Segunda-feira, 31 de Outubro de 2011

Objecção de consciência

Não fui ver o filme do Tintin. Nem vou. Se um dia passar na tv, estiver com tempo livre, e não der nada melhor noutro canal, talvez (talvez!) veja. Quando soube que o Spielberg se ia dedicar a este meu herói de infância, fiquei meio apreensiva, meio excitadex. Mas mal vi umas imagens digitalizadas ou compucoisadas das personagens, e li que iam juntar três álbuns no filme, passei a muito apreensiva. E temos um grave precedente, um filme que tinha no título "Indiana Jones", e "IV", e afinal era uma versão tipo loja do chinês do que seria um quarto filme da série. Nã, não me apanham noutra.

Como o (único) ser masculino lá de casa é menino para ir a todas, seja Fassbinder, seja um filemeco que no título mencione múmias, zombies, ou simplesmente piranhas em 3D (sofro muito) mas vampiros não, diz que está farto de vampiros, e que os vampiros são amaricados, foi sozinho e ficou de contar como é. Mas com jeitinho, que ele sabe que, para além de ter a colecção do Tintin toda, a maioria ainda de uma editora já extinta (Record, em brás'leiro, né), sou uma pessoa que sofro muito dos nervos. Confirmou-se: o home chegou a casa um bocadinho combalido.

Pronto, fiquei com seis aérios na carteira, que sempre dá para encher o depósito, e umas gotinhas para o isqueiro. Uma nota de quinhentos (do monopólio) a quem situar esta referência tintinófila.

É muito complicado ser eu (2)

Mamãe acha que eu trabalho em regime de voluntariado. Pergunta-me ela, ao telefone: Estás a trabalhar???? Mas de tarde vais para casa, não? E isto depois da pirracinha do Vou com a tua sobrinha arranjar coisas para uma festa de Halloween, e da dita sobrinha se abarbatar ao tufone e me relatar, pormenorizadamente e em rajada (fala como uma tia que ela tem, abençoadinha), o dia e noite de festa que hoje a espera e que a escola fez "ponte" e tudo e tudo e tudo. 

Quando for grande quero ser reformada. Ou aluna de segundo ciclo. Ou andar na boa-vai-ela com uma reformada e uma aluna de segundo ciclo, whatever.

É muito complicado ser eu

Se algum dos estimados leitores tiver lá em casa o troféu para a pior cozinheira de sempre, é favor devolver. Tss, tss, muito feio, roubar!

(e nem me venham com comparações ou comiserações. eu sou a pessoa que consegue estragar uma coisa tão simples como um couscous, ou um bolo inglês. true stories.)

Sexta-feira, 28 de Outubro de 2011

A propósito de se ser ou não cristão, muito ou pouco católico

demotivational posters - Atheists
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Duas das coisas que, ao longo de uma ímpia vida que tenho levado, reparo que muito inquieta os crentes, é (um) a de saber se os ateus não vivem atormentados com o facto de poderem estar errados, ou (dois) se assumem que não estão, não lhes fazer muita impressãozinha o facto de, depois de quinar, puf, não haver mais nada.

Não posso responder por todos os ateus visto que, até hoje, ainda nenhum de nós se deu ao trabalho de compor um tratado fundamental de dogmas ateus (imperdoável, eu sei), mas a minha resposta é um duplo não. Se com isto o estimado leitor ficou com a certeza de que a minha alma está perdida, siga para o próximo blog. Se ainda resta ao leitor uma fímbria de curiosidade sobre o porquê desta resposta, arrisque à sua responsabilidade e siga lendo.

Não, não me incomoda a possibilidade de estar errada. Não quer isto dizer que tenho a certeza de que tenho razão, visto que, numa perspectiva intelectualmente honesta, ninguém pode ter a certeza quanto a estes temas. Tenho a certeza de que não acredito (vertente relativa e subjectiva), e acho muitíssimo provável que deus/es não exista/m, (vertente absoluta e objectiva). Se por acaso me enganei, e um dia que deixe este despojo mortal vá à presença do criador, tenho de lhe fazer uma vénia e reconhecer que me enganou bem. E depois processo-o por descriminação, que me fez assim, dando-me à partida um bilhetinho para o inferno e negando-me uma vida de bem aventurança na fé (o mais provável, com este feitio, é que acabasse na fogueira, mas adiante). A sério: se existe um ser que criou esta coisada toda, decerto não é tão coisinho que ande a tomar nota, para além de quem é que dorme com quem, dos que não acreditam nele e o caraças, e ainda levar a mal. E se levar, olha, quem não quer ficar a eternidade a privar com ele sou eu. 

Quanto à questão da vida depois da morte, pois que não me faz qualquer tipo de comichão achar que esta é a única vida que tenho, e que um dia acaba, pronto. Alma? Não senhor, no lo creo; a alma é o pensamento a imaginar-se, mais nada. A máquina avaria de vez e o cérebro, por muito que lhe custe, vai ter de desligar. Até parece que é o último, os impulsos eléctricos são chatinhos e insistentes. Isto não me causa qualquer tipo de angústia ou medo, antes pelo contrário. A angústia cai mais quando me ponho a meditar sobre a vida: se é esta que quero levar, se não podia fazer antes assim, e ai tanta coisa para fazer, ler, ver, ouvir, aprender antes do puf final. E ser melhor pessoa e assim, também, não pela eventual recompensa (really?), mas porque acho que é a melhor maneira de viver. Preocupa-me mais deixar boas memórias, e isso sim, poderá ser a tal afterlife. Ser eterno é só para alguns, e ainda assim só enquanto dura, será que algum dia, daqui a milhares de anos, alguém ainda ouvirá Mozart?

