Sexta-feira, 30 de Setembro de 2011

Post mainstream "tudo em um"

(eu e as minhas amigas, a passear glamorosamente no areal da Cova do Vapor)

O povo quer, o povo manda, e eu obedeço. Cá vai post para agradar a gregas e troianas, com o maior nível de informação inútil por frase. E não digam que vão daqui.

Ai a minha vida!
Imaginem, hoje acordei cedinho!

Pois foi! E depois arranjei-me para vir trabalhar,


saí, trabalhei, parei para almoçar cenas boas, grumê e saudáveis


e já cá estou outra vez! Ufa, a minha vida é uma roda viva de emoção.

Os meus são melhores e mais engraçados que os teus
Ai que ontem a bichaninha fez uma coisa tão engraçada! Está bem, eu conto: fiz-lhe uma festinha, perguntei quem era a gatinha mais fofinha, e ela fez um miau que parecia mesmo um sim! Lol. Está uma marota, tão crescida.

Yesterday's Detail's
Ontem estava muito casual.

À noite fui a um sítio e vesti-me super féchion e trendi.

Hoje estou mais gira e formal que ontem, com um vestido assim.

A roupa foi toda comprada em sites da moda, e foi muito cara. Não vale a pena dizer onde, porque é muito original e vocês não têm dinheiro para isso, suas pobres.

Valerá a pena viver?
Tem dias que sim, tem dias que assim-assim. Mas não se esqueçam: desde que o almoço não seja pescada cozida, têm razões para continuar! Sejam felizes e sintam-se bem por serem quem são. Mas vão correr, suas lontras, que podem ficar melhor.

Dicas de Bouté
O chulé é um problema que aflige muitas boas amigas, mas pode ter solução! Lavem os pezinhos todos os dias, ao acordar e antes de deitar, e verão que alcançarão resultados supreendentes. Tenho usado este método, com o sabão especial super-clean-happy-feet da Smelly Shop, e recomendo!

Dicas de Decoração
Destinem uma prateleira do roupeiro closet para esconder guardar a roupa por passar, e vão ver que a vossa sala/quarto/cozinha fica logo com um aspecto mais luminoso, clean, e acolhedor!

Como dar puns em horário de expediente sem ninguém dar conta
Lamento, desconheço qualquer metodologia eficaz. Se alguém quiser partilhar, à vontade. Mas não se fiem e não façam como aquele senhor de um famoso sketch do Herman: o "felizmente não cheira" é uma utopia.

*Todos os autefits são daqui. Qual sartorialist qual carapuça.

Quinta-feira, 29 de Setembro de 2011

Isto anda muito mortiço

Como eu sou uma blogger que almeja o reconhecimento dos seus leitores, proporcionando-lhes a maior diversão possível; e considerando que pelo meu publicozinho faço tudo, até o pino, e atenção que eu nunca soube fazer o pino decentemente, proponho desde já deixar ao sufrágio da amável assistência a futura linha editorial deste bloguinho (sim, sou assim tão influenciável, tudo pelo reconhecimento).
Ora então, que tal:
- Um passatempo maravilhoso, para lá de supimpa, em que os vencedores serão inundados de prémios tão cobiçados como um montão de beijocas virtuais desta aqui, ou o direito a ditar o tema do próximo post;
- Croniquetas sobre os meus dias, em posts curtos e atuitados, onde digo tudo, tudo o que faço, desde a hora em que levantei, como correu o duche e que gel usei (e se lavei cabelo ou não, e peripécias decorrentes, lol, a minha vida é uma montanha russa de acontecimentos), locais onde vou almoçar/almocei, com foto da paisagem e pratinho, enfim, todos esses pormenores suculentos de uma existência ímpar e que todos desejam conhecer até ao mais ínfimo pormenor;
- Ensaios muito acessíveis ao publicozinho, no sentido de este se identificar e quiçá lacrimejar, abordando temas sensíveis da existência, como a vida em geral, o amor, a paz no mundo, a melhor forma de soltar um gas em horário de expediente sem ninguém dar conta;
- Conselhos de moda e beleza, tipo não se esqueçam de por desodorizante depois do banho e lavar a cara, vá, ao menos os olhos, ou vistam uma saia que vos cubra as nádegas, galdérias;
- Fotos dos meus luques, os meus autefites, as minhas escolhas diárias, cheias de estilo monocromático e sentido féchion-boring (boring is the new black, and I'm boring in black, yes I am!).

Ai, digam-me tudo, o que preciso eu de fazer para ter resmas de comentários a dizer que sou linda maravilhosa, e como gostavam de ser eu, (para além do óbvio muda de cara, corpo e vida, isso eu já sei).
Vamos lá a esse fio de béque.

Sim, é possível

Hoje vim da zara carregada com duas techértes e uma blusa, tudo made in Portugal. Dá trabalho andar a virar etiquetas, uma pessoa até pode gostar mais do preço da cena turca, mas é possível. Pode parecer parolo (e se calhar até é) mas vou mesmo tentar manter-me fiel a isto: nada de cenas fabricadas em países de terceiro mundo, por melhor que seja o preço; se for chinês, antes na loja dos ditos; e 'bora lá optar pelo que é feito cá (economia e tal, pegada ecológica e rebeubeu).

A seguir, pretendo fundar o movimento Rechonchas Anónimas, para reclamar desta ideia peregrina de fazerem modelos só até ao tamanho L. Sou uma rapariga larguita de ossos mas até entro numa techérte L; o problema é que deu para reparar que os L desaparecem num instante. Donde, senhores? Hummm? O mercado está a tentar dizer-vos qualquer coisa, liguem o sonotone, sim?

Quarta-feira, 28 de Setembro de 2011

Podia elaborar mais, mas estou com o tempo muito contadinho, muito à justa, e ainda tenho muita coisa para teclar hoje

Odeio, odeio, odeio gente trafulha, trapaceira, caloteira, pintarolas, mania-qué-bom-e-aqui-quem-manda-sou-eu, que acha que pode passar entre os pingos da chuva que ninguém está a reparar, que pensa que não é ladrão é só (mais) esperto que os outros.
Odeio, odeio, odeio.

(e no que depender de mim, se depender de mim, nunca, nunca, nunca se safarão, e juro que já estive mais longe de arranjar um fato de licra em tons berrantes, uma capinha e mascarilha, e andar por aí a distribuir bordoada com um cacete cheio de pregos ferrugentos espetados)

Eu também não tenho jeito nenhum para o negócio

Terça-feira, 27 de Setembro de 2011

Weeeeee! Me time!

Mate anuncia com pesar e já a fazer beicinho (é um rapaz muito caseirinho) que hoje não vai jantar a casa, tem um repasto agendado com colegas (deve ser daquelas modernices do team building). Cumpro o meu dever conjugal (não é esse, é aquele do pronto, pronto, não custa assim tanto, vá) e mentalmente já vou imaginando a panóplia de diversões à minha espera: uma ida ao ikea? Não! Ver as modas ao chópingue? Não! Arranjar e pintar unhas, patinhas incluídas? Não! Ir para casa e fazer aquele colar e a pulseira que ainda não tive tempo de montar? Não! Ir passear ao Chiado? Não! Experimentar sapatunfas só pelo gozo? Não! Ir ver as novidades à Fnac? Não! Aiiiii, tanta coisa que me apetece, uiuiuiui.

