Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2011

Team Freud

Apesar de o senhor Michael Fassbender ser um excelente argumento a favor da Team Jung.
Não há direito. Ser tão bom actor que nos faz esquecer que é o (xuxu, anda cá malandro, senta aqui para a gente conversar um bocadinho) Michael, e só vermos na tela o Jung. Juro que cheguei ao fim do filme e perguntei a mate (a cine-enciclopédia lá de casa) quem era aquele actor, que me lembrava dele de outras andanças mas agora não estava bem a situar a cara. E ele muito espantado é o Fassbender! E eu aahhhhh, tipo, burra.

O filme é denso, ou seja, traduzindo por miúdos, maçador para muitos, principalmente quem não se interesse muito por psiquiatrices, psicanalices e psicologices. À saída da sala comentava um espectador, dos seus 60 anitos, que tinha muito diálogo. Ah, bom, imperdoável, não haver uma perseguição de caleches com direito a explosões nas Ruas de Viena. Fez-me lembrar a personagem do imperador austríaco em Amadeus, sobre uma peça de Mozart: demasiadas notas.

Cá por mim, adorei, adorei, adorei. Fassbender (olá marinheiro, o que faz um matulão destes sozinho por aqui a estas horas, anda cá à menina) está genial, Viggo Mortensen está do caracinhas como Freud, e até a Keira Knightley vai bem. Fucking amazing, eu sei: histriónica como sempre, mas aqui é mesmo suposto ser assim. E não faz boquinhas quando não deve, pudera, levava logo uma chapadona do Cronenberg, que não deve ser tipo para aturar parvoeiras.

Pesadas as coisas, fiquei com uma vontade de largar tudo e me deitar a estudar assim a sério, que nisto sou apenas uma amadora curiosa, mais dos senhores Freud e Jung, saber o que fez este e para onde evoluiu depois desta época retratada no filme mas, ficando apenas só por esta fase, e por muito que me custe ó Fassbender (anda cá para eu te mostrar dizer uma coisa), continuo da Team Freud.

26 comentários:

diasdetelha disse...

Quero tanto ir ver este filme que nem o estar lá a Keira me demove. Eu sou da team Freud, mas também sou da team Jung. Uma chatice, ficar assim dividida.
A Keira deve estar nas sete quintas, papel perfeitinho para a menina. Nem deve ter tido de se esforçar nem nada. Ah, quero ir ver!!

Luna disse...

o fassbender e o meu OMFG! do momento, ate me dao calores.

Fuschia disse...

Sou decididamente da Team Jung. Até ando a ler um livro sobre o senhor e foi engraçado de ver que usaram muitos pormenores verídicos no filme (a conversa de 13 horas no 1º encontro, o sonho que é contado no barco a caminho da América, etc). Mas eu que há tantos anos tenho este fascínio pelo Sr. Jung, fez-me um bocado de espécie a história das amantes, que eu não fazia ideia.

O Freud estava demais, adorei adorei adorei a personagem. Interessante escolha de um gajo tão sexy para uma pessoa que imaginamos sempre em velho. Já a Keira, fez-me mesmo muita, muita confusão aquele sotaque. Aquilo é mesmo dela ou foi para imitar "sotaque de russo a falar inglês"?

Izzie disse...

Mariana, vai ver, vai ver, é tão fixe. Fiquei augadinha para ler tuuuudo sobre estes senhores. Ai mãe.

Luna, o home é de cair, passei o filme todo a ser seduzida pelo lado negro da força, aqueles olhos, ó caraças, eu nem sou disso, mas sendo ele até me podia dar umas palmadinhas que não me importava ;P

Fuschia, não faço ideia do que divide Jung e Freud, por isso fiquei com uma curiosidade imensa. A perspectiva de Jung neste filme parece-me erradíssima, como bem lhe aponta Freud, acaba por substituir uma ilusão por outra e, digo eu, alimenta expectativas de que podemos ser melhores ou tornarmo-nos naquilo que idealizámos. Nada mais errado! Mas a cena de se envolver com pacientes, bof, péssimo. Um psicanalista que faz ele próprio transferência mais que errado é perigoso. Credo. Precisava ele de muito tratamento (já que é óbvio que a sua vidinha não o satisfaz, e vive preso no desejo de se libertar dela).
O sotaque acho que era para isso, sei lá eu...

diasdetelha disse...