E pronto, ser ateuzinho é isto. Acho que, pelo que tenho lido a alguns, também não se perdem muito a pensar no depois do apito final: andamos preocupaduchos com o jogo em si. Não que os crentes também não andem, mas pronto, têm aquele consolo que nós não temos (e alguns de nós nunca precisámos) de saber que ainda andarão por aí. Ah, e não achas um desperdício, que andemos por cá e um dia tudo acabe? Não, não acho; não tenho assim tão boa opinião acerca de mim ou da espécie humana em geral. No fundo, somos como as alfaces: vimos de uma semente e um dia acabamos na grande salada da natureza. E isso também é bonito, à sua maneira. Já Lavoisier explicava.


Vá lá alguém entender os brasileiros (a sério, ajudem-me a entender os brasileiros)

Via ontem a reportagem no canal 1 (enquanto há, piadola) sobre o caso Duarte Lima, quando a senhora brasileira que, juntamente com a filha, encontrou o corpo da Rosalina Feiteira dizia que ao ver o cadáver comentou para a tal filha que era uma cristã. Assim mesmo, é cristã, referindo-se à deceased, morta, assassinada.

E pergunto eu, cuméquié que se sabe isso, hein? Ok, normalmente os muçulmanos são mais morenitos, mas a não ser que a dita andasse com um gigantesco crucifixo, ou o tivesse tatuado em local vísível, como é que alguém sabe se é cristã, budista, adventista (ok, estes são cristãos), hindu, agnóstica ou, na loucura, ateia? Ei, não gostava nada, se um dia encontrassem o meu cadáver num lamaçal, que dissessem olha, está ali uma cristã. Calma no pedal, que eu, até contra os meus princípios ateistas, era capaz de ressuscitar logo ali só para vos contradizer.

Também me ocorreu que qualificar determinada pessoa (ou cadáver) como cristã podia ter a ver com a cor de pele, ou estrato social, tipo, é branca, bem vestida, é cristã. Mas não posso crer que seja essa a explicação, que coisa mais século XVII: pagão=escurinho vestido de andrajos vs. cristão=branquinho com as vergonhas tapadas.

Gostava de entender, mas não tenho nenhum brasileiro à mão, por isso, se alguém souber instruir esta alma torturada, antecipadamente agradecida.

Quarta-feira, 26 de Outubro de 2011

Me life sucks

Sabes que tens uma vida um bocado parva e muito provavelmente disfuncional, família incluída, quando chegas a casa às oito e mate dorme exausto no sofá, decides que o teu jantar vai ser um chazinho e fico-me por aí (terceira vez esta semana), a gata anda a correr no corredor, pára na sala, miauiva, volta ao corredor, pára à porta do escritório, miauiva, por falar nisso, não vomita há que séculos, se calhar curou-se dos nErvEs, ou não, amanhã apetecia-me enfiar uma estaladona num senhor doutor coisinho que lá tenho, e por falar nisso vêm-me lágrimas aos olhos quando penso em "amanhã", "despertador" e "trabalho".

Somos um case study e a esperança da indústria farmacêutica, verdade.

Tenho um sonho

Não é tão bonito como o do outro senhor, mas ainda assim tem o seu valor. E temo que nunca o veja concretizado.
Que sonho é esse, sua palerma? Oh, é só que um dia os senhores jornalistas deste país consigam distinguir entre as seguintes palavrinhas:

dispensa
s. f.
s. f.
1. Acto.Ato.Ato de ser desobrigado; escusa.
2. Licença para se eximir a um dever ou obrigação.
3. Documento em que se concede dispensa.
4. [Brasil]   [Brasil]  Despedimento.

despensa
s. f.
s. f.
Lugar onde se guardam comestíveis para uso. = COPA
 [do priberam]

A minha pessoa já anda careca de tanto arrancar cabelos cada vez que depara com a enormidade que é dizer que se guardou a farinha na dispensa. Aqui há meses, numa reportagem da Time Out sobre chefs, tinham uma caixa em que perguntavam a cada um dos entrevistados o que tinham sempre na dispensa. Vá lá, não lhes perguntavam o que não despensavam na dispensa, mas juro que pouco falta. Há dias dei outra vez com o mesmo erro, e na imprensa escrita (que em blogs já nem passo cartão). E fico muito incomodada por a dúvida nem sequer surgir na cabecita de quem escreve, profissionalmente, já agora.

Que atire a primeira pedra quem nunca errou, sim senhora, que eu também dou as minhas calinadas; mas esta é ao nível da instrução primária e não há justificação possível para semelhante burrice. Lá a ver.

Segunda-feira, 24 de Outubro de 2011

A solução para um dos problemas mais badalados do país, não a uma mesa de café, mas num blog perto de si

Vi num documentário sobre um daqueles países civilizadérrimos do norte da Europa, onde o serviço público ainda é visto como um Serviço e Público, que aos deputados cuja residência permanente não fosse na capital, era facultado alojamento num edifício do Estado. A cada deputado cabia um T0 ou T1 do género daqueles que se pode ver na área de exposição do Ikea, ou seja, minúsculos mas muito bem aproveitados; alguns tinham copa ou kitchenette, outros tinham serventia de uma cozinha comum; todos tinham uso da lavandaria comum, segundo horários a estabelecer.

