Quarta-feira, 31 de Agosto de 2011

Não sou hipocondríaca, mas hoje apetece-me

É que me dói tudo, tuuuudo, os músculos dos bracinhos, ui, a articulação do braço esquerdo toda empenadinha vai já para mais de quinze dias, e há alturas em que a dorzinha muda para o cotovelo, e vai de esticar e encolher o braço a ver se ajuda e até melhora, mas ósdespois o mesmo fadário, e volta a dar murros no ar, e agora é assim um mal estar geral, umas picadas no tórax, a pancada na omoplata, pan, pan, pan, credo, e a azia, já falei da azia?, ando com uma azia constante, que neura, e mais a insónia, que não durmo nada de jeito desde sábado, e eu e a privação de sono não nos damos, fico muito afectadinha dos nervos com isto tudo, e estava bem era em casa a beberricar chazinho e a ver pepineiras na tv, até serve o goucha, ai a minha vida, sou tão desgraçadinha.

(pronto, já me sinto melhorzita)

Terça-feira, 30 de Agosto de 2011

Não é que tenha falta do que fazer, mas não me apetece

Lá por casa existe a convicção de que um bicho de estimação deve ter um nome-nome: isto de chamar Pantufa a um bichano, por mais fofo que seja, parece-me tão adequado como baptizá-lo Cadeira, Balde ou Toalha, desculpinhas a quem não concorda. Bicho que integre a família tem que ter nome-nome, ou seja, nome próprio; e, como somos um bocado parvos rigorosos, apelido também convém.

Como não estamos sujeitos às regras do registo civil, a escolha pode ser sempre mais ousada, doida, até. Não vou tão longe como alguns pseudo-famosos da praça, mas confesso que tenho um fraquinho por personagens. Oh sim, a menina felpuda-peluda lá de casa tem nome de personagem de filme: a mascarilha, o temperamento tímido quase misantrópico, a doçura que só se revela aos eleitos, tudo a ver.

O giro é quando nos pomos a inventar nomes para eventuais novos membros da família. Assim, tivéssemos nós um gato preto, seria Anakin Skywalker na infância, passando loguinho a Darth Vader na adolescência. Um cinzento? Gaius Balthar. Laranja ia ser complicado, dependeria da cara do bitxo. Preto e branco?, hum, as opiniões dividem-se. Mate insiste que se tivesse um labrador este se chamaria Marcel [Proust]: diz ele que os consegue imaginar a matutar nas coisas da vida, com ar muito sorumbático, estirados numa poltrona. Um casal de hamsters? Bela e Lugosi. Um par de coelhos? Holmes e Watson, é que vem logo à ideia. Se fosse só um? Boris. Boris Karloff, claro. Se bem que um hamster Boris também ficava bem. Só não temos ideias para canários ou piriquitos, mas como a possibilidade de fazer entrar e sobreviver lá em casa outro bicho, para além da felina soberana, é muito complicado, ainda temos tempo para pensar no assunto.

Até me sinto, sei lá, como uma ministra demissionária

Número de vezes, entre ontem e hoje, que enchi e despejei o depósito da retalhadora de papel: 4.

Segunda-feira, 29 de Agosto de 2011

Se é assim no Brasil, que fará no Bangladesh

Confesso que ouvi a notícia por alto (estava de férias, não gosto de me deprimir nas ditas), mas resumidamente parece que foi descoberta no Brasil uma fabriqueta onde se confeccionavam peças zara, e onde se trabalhava a partir de tenra idade e em horário muito elástico/ alargado. Como de costume, a Inditex veio dizer que renhonhó não tinha culpa, tratava-se de uma empresa contratada para produzir para a marca e não uma fábrica da marca.

Para além da faixa 'tá bem abelha a embrulhar o raminho de piretes do costume, e que fica sempre a matar nestas situações, agora que terminei as férias e tenho mais que razões para me enervar, cá vai alho que até parecia mal não dizer nada.

Em primeiro lugar, acredito naquela cena muito fora de moda que é a responsabilidade empresarial. Como diz? Isso mesmo, não sei termos técnicos, mas as empresas têm uma responsabilidade social, e têm o dever de saber com quem contratam e de que forma estes contratados funcionam. A partir do momento que encarrego alguém de prestar um serviço em meu nome, ou de fabricar um produto que será vendido com a minha marca, sou responsável pelas condições em que o serviço é prestado ou o produto fabricado. Ponto. A desculpinha do ah, é um outsorcing, como eles fazem é lá com eles, é velha dentro da modernidade, e não convence. Se uma empresa opta, porque é economicamente mais atractivo, encarregar uma terceira de uma determinada tarefa, temos pena, tem a obrigação de saber se a referida empresa paga as suas obrigações fiscais, se utiliza mão de obra que cumpre os requisitos legais, se cumpre normas de higiene e segurança. O fechar de olhos é criminoso, pois compactua com situações de verdadeira afronta a direitos humanos. Escudar-se no é o mercado, eles fizeram uma oferta mais competitiva e não querer saber que a tal oferta é mais em conta que a da concorrência porque não paga salários decentes, os trabalhadores não têm seguro de acidentes de trabalho, ou a empresa nem sequer celebra com eles contratos, poupando uma pipa em contribuições sociais, é ser-se irresponsável a um ponto inimaginável, ou então sabem muito bem o que se passa e simplesmente optam por não fazer caso. Venha o diabo e escolha.

Por outro lado, acredito na responsabilidade do consumidor. Para além da regulação imposta pelo Estado (e que muitas vezes não existe nos países que "oferecem" preços muito bons para a produção de determinados produtos), o consumidor deve estar ciente que as escolhas que faz premeiam ou castigam certas condutas, dizendo basta ou compactuando com situações de exploração imoral. Ora há coisas muito aborrecidas em que é preciso pensar: se na cultura ocidental nos podemos dar ao luxo de ter cinco pares de calças iguais de cores diferentes, tal deve-se ao preço atractivo das mesmas face ao nosso rendimento; e se o nosso rendimento nos permite comprar cinco pares porque não conseguimos decidir e já agora levo todas, é porque não fomos nós que as fabricámos. Simples. Se temos acesso a muito e a preços jeitosos é porque alguém, lá nuns confins que nunca visitaremos, está a trabalhar por um preço que nós nunca aceitaríamos, e que nem ao fim de um ano lhes daria para comprar cinco das tais calças que nós levamos tão levianamente.

Já sei, já sei, é fashion, e é tão bom ter taaaanto para escolher, e nós fartamo-nos de trabalhar, e nós merecemos, e nós isto e aquilo. Pior, nós habituámo-nos, e não queremos voltar ao roupeiro mínimo onde ainda sobrava espaço. Já oiço algumas objecções: ah, mas se não consumirmos [da forma voraz como temos vindo a ser habituados], essas pessoas passam a nem ganhar pouco, ganham nada! Mas não sei se será da idade ou coiso, ando ultimamente a perguntar-me se é mesmo esta a ordem natural das coisas, se tem mesmo de ser assim. E se não devíamos pensar um bocadinho na deprimência que é andar a exibir gosto e sofisticação fabricados por um meio mundo de famintos que nem sabem ler ou escrever. Incomoda-me.

E eu sei que provavelmente não conta para nada, que não fará a diferença, mas esta estação que se avizinha conto, para além de não entrar nem na zara nem em qualquer outra loja inditex, procurar ser mais comedida no que compro, e procurar comprar nacional. Ou, ao menos, fabricado num sítio onde os miúdos vão à escola e os pais ganham para os poder alimentar.

Foi bom, mas acabou-se

Até para o ano.

Sexta-feira, 26 de Agosto de 2011

Somos tão fáceis

Acabámos ontem de ver esta série:
E já andámos a charaviscar o precinho dos livros na Fnac (7 volumes a coisa de 20 euros cada? 'tá bem, abelha, ainda querem incentivar a leitura em português), e a seleccionar na amazon (coisa de 25 libras a obra completa excepto o último, mas, oohhhhhh, está esgotado! mas nós sabemos esperar. não resistimos a tentações, mas sabemos esperar.)