Precisavam os dois de muito tratamento. Mas disseram os dois coisas com que concordo - apesar de também terem dito muita baboseira. Enfim, não se pode ser um génio 100% do tempo.
Izzie, vai ler sobre os arquétipos do Jung. Bem giros :)

SS disse...

fuck me. meti-me num curso pós-laboral e não tenho tempo para nada!

já estou a acumular os "must see" para lá do carnaval 2012.

Red disse...

estou tãããão mortinha por ir ver isso, pá. claramente team Freud, ainda que haja algumas críticas e reformulações do Jung com que concorde, mas ai, o Freud, o Freud.

Izzie disse...

Mariana, dá-me ideias, dá. Já tenho pouco que fazer (suspiros)

SS, ficam em lista de espera, também tenho muitos, deixa :/

Red, vai ver! já! fim de semana!

a.i. disse...

Também já vi, no estoril film festival (e vi o próprio do cronenberg e tudo, embora ela não tenha dito nada de jeito, explicou que era para não estragar o filme). TAmbém gostei muito e, compartilho com opinião da Izzie, mesmo estando lá a keira knightly que normalmente não suporto (quando saiu o expiação recusei-me a ver porque pensei que me ia estragar um dos meus livros favoritos), ela desta vez foi bem, porque ser histérica ali era essencial.
Quanto às teorias, nisso não me meto, porque é tema em que sou mesmo ignorante.

a.i. disse...

queria dizer "ele não tenha dito nada de jeito"

Izzie disse...

Olha que bem, viste o Cronenberg. Mate ficou augado, mas era em dia que não dava. Mate queria ir prostrar-se a pés de Cronenberg, uivando I'm not worthy.

Fuschia disse...

Bem não podes avaliar o certo ou errado só pelo filme, o Freud também lá terá feito das suas, mas não era ele o protagonista. Nenhum deles tem a verdade absoluta e de qualquer forma, normalmente quando se fala de Jung contrapõe-se sempre com Freud, ele é sem duvida a figura que teve mais peso na História.

Não conheço o suficiente de um e outro para te dar uma resposta aceitável sobre o que os afastou, mas tem certamente a ver com a importância que o Freud dava ao instinto sexual (líbido?) como motivo e razão para tudo e mais um par de botas enquanto o Jung achava que as motivações humanas eram muito mais complexas que isso. Daí surgiram os arquétipos, o inconsciente colectivo e a sincronicidade (exemplo disso, quando no filme ele conta à mulher que tinha começado a escrever acerca de um caso com um nome ao calhas de Sabrina S. e agora surgia-lhe a Sabrina Spielrein) e que na minha opinião, é o conceito do Jung que mais custa a engolir, pois já se mistura um pouco com o misticismo, o que afasta as pessoas e também, provavelmente poderá ter afastado Freud.

Espiral disse...

team Jung =)

Fui ontem ver com duas amigas (todas psicólogas, ai que lindo) e gostamos muito. Para nós também se torna interessante porque conhecemos aquilo tudo de trás para a frente.

E sim, o Fassbender também me dá calores =D

Izzie disse...

Fuschia, pois o que comento é só pelo filme. Achei o Jung muito místico, mas já estive a indagar umas coisas e tem ali umas teorias engraçadas. Freud acreditava muito na sexualidade como força de formação da personalidade, mas hoje em dia isto já se esbateu um pouco.

Espiral, olha outra Junguiana ou Junguista ;)

sem-se-ver disse...

ia dizer o que fuschia disse, donde, cheguei tarde.

beijos (ainda n vi o filme)

AnaLu disse...

Minto. A frