor foi uma prática muito mantida, como uma receita de sanidade absolutamente necessária. Uma toma de manhã, ao acordar, reforço ao almoço, dose gigante ao jantar. Vista pelas lentes da tolice, a realidade parece menos penosa ou, ao menos, tem uma alternativa de peso. O humor é uma concorrência valente à deprimência do resto e, no meu mercado, a boa moeda expulsa mesmo a má moeda. Ou tenta seriamente, o que já não é mau. A má moeda é lapa, além do mais.
É um modo de vida, e nem sempre muito bem entendido ou tolerado pelos demais. Reduz-se a piada o que nos assusta, troça-se da desventura, chuta-se com um gracejo a nuvem negra. Tenta-se, tenta-se. E insiste, como os abdominais - mas nesses normalmente desisto ao quinto, que na minha tabela cada um queima 500 calorias, já chega. Por mais que nos olhem como tolinhos, os que não levam nada a sério, a verdade é que quem anda por estes trilhos sabe que o problema é que levamos tudo demasiado a sério, muito, muito a sério. E por isso faz-se palhaçada, solta-se uma gargalhada, faz-se uma careta ao espelho. Ao menos o resto não parece tão mau, e melhor que olhar o pelotão de fuzilamento sem venda, é rir dele, imaginar que giro que era encravarem as armas todas ao mesmo tempo, ou de repente cair-lhe em cima um peso de 16 toneladas (monty!!!!). Não vai acontecer, mas tem graça pensar nisso. E distrai.

Fartinha de ver

Jóves calçadas de bota montanheira (mais usualmente, a Timbas amarela), meia acima do joelho ou pelo meio da coxa, collant cor de carne, e calçanito de ganga. Também já vi nestes preparos sujeita que tinha, à vontade, a minha idade (e umas belas pernas, verdade, mas senhoras: se me aparentam quarenta, é porque os têm, ainda que a pernoca seja estreita e longa).
A minha reacção? Bom, é multipla e composta:
- Hã?
- Se têm frio, porque não vestem umas calças?
- A Lara Croft está na moda, é?
- Desculpa?
- A lolita-escuteira é trendy?
- A sério?
- Espelhos de corpo inteiro, no ikea há uns muito em conta;
- Hã?
- Ó meninas. Ó minha senhora.
- Hummmmmm. Não.
- Se se vê o canhão (aquele reforço entre-pernas, é canhão? tenho ideia que sim, mas sintam-se à vontade para corrigir) do collant, é porque o calção é demasiado curto.
- Ai.

Sábado, 12 de Novembro de 2011

Um argumento a favor da liberalização da venda de armas de fogo

Hoje de manhã, na fnac Ó Madalêna, não chateie a mãe, sim?; Ó Madalêêêêêna, venha querida; Ó Madalêêêêêna, venha cá querida; Ó Madalêêêêêna, venha cá à mãe, querida [a criança não se mexia e ela também não]; Ó Manêl [sim, eram dois, dois!] venha cá.

(fiquei muito mal dos nervos, e não vi tudo o que queria que de repente precisei de ir apanhar ar)

Qualquer dia estou lá

Depois de ter comprado uma imitação rasca de botinhas peludas tipo pata de mamute, hoje resolvi voltar para casa acompanhada de umas caneleiras (leg warmers). Ou apanhei um bichinho féchionista, ou estou com uma brutal crise de meia idade que me faz emular os anos oitenta da minha juventude, ou então achei aqueles itens brutalmente quentinhos e práticos para trazer por casa este inverno.

Grande susto, hein? Nã, não me apanham na rua com aquilo, certinho. Já agora: as botinhas custaram cinco euritos na primark, e estão agora a alegrar e aconchegar os meus friorentos pezinhos. Rica compra.

Sexta-feira, 11 de Novembro de 2011

A realidade raramente tem mais piada que a ficção

As coisas não andavam bem, que não andavam: doce lar em constante desleixo, menina-gatinha a ressentir-se da falta de apoio, e eu já a descurar todas as minhas facetas de mulher-moderna-super-profissional-lindona-de-cair-espoNZa-ideal. Por isso tomámos uma decisão, para o bem da relação e da paz matrimonial: ele deixaria sua profissão e se dedicaria exclusivamente ao lar. Celebrámos com um jantar de posta de bacalhau em cama de couve portuguesa com redução de azeite (está caríssimo, reduzimos ao mínimo; além disso é gordura, engorda), no qual lhe ofertei duas simbólicas lembranças, para marcar a sua importante decisão em prol da família, a saber, um avental de algodão biológico cru, pespontado em cor contrastante e monograma bordado, e uma esfregona com cabo azul, hiper-máscula e muito adequada ao seu porte varonil.

Tem corrido lindamente. Eu tenho a paz de espírito para me dedicar de corpo e alma a minha carreira, e ainda fazer uma ronda pelo comércio de prestígio, salão de cuáfure ou nél-studio à hora de almoço. Chego a casa exausta de minhas exigentes tarefas profissionais, mas pronta a partilhar todas as novidades de meus dias intensíssimos e interessantíssimos, sobre um jantar executado na perfeição, e rematado pelo cheiro a limpo do chão que diariamente ele passa a pano.