A série? Bem catita. É da HBO, o que costuma explicar o bom resultado, que aquilo é gente que não conta tostões na hora de produzir coisas. A chatice é se não há tostões para uma continuação, e a gente quer saber o que vai acontecer (não contem). Apenas um pequeno nada: demasiado sexo e violência, mas enfim, eu sei que vende.

Portanto, shor Jorge érre-érre Martinho, cá estamos mais dois a pagar-lhe os piquenos almoços, e kudos, que vimos os Pilares da Terra com evidente sacrifício e connosco o Ken Folhinhas não ganha nadinha. Somos fáceis, mas não vamos com qualquer um, que querem?

Quinta-feira, 25 de Agosto de 2011

Há séculos que não sou desagradável, e já estava com saudades

Não tenho nada contra o dinheiro, acho que dá um jeitão tê-lo. Também não tenho nada contra uma pessoa que tenha dinheiro se ocupar a gastá-lo: penso sempre no ensinamento da minha mãezinha, que sabiamente me dizia que os ricos têm de o gastar, senão ficam cada vez mais ricos. Mas confesso que tenho valentes preconceitos quanto à forma como as pessoas gastam o seu dinheiro, e um desprezo assumido por pessoas que têm ou sentem necessidade de mostrar que têm dinheiro e como o gastam.

Começando pela primeira situação, há que esclarecer que é democrática e transversal a todas as classes sociais. Tanto me irrita o pobrezinho ou classe média que gasta em comida processada ou pronta (caneco, hamburgueres congelados? e continhas, sabemos fazer? e batatas de pacote? hein? e salada embalada? a quanto fica a alface, ao quilo? já pensaram nisso? juízo, pá, juízo), como o ricaço que nem se sente gente se não se passear num lata carérrima, ou a tia que se sente mais pessoa por ter merdas grifadas no lombo, porque parte do princípio que nem vale a pena comprar algo dez vezes mais barato, por lhe ser indigno. Ah, o dinheiro é deles, eles têm o direito a gastá-lo no que lhes apetece e gostam! Sem dúvida, por isso não hesito em dizer que é um preconceito meu. E também tenho direito a tê-lo, principalmente quando ouço pobrezinhos e classes médias a queixar-se da conta do supermercado, ai ai, e depois ver que compram cenas perfeitamente disparatadas ou dispensáveis. Ou ricaços cheios dele, e de tralha muita boa ou cara (nem sempre ambos são coincidentes), a queixar-se que as empresas vão mal, ai e os impostos, ai e os ordenados, e ficar com uma ligeira impressão que muitos dos que para eles trabalham ganham uma merdinha ou nem têm contrato.

Quanto à situação dos que fazem gala em mostrar o que gastam e no que gastam, e que portanto têm para gastar, peço desculpinhas pela minha mania, mas não é preconceito, é desprezo perfeitamente justificado. Se calhar é snob da minha parte, mas penso logo que se trata de dinheiro novo: este tem uma tendência estranha para gostar de ir à janela arejar e dizer adeus a quem passa. Novos ricos (ou portadores de cartões de crédito com plafonds muito elásticos), arrivistas, é a etiqueta que colo logo a esta gente. E são. Mais uma vez desculpas, mas são. Como já disse supra, não tenho nada contra o dinheiro; gosto de o ter, não me importava nada de ter mais (mas ganho em trabalho honesto, claro). Dá um jeitão para coisas mais prosaicas e outras nem tanto, que todos temos as nossas manias, ambições, luxos: mas tenho mesmo que falar das minhas malas referindo-as pela respectiva marca? Melhor: tenho mesmo necessidade de falar das minhas malas? Excepção feita àquela de que gosto muito, muito, e porque calhou em conversa? Idem para sapatos, roupa, carros, seja o que for. É má criação esfregar nas caras dos ouvintes (ou, no caso dos blogues, dos leitores) a nossa abastança (real ou imaginada), o quanto temos, nem que seja de forma indirecta, mostrando o quanto compramos. Demonstra falta de senso, de sensibilidade, e é bem revelador do nível de educação de quem fala.