Está aqui uma rica ideia para se acabar com subsídios de alojamento e outros que tais. O Presidente tem um palacete, o PM outro, e o resto do pessoal (incluo todos os servidores do Estado obrigados a qualquer deslocação para fora da sua área de residência, professores incluídos) tinham uma solução destas. Juro que a longo prazo saía mais barato. Quem não quisesse, que pagasse diária na pensão Estrelinha, no Hilton ou no raio que o partisse, do seu bolso.

E pronto.

Ponto alto do fim de semana

Uma empregada de loja, depois de lhe dar a minha data de nascimento para o respectivo cartãozinho:
- Não parece nada ter a idade que tem.

(vou levar isto como um elogio e não, como depois me ocorreu que também podia ser interpretado, uma menção ao facto de já não ter idade para andar de téne preto, jean muito velho e blusão de cabedal ligeiramente motard. ser optimista uma vez na vida não me vai matar. )

Sexta-feira, 21 de Outubro de 2011

Cenas que não atinjo

Aqui há uns anos andava eu a fazer um cursinho e, num intervalo, em conversa de mulheres para encher chouriços, trocávamos algumas dicas, desabafos e impressões sobre trabalho doméstico. Às tantas um colega, que nos ouvia, diz qualquer coisa que basicamente se resumia a um prendadas que nós éramos que a mulher dele não fazia nem sabia fazer nada em casa. Acho que mencionou o mítico "nem pregar um botão sabe". Disse isto a rir, e eu presumi logo que o sujeito também não fazia nestum de limpezas e outras que tais. Confirmou-se: perante o nosso olhar de espanto explicou que era a sogra (mãe dela) que se ocupava dessas coisinhas.

Apesar de eu ter empregada (abençoadinha seja, e possa eu mantê-la por muitos e bons anos), não há tarefa doméstica que não saiba fazer. Faço malzito, com muito desgosto e refilanço, que não tenho nem grande vocação nem amor à coisa, mas sei e faço, sempre que preciso. Aliás, e mesmo com empregada, muito tempo passo eu (e ele) a ajeitar coisinhas do lar, que remédio. A faxina mais pesada está de fora (abençoadinha seja a assessora de limpeza), mas lavar e estender roupa, costuras, cozinhanços, limpeza diária da cozinha e outras coisas são todas por nossa conta, ora abóbora. E sim, tirando a costura, que para ele ainda é um mistério, não há nada que não saibamos fazer. Os dois. Ele ainda recorre à cábula para os programas da máquina da roupa, mas toma a iniciativa de a encher, pôr a trabalhar, estender. Roam-se. E passa a ferro também, se preciso for. E cozinha melhor que eu, mas isso nem é de admirar, qualquer um consegue dar-me uma abada nas artes culinárias. Nem quero imaginar a pocilga em que viveríamos se ficássemos à espera que a empregada fizesse tudo (ou então lá estaríamos a pagar-lhe todas as manhãs da semana).

Faz-me uma profunda comichão saber que ainda há gente que não sabe - fraca desculpa, não estão é para isso! - tratar das tarefas domésticas. Não é uma questão de status, é uma questão de independência. Mais me encanita que ainda achem graça ao facto de dependerem totalmente de familiares ou terceiros para uma coisa tão básica. Também precisam de quem lhes vá dar banhinho? Ora, o princípio é o mesmo.

Mas o pior, mesmo pior, é ter ficado com a ideia de que há quem ache graça a esta dependência por arrivismo puro, como se estivessem a agitar uma bandeira de superioridade por não terem de rebaixar as suas excelsas pessoas a tarefas tão comezinhas. Ui que somos tão hipé, não sujamos as mãozinhas a limpar a porcaria que fazemos. Se calhar até lá têm alguém para lhes limpar o rabinho. A sério, get real. Que não se goste (eu não gosto), ainda entendo. Agora a postura do "eu não faço isso" não é elevada, é de gente muito mete-nojo, que acha que há coisas que estão abaixo de si. Não estão. É o normal, é o necessário à sobrevivência, à vida, enfim. Pode ter-se um empregado, mas criados, já não há - foi assim que fui educada. E fazer de criada uma familiar (culpa dela, também, que se sujeita e não preparou a filha para a vidinha) é que é coisa de gente de baixo nível.


Quinta-feira, 20 de Outubro de 2011

Isto é muito a sério, mesmo muito a sério

Não tarda nada está aí o Natal, este ano ainda há cheirinho de subsídio, e eu venho dar aqui uma sugestão para lhe darem bom uso: o projecto chama-se Anjinhos de Natal, e podem encontrar informação no feicebuque, aqui neste blogue, ou pelo mail anjinhos.de.natal@gmail.com. Trata-se de proporcionar a crianças desfavorecidas uma prenda no sapatinho, e um autefite novo, a saber, um fato de treino quentinho. Uma pessoa decide eia, vou oferecer uma prendinha a uma criança que não as tem, escreve para aquele email, recebe o nome e idade do petiz, o tamanho do fato de treino a comprar, e o brinquedo que o infante pôs na sua lista. Fácil, hein?
Este é o terceiro ano em que participo, e devo avisar que quanto mais cedo melhor: os fatos de treino vão voar todos da decathlon e similares ao mínimo sinal de frio. Andaide, rápido e ligeiros. É menos uma lampreia de ovos que compram e que ia acabar como inquilina nessas coxas, suas lontras.

(caso alguém apareça por aí a insinuar ah, afinal até és um bocadixo boa pessoa, ou olha, afinal a monstra até aprecia crianços, nada disso, e ficai com alguns ditados da minha lavra:
- criança entretida é criança que não é ouvida;
- meninos cansados são meninos bem mandados;
- petizada estafada é petizada que não dá maçada.
Por isso, contribuide para esta nobre causa de os manter a brincar lá nas suas coisinhas, em vez de nos andarem a maçar com perguntas como de onde veio o universo, quem é que inventou o dinheiro, ou posso estar aqui um bocadinho contigo a olhar e a notar que és uma pessoa um bocado esquisita. Vá.)

Pequenas alegrias da vida conjugal

Logo de manhã ouvir um: "Hoje estás mais bem dispostinha! Com  uma cara que parece que foste abatida a tiro, mas estás mais bem dispostinha."

(note to self: programar o despertador para tocar depois de ele sair de casa)

Quarta-feira, 19 de Outubro de 2011

Era capaz de jurar que não me pagam para isto

Resumindo um dia de trabalho, começa-se por ter de se assistir a uma edificante briga de dois homens adultos (mais velhos que eu, já agora), com argumentos do género tu és feio, tu é que és, eu disse primeiro, ele é que começou; passa-se por ter de levantar a voz a dois calmeirões (mais velhos que eu, já disse?) mandar calar, lembrar o respeitinho que é bonito, e cada um para seu canto antes que me tenha de zangar a sério. Vai-se almoçar a correr e a pedir pelas alminhas que a à tarde me poupem a meninge, para voltar e ter de aturar alguém completamente impreparado e que não tem pressa nenhuma em resolver um assunto de lana caprina, talvez na convicção de que assim melhor convence da sua razão. Findo mais este ordálio, uma sessão de papelada, que também implica corrigir erros absurdos de quem, com o 12º ano, não sabe ainda colocar vírgulas, nem se questionar que se o corrector ortográfico não reconhece determinada palavra, é que se calhar, talvez, quiçá, ela não existe. Finalmente, e para acabar bem o dia, ser insultada por alguém que não concorda connosco, tendo o direito de não concordar, mas que pensa que demonstrando-o com verborreia agressiva e injuriosa fará entender melhor as suas razões.
A sério, vou para casa enfiar a cabeça no forno.

Agora já não quero

O novo modelo da Swatch invadiu a blogosfera féchion.

(acho muito caro pó qué quié, continuo fiel aos mais clássicos)

Terça-feira, 18 de Outubro de 2011

Mau feitio

Não consigo levar a sério alguém que, profissionalmente, escreve em comic sans ms.

Acho um nadinha chato

Ir fazer um qualquer exame médico e a folhinha dos resultados não trazer os valores médios de referência. E agora vou ter de esperar uma semana para o senhor doutor me descodificar aquilo e ficar a saber se as estúpidas córneas estão de saúde ou envelheceram precocemente, raios.

(há uma maquineta que nos tira uma fotografia ao olhito e conta logo o número de células que temos na córnea. admirável mundo novo, I tell you)

Segunda-feira, 17 de Outubro de 2011

Um dos problemas de ser social-democrata*

É acreditar naquela coisa do salário digno,
É achar que ganhar mal não nos faz mais virtuosos,
É pensar que ter de fazer uma vida a contar tostões para saber se dá para pagar a continha da electricidade não nos faz melhores pessoas, só pessoas mais angustiadas;
É ter a crença de que ter sonhos e querer melhor é possível, desejável e legítimo;
É lutar para que todos possam viver melhor, ter espaço para opções sem que estas sejam entre manteiga ou gordura de barrar margarina, ou pão com pão e já gozas;
É não viver num filme a preto e branco dos anos 50, em que se é pobre mas honrado, se vive numa casinha modesta mas feliz, onde o bêbado obeso do bairro tem muita graça, felizmente é palheto a sair da parede, e onde o povo só sai à rua para as marchas populares e os arraiais.

É ser muito out, ao que parece.
Como diz me mate, isto está bom é para outro Professor Oliveira, ou um Adolfo, sei lá.

*social-democrata no verdadeiro sentido, norte da Europa e assim, não o partido português com o mesmo nome com o mesmo nome,que não tem nada a ver.

O meu snobismo não me impede de admitir que às vezes sinto inveja, muita inveja

É verdade, e não tenho vergonha nenhuma; admito na boa que sinto inveja muitas vezes, e muita inveja menos vezes. Tenho inveja de muita gente, a saber, quem têm mais tempo livre que eu, as pessoas que já leram mais e principalmente livros que eu gostava de ter lido; invejo muitíssimo as pessoas mais inteligentes que eu me reconheço, as que têm uma vastidão impressionante e relevante de conhecimentos, as capazes de raciocínios brilhantes e cristalinos; invejo as pessoas que têm talento para coisas que eu nunca seria capaz de fazer, sim, se a inveja matasse (não mata, já agora), a Joaninha Vasconcelos já tinha tido tantos avc quantas as vezes que babei em frente a uma obra sua. Invejo os geniais, os que têm um propósito elevado, os que conseguem perseguir um sonho, criar uma obra, descobrir algo, inventar seja o que for, explicar mistérios do universo. Pronto. Mas quero-lhes mal? Não, a minha inveja é masoquista: só lhes desejo muitos aninhos de vida para continuarem a fazer seja lá o que fazem e que me deixa mortinha de inveja.

Uma vez ou outra também invejo um sapato bonito, uma mala gira, uma cara mais laroca ou um corpinho mais bem talhado; felizmente passa-me depressa, basta ler mais umas linhas de um livro que muito goste ou ver uma série bestialmente bem conseguida, e mudo logo de alvo. Mas não quero que morram a meus pés, ou acabem na miséria, ou, para alguns pior, obesos e com uma violenta psoríase. Suspiro um ai qu'inveja e já está.