O que muito provavelmente vai acontecer? Sair mais tarde, levar uns papeluchos que preciso de analisar, tomar um duche, esparramar no sofá a comer os restos de ontem, a ver quanta porcaria há, gatinha ao colo, e acabar dormitando e babando sobre a papelada até ele chegar.

Vá, a encher a caixa de comentários de gritinhos de inveja.

Segunda-feira, 26 de Setembro de 2011

E aquelas pessoas, o que dizer daquelas pessoas

Que esperam o elevador, o botão de espera assinala que este vai a descer, e entram dentro do dito, e carregam num botão de um andar acima? Hum? O que chamar, o que fazer, como catalogar, que tal esmurrar, quiçá esventrar estas pessoas?
E daquela vez em que eu e me mate estávamos no dito elevador, o bitxo a descer para o estacionamento, no piso 0 a velha a entrar e mate, armado em cavalheiro e porque a senhora podia não ter reparado: "olhe que vai descer", e ela olha-nos como se fôssemos um par de baratas, de alto a baixo, juro, carrega no 2, e depois faz um ar de total enfado quando o elevador desce ao -2, como se o mundo, as pessoas e também as máquinas devessem pedir licença a sua excelência para rodar, respirar, funcionar.
O que se faz a estas pessoas?

Ou estou com um ataque de adolescência, ou é verdade e ninguém me compreende

No sábado ouvi ralhar. E muito. Não que seja novidade, mamãe é uma ralhadora regular e de qualidade profissional, apesar de se dedicar à actividade apenas por amor à arte. Podia ganhar um dinheirão a fazer workshops, mas engrossar a herança da filha varoa, isso é que não, malvada. Bom, mas ouvi ralhar, e desta vez com alguma razão. O "alguma" é só um gritinho de "presente!" da minha pobre auto-estima, taduxa, de vez em quando acorda do coma. Ora voltando à vaca fria (salvo seja), mamãe lembrou, ralhando (muito), que de vez em quando (uma vez por ano, vá) convinha fazer uma citologia. Convinha, para tanto, marcar uma consulta na senhora doutora, "há quanto tempo lá não vais?" e eu a fazer-me de esquecida (sou muito boa nisso, podia fazer workshops, mas não me apetece), mas acho que mamãe tem uma ideia de há quanto tempo me ralha sobre o assunto. E eu amuada, que sim senhora tem muita razão, antes que ela acrescente a mamografia que nunca fiz, mas entretanto ela já se lançou entusiasticamente no assunto do meu quadro clínico que exige consultas regulares, e eu (quase) a chorar-me que a doutora ralha sempre que lá vou, e mamãe a insistir que tenho de me cuidar mais. Faço novas promessas, antes que se lembre de perguntar há quanto tempo não faço análises (para quê? fico sempre à beira do desmaio, e nunca me dão novidades, ora, os glóbulos vermelhos já sabem que são poucos e deviam ser mais), e tento a fuga debaixo de um "tens de te cuidar mais e melhor, filha, tens de ter mais cuidado contigo!" e eu sei que ela tem razão.

Mas é tão chato ir ao médico, tão chato. Um gajo larga quase cem euros (eh, experimentem lá conseguir consultas de especialidade no público, boa sorte!) e ouve sempre o mesmo. Só coisas desagradáveis. Já sei que tenho peso a mais, já sei que os glóbulos red rés-vés o aceitável, já sei tensão baixa, já sei que ainda fumo, já sei, já sei. Nunca me perguntam coisas boas e que realmente interessam, se tenho lido livros bons, aprendido coisas interessantes; se o outono que começa tem ou não uma luz bonita e que há que aproveitar antes dos nublados invernosos; se ando feliz ou os dias maus têm sido menos e mais curtos, como vão as razões para sorrir e se têm conseguido abafar as vontades súbitas de chorar. Nunca me dizem que este corte de cabelo me fica bem, que não me preocupe que o SNS ainda dura, e que tudo se resolve, e não estou a falar de saúde que por aí nunca tive grandes chatices, merdinhas, só merdinhas,  daquelas que não matam mas moem, que já estou careca de conhecer, e fartinha de vigiar. Custava muito, custava, serem um bocadinho mais positivos, afinal vovó nunca deve ter feito uma citologia e estão ali noventa e tal a que nunca chegarei, e vovó ao menos sabe dizer que ando com boa cara, vovó vê e sabe, vovó não faz esperar horas, vovó anima e mima e não me leva nada por isso.

Sábado, 24 de Setembro de 2011

Sorte vossa eu ser tão boa pessoa

Não vou fazer uma review sincera, sem merdas e sem seguidismos do "É Como Diz o Outro", e não vos vou estragar a peça com observações de pessoa um nadinha, só muito ligeiramente, obcecada com continuidade. E verosimilhança. E coerência na construção de uma personagem. Que se no primeiro acto um fulano está a por sal nas batatas fritas, no segundo acto não pede ao outro para passar o sal, porque as batatas estão insonsas. (exemplo não retirado da obra em causa, que eu não spoilo.)
Não precisam de agradecer.

(2ª feira, quando estiver mais irritadinha e com o habitual mau feitio, talvez dê vazão ao meu beneno)

Sexta-feira, 23 de Setembro de 2011

Juro que isto não é uma metáfora ou tão pouco uma analogia, é um problema grave que me está a afligir

Vivo numa casota com mais de setenta anos, prédio antigo sem placa de betão, com estrutura de madeira e soalho de tábua corrida. Ora comprada a barraca apal(h)açada e ali instalada, dei conta que numas tábuas do corredor havia vida interior: os buraquitos e túneis remendados eram pouquitos, mas demonstravam bem que havia vida no pinho, ainda que envernizado. Suspirei e encolhi os ombros, que se há-de fazer, afinal serão tábuas com largas dezenas de anos, e muito bem estão elas com tal idade.

Comprei três tapetes tipo passadeira, para tapar as misérias. Depois do investimento da compra (e escritura, e sisa, e imposto de selo, e, e) não havia espaço de manobra para pensar em obras de remodelação. Papai falou em xiloféne, mas adiei. Caramba, qual é a velocidade de destruição de um parvo bicho da madeira? Não sabia nem cuidei de saber.

Passados uns anos, ai que isto está pior. Mas há coisas mais prioritárias, o pecúlio destinado a obras foi alocado a outras coisas também importantes, e arranjar o corredor era uma chatice; arrancar tábuas, afagar e envernizar, com pessoas e gata em casa era impossível. Adia-se; os tapetes cumprem a sua função, só sou confrontada com o bonito estado em que aquilo está quando se lava o tapetinho, afinal não é assim tão frequente, ahahahah, embora.

Entretanto a coisa está malzita, malzita. Finalmente compro o xilofene, e passo uma horita jeitosa de cócoras a injectá-lo nos buraquinhos, entre tábuas, por onde se possa atingir o raio da praga. Pronto. Mais uma sessão e acabo com a raça do bicho, e para o ano mudo as tábuas, que calculo serem umas cinco. Vai ser um estrago giro. E nem quinze dias depois dou pela safadeza do animal: ratou-me uma tábua, verniz e tudo, por cima! Uma área de moeda de dois cêntimos, profundidade mínima, mas o que espanta é que começou pelo verniz, tal não deve ser a sanha do maldito.

E pronto, acho que estalou a guerra.

Quarta-feira, 21 de Setembro de 2011

Tenho uma tendência para a dispersão que não é brincadeira e quase aposto que ninguém adivinhava



Jovem Izzie, nos tempos de juventude e inocência


Estava menina Izzie posta em sossego, debruando lencinhos de cambraia em delicados pontos de bordado, quando ouve um batuque tenebroso na porta de seus aposentos.
- Quem lá vem, quem perturba assim o recato e gentil trabalho de fermosa donzela?
- Abri, senhora, sou eu! Igor Malinski, assistente pessoal do Senhor Imperador do Universo e mais Além, que requer sua presença!
- Que me quer meu algoz? Não lhe basta ter-me aqui agrilhoada, porventura???
- Abri e vinde, são ordens do Senhor Supremo da Galáxia e Tudo o Resto!
- Pois sim - anui por fim a nossa heroína, abrindo a porta e logo sentindo o odor pestilento do imundo servo de tão altíssimo senhor.
- Segui-me, senhora!
E seguiu-o, por entre corredores estreitos e fétidos, inundados da mais ascorosa podridão, pintados da mais repelente e viscosa humidade. O intenso cheiro a enxofre e outros violentos odores, exalados pelas paredes e ignóbeis criaturas que ali rastejam, quase fizeram tombar Izzie que, agarrada a seu lencinho de fina trama, em boa hora polvilhado da mais suave água de colónia, corajosamente enfrentou o caminho.
Chegados aos aposentos daquele que a exigia ver, o pequeno arauto de tão nefasto senhor bateu e, mesmo sem esperar por resposta, entrou.
- Ei-la aqui, vitorioso Senhor de Tudo o que Vive e Respira e Outros Reinos Não Viventes!
- Ah, fá-la entrarrrrrr.
Izziezinha não logrou disfarçar o temor que tão tenebrosa criatura lhe inspirava, mas inundada da sublime coragem que habita nas mais profundas fibras do seu ser, encarou o demónio que à sua frente se agigantava e, temerária, interpelou-o:
- Que me quereis?
- Insolente e baixa pessoa, embora o não mereças, olvidarei a afronta de me dirigires palavra sem que te tenha autorizado a tal. Tomai, é este o teu dever: dois cortes de linho, de que talharás dois jogos de lençóis. Asinha os embainharás e bordarás, e dos panos sobejantes farás os demais atavios necessários a qualquer enxoval de cozinha. Prestai atenção: pontos seguros e bem feitos, que verificarei cada linha, cada picada de agulha. Ide, e trazei o trabalho feito daqui a dois dias.
Tomada de desespero a nossa gentil dama prostra-se aos pés de tão vil mestre:
- Tende piedade, Senhor, pensai que por vossa vontade o dia tem apenas vinte e quatro horas, tenho já um cesto de meias suas para passajar, e não é possível dar cumprimento a seus desejos em tão estreito prazo!
- Abusais de minha boa vontade, sabendo que sou ser magnânimo e atencioso: concedo-te, enfim, dez dias para o efeito, mas não falheis, reles humana, ou serás triturada com as sobras do jantar e atirada a meus mastins.
Tremeluzindo Izzie afasta-se, quase rastejando pelo peso dos avios mas também da tarefa. Oh, pensa, serei eu capaz de dar cumprimento a esta arbitrária ordem, e de molde a apaziguar o terrível temperamento de tão exigente amo?

(é o que ficaremos a saber, no próximo capítulo)


Terça-feira, 20 de Setembro de 2011

Alistem-se, realistem-se, dizem eles

Acabei de ser recrutada para uma missão prioritária top-ultra-coisa que durante trinta dias me vai garantir um stress do caraças, uma lufa-lufa incessante, um arrancar de cabelos desesperante, um corre-corre exasperante. A parte negocial da coisa consistiu basicamente nisto: é p'ra daqui a dois dias; e eu aaaiiiiiiii; pronto, daqui a um mês. Já 'tá.

Venho aqui só para me despedir da minha vida pessoal, das noites a ver séries, dos fins de semana a anhar, dos livros que ainda ia começar este mês, do que ia terminar, aquele projecto das horas livres em que me ia meter, os cursos que andava a pesquisar, a gola em tricot que ia começar, o xaile em crochet que ia finalizar, e, finalmente, da minha sanidade mental, do sorriso ao fim do dia, das horas de almoço descansadas, e da relativa paz de espírito.

Do blog? Nã, não querias mais nada. Visto que mesmo que as comece a tomar já, as vitaminas não batem antes de 30 dias, conto continuar a vir aqui destilar venenos, desabafar frustrações, gritar impropérios, vomitar palavrão e agitar piretes. Portanto, e no que a este espaço respeita, tudo na mesma, como a lesma. Mas em mais malcriadinho e furioso.

Segunda-feira, 19 de Setembro de 2011

Ena, que a semana começou em cheio

E já nem sei para onde me virar. Upa, upa, a desfazer no nome do blog, mas contrariada.
E agora, a uma actividade radical, daquelas muito ya-bueda-méne: ir ao hiper sem lista de compras. Uuuu-huuuu. Não é para meninos.

(estou demasiado cansada para fazer lista, é o que me lembrar e quero lá saber se passo o resto da semana a sandes e iogurtes)

(oh, oh, por isso é que és goooorda)

(fruta e iogurtes, pode? pode.)

Sexta-feira, 16 de Setembro de 2011

Must Have

Sossego.
A começar já a seguir, por dois dias. Parto a fronha a boicotadores.

O problema das magras

Devia estar no plural, o título; os problemas das magras, assim é que é, que são vários; mas hoje sinto-me particularmente bem e vou só cascar num, a saber, o estarem sempre a guinchar que estão gordas.

Agora noutro parágrafo, em destaque: as magras têm o irritante hábito de se queixar que estão gordas. E como costumam ser pessoas que estão bem consigo próprias, a sua auto-estima, e a relação entre a necessidade de se alimentar e o apetite que as acomete, não se coibem de o afirmar em frente de seja quem for, inclusive pessoas que de facto estão ou sempre foram efectivamente gordas, e que, vai-se a ver, até sofrem com isso.

Agora vinha alguém extremamente simpático dizer lá estás tu, com  esses nhenhenhé, e na volta és deslumbrante e curvilínea, sim, mas nada gorda. A essas pessoas (uma, pelo menos? não? olha, fuck you), parem de ler aqui. Ide embora, mantende o sonho, essa imagem. Adeus. As outras, podem seguir.

