Ando entediada. É uma condição que me atinge amiúde. Chego a um ponto de excesso de actividade e exigência laboral em que só me dá para divagar, e desejar ardentemente entregar-me a qualquer actividade fora da caixinha. Qualquer coisa serve, desde que me excite o neurónio criativo (o Abelardo). Vai daí, dou em pesquisar tudo o que seja cursinho que me possa entreter em horário pós-laboral. Como tenho interesses vagos, que podem ir desde o padrão de voo do chapim à escultura francesa no segundo semestre de 1874, não é fácil, a escolha. O único requisito sério é aprender qualquer coisa, em jeito de desafio. Acrescentar algo à minha vida, e divertir-me com isso, que para chatices já basta o resto. Mais nada. Pode até dar-me para frequentar um curso de costura, mas não desejo mais que aprender a lidar com os mistérios da máquina, com vista a fazer uns trapinhos para uso doméstico e pessoal. Não viso, obviamente, mudar de carreira para designer de moda, ou artesã de paninhos em full time. E quem diz costura diz o resto.
Ora nas minhas investigações, dei este fim-de-semana com um cursinho de escrita que me pareceu muito jeitosinho. Gosto de escrever, acho giro aprender as ditas técnicas e, quem sabe, talvez aprenda algo de interessante sobre a minha capacidade criativa nessa área. Ou não. No more, no less, nada de expectativas, a não ser a de aprender e dar que fazer ao Abelardo.
E eis que dou com estas piquenas exigências (presumo que do formador, passo a transcrever porque apesar de ter feito print screen e editado, não consigo carregar):
Para quem é
- Escritores de gaveta [e os de gavetão? e os prateleira?] que queiram mostrar e enriquecer os seus textos;
- Escritores no ativo (incluindo também publicitários, jornalistas, argumentistas) que pretendam desenvolver técnicas de escrita literária;
- Escritores preguiçosos que precisem de um empurrãozinho [lá preguiçosa sou eu, mas escritora é que é ser optimista, para não dizer irrealista].
Ó nervos. Não estou ali, e agora? Esclareço melhor, por exclusão, com o item seguinte:
Para quem não é
- Quem queira aprender a escrever sem erros, ou segundo qualquer doa acordos ortográficos [ufa, aimda bein que ixto ficô já ex-claressido];
- Quem queira aprender noções teóricas de gramática normativa, narratologia ou qualquer outra matéria [não faço ideia do que seja narratologia, o que deve ser bom, para o caso];
- Quem precise de saber como fazer relatórios, pareceres, papers ou trabalhos não literários em geral [aha! medinho, hein? medinho da concorrência?];
- Quem nunca tenha escrito nada e pretenda terapia ocupacional.
Ok, com esta ofenderam-me. Bués. Deep. In. The. Heart. Não que não esteja habituada a sentir-me excluída, sou doutorada, mas quais é os pobrema? Hum? Tem sarna, o pessoal que quer aprender só porque sim? Para passar tempo com uma actividade inteligente de que gosta, hein? E o que é isso de "quem nunca tenha escrito"? O qu'é isto aqui? Fórmulas matemáticas? Sim senhora que não vale um traque, mas vai-se a ver e uns 90% dos que aí vão aparecer com romances na gaveta mais valia terem-se dedicado a lavar escadas.
Pronto, já tive o meu momento de fúria insana, passemos agora ao ressabiamento puro, de língua de fora: não sabem o que perdem. E também, se é para passar muitas sessões a privar com um montão de """"escritores"""", a ver funcionar pessoas muito profundas, com imeeeeenso para dar ao mundo, sei lá, na forma escrita e coiso e tal; gente, enfim, muito mais interessante que eu, decerto, com mundos interiores lindos e plenos de pensamentos espiralescos e significativos, que só precisam de um empurrãozinho (muitos deles, aposto, era ribanceira abaixo), deixo-me cá ficar no meu cantinho, a ler os meus livrinhos, escritos por gente que publicou e é boa (toma!), que para andar a perder tempo e ganhar urticária à conta de resmas de wannabes já tenho a blogosfera.
Para quem é
- Escritores de gaveta [e os de gavetão? e os prateleira?] que queiram mostrar e enriquecer os seus textos;
- Escritores no ativo (incluindo também publicitários, jornalistas, argumentistas) que pretendam desenvolver técnicas de escrita literária;
- Escritores preguiçosos que precisem de um empurrãozinho [lá preguiçosa sou eu, mas escritora é que é ser optimista, para não dizer irrealista].