A pessoa que, até hoje, mais invejei, vejam lá, nunca a conheci, nem sei sequer quem é: foi a alminha sortuda e possuidora da quantia de €24.000 que levou para casa o Cargaleiro mais lindo que estes olhinhos já viram. Ia de propósito vê-lo na montra da loja, dizer-lhe adeus, mandar-lhe beijinhos. Um dia tive coragem, entrei e perguntei o preço: o meu coração parou por segundos e nessa altura invejei quem tem milhares na conta à ordem, para qualquer coisinha que lhes apeteça. É que apesar de tanta beleza não ter preço, aquela, para me dar os bons dias e boas noites na parede que, mentalmente, já lhe tinha reservado, precisava de boleia num chequezinho para me seguir até casa. E juro, afianço, garanto, que o tivesse eu e era o dinheiro mais bem gasto na minha vida, que ter o privilégio de ter aquelas cores, aquela composição, aquela ideia que surgiu na cabeça de alguém que (inveja!) teve o talento para lhe dar forma exterior, isso não há dinheiro que pague, e fazia-me tão, mas tão feliz.

Admito que em algumas coisas sou muito snob

Pessoas que constroem raciocínios ou tecem argumentações que, a certo ponto, desembocam na palavra "inveja" (ainda que seja para dizer que a não têm, ou especialmente nessas situações) não jogam na mesma divisão que eu. Lamento.

Sexta-feira, 14 de Outubro de 2011

Era tomar qualquer coisa e acordar daqui a dois anos (e não sei se chegava)

Nos entretantos, bom fim-de-semana (fimdesemana? fim de semana? fi m des emana?)



Fartinha de dizer a mate: a ver se chegas a chefe, para me levares a festarolas onde possa usar capeline, e para me pagares os antidepressivos.

Já cá faltava, e é sempre certinho

Os habituais argumentos de que os funcionários públicos têm emprego certo e por norma ganham mais que se ganha no privado; por isso, que mal faz?
A diabolização do outro é o não-argumento preferido neste país. E que, se calhar, até explica o "ao que chegámos": é digno de gente que se identifica na tacanhez de espreitar o recibo de vencimento do outro, e questionar se merece, em vez de se preocupar com a sua vidinha.
E desmonta-se num instantinho, querem ver? Cá vai, por alíneas e tudo.

a) O emprego para a vida e seguro já era. Nem falando de quem trabalha para o Estado a título absolutamente precário (sim recibos verdes!), muitos já têm contrato individual de trabalho. Mesmo os que ainda têm vínculo ao funcionalismo, não estão imunes à extinção do seu posto de trabalho e imediata passagem a uma situação de mobilidade ou precariedade. Eu, por exemplo, depois de 14 anos de serviço, e oito no mesmo local, tenho essa possibilidade. Não serei despedida, é certo. Por enquanto. Mas posso passar a uma situação de apaga-fogos num ápice, com menos segurança, autonomia, reconhecimento... E muitos podem ir simplesmente para a rua. Portanto: segurança?, já era.

b) Ganha-se mais que no privado? Onde está o estudo, tabela, comparação que o prova? Este é o exemplo de que uma mentira contada as vezes suficientes se torna verdade. É que na área da minha licenciatura, por exemplo, o que mais tenho é o exemplo contrário. E fico aborrecidinha, faço beicinho, cruzo os braços por haver colegas meus de faculdade que ganham bem mais e, surpresa, muito provavelmente até pagam menos impostos? Na parte dos impostos, sim; no resto, não. Fantástico, não me incomoda nadinha que haja quem ganhe mais que eu. Tirando uma ou duas situações de cunhas flagrantes, isto é. Que ainda são a excepção, e não a regra. Muitos ganham mais que eu porque fizeram opções diferentes, se calhar disponibilizaram-se para condições que eu não teria aceite. Parabéns, se chegaram longe, sinceros parabéns. Eu, que escolhi esta vida, que não me posso (podia) queixar do que ganho, que dá para o sustento e ainda uns luxos, que não almejo um T5 num condomínio de luxo (já uma moradia com jardim, não me tentem), não preciso de um BMW e qualquer boguinhas com rodas me serve, na boa.

Por isso, pá, metam a mãozinha na consciência, se a tiverem. Estas medidas vão afectar muito seriamente famílias de classe média. E se acham que mil euros por mês é muito, porque ganham menos, vão para o caralhinho, à minha responsabilidade, e digam que vão da minha parte. Vão lá encontrar imensa gente com que se identificarão, como aqueles que continuam a postar uichelistes griffadas, e que se calhar até acham bem que os fp paguem o bodo dos ricos que isto foi durante décadas. 

Tenham vergonha na cara, e deixem de pensar com o umbigo. Deixem de cochichar sobre o salário do vizinho, que comprou uma tv nova, o animal. Sejam menos tuguinhas e sejam mais portugueses, caralho. À minha volta vejo gente desesperada - eu não cheguei a isso, felizmente, bate na madeira - a pensar no supermercado e no infantário dos filhos. Tenham respeito.