Como sou adepta dos eufemismos, qualifico-me de rechoncha, mas a verdade é que sou badocha (outro eufemismo), i.e., gôda (assim é mais carinhoso). Índice de massa corporal superior a 25, logo, excesso de peso. Barriguinha, anquinha, rabiosque, pernoca, tudo embrulhadinho em banhoca. E da boa, que daqui não sai, daqui ninguém a tira. Este metro e sessenta e oito que eu sou já esteve pior, sim, já pesei 85 quilos. Foi na altura em que comia tudo o que me apetecia. Se apetecia sobremesa, avante; se apetecia cheeseburguer, bute; se apetecia cola-cola, ia mesmo da normal. Um dia caí em mim e iniciei uma dieta do caraças, que consistiu em fechar a boquinha e não asneirar. Ao longo de dezoito meses passei muita fominha e perdi vinte quilos. Entretanto, fiquei boa, mas assim mesmo boa. Mentira: boa estava eu com 27 anos e 57 quilos, e anémica, e doente. Mas estava boa. Com 64/65 quilos fiquei boazinha, e até vestia bikini e tudo. E depois passei à fase de manutenção, na qual não comia tudo o que me apetecia, mas reintroduzi, esporadicamente, cenas que tinha abolido. Upa aos 68 quilos. Eh, não faz mal, ao menos não ando sempre cheia de fome (já comia acompanhamento ao jantar - não, salada não é acompanhamento). Depois inscrevi-me num ginásio e achei que não fazia mal comer batatas fritas uma ou duas vezes por semana: 72 quilos. E por aqui ficámos, presentemente já sem as batatas fritas (vá, uma vez por mês, se muito), e mais três menos três quilos, cá continuamos (neste preciso momento é mais três. em duas semanas, chamem o guiness). Não bebo refrigerantes com açúcar, praticamente não como fritos, manteiga é raro, pão é que não mo tirem, olha lá, um choc por semana é o mínimo e está garantido na minha declaração de direitos de moi. Gosto de pizza, vão-se lixar, uma vez por semana não é assim tanto, bolinho de vez em quando e se comesse todos os que se riem para mim já tinha era 95 quilos. Privo-me, apesar de não passar fome. Muita. Que almocei bem (1 porção de hidratos, 1 porção de proteína, o resto legumes pouco calóricos, é isto que costumo comer ao almoço) e já estou com um ratinho.

E pronto, eis la badoche. E queixam-se as magras: um dia depois de enfiarem um pudim no bucho já estão na casa de banho a mirar o traseiro, a afirmar a todos que têm de fazer dieta, estão umas lontras, sentem as calças mais apertadas. Nos entretantos, as verdadeiras foquinhas abastecidas de carnes e tecido adiposo mastigam a sua bolachinha de cartão prensado, acompanhada por um copinho de água, e pensam que até é uma sorte estarem de dieta e não terem força para estrangular aquela cabra.

Embrulha

Quando escrevi este post estava mesmo a pedi-las e o universo, que me castiga frequentemente e tem mão pesada, fez-me reparar, há pouco, na etiqueta do casaquito zara (com dois anos, já é vintage?) que hoje vesti: Made in Bangladesh. É para aprenderes.

Quinta-feira, 15 de Setembro de 2011

Ando tão fartinha de tudo em particular e de nada em geral

E irritadiça também, isso talvez se deva ao facto de ontem ter produzido p'a caraças (eu sei que também postei e comentei muito, ambas não são incompatíveis; hoje, por exemplo, ainda não dei uma para a caixa either way, e não é com este post que vou mudar a tendência) e hoje estar aqui a anhar com um monte de fios embaraçados a que não consigo encontrar uma ponta, e pouco falta para ir buscar uma tesoura e fazer um estrago louco.

Mas outra coisa que me deixou à beira da apoplexia foi uma reportagem que li hoje na Visão enquanto pequen'almoçava, a saber, sobre a fraude (copianço) académica. Ora que se copia imenso na faculdade, contem lá novidades, e não me lixem que eu venho da catedral do copianço, a saber, direito. Por acaso tenho cá pr'a mim que se nos exames não nos questionassem a algo cuja resposta se pode encontrar na nota de rodapé nº141 da página 128899344 do manual do senhor professor doutor (por extenso mas em minúsculas, propositadamente), se calhar não se copiava tanto. Olaré, o aluno de direito demonstra que está bem acordado para a vida ao conseguir reduzir manuais inteiros em cábulas minúsculas. Se por lá quisessem que a gente pensasse ou aprendesse para aplicar os conhecimentos a hipóteses da vida real, não havia copianço que valesse, a malta tinha mesmo que puxar pelo neurónio; mas aquilo é a capital do empina-e-debita,  e tanto assim é que acho que só aprendi alguma coisa de jeito e para que servia a porra do curso e do direito quando comecei a trabalhar.

Tergiverso: o artigo versava principalmente sobre copianço e fraude em teses, de mestrado e doutoramento. Ora batatas, vivem onde? Isto é o reino da saloiada, só agora se começam a descobrir estas coisas graças à internet e abertura ao exterior; isto sempre se fez. Conta mamãe que era muito usual, antes do 25.04, haver professores doutorados com belas (ou não) traduções de teses estrangeiras. E ninguém desconfiava, queres ver. Não, ninguém levantava cabelo pela mesma razão que hoje também pouco se agitam as águas: se ponho este a nu ainda vem alguém que me arranca a roupinha do corpo. Isso e fazer teses com investigação feita por alunos, ou trabalhos destes sobre, coincidência, os mesmos assuntos.

Já estava muito enervadinha e a tremelicar a fatia de pão com nutela o muffin integral de farelo e sem açucar, quando fiquei pior: afirmava o senhor professor Costa Andrade, excelso (a sério, sem ironia, é mesmo bom) penalista e docente universitário, que certa vez lhe deu um dejá vu a ler uma tese: um ou uma aluno/a tinha copiado páginas e páginas de escritos deste professor. Para além do arre qu'é burro que logo me ocorreu, fiquei varada com o que se segue: o senhor professor denunciou a situação? Népia. E assume! Assume que não fez queixa, nada! Ora caralhinho. Ca-ra-lhi-nho, sim. Não me venham com merdas que ptché, há gente muito desonesta, que até é verdade que há; mas se os deixam ser, se lhes fazem vista grossa, se um jurista eminente, e logo na área do direito penal, nada faz, que mensagem é que isto passa? Que é um comportamento aceitável, e nada grave. Caralhinho, sim?

E pronto, fiquei arreliadinha para o resto do dia. Apesar de assumir que usei algumas cábulas para me licenciar (não, ia decorar a sebenta de Finanças Públicas, ou de Relações Económicas Internacionais, essas monumentais perdas de tempo, essas excrescências, esses tachos para indivíduos comporem o rendimento a dizer que ensinam numa universidade), e era uma menina, comparada com alguns e muitos, acho que um gajo mestrar-se ou doutorar-se com trabalhos comprados, ou copiar sem mencionar fontes, é coisa de bradar aos céus. Tudo citadinho, faz favor, haja respeito pelo trabalho alheio. O que não sei é se, em precisando, alguma vez me darei ao trabalho de citar o Prof Costa Andrade. Pelos vistos, para ele é igual ao litro. 

(desclaimer: sei que há muitas excepções, que há professores e investigadores muito sérios e sabedores, e que até - o atrevimento! - perseguem e punem estes comportamentos. decerto fazem exames onde se apela à inteligência e capacidade de raciocínio, e não pedem que se despeje sebentas de forma acrítica, e se assim for, kudos.)

Quarta-feira, 14 de Setembro de 2011

Vantagens de não ter filhos

- ser a prioridade na vida de alguém (a minha);
- não ter de explicar nada sobre o funcionamento de nada (e, pior, sem inventar);
- não fazer ideia do que vai ser o jantar e don't give a fuck about it;
- o dinheiro do colégio é meu;
- lá em casa pragueja-se;
- e fuma-se;
- excepto no quarto;
- e no escritório, que é ao lado do quarto;
- pronto, fuma-se na cozinha e na sala;
- os filmes de animação são vistos na versão original;
- os legos e action figures vão durar anos sem mazelas,
- os livros estão inteiros e só com os bonecos originais;
- é raro a gata vomitar;
- e vai à casa de banho sem assistência;
- há períodos de silêncio;
- sim, silêncio;
- admitam, já não sabem o que é;
- conseguimos ver seja o que for até ao fim;
- estava aqui o dia todo;
- e amanhã ainda continuava a lista;
- já sei que o amor de filho blablablá e o cheirinho de um bebé;
- depois do banho, só se for, o resto do tempo cheira a cocó-xixi-baba-vómito;
- já sei que sou má pessoa e desnaturada;
- não sei se mencionei, mas nunca mudei uma fralda;
- há uma certa inocência associada que detestaria perder;
- e sim, hei-de morrer sozinha, abandonada e triste, sem ninguém que me escolha o lar mais barato do mercado.

É recorrente, muito habitual, extremamente corriqueiro, e pode suceder várias vezes no mesmo dia

Socorro, a minha imaginação não me deixa trabalhar.

Parece impossível, um milagre, até

Mas são estas horas e ainda não me ocorreu qualquer assunto que apetece partilhar com os pobres desgraçados que aqui fazem o favor de passar. Uau.

Entretanto, e porque há quem debata questões sérias, fulcrais, urgentes, aviso que aqui se desenrola uma mesa redonda blogosférica subordinada ao tema Pastel de Nata ou Pastel de Belém? Há comentadores que, como é esperado da oposição divisionista, derivaram para assuntos como Comer à Colherada ou Comer à Dentada (claro que é à dentada, só uma oposição completamente desligada da realidade governativa pode sugerir políticas absurdas e ruinosas como as da colherada), e algumas almas boas que convidaremos para a próxima coligação sugerem pastelarias onde se pode comer pastéis de nata melhores que os de Belém. Força.

Terça-feira, 13 de Setembro de 2011

Sabes que corres sérios riscos de te tornares uma cat lady

Quando te cruzas com um fulano (que parecia) muito bem apessoado, a carregar uma cadeirinha-ovo com um bebé numa mão, e uma caixa transportadora na outra, e tu demoras o olhar apenas no conteúdo da caixa transportadora.

(era fofinho, era! muito fofinho.)

Já sei que isto não contribui para melhorar a minha imagem

a) Mas ela nunca foi muito boa, mesmo;
b) E escangalhei-me a rir com isto.
demotivational posters - I'M SICK OF THESE HOLOCAUST JOKES
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Ide roubar para a estrada

Que isto é um país de saloios já toda a gente sabe, mas há sempre mais um indício, mais uma prova, e aqui estou eu para demonstrar: nem há duas semanas anunciavam no jornal das oito, todos contentinhos, que a gasolina tinha baixado de preço, a fortuna de uns cinco cêntimos. Eia, imagino as manifestações de regozijo, o povo na rua, o foguetório, as filas nas bombas, com o carro, o jerrican, o biberon do bebé, tudo a atestar. Pois entretanto o litrinho já subiu esses cinco cêntimos e mais qualquer coisa, está a mais uns troquitos que o um ponto seis, e alguém diz alguma coisa, népia, claro, não tem interesse informativo. A primeira também não tinha, mas adiante, cada um tem os órgãos de comunicação social que merece, e sempre que ligo o televisor num canal generalista à hora do jantar lembro-me porque pago a têvê cabo.

Banda sonora nacional (atentai no there's nothing wrong in going nowhere, baby, but you should be going nowhere fast. )

Segunda-feira, 12 de Setembro de 2011

Maldito seja o meu sentido de oportunidade

Aos nove anitos descobriram que o facto de me sentar sempre numa carteira da primeira fila e fitar o quadro com ar muito concentrado e olhitos semi-cerrados não significava, necessariamente, que era muito interessada na matéria leccionada. Grande foi a admiração: como é que a miúda andou tanto tempo a ver mal, pois foi, que o primeiro par de ólicos veio logo com dois e meio de graduação.

Nunca me conformei a ser quatro olhos, caixa d'óculos, vidrinhos: estava atenta a qualquer evolução no campo da oftalmologia e p'raí desde os 12 anos que falava a papais em lentes de contacto. Só vieram aos 16, idade em que a miopia estabilizou o suficiente para que não tivesse de as trocar de ano a ano. Sim, pequenitos, à data não havia lentes descartáveis e as que havia eram carotas. Quinze anos de uso de lentes semi-rígidas (não das mesmas, obviamente) e começam as comichões permanentes, os piscares de olhos constantes, as lagriminhas volta e meia. Os oftalmologistas negam algum problema, mas a verdade é que não aguento a porcaria das lentes mais de quatro horitas, e passo outra vez aos zingarelhos empoleirados no nariz.

Ó desgosto: daí em diante já deposito a esperança na cirurgia, e vou aguardando que se torne um procedimento comum e seguro, e junto patacos para ele. Muitos patacos. É que como sou uma pessoa cheia de sorte, e com uma carga valente de dioptrias, distribuídas por miopia e astigmatismo, já me tinham alertado que era muito provável que o laser não chegasse. Não chegava: o prognóstico mais animador era o de inserção de lente, e possibilidade de correcção do remanescente com laser. Não foi preciso tanto, benditas mãozinhas do senhor doutor, e há cinco anos ficámos pela lentinha que, bate na madeira, me há-de ficar cá abaixo da retina até ao fim dos dias.

E não é que agora, primeira vez na história dos meus 40 anos, é féchion usar ólicos? E que até se vendem, ó estupidez olímpica, armações e lentes sem graduação, só para fazer figura? onde é que andavam os criadores desta ideia parvalhona quando eu tinha 14 anos? Hein? E, mais importante, quem é que eu posso processar?

Domingo, 11 de Setembro de 2011

Dez anos depois

- Guantánamo continua aberta e a funcionar;
- o governo americano ainda não reconheceu que práticas como o waterboarding, privação de sono e a estátua, são tortura e devem ser abandonadas;
- também ainda não foi esclarecido se pararam as operações de sequestro realizadas pela CIA, e subsequente transporte de prisioneiros para países onde podem ser interrogados com técnicas de tortura (ainda) mais agressivas;
- já morreram mais soldados americanos, nas guerras do Afeganistão e Iraque, que civis nas Torres Gémeas e Pentágono;
- apesar de não haver um número oficial de mortes de civis no Afeganistão e Iraque, não é exagerado dizer que ultrapassa em dez (se não mesmo cem) vezes o número de civis mortos nos ataques à Torres Gémeas e Pentágono;
- ainda há soldados americanos em solo afegão e iraquiano;
- nem o Afeganistão nem o Iraque são (ainda, sejamos optimistas) países com regime democrático;
- só este ano foi reconhecido aos voluntários, bombeiros, polícias que andaram no ground zero em operações de socorro, resgate ou rescaldo, a respirar as poeiras mais tóxicas das suas vidas, o direito a assistência médica gratuita e suportada pelo Estado, excluindo problemas de foro oncológico e respiratório; 
- os americanos continuam a chorar os seus mortos e para os honrar ergueram, num bonito exercício pirraço-fálico, uma torre maior que as que caíram.

Em dez anos não aprendemos nada, não fizémos nada, não evoluímos nada.

Estou aos guinchinhos como uma catraia na manhã de Natal

Ó o que mano deu a conhecer a mana, da mesma equipa que escreveu e produziu o Mundo Catita (uma das melhores séries de humor portuguesas, juro), e apresentando o primeiro super-herói português:



Quero muito, tipo já, amanhã, pode ser? Pode?

Sexta-feira, 9 de Setembro de 2011

Porque este também é um blogue féchion que fala de compras e útil, tudo ao mesmo tempo


Comprei umas calças pretas (pausa para oohhhh e aaahhhh de uma assistência si-de-ra-da com o meu sentido de moda). São as segundas que compro este ano (pausa para tchiiii e gostava de ser comá ti). Estas têm um nadico de lã na composição, as outras eram de algodão (sempre em cima das tendências) e são, basicamente, para trabalhar. Os dois pares custaram, no total, uns vinte cêntimos a menos que 50 aérios (pausa para borbulharem de inveja com a minha abastança), e vão combinar muito bem com as partes de cima que costumo usar, a saber, blusas brancas (outra pausa para admiração colectiva com a minha ousadia) e uma ou outra que tenho com cores (pausa para ponderarem este féchion statement extremo). São ambas vincadas (sou uma autêntica capa da vogue, eu) e de perna direita (da vogue amaricana, bem entendido).

Numa coisa as sacanas das calças são diferentes, além de tudo o resto (têm uns três meses de diferença, não compro nada datado, eu): a cabra da perna acaba muito, muito, muito depois da pontinha do dedão do pé. Ao que parece, os senhores dizáineres acham que quem veste o meu numbaro mede um metro e noventa e tal, pelo que se alguma leitora tiver o azar de ser uma chouricinha voluptuosa como eu, fica aqui um truque infalível para fazer bainhas em casa, sem ajudas a marcar as ditas, sem gastar os cinco aérios a mandar fazer, e ainda arranjar o que fazer ao sirão: pegam numas calças que tenham o comprimento ideal, medem a distância que vai do gancho até à bainha, e marcam as calças novas. Simples. Sem subir a cadeiras, sem arriscar ficar pinta calçuda, ou ficar a arrastar sobras pelo chão.
De nada.

Passo a vida a mandar vir e dizer mal, agora vou dizer bem (não se habituem)

Tão frágil é o meu ego e insegura a minha personalidade, que fico muito, muito contente quando há alguém com uma opinião taliqualinha (ou muito parecida, vá, com) a minha. Ainda mais se se tratar de alguém inteligente e mais bem informado que eu, que isto da idade não aumentou só a rabugice, mas também a fobia a jornais e telejornais (alguém se lembra da última notícia alegre que leu num diário, hein?).

Ora aqui a Rita, mocinha nova e fresca, mesmo lá de longe onde anda a lutar pela vida, anda sempre em cima do acontecimento, não manda bocas ou bitaites sem se informar e pensar primeiro (tomara muito jornalista ou articulista), e explica aqui o que eu já andava a dizer em círculos mais próximos, e explica-o de uma forma clarinha que tomara eu ser capaz.

Quero, portanto, dirigir a vossa atenção para o post e para o blog, já agora também para os comentários dos outros, e também meus, que diabo, onde entretanto me pus a discutir a questão dos benefícios fiscais (e, mais uma vez, a concordar muito com as respostas da Rita)
Deixo entretanto para memória futura a declaração de que, não fosse eu heterossexual, amaria Rita de forma menos conceptual e, quiçá, ainda faríamos um bonito casal (bonito da parte dela, subentenda-se).

Como apanhar um banho de multidão wannabe, ou o cúmulo da pontaria

Combinar cenas ao fim da tarde, no Chiado, em dia de féchion naite aute.
(não m'alembrei)

Já agora, serviço público: o teatro nacional faz 50% de desconto nos bilhetes para espectáculos à 5ª feira. Yay!

I did a bad, bad thing

Há um cartoon da Mafaldinha (Quino, essa enciclopédia da vida em geral) em que ela lê num livro a frase "devemos sempre seguir pelo caminho do bem", o que lhe suscita a observação de "pudera, com os engarrafamentos que há nas auto-estradas do mal!"
E eu às vezes ponho-me a matutar por que carga de água, em vez de optar pela serpenteante mas pitoresca azinhaga do bem, me dá para encarreirar em filas e filas numa estrada mais moderna mas com uma paisagem tão estéril a acompanhar.

(é pior não me sentir culpada, ou ter-me apenas arrependido de, em vez da maldade A, não ter feito a maldade B, que não me ocorreu senão mais tarde e que era muito mais divertida?)

(tenho de me esforçar a sério por ser melhor pessoa. vou tomar nota na agenda, e começo para a semana. sem falta.)

Quinta-feira, 8 de Setembro de 2011

Me life sucks

O sitiozinho, a espelunca, o estaminé onde trabalho não tem ar condicionado. E mesmo sem ter posto nariz na rua, posso afirmar que está calor. Fucking hot. Tipo, bués.
Oh, passas a vida a queixar-te, és mesmo coisinha, 'tá lá agora assim tanto calor. Ai não? Está tão quente aqui que:
- estou a pensar enveredar pela actividade (paralela) de cultivo de plantas tropicais e criação de iguanas;
- se eu trouxer uma sandes de queijo para o lanche, às cinco da tarde tenho tosta mista;
- se for uma sandes de fiambre, tenho uma intoxicação alimentar*.
Pimbas.

* não testado, mas nem arrisco.

Isto é do caracinhas

Primero episódio realizado pelo Martin Scorcese, de quem é a ideia (salvo erro), com o Steve Buscemi, esse olharudo adorável, lei seca, gangsters, éfebêis, e tudo e tudo. Eh, muita bom.

Sofro de cenas derivado a coisas

Durante um bom par (ou dois) de anos, sempre que me sentia cansada ou frustrada com a minha vida profissional, tinha o hábito de ir espairecer experimentando calças de ganga. Nessas alturas enfiava-me nas lojas que vendiam roupa o mais diferente possível do fato-macaco (i.e., roupinha totó pseudo-apresentável, coisinha e nhenhé, de senhora crescida a armar ao pingarelho e conformista, e ah vestida assim levam-me a sério) que envergo por obrigação aos dias de semana, e juro que me convencia que precisava mesmo de um novo par, ou porque não tinha ainda umas bootcut mais claras, ou direitas em escuro, ou porque este modelo aqui é que me vai fazer a deusa grega que na verdade sou cá dentro. Tenho bastantes, verdade, e para vários pesos (outra história, esta), e uso-as todas, todas. Umas mais no inverno, outras mais no verão, mas todas são alvo do meu amor e carinho. É que comprar (e usar) jeans parece assim como que um grito do Ipiranga mudo, uma maneira de reafirmar perante mim e mostrar ao mundo que me podem mastigar mas nunca me vão digerir, e que cá dentro ainda mora a fulana que mudava o mundo em conversas à mesa do café, que mandava vir de dedo espetado no ar (dirigido a todos em geral e ninguém em particular); que a indivídua que dizia 'tá mal ainda acha que 'tá mal, embora admita que se tornou de alguma forma peça da engrenagem que 'tá mal.