No mesmo saco enfio quem fala de cultura só para debitar o que compra ou leu, ou só para mostrar que tem acesso. Uma coisa é falar-se num livro/filme/série porque nos cativou ou está a agradar, para aconselhar ou partilhar a experiência com quem falamos; outra bem diferente é acenar com a obra completa do Tolstoi só para se fazer passar por hipé-culto. Aliás, quando eu era chavala lembro-me de ter frequentado muita casa que possuia na estante, muito bem conservadas porque nunca folheadas, colecções completas de Eça de Queiroz ou Camilo Castelo Branco, encadernadas a pele; e lembro também de se poder arranjar só as lombadas para compor um ambiente mais distinto na mobília de estilo. E quando falo destas pessoas que exibem inúmeros outfits, ou marcas, muitas e abundantes, só me lembro disso: um contraplacado com lombadas coladas, muito alinhadinhas, num bordô respeitável, pontuado a letrinha dourada a anunciar um conteúdo que não existe.


(disclaimer: não sou abastada nem pobrezinha, tenho uma vida desafogada para o tipo de gastos que faço ou obrigações assumidas, o que tenho vem do trabalho, as marcas das minhas cenas não são dignas de nota - acho eu - e não, não tenho inveja de quem tem cenas de marca, porque preferia usar o dinheiro noutras coisas; ainda não fui a Machu Pichu, por exemplo, e gostava de frisar o ainda.)

Quarta-feira, 24 de Agosto de 2011

Lol não define bem

Podia contar a história sobre aquela vez em que comprei uma trelinha para a gatinha, mas afinal não é preciso.


Agora não posso falar, não consigo escrever

Que se me (em)baralham os dedos e embarga a voz, sou uma cidadã que acaba de ter conhecimento dos rendimentos (declarados, é de frisar) dos honoráveis membros do nosso governo para o ano transacto, e penso (de) que tenho que ter uma conversinha com os meus pais sobre aquela treta do estuda e trabalha muito que olha, agora não me lembra o resto.

Tenho o olho esquerdo a piscar, e a mão direita a tremer.Estou muito mal, muito mal.

Segunda-feira, 22 de Agosto de 2011

E antes de ir cair para o lado, peço uma grande onda de agradecimento

A quem inventou as aparafusadoras eléctricas, bendito seja por toda a eternidade e veja o seu nome inscrito no friso dedicado aos grandes benfeitores da humanidade e, caso ainda seja vivo, invente aí também um berbequim levezinho, sem coice, e que não me faça dos braços gelatina, agradecida (não me venham sugerir os de bateria e sem fios, esses não berbequinham nada de jeito e só o fazem por pouco tempo).

Branqueador de juntas mas não só

Tenho as pontas de dedos mais caucasianas de sempre.

(é, a minha vida é esta excitação, este constante corre-corre entre tarefas interessantíssimas e que não resisto divulgar. se fosse mesmo vossa amiga, partilhava aqui o meu fantástico outfit do dia. pronto, não insistam mais, mas sem foto que eu sou montes de modesta:  havaiana, gangas revelhas, t-shirt com mais de dez anos, fita de cabelo sei lá eu e, em certas alturas, ólicos de protecção promoção aki.)

Quarta-feira, 17 de Agosto de 2011

Em contagem decrescente

Para mandar às malvas a boa educação e ligar à zon, a mandá-los ir apanhar sabonetes com a parte do corpo que não apanha solinho; de seguida, engolir o orgulho e ligar aos senhores da meo, a saber quanto é que levam e quando é que podem cá vir.

[Entre ontem e hoje, o número de vezes que o cabo perdeu sinal? Tipo, éne. Vi dois filmuchos da Miss Marple (a passar no RTP Memória) que tinha gravado em penosas etapas, calculo que umas vinte, no total. Vai abaixo, volta a ligar, avança a gravação até onde parou. Nervos.]

Férias: Round 2

Começou ontem, e a preguiça já leva uma séria vantagem.
São os últimos nove dias úteis do ano, e pretendo espremê-los da forma mais improdutiva possível. Tirando o facto de a pilha de roupa para passar se agigantar, a de roupa para lavar idem aspas, o aspirador precisar de ser passeado pela casa, o chão da cozinha exigir ser passado a pano, ter o frigorífico sem um único perecível, e ter feito uma lista de tarefas de bricolage a cumprir antes do fim das férias Natal (sejamos realistas), organizada por divisão, e que já ocupa quatro páginas A5, penso que terei um me time beeeeeem catita, que há ainda o cabelo ali entre o esfregona velha e esfregão ultra usado e áspero para tratar, unhitas para colorir, pezitos para mimar, e um livro para meiar e acabar (a alguém que já tenha lido, o Cemitério de Praga começa a fazer sentido a partir de que página? só para manter a motivação, please).