Ó nervos. Não estou ali, e agora? Esclareço melhor, por exclusão, com o item seguinte:
Para quem não é
- Quem queira aprender a escrever sem erros, ou segundo qualquer doa acordos ortográficos [ufa, aimda bein que ixto ficô já ex-claressido];
- Quem queira aprender noções teóricas de gramática normativa, narratologia ou qualquer outra matéria [não faço ideia do que seja narratologia, o que deve ser bom, para o caso];
- Quem precise de saber como fazer relatórios, pareceres, papers ou trabalhos não literários em geral [aha! medinho, hein? medinho da concorrência?];
- Quem nunca tenha escrito nada e pretenda terapia ocupacional.
Ok, com esta ofenderam-me. Bués. Deep. In. The. Heart. Não que não esteja habituada a sentir-me excluída, sou doutorada, mas quais é os pobrema? Hum? Tem sarna, o pessoal que quer aprender só porque sim? Para passar tempo com uma actividade inteligente de que gosta, hein? E o que é isso de "quem nunca tenha escrito"? O qu'é isto aqui? Fórmulas matemáticas? Sim senhora que não vale um traque, mas vai-se a ver e uns 90% dos que aí vão aparecer com romances na gaveta mais valia terem-se dedicado a lavar escadas.
Pronto, já tive o meu momento de fúria insana, passemos agora ao ressabiamento puro, de língua de fora: não sabem o que perdem. E também, se é para passar muitas sessões a privar com um montão de """"escritores"""", a ver funcionar pessoas muito profundas, com imeeeeenso para dar ao mundo, sei lá, na forma escrita e coiso e tal; gente, enfim, muito mais interessante que eu, decerto, com mundos interiores lindos e plenos de pensamentos espiralescos e significativos, que só precisam de um empurrãozinho (muitos deles, aposto, era ribanceira abaixo), deixo-me cá ficar no meu cantinho, a ler os meus livrinhos, escritos por gente que publicou e é boa (toma!), que para andar a perder tempo e ganhar urticária à conta de resmas de wannabes já tenho a blogosfera.
20 comentários:
ahahahah, tenho uma sugestão, porque não envias este texto lá para o tal formador?
Fartei-me de rir e tenho a certeza que ele depois de o ler ia achar era que tu até podias era dar lá umas aulinhas nesse curso...
ahahahahahahahahhahahahahahahahahahahahhahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahhahahahahhaahahahahahahahahaha
Izzie, lá porque o saber não ocupa lugar não significa que não tenha obrigatoriamente que ter uma utilidade muito concreta. tssc tessc ir fazer cursos só p'ra passar o tempo e entreter o Abelardo!!
(estás a ver o workshop na Escrever Escrever pelos vistos). Também há na Nextart, no Chiado (nunca fiz nenhum). Por acaso até percebo bem o que eles querem dizer com "quem nunca tenha escrito nada e pretenda terapia ocupacional." é que as pessoas pensam que só porque há muitos workshops, alguns baratos, sem requisitos, que eles não dão trabalho e não se é preciso ter o mínimo de vocação para os fazer.
Queres que fale com um professor da Católica que foi o orientador de um curso fabuloso que fiz para ver se ele saberá de algum curso bom?
Sou grande apologista do "nunca é tarde para começar a aprender seja o que for". Agora, ter aulas com um professor que se tem em tanta estima (vulgo, peneiras) também não me parece lá muito produtivo. Quase que mais vale ir pela via autodidática e arranjar uma tertúlia para ajudar com a motivação. Tipo "Clube dos Quase Escritores"...
a.i., nem pensar! aquilo não é um curso de humor, sei lá se não é alguém que se leva muito a sério?
SS, claro, ora essa. O saber não ocupa lugar, ocupa estantes e estantes, que por acaso estamos a re-arrumar. Sim, ocupa lugar. Gosto de aprender coisas, e não, não estou á espera de ser a nova grande romancista portuguesa.
Fuschia, bingo! Este não é barato, e eu não ia para lá para abandalhar nem fazer pouco, gostava mesmo de aprender técnicas de escrita criativa. Não é preciso querer ser escritor, pois não? Não tenho essa ambição, confesso. Nunca pensei nisso, aliás.
Teresa, este é na Escrever Escrever, um curso trimestral com uma carga horária levezinha (uma noite por semana), pelo que era ideal pour moi. Já vi cursos bem mais exigentes, longos e caros, como na Companhia das Ideias, por exemplo. Era mesmo só por caturrice, não sei se valerá a pena apostar numa coisa mesmo a sério (ou em bloguês, "à séria" :D)
Cabelo à Lua, não sei é são peneiras ou já têm apanhado gente ao engano, sei lá. Agora que eu não me considero a nova Agustina, isso é verdade :D
LOL, muito bom! Eu inscrevia-me, só por causa das tosses.