Bom, mas entretanto já me deixei disso, já não sinto tanto o impulso de comprar ou experimentar calças de ganga, embora ainda as use e abuse quando posso. Tornei-me crescida, vá, mais madura; sou uma mulher a inaugurar os entas, uma pessoa mais firme, mais segura de si, que sabe que enfim, coisas da juventude, e ahahahah, tinha muita graça ser refilona, mas entretanto o tempo passa e coiso, e já nem anda, não senhora!, há uns três quinze dias consumidinha de vontade de comprar umas coisas destas:

Quarta-feira, 7 de Setembro de 2011

Agora a sério: esqueçam tudo o que vos dizem, tudo o que por aí lêem

Costuma dizer-se, e eu repito, que se os conselhos fossem bons, eram vendidos. E são, e daí haver profissionais qualificados que consultamos quando temos um problema relativo a determinada área do saber. Tudo o resto é treta, bullshit, lérias, bitaites; por muito bem intencionado que esteja quem nos impinge os seus achismos.

Se há área em que qualquer achismo, por mais brilhante que pareça ou por mais enfeitado se apresente, é de uma irrelevância absoluta, é no que respeita a amores e relações amorosas. Irrelevante e relativo: há quem se louve no consultório sentimental da Maria, e há quem se ria dele e por sua vez suspire com os artigos de fundo sobre o mesmo assunto noutra revista mais bonita, por entre temas mais chiques e roupas mais caras. A forma pode diferir, mas quanto a conteúdo estamos conversados: é tudo mais do mesmo, uma colecção de lugares comuns ou relatos de experiência feita, agrupados conforme na altura interesse mais uma resposta de tipo "sim", "não", ou "talvez".

Nada contra quem partilhe a sua experiência, aprende-se muito a ouvir ou a ler os outros. Mas sem conclusões, por favor; sem juízos de valor, sem tiradas filisóficas, sem máximas de vida. A experiência dos outros só (nos) é valiosa após passar o crivo da nossa interpretação, e não a do próprio. Lê-se e ouve-se, faz-se a triagem e arruma-se a informação, e depois fazemos como bem nos aprouver. Porque esta é a única verdade: sobre relações amorosas e amores ninguém sabe nada de nada, apenas a sua própria história, o que para si resulta ou não, o que pensa ser bom ou não; e mesmo estas aquisições são sempre passíveis de actualização. E o único segredo de cada relação amorosa, de cada amor, é apenas este: whatever works, o que resulta. E isto difere de pessoa para pessoa, não há verdades universais e ufa, ainda bem que assim é, a tortura e também prazer da descoberta são nossos, só nossos.

Nem vou mais longe e dou um exemplo, o meu, que é o único que posso partilhar, e que vale o que vale. Se me fosse a fiar no que em tantos anos de vida li e ouvi, hoje não estava onde estou com quem estou. Porque o conheci e ninguém diria que sim, que era ele; porque fizémos tudo, tudo, tudo mal segundo os padrões de normalidade vigentes e aceites, porque escrevemos a nossa própria história com medo, com risco, com atrevimento, e todos os dias sou grata por isso, porque de há seis anos a esta parte vivo a melhor fatia da minha vida. Se da nossa história se pode extrair algum ensinamento? Népia. Vale para nós, só. Se somos felizes? Sim, sem dúvida; mesmo nos dias em que me apetece enfiá-lo numa barrica de ácido, esperá-lo atrás da porta armada de frigideira e faca de cozinha, não o trocava por nada nem por ninguém. Se vai ser para sempre? Sei lá eu, e nem quero saber.

Basicamente, e é este o único conselho que honestamente posso oferecer, e que honestamente podem recusar, façam o vosso próprio manual de instruções, escrevam a vossa própria história, making it up as you go along. Sigam a vossa intuição, resolvam o que há a resolver à medida que os problemas aparecem, sem fórmulas mágicas concebidas por outros, sem listas pré-concebidas. Marimbem-se para o senso comum e geral, fiem-se no vosso. Whatever works, por mais improvável ou reprovável que aos olhos alheios pareça. Caiam, levantem-se, tentem outra vez, melhor.

E, como dizia o Solnado, façam o favor de ser felizes. Ou sintam-se felizes. Ou não sejam infelizes. Sei lá, façam como melhor vos aprouver, que o que é bom é ver gente a sorrir, mesmo que não se saiba o que as faz sorrir. E o que interessa isso? Nadinha. O que é bom é sorrir.
Whatever works, e as opiniões e conselhos alheios que vão para o diabo que as carregue.

Terça-feira, 6 de Setembro de 2011

Não acreditem em nada do que por aí ouvem ou lêem

Quem vos pode dar, de bandeja de prata forrada a naperon, o segredo da relação duradoura e feliz é esta que vos escreve. Estava a guardar este manancial de sabedoria para uma futura publicação de auto-ajuda, que faria de mim a milionária que nasci para ser, mas como sou uma pessoa que só pensa nos outros, altrutísca por natureza (altruísta+artística, não é erro, que eu sei que vêm já aí hordas de invejosos apontar o dedo), decidi partilhar aqui o âmago da minha teoria revolucionária; e se quiserem saber mais compram o livro, tenham paciência, que não se freta um jacto, não se aluga compra um tailleur chenélle, não se alimenta um bulldog francês (pug é tããããão 2008) com boa vontade e amor ao próximo, apesar de eu ter tamparuéres disso.

Ora o livrinho já tem nome e tudo, e está registadíssimo, atenção suas ladronas (vocês sabem quem são, invejosas, não podem cheirar o sucesso alheio que ficam doidas). Apresento "The Good Best Wife: the Izzie System" - sim, nem vale a pena escrever em português, isto é para ser publicado em estrangeiro e depois logo se traduz para cá (visão de mercado, filhas, visão de mercado: tirei um curso e tudo, marquetingue, como se diz lá fora).

Em que consiste? Muito simplesmente, é nisto: um sistema de pontos. In-fa-lí-vel. Cada vez que as minhas queridas amigas fazem qualquer coisa por amantíssimo espoNZo, somam pontos. Se fazem pelo casal, somam pontos, mas em metade (somos a favor de uma relação paritária). Ao fim do mês somam os pontinhos e tomam pulso à saúde da relação, simples, sendo que temos a supé-espoNZa ao nível dos 50.000 pontinhos, e a não-te-ponhas-a-pau-que-passas-a-ex-espoNZa-ou-bengaleiro nos zero pontos. Passemos a um piqueno exemplo: levei calças e gravata de luz de minha vida à lavandaria: 2000 pontos. Fui buscá-las: 2000 pontos. Vou ao supermercado? 1.000 pontos (comemos os dois! lol!). Mas lembro-me de trazer o champô dele, que mencionou ter acabado? Soma 2.000 pontos. E por aí fora.