Estou que nem posso

E como tenho muito que fazer, ainda não consegui coordenar o pensamento de modo a verbalizar o que me vai na alma (para além de muitos piretes), deixo aqui umas transcrições e link para um post com o qual me identifico na íntegra:

Vão ler o resto.
Da blogger com o nick mais assustador da blogosfera (olá, SS!), mas que luta nas mesmas trincheiras do meu exército.
(Hoje estou muito triste. Não me vão só roubar tirar só mais uma parcela do meu salário, vão-me expoliar mais uma fatia da minha dignidade)

Quinta-feira, 13 de Outubro de 2011

Um post fútil sobre roupa, e não digam que vão daqui

Estava hoje de manhã a fardar-me, e de repente fiz contas de cabeça: já é quinta-feira, e desde segunda que visto as mesmas calças pretas. Ora bolas, até parece mal, mas são confortáveis e frescas, algodãozinho, ah não, que desleixo melher, muda lá de calças, até parece que não tens mais nada para vestir (nestas alturas o meu cérebro fala com a voz da minha mãe, Freud explicaria, mas ele já desistiu de mim).
E mudei. Para outras calças pretas, mais formais (e não tão frescas, mas não me apetecia as calças pretas de linho, coisas, também tenho direito às minhas manias).
Ainda pensei em vestir umas calças azuis, mas isso implicava mudar de mala, e não me apeteceu.
E pronto.
O que se conclui daqui? Tenho um guarda-roupa muito variado, isso tenho.
(como sois muito curiosas, acrescento: a blusa é branca. sou um portento féchion avant-garde, eu sei. mas os brincos são giríssimos.)

Ando com um valente défice de paciência

E nem se nota nada, que ideia. À medida que vão saindo notícias sobre o próximo OE, tem tendência para agravar. O salário vai diminuindo, as novas regras de dedução dos benefícios fiscais não estão a ser muito bem entendidas, as progressões congelam, mas o trabalhinho, esse só aumenta, a par com a exigência.

Um gajo fica bem disposto como, hum?
(no meio disto, só ando com vontade de postar sobre temas que me assegurarão a) um T0 no inferno; b) um hate club daqueles.)

Quarta-feira, 12 de Outubro de 2011

Também gosto muito, aprecio bastante, até

Aquelas mães que se horrorizam com a má educação dos fedelhos dos outros e se descabelam por causa do péssimo contributo que os progenitores de tais rebentos estão a dar à sociedade, omitindo-lhes o bom exemplo. Porque tais mãe sapientíssimas e também amantíssimas, apesar de modestamente admitirem que não sabem tudo e hélas, não são imunes ao erro, a verdade é que não cometem aqueles erros, os intoleráveis, os inomináveis, os demonstrativos de que se é um ser humano menor e um pai/mãe pior.

E levar um infante exausto, ou a meio da fase dos dentes, cheio de sono ou birrento, a um restaurante de gente crescida, onde se entretém a escavacar a loicinha a golpes de talher, enquanto vocaliza as suas opiniões sobre a cena política actual, mantendo um ar normal, não é um erro, porque as crianças são mesmo assim, é uma fase e não se pode fazer nada, ou se calhar queriam que eu batesse à criança, querem lá ver.

(true story, vivida tantas vezes que já perdi a conta. e não posso eu fumar.)

Gosto muito

Daquelas pessoas que afirmam e reafirmam que não têm feitio, paciência ou tempo para prestar atenção ao mal que de si dizem, porque têm uma vida e tal, porque nessa vida têm muito com que se entreter, em tipo, cenas, cenas essas que são mais melhor boas que as cenas das pessoas que perdem tempo a dizer mal, e que estas devem é estar mal com a vida delas (a tal vida que não têm), e pelo meio lá vão insinuando que há ali muita dor de cotovelo (leia-se, inveja), e como um gajo só inveja o que é mais melhor bom, ergo, a vida dos atingidos por tanto ressabiamento deve ser muita mais melhor boa mesmo que a dos maldizentes e tal.

No entretanto, perderam um horror de tempo com esta conversa circular, e deram uma pipa de tempo de antena e satisfação a quem não tinham feitio, paciência ou tempo para dar.

Terça-feira, 11 de Outubro de 2011

Há quem tenha problemas a sério, mas eu tenho muitas coisas que me afligem

E a mais actual: lagartas. Muitas, pequeninas e verduchas. Um gajo não pode ter uma hortinha de varanda, que as bichas me estão a comer tudo: as alfaces, o manjericão, e até as sardinheiras. Alimentam-se melhor que eu, verdade.

Caros senhores chefes supremos da PêTê

É verdade e não nego que não sou vossa fã, derivado a coisas de antigamente que correram mal, e o facto de continuarem, constantemente, a ligar lá para casa não ajuda (não és tu, sou eu; preciso do meu espaço; continuamos amigos - not - mas deslarguem), mas de vez em quando sou obrigada a passar por cima do meu princípio de não dar trela a stalkers e dirigir-vos uma ou outra interpelação, e cá vai.

Ora que ideia foi essa de patrocinarem a decoração querido-mudei-a-estação style da minha rica Baixa Chiado, hum? Que diabo de empresa de marquetingue vos aconselhou aquela barbaridade, que imbecil de criativo concebeu espaço? Ide apresentar queixa asinha, que aquilo deve encaixar-se em qualquer artigo do código penal (ou legislação extravagante, e se a há). Aquela luz azulucha é tenebrosa, e nem chega a um tenebroso de classe, género castelo do Conde Drácula, não, é só bimbo-tenebrosa, uma coisa inominável, os pontilhadinhos de luz na ponta da plataforma, os projectores nos acessos, a reflectir no azulejo branco. Que o azulejo não é limpo as vezes que devia, sim senhora; que nunca deve ter visto lixívia, não duvido, mas a luzinha negra ou azulita não favorece nem embeleza. E dá dores de cabeça. Fica-se com as vistinhas todas (em)baralhadas, todas retorcidas, e uma pessoa corre escadas rolantes acima, aos gritos roucos de the light, the light.