Os dias começam sempre iguais, e como é doce esta suave rotina! Ele se levanta e de pronto vai para cozinha, me preparar um frugal e revigorante pequeno-almoço, enquanto me deleito no banho de espuma que entretanto me deixou pronto. De pele perfumada e hidratada, e perfeitamente maquilhada, tenho o autefite do dia já pronto, sobre a cama: passadíssimo a ferro, sem botões a ameaçar cair, blusa impecavelmente branca e a cheirar a sabão de Marselha. Partilhamos o dejejum numa mesa posta com esmero, e eis que é tempo de me ir.

Me acompanha à porta, e me ajuda a vestir o casaco, que é um cavalheiro; sobre a mesa consola deixo uma nota de cinco euros (dez às sextas, que é dia de talho), para o seu cafezinho da manhã e aviamentos na praça. Como nos podemos gabar de ser um casal muito espirituoso, me despeço com  uma piadinha cá muito nossa, enquanto aponto para a notinha: "não gastes tudo em freiras vinho!" Rimos muito e com esta boa disposição lá vou eu, cabelos soltos e perfeitamente penteados, pronta a enfrentar um novo e desafiante dia de trabalho!

A minha (modesta) contribuição para o tema sempre recorrente de que modéstia é uma qualidade, ou lá o que é

Há uma diferença que acho considerável entre ser-se bom e ter-se consciência disso, e ser-se mediano (ou mesmo poucochinho) e achar-se melhor do que se é. Só no último caso é adequado empregar o adjectivo "arrogante".

Já quem é bom e tem consciência disso, e ainda assim se apouca constantemente, é mete-nojo. Quem é bom e não tem consciência disso, tem fraca auto-estima ou rodeia-se das pessoas erradas (ou é português, vai dar ao mesmo). Quem é bom, e se compara com melhores, e por isso acha que ainda lhe falta um bocadinho assim, talvez seja realmente modesto. Quem não é bom, e se considera muito virtuoso porque apregoa a sua modéstia, é muito provavelmente mesquinho, e só ganhava em saltar para o passo anterior: não tem mal nenhum saber ou reconhecer que há melhores.

Quinta-feira, 10 de Novembro de 2011

Mais uma analogia, mais uma viagem

Lembrei-me agora há pouco daquela tirinha da Mafalda, na qual a meio de uma discussão com o maninho, pergunta ao Gui ai queres ser mau, ao que ele responde que shim. A Mafalda responde-lhe prontamente ó meu palerma, então não vês que já não deve haver vagas?

Pois dir-se-ia que sim, que já não há vagas; mas vá-se lá saber como ou porquê, o recrutamento ainda funciona e há sempre pleno emprego para quem deseje especializar-se na área.

(a minha esperança é de que estas pessoas se consumam por e a partir de dentro, tipo combustão espontânea. com dor.)

Quarta-feira, 9 de Novembro de 2011

Não ponham os vossos filhinhos a ver isto, e depois queixem-se que foram apanhados na curva



(eu sei que já não é in dizer que se gosta do Herman, mas eu sou assim, muito out. e se o tivessem visto ao vivo, comá eu, olha, sabiam que o home ainda dá cartas.)

A auto-estima e o espírito crítico encontraram-se a uma esquina e...

Uma antiga colega, que já não via há coisa de doze anos e me conhece desde miúda, diz-me que estou na mesma. Cara mais redonda (gorda, corrijo eu, não, diz ela, que querida), mas na mesma.
A auto-estima chegou primeiro e abarbatou-se ao prémio. Era vê-la toda contente, maquilhagem impecável, modelito da moda, a reluzir com o elogio, ena, ena, estou igual à garota que era com bintóito, ena.
Ia auto-estima feliz pela rua, altaneira em seu stiletto, evitando pocinhas de água, quando a uma esquina dá com o espírito crítico, calça de ganga coçada, all star debotado, camisola com borbotos. Espírito crítico saca do cigarrito do canto da boca, expele uma fumaça, e atira-lhe sim, sim, estás na mesma; a mesma merda, ou julgas tu que alguma vez estiveste grande coisa.
Auto-estima deu entrada no serviço psiquiátrico de Santa Maria, onde se encontra internada a recuperar de depressão e catatonia profunda.
The end.

Terça-feira, 8 de Novembro de 2011

Segunda-feira, 7 de Novembro de 2011

Preciso de um/a work-coach

Um gajo começa a semana com nada menos que quatro tarefas quatro muito chatas, muito estúpidas, muito sem ponta por onde se lhes pegue, e que bem podiam (e deviam) ser completadas sem esforço se me fosse permitido um tiquinho de arbitrariedade e estoirá-las com um "não" redondo logo à partida. Mas como este é um mundo imperfeito, e ainda ninguém me elegeu nomeou Super Imperatriz do Universo, não senhor, é uma trabalheira e daquelas, muito chata, muito estúpida, e muito sem ponta por onde se pegue.
O que fazer, senhores, o que fazer?
a) tratar do assunto o melhor possível mas também o mais rapidamente possível, a ver se nos dedicamos a cenas mais importantes e genericamente mais produtivas;
b) passar metade do dia a olhar para a papelada, a maldizer a nossa triste sorte, isto enquanto o neurónio que ainda funciona não consegue alinhavar duas ideias ou frases seguidas, e o neurónio depressivo afunda na angústia porque se fosse parte de pessoa menos coisinha e mais automatizada ou organizada metade já era (em vez de um mero quarto da coisa que já está prontinha, so far).