Até jazz.

Sexta-feira, 12 de Agosto de 2011

A menina é amiga, a menina deixa risota para o fim de semana

A menina não tem é culpa de ter um sentido de humor retorcido, que a faz escolher um clip que pode adequar-se mais que muito ao que podemos esperar deste governo.

Já agora, e porque os blogues também são kóltura (ahéééém), fica a ficha técnica: o programa chama-se A bit of Fry and Laurie, e é protagonizado pelo Stephen Fry e pelo Hugh Laurie, sim, o Dr. House, antes do cinismo e pronuncia amaricana.
Prestaide atenção à parte final do suquete (como diria Lauro Dérmio): não vos lembra nada? Nada? Um grupo de quatro comediantes que passaram por originais em terras lusas, menos para quem tenha visto Monty Python, estes, e o Fast Show? Hum? E agora sacam milhões à ex-golden shower share por uns anúncios muito merdosos dirigidos a um público que acha que uma careta patusca é humor refinado? Não? 'Tá bem.
Enjoy, que isto é do bom.

Vou pôr um painel solar na varanda, é o que é

Só tenho uma palavra para qualificar esta medida de aumentar a taxa de IVA sobre gás e electricidade: deslealdade. É de uma profunda deslealdade. Traiçoeira, apanha-nos a todos pelas costas, ali bem abaixo da omoplata direita, visto que o golpe não é para matar mas para debilitar a sério. Caneco, trata-se de dois bens essenciais, e sem os quais ninguém vive. Não é um refrigerante que deixa de se beber, uma televisão cuja compra se adia, uma gasolina que se evita gastar andando de transportes (que também aumentaram, e bem), é algo que todos consomem, e todos têm de consumir! No fundo, o que o Shô Victor e o governo nos estão a dizer é "comam brioche", não é?

E cá fico à espera da tal redução de despesa e medidas para emagrecer o Estado. Ah, espera, a população faz parte do conceito de Estado, e começam por nós. Está muito bem, está pois (milhares de piretes).

A minha vida é tão complicada

Se a capacidade de adaptação ao meio que nos rodeia e à mudança é o que dita a probabilidade de sucesso ou falhanço de uma espécie, aviso já que comigo a humanidade tem os dias contados. Conta-se depressa: o meu telelé faleceu subitamente, fui a correr comprar outro e, para além do desgosto de já não se conseguir comprar um de jeito por menos de cem pastéis de bacalhau, dei-me conta que o fenómeno touchscreen tomou conta do mercado (pelo menos na faixa de preços que eu estava disposta a suportar).

A minha próxima compra vai ser um reforço vitamínico, com muito ênfase no complexo B, que é bom para o sistema nervoso; e ainda mais uma caixinha de sedoxil, que às metades é muito bom para nos pôr no estado zen de I couldn't care less e todo o universo é belo e tal.

O telelé ainda não voou janela fora porque tenho amor ao dinheiro que gastei, só por isso.

Quinta-feira, 11 de Agosto de 2011

Crónicas de uma inguinorante que aprecia musiqueta

Há muito tempo que não compro uma ópera, pelo que decidi que já era tempo de acrescentar um novo títalo à minha (pequena) colecção. Eu gosto de ópera, facto. Não percebo nada do assunto, nunca vi nenhuma ao vivo e a cores (mas tenho pena), não sou a pessoa com o melhor tímpano de que há memória (há quem até avente ser um pouco dura de ouvido, como o Professor Girassol), mas gosto, gosto muito. O dramatismo, o pessoal a carpir histórias de faca e alguidar; imaginá-los a cruzar o palco com gestos grandiloquentes - adoro. E não há nada mais relaxante ou entusiasmante para levantar a moral num dia de trabalho muito chatinho e burocrático.