A ideia do metro ter-vos prostituído a estação já era má que chegue, a menos que vocelências passem a pagar os arranjos (constantes) das sacanas das escadas rolantes, caso em que já aqui não está quem falou. Mas caneco, contratem um decorador a sério, uma pessoa com gosto e que sofra de enxaqueca, para vos ensinar que luz é simpática para os utentes e a que é absolutamente proibida. Diz que passam por lá pessoas a caminho do trabalho e vindos do trabalho, respeitem a classe trabalhadora, já que mais ninguém o faz. Vá. A tratar disso antes que me dê uma travadinha, que sou uma pessoa muito nervosa e que sofre de cenas.

(eu sei que já está assim há c'anos, mas só dei por isso outro dia, quando fui carregar o passe)

Segunda-feira, 10 de Outubro de 2011

Estado de espírito

Um nadinha enxofrada

Aqui a parolinha tinha umas massas de lado, esforçadamente poupadas, que foram umas vutões e cheneles que não comprei, com o objectivo de fazer uma senhora amortização no crédito hipotecário. A rainha das tantans andava já a rir-se em surdina, assim um riso maquiavélico, de olhinho cerrado e mãozinhas a esfregar uma na outra, a pensar aqueles malvados agiotas subiram a euribor e a prestaçãozinha, não foi, e agora baixa lá, tungas, embrulha! A meio-neurónio tem um contrato que lhe permite amortizações directas ao capital, sem qualquer penalização, pelo que a débil mental dá ordem de pagamento, e fica aos pulinhos à espera da cartuxa do banco com o novo cálculo da prestação.

Resultado: menos 24 euros por mês. Ena, valentes. Nem sei o que faça a tanto dinheiro, isso é o quê, quase uns duzentos e cinquenta palhaços por ano! Já reservei resort na Cova do Vapor, quinze dias; ou, sei lá, vou ser doida e vamos antes para St. Barthèlemi, chega e sobra. E este Natal vai ser uma fartura: um cartuxo de rebuçados para cada sobrinho, mas dos bons, de marca, nada de pingos doces e continentes, uau! Eu sei já estão todos a pensar que sou uma louca perdulária, que a família vai-me inabilitar por prodigalidade, que a continuar assim vou acabar na miséria, mas eu posso, são 24 - vinte e quatro! - euros por mês, vocês não estão habituados a tanto, nem sabiam o que lhe fazer, percebem? Adeus ó pobres.

(maldita seja a lógica do mercado financeiro)

Sexta-feira, 7 de Outubro de 2011

Diz que há moda Bobadela e tudo

Bom fim de semana. In style.

E dói-me a barriga, que faria se não doesse

Esta semana fartei-me de trabalhar, upa, upa, estou tão orgulhozinha de moi. Ainda aqui estou a decidir se faço ou não jus ao meu perfil ali ao lado. Acabo o que comecei, ou umas dez páginas escritas, plenas de sabedoria e mui interesse (not) já cumprem os objectivos diários?

O objectivo diário: fazer tudo. Tudo o quê? Tudo, ora essa.
(piretes)

Quinta-feira, 6 de Outubro de 2011

Pronto, faça-se justiça ao aipode, que já me salvou a vida (ou a de outras pessoas, conforme a perspectiva)

Foi no voo Lisboa-Munique: nem passados uns dez minutos de se ter desligado o sinal de manter cintos apertados, um alegre grupo excursionista cá da terra resolveu exercer o seu tuguismo, e logo em território inimigo (era avião da lufthansa). Cá vai um pequeno apanhado.

Vejam lá que não estavam todos sentadinhos uns a seguir aos outros e, credo, sabe-se lá as conversas que iam perder naquelas duas horas de voo; por isso puseram em prática as técnicas de projecção de voz aprendidas enquanto figurantes nos programas de verão gravados na praça da vila, e cá vai de chamar esta e aquela, que entretanto se virava nos bancos, e olé e olá para aqui e para acolá.

Para além disso parece que se deve activar a circulação, por causa das mini-tromboses, e como o tuga acredita na prevenção, vá de se levantar e desentorpecer os salpicões, fazendo uma marchinha no corredor. Pelo caminho encontra-se sempre gente conhecida, e pára-se um bocadinho a pôr a conversa em dia porque, nunca é demais frisar, nem havia quinze minutos que haviam trocado a última palavra, e duas horas sem conversê é que não.

A certa altura, para além de mortificada de vergonha (não havia muitos alemães presentes, fixe, a prova testemunhal era fraca), comecei a ficar mesmo enjoada: duas cadeiras à minha frente, um grupo de matronas rodeava um velho cavaco que, ao que percebi do relato e conselhos contraditórios (levanta-te um bocadinho! não! recosta-te! não! bebe uma auguinha! não! abana-te c'a revista!) se estava a sentir mal. Percebi que o problema era sério quando oiço uns bais bumitar? bais bumitar?, enquanto recolhiam sacos de papel de tooooodos os bancos adjacentes e os passavam à velha carcaça.

Sou uma pessoa impressionável, que sou. Enfiei um kompensan debaixo da língua, e pedi os fones a mate. Tem dois aparelhos, e traz sempre consigo os dois (deus nos livre de lhe apetecer uma música que esteja no outro). Aterrei em Munique embaladinha pelo Rufus, e pronto, não está cá mais quem falou.
Apanhámos o mesmo grupo na viagem de regresso, mas essa é outra (triste) história

Sobre o assunto do dia

Tenho um aipode nanico, e mal sei trabalhar com ele (é mate quem carrega);
Nunca pus as gânfias num Mac;
Ainda não percebi para que serve um aipade (além de para torrar umas centenas de euros);
Acho o aifone uma cena caríssima, moi, que dois meses depois ainda não se entende bem com o seu (muito mais barato) touchscreen da nokia.