Caraças me lixem, c'a nervos, se em vez de questionar o porquê de certos procedimentos, e torrar tempos infindos pensar em como os ultrapassar, tivesse a qualidade de a eles me conformar, a esta hora já estava meia aliviadinha.

Domingo, 6 de Novembro de 2011

Querida indústria farmacêutico-veterinária

funny pictures - Death and Taxes
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Não sei se vocelências mantendes contactos com a simpática indústria alimentar para bichicos, mas acho que todos teríamos a lucrar com uma joint venture. Como? Passo a explicar: vedes aqueles biscoitos crocantes para felinos? E que tal criar linhas de biscoitos apetitosos de antibiótico, desparasitante, e todo e qualquer medicamento para gatos? Ah, não é prioritário? Então vinde cá,  levaide Sua Alteza Felina por uma quinzena, e dai-lhes vós o remedinho, boa? A ver vamos se em duas horas não estão a tratar do assunto.
Agradecida.

PS: para qualquer alma que tenha a veleidade de comentar "então mas quem é que manda aí em casa", a resposta é "acho que se nota bem, e tomai nota da morada para virem cá mecês, seus valentões, dar o antibiótico à bicha".

PS[parte 1/2]: estamos a falar da gata que dobrou, repito, dobrou uma agulha de seringa quando a senhora veterinária a espetou para fazer colheita de sangue. True story. É gorda, que é; mas é senhora de um mau feitio e massa muscular que faz favor. Não sei a quem saiu assim.

Sexta-feira, 4 de Novembro de 2011

Pares [im]possíveis

Outra sugestão de cabaz natalício. Atrever-me-ía mesmo a afirmar que um não vai sem o outro.

(para quem ainda não conheça bem a criatura dona do blog: a sério, eu não leio nem ofereço nem recomendo - sério - livros de auto-ajuda.)

Pares [im]Possíveis

O seu guia cabaz de presentes de Natal em tempos de crise. E com koltura (são cenas para ler, ora!).

(nhãnhã, não sou blogoexcluída; não dou - que sou forreta - mas promovo cabazes)

Quinta-feira, 3 de Novembro de 2011

Sofro horrores, e se calhar mereço

Fosse eu mecinha mais influenciável, e já andava aos gritos a pregar no Rossio, a anunciar o fim dos tempos. Os sinais são claríssimos: doce lar está transformado em palco de pragas Velho Testamento style, duas para já and counting. Temos portanto as lagartas que me tornaram uma catadora em part-time, e no verão também as formigas demonstraram um interesse inusitado na nossa vida doméstica. Com o outono e as chuvas era de crer que as bichinhas já tivessem percebido que era hora de recolher à sua suave e mansa toca, mas parece que ordens mais altas se impuseram e continuam activas e em fúria. Hoje de manhã dei com uma concentração muito suspeita na bimby. O que podiam querer as bichas do demo de uma maquineta saída da máquina e muito lavadinha, ignoro. Ou andam mesmo a soldo de uma vontade divina malvada e vingativa, ou os ventos greco-wall-streetianos chegaram ao formigueiro e preparam-se para, finalmente, me tomar a cozinha de assalto. Queridas formigas: não duvido que sejam os 99%, mas eu não sou, mesmo, o 1%. Deslarguem, a carestia e austeridade não fui eu que inventei, e acho que este ano já vos subsidiei alimentei que chegue. Ide em paz, ou logo vos aguarda nova carga policial dona de casal, armada de bastão e gás lacrimogéneo paninho e líquido de limpeza. Último aviso.

Quarta-feira, 2 de Novembro de 2011

Hoje não me ocorre mais nada, e parece-me a propósito

Não é um all-time fave, mas tem um riff do caneco. E o Axl tem um anel p'ra lá de giro.



Sim, chove, é Novembro. É normal. Tivemos verão até finais de Outubro; nada mal, como bónus da Mãe-Natureza. Para o ano há mais, e há-de haver mais vestidinhos e praia e o caracitas. Agora há chuvinha benfazeja; regozijai pessoas, féchionistas e não só, com o bem que ela faz às hortinhas, às plantuchas, aos animaizinhos que já têm auguinha p'ra buber; e lava as calçadas de onde os donos dos canitos nunca apanham as poias, e fica tudo lavadinho, incluindo me-mobile. E juntem-se a mim, pessoas, a pedir uma nadica mais de frio, para que as lagartas que se nicaram mis alfaces e manjericão, e devoraram ainda toda (mas toda, toda) a minha salsinha, morram, pereçam, definhem (mwahahahahah, risada maquiavélica).

Pronto, é só.