Olha, uma vez fiz um desses. Cá no Porto, com um escritor famoso da praça e tal. Fui a 3 sessões e fartei-me dos """"escritores"""" e das peneiras e das trampas. E como percebi que não ia aprender nada ali, vim-me embora e não voltei.
Tive pena, que tive. Sempre gostei muito de escrever. Mas não era aquilo que eu queria escrever.
**
mariana
Às vezes são bons, outras vezes são banhada, valem sobretudo por aquilo que aprendes a puxar por ti própria mas também ao veres as desgraças dos outros. Geralmente são uma boa maneira de perceberes que afinal não escreves tão mal assim, fazem bem ao ego. Quanto à escrever escrever, não conheço os cursos de escrita criativa mas fiz lá 2 níveis de escrita de humor. Aprendi coisas bem giras mas o melhor de tudo foi que me fartei de rir. E isso não há dinheiro que pague.
De facto o texto está cómico, mas a minha sugestão era mesmo porque além de cómico, escreves bem. De qualquer modo, conseguir escrever de modo cómico também não é para todos.
Agora uma coisa que não tem nada a ver: hoje andei a ver revistas e olhei para time out: a loja da semana adivinhe-se qual é? sempre podiam ter um bocadinho menos de descarament, não? pronto, era isto, só para desabafar (desabafei com o meu gajo, mas ele disse-me só: mas tu achas que a time out é açguma coisa assim tão boa que não fosse fazer isso??)
eia que corte feio, izinha, não se faz :P
(os teus neurónios têm os nomes mais incríveis. quando for grande quero ter um chamado Crispim)
e andar vestida como a Lisbeth?
http://www.vogue.xl.pt/moda/19-especiais-especiais/2256-volta-sempre,-estocolmo.html
(sim, sigo a Vogue no Facebook, sim)
D.S. agora já não quero, só por embirração :P
Mariana, este é pago logo por inteiro, já viste o prejuízo? Nã, assim não arrisco :/
São João, já fiz cursos na escrever ao quadrado. Um de escrita criativa que me deixou nhé, e outro de escrita de humor que idem. Se calhar não apanhei as melhores turmas, que mate fez o 1º módulo de humor e até fazia o segundo, se entretanto abrisse. Ele já vai no 3º curso, e tem adorado.
a.i., primeiro, muitos obrigados. segundo, deixei de comprar a TO. Fartei-me das asneiradas (andar debaixo, despensa/dispensa, por aí fora) e espirotozinho arrogante e hype. Os produtos são os mesmos que vêm no suplemento da visão (press release!), e nesta tenho os horários de tudo e mais alguma coisa. Olha, não m'admira nada, mas se calhar semos inbeijosas.
Red, eu????? tadinha de mim ;)
Mariana (again) Crispim é um nome lindo, e decerto tens aí um neurónio com essa graça :D
IB: a Lizbeth cagava na vogue e dava-lhes uma coça monumental ;P
(hoohahaha, as lisbeth cagava na vogue, muito bom!)
quanto à TO, eu de princípio quando apareceu irritava-me imenso com o tipo de linguagem, mas depois acabei por me habituar, ou então era por encontrar dicas tão boas quando ia visitar outras cidades, nas TO de lá, que acabei por achar que a nossa também tinha alguma coisa de jeito. Isso da Visão e press releases não fazia ideia, mas fica registado! E (repito hohohaha) sermos inbeijosas, olha, nãsê se samos, mas faz-me impressão esse tipo de "promiscuidades".
Bom, eu não percebo nada de marketing e publicidade, mas ao que julgo saber, qualquer marca ou loja que se queira lançar no mercado contrata uma agência de comunicação. Esta trata da imagem da loja ou mesmo da marca, organiza eventos de lançamento ou inauguração, e faz press releases para todos os media. O gift bag também é algo muito usado, para 'adoçar' a boca de quem convém. E é isto ;) A Visão tem um caderno que sintetiza o que se passa por aí, é normal o produto, marca ou loja da semana ser igual num ou no outro.
a lisbeth dava um tiro na Vogue! mas aqui não podemos mandar vir quanto a ser roupa para magricelas... :-)
e que tal um workshop de "escrita de blogs"? ahahahahah (é só acabar de rebolar a rir e já mordo a língua para não dizer ruindades)
Red, ainda não parei de rir. Juro.
e esse, definitivamente, não é o pior (ou melhor, se for para rir). estou seriamente assustada agora.
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