Eu sei que as minhas queridas ainda não têm experiência, e como sou muito magnânima e ciente das vossas dificuldades em atingir determinados patamares de excelência que eu já frequento há muito, as tabelas estão adequadas à realidade do casal médio, já que eu atinjo os 100.000 pontos numa semana (e depois são pelo menos três semanas de folga, cruzes, preciso do meu me-time).

Ah, já adivinho uma objecção, uma piquena dúvida: então e ele, não soma pontos? A resposta é curta e simples: não. Este é um sistema pensado e criado para a senhora da casa, convém que o vosso cavaleiro andante não saiba sequer da sua existência. Ah, mas nós partilhamos tudo, entre nós não há segredos. Não? Não, minhas queridas? Sentaide-vos aqui nesta banqueta a meus pés, enquanto bordo um paninho de loiça, e oiçam meus conselhos. Quereis mesmo abrir esta caixa de Pandora? Ter vosso possante alazão a questionar a tabela que tantos anos de estudo me consumiu? A querer que um lixo na rua ou um com licença depois do arroto valha o mesmo que lembrar-se de abastecer de minis e pizza congelada para três semanas (vide supra)? Não e não! Minhas queridas, a reciprocidade é uma cadela manhosa que não quereis acoitar no vosso santo lar, ou acordareis com as canelas roídas. Ide por mim, ide por mim.

(pré-encomendas do livro "The Good Best Wife: the Izzie System" para queroquedigamquesouumgenio@emepassemaguitaparacá.com, acompanhado de número de cartão de crédito a debitar; preços de lançamento! edição brochada: €25; edição cartonada: €35; exemplar de coleccionador, autografado pela autora; €60)

Segunda-feira, 5 de Setembro de 2011

Os meus mai'novos

Já vêm a caminho, yay!
 E nos entretantos, topei com isto e fiquei augada:
Só há usado, mas, mas, mas... acho que ainda passa o Natal cá em casa.

Sexy but not motherf#ckers

Porque não há nada mais sexy que a inteligência associada ao sentido de humor.
(andamos a rever A Bit of Fry and Laurie. tão bom que merecia uma estátua em cada rotunda, era melhor que as aventesmas que abundam por esse Portugal fora)



E a inveja que eu tenho do estado civilizacional que permite que uma coisa destas tenha sido feita no canal estatal? Não se descreve.

A moda é tãããããão eu e assim

Li numa revista de moda que o animal perinte está out e o que está in é o python luque. Ai mãe, que ralação: lá vou eu ter de arrebanhar do roupeiro closet toooooodas as leggings zebra, leopardo e tigresse que comprei, mais os blazers, incharpes, techértes e assim, que eu cá não sou de meias tintas e se está in eu compro, tudo, tudo, tudo. Como sou uma pessoa supé positiva, não fiquei deprê e a matutar no facto de ainda estar a pagar o saldo que acumulei no cartão na estação passada, fiquei hipé contente com esta mudança de tandance, que até estava precisadinha de panos do chão e agora já tenho imeeeeensos.

Entretanto, já me estou a preparar para as compras da actual estação. Python luque? Já lá estou!
Já tenho isto:
Já encomendei esta:

 Vou imprimir reeeeesmas de techertes com esta:
 E outras tantas com esta:
(anotaram? a calcinha arregaçada, colete de malha, e lencinho atado nos cantos na tola? vai fazer furor. é desta que sou fotografada para a néti)

Sábado, 3 de Setembro de 2011

E agora: fim de semana. Ou fim-de-semana?

Estive a ler por alto as novas regras do acordo ortográfico, e é oficial, estou baralhada.
Por muito que continue a escrever como sempre no meu dia-a-dia (dia a dia?), no trabalho há-de chegar o dia em que lá terei de capitular. Não há vitaminas que cheguem, caneco.

(já esta laracha, tem ali um errito. anyone?)

Sexta-feira, 2 de Setembro de 2011

A propósito podia fazer uma série de considerações de carácter generalista, pejorativo ou classista, e ainda pôr em causa as políticas de apoio social vigentes, mas era demasiado fácil e previsível, e eu até sou socialista e tudo

O Centro Comercial Dolce Vita Tejo está sempre cheio de mitras, ou é só nas poucas ocasiões em que lá vou?

E o que é que se faz a gente desta?

- Olá, tudo bem?
- Nem por isso, apanhei uma pneumonia.
- Ai que azar, e que coincidência, vê lá, eu estou constipadíssima!
- Bom, isto não é constipação, é mesmo pneu...
- Horrível, posso imaginar, que também ando que nem posso, sempre a assoar-me, ai o meu nariz, até já tenho a pele toda gretada, ando com pacotes e pacotes de lenços, e estou cheia de medo de pegar aos miúdos, que me fica a família toda de cama e aí é que é o fim, a sério, não aguento, estar doente é terrível, mas ainda ter que tomar conta dos filhos, ai, nem quero imaginar, e a tosse?, ai a tosse, parece que tenho lixa nos pulmões, imaginas?
- Pois imagino, se tenho uma pn...
- Já não sei que faça, é pastilhas, é rebuçados, é xarope, nada parece ajudar, não consigo dormir porque ou acordo com o nariz entupido ou a tossir, estou exausta, exausta, e não há meio de melhorar, ando assim desde ontem e não há aspirina que resulte, não há meio de passar, e as dores de cabeça?, ai as dores de cabeça, as dores de cabeça, ai... bom, mas e tu?
- Pois cá estou, de cama, a tomar o que o médico mandou, e...
- Realmente, é uma maçada, mas olha, está na hora de ir tomar o txinafónixkesofrotanto, que senão é outra noite em branco, as melhoras, sim?, beijinho, beijinho.
- ...

Mais um excitante dia na capital mundial do eterno tédio que é a minha vidinha



Quinta-feira, 1 de Setembro de 2011

O mercado, raisparta o mercado

Parece que foi Confúcio que disse (fui confirmar), "Escolhe um emprego que ames e nunca terás um dia de trabalho na vida".
Tretas.
Ou ao tempo a oferta era outra, ou não gostamos de fazer as mesmas coisas.


(yep, valor de mercado para os meus likes, loves e adores to do anda rés-vés o zero)

Dá-me um passanço

E dos bons, a próxima vez que ouvir alguém a dizer que parece que estamos em Novembro. OK, ontem choveu (e bem), so what? É a primeira vez, querem ver? Ainda me lembro daquelas férias, na praia, em que estive dois dias em casa, a ver trovejar (e a ler esticadinha no sofá, bem bom), ou aquelas em que eu e mate fugimos de uma esplanada debaixo de uma bátega daquelas. Tivemos um Agosto chocho, e? Acontece, chama-se natureza. Mas estão mais de 20 graus, as ruas acordaram lavadinhas e a cheirar a fresco, e já alguém se deu ao trabalho prazer de snifar longamente o aroma que se sente hoje na cidade? Hum? Quais Novembro, quais carapuça. Eh gentinha descontente (é mesmo tuga, passar a vida a lamuriar o que se tem, em vez de pensar o que se pode fazer com o que nos é dado).