Mas gosto muito de maçãs, isso gosto.

Mantra do dia

Notte e giorno faticar
Per chi nulla sa gradir;
Piova e vento sopportar,
Mangiar male e mal dormir...
Voglio far il gentiluomo,
E non voglio più servir.

peça completa aqui. enjoy, que é que me vai mantendo no dia a dia, a musiquinha.

Terça-feira, 4 de Outubro de 2011

Outro problema das magras

É acharem que só elas podem vestir determinadas coisas. Não neguem, não me lixem, admitam que sim, que já pensaram, ao ver uma gorda de vestido justo ou saia mais curta, Gooooood, aquilo só devia ser feito até ao 34. Sim, porque às magras tuuuudo fica bem. Até podem sair à rua enroladas numa saca de serapilheira, que estão lindas. Pois, pois, quebremos o mito.

Primeiro começo por concordar: sim, devíamos todas vestir o que mais nos favorece, e verdade, há certos tipos de roupa que tendem a ficar mal a mulheres mais fornecidas de carnes. Mas não é uma verdade absoluta: há rechonchas que têm pernas bem feitas, e só porque cada gémeo delas iguala uma cintura de magra não é razão para terem de vestir de tenda familiar, a ver se não ferem a susceptibilidade estética das meninas. Azarucho, deal with it, há pessoal que come e veste o que lhes dá na gana. E se as magras podem, as outras também podem, e devem, se assim se sentem bem. Até porque as magricelas vestem tudo o que lhes apetece, e ninguém levanta cabelo, pois não? Ups, até agora.

Magras, por norma, o que fica mal a gordas também não vos cai bem a vós. Atentai. Uma garota adolescente andar de calçonito de ganga com os forros dos bolsos a verem-se por baixo é uma coisa; uma matulona com mais de vinte anos, por mais modela que seja, fica tão bem em tais atavios como uma gorda: ou seja, fica mal, muito mal. Se não estão na praia, piscina, férias no campo, parecem umas tontas. Idem aspas para micro-saias: por muito booooua que seja a pernoca, a tirinha de tecido não esconde a falta de gosto e de tino. Mal esconde outras coisas, na verdade, que também dispensava ver. Deixando-me de merdas, curto e grosso, a magras ou gordas: pareceis umas putas. Calção que não tapa sequer meia coxa, seja ele em ganga, tecido, napa, pele, é esse o efeito. Profissional do sexo. Juntarem uns sapatos altos (muito altos), por mais finos que sejam (ou pareçam, às vezes é só isso), uma blusa mais composta ou adulta, uma maloca pendurada na curva do braço (sim, já vi isto tudo por aí), não atenua o efeito, aviso já. O aspecto pode tender mais para Intendente ou para átrio do Sheraton, mas o efeito e a conclusão vai dar ao mesmo: se não andam a vender o corpinho, dá ares.

Dizer que é féchion não resolve, lamento. O facto de serem magras só ajuda numa coisa: têm menos carne à vista. E, pelos vistos, podem publicar a foto num blog dito féchionista sem serem alvo de chacota da maioria, e podem revirar os olhos às gordalhufas que vos imitam quanto quiserem, que estão todas lá, no grau menos que zero do gosto, nível e estilo. Portanto, cabides desta vida que assim se apresentam, podem matar as gordinhas de tanta troça, quais hienas podem até fazer um festim com o cadáver desta quando ela morrer de vergonha, mas vocês também não fazem melhor figura, garanto. E a minha chacota não vos mata, decerto, mas garanto que existe. E eu posso, que não tenho micro-saias ou calções de vidro para onde atirar pedrinhas.

Conclusão: se vocês podem, as outras também podem. O mau gosto, a piroseira e o aspecto trashy não são exclusivo de ninguém.

Segunda-feira, 3 de Outubro de 2011

Como ter uma vida absurdamente feliz e despreocupada

Não é uma afirmação, é uma pergunta.
Se alguém souber, é favor partilhar.


(ajudava muito um gajo saber se a sua pessoa e a de seu mate conseguem ou não ter férias na Páscoa que vem. os voos para Londres, comprados agora, estão ao preço da uva incontinente.)

E porque é segunda feira

Cá vai uma das musiquinhas mai-lindas de todó sempre. Com um agradecimento a George Harrison, responsável, para além do mais, por ter visto a luz do dia um dos filmes mais hilariantes de sempre: A Vida de Brian. Sim, pagou-o do seu bolso, quando toda a gente teve medo de se chegar à frente com a guita. Porquê? Gostou da ideia, e queria ver o filme. Simples.

É tão raro que acho que vale a pena registar

São onze horas e sete minutos e já fiz tudo o que tinha planeado fazer da parte da manhã. Eeeeeeeena.

(não, não sou uma trabalhadora incansável e supé-estupenda, ando é a conseguir planear o trabalho com mais realismo)
(pronto, a avançar para o arranca-rabo da tarde)

Domingo, 2 de Outubro de 2011

Ai valha-me o meu rico S. Sedoxil

Que esta série é tão boa que já marchou metade da primeira temporada.
Obrigada, Luna ;)

(e eu devia era estar a trabalhar, que tenho amanhã um prazo a rebentar, e não devia estar a rimar, devia era estar cabelos arrancar, ou a guinchar - como theme song é mau, mas é o que se pode arranjar)