Assim sendo, e porque faz um calor de ananases que me faz salivar por fresquinho e procurar ambientes de ar condicionado (aqui não temos, e temos pena), ontem enfiei-me na fnac do colombo, secção respectiva. E como escolhes tu uma ópera, ó ignara, se admites não perceber nada do assunto? Simples, pelo factor arrepio. pego em duas ou três versões de uma obra, e vou ouvir. Comparo: aquela que mais me fez arrepiar a pele do bracinho e levantar os suaves pelitos do mesmo, é a escolhida.

Pois que cometi um primeiro erro: comecei por Mozart. Once you go Mozart, you can't turn back. Outro erro: não olhei para as etiquetas dos preços antes de ouvir. Resumindo: o factor arrepio ditou que escolhesse o D. Giovanni mais caro que lá estava. Tentei, arduamente, o desempate: népia. A mais cara é que era. O elenco era-me desconhecido, pelo que por aí não dava para definir preferências. Maestro idem, só conheço o Karajan que, por sinal, me pareceu bruto como casas na abertura (surpreendentemente, resulta bem em Beethoven), a de um tal Röhm (??? tinha um trema, o resto nã me lembra) tinha um som muito fraquito e cheio de estática, ganhou a versão conduzida por um senhor de sua graça Abbado. Eh, que aquilo arrepia até o serial killer mais psicopata que por aí houver disponível, capaz de apostar. Agora é arranjar as três horas disponíveis para a ouvir de seguida, alternando entre o libretto (gosto de saber o que se está a passar) e um bom livrinho. Êta coisa mai'boa.

Adenda: é este aqui, ó:
fixe, na amazon está uns euritos mais cara do que o que eu paguei (uh, raro)

Quarta-feira, 10 de Agosto de 2011

Olha que saudades do Maio de 68, hein?

Existe uma diferença assinalável entre revolta social e gatunagem desgovernada e em bando. Agora o que não entendo é a resposta mansa da policia: acabaram-se-lhes as granadas de gás lacrimogéneo? Estavam todos de férias? Estavam a remodelar a esquadra? Com franquezinha, pá, se eu fosse dona de um dos estabelecimentos que ardeu, com impostos pagos e em dia, processava o Estado por omissão até ao último penny, caraças.

(ainda volto a este assunto, quando estiver mais acordada e com o trabalho mais encaminhado)

Terça-feira, 9 de Agosto de 2011

E se me chateiam muito, ainda ponho aqui uma wishlist

Enquanto as fashionistas de serviço se descabelam com as últimas oportunidades dos saldos e as novidades da nova estação, aqui a euzinha já se considera totalmente informada sobre o que realmente interessa e o que há de novo e giro. Logo terminadas as férias actualizei-me no único site de loja que merece sempre ser visitado (duas ou três vezes por dia), que é, esclarecimento para leigos, o do ikea-ponto-pêtê.

E ai mãezinha, tanta coisa liiiinda e giiiira e que eu quero muuuuito, e que ficava a matar lá em casa, não fosse dar-se o caso de a rica choupana que alberga esta cabeça tonta (e o resto do corpinho, já agora) já não ter mais espaço onde encaixar qualquer pinchavelho. Ó inclemência. Haja esperança, ainda restam paredes. E um plano maquiavélico para mudar de sítio toda a mobília da sala, abrindo espacinho para um cadeirão?, talvez?, sim? E mais prateleiras. Para a cangalhada dos dêvêdês. E talvez um bezidróglio qualquer para compôr. E o sofá, vai em cinza escuríssimo, escuro ou assim-assim? A emoção.

A próxima visita aos suequinhos do meu heart vai ser é-pi-ca. Já ando a tomar notinhas e tudo. E ao lado: o Leroy Merlin. A sério, qual dolce vita tejo, qual caneco, as pessoas sabem lá viver.

Três semanas para me ver livre delas, dois dias para as recuperar

Olheiras, not welcome back.

Segunda-feira, 8 de Agosto de 2011

O jéte légue dos remediados

Não pregar olho na véspera do primeiro dia de trabalho.
É tudo sonos trocados, não me venham cá com mariquices de meridianos e longitudes.

Domingo, 7 de Agosto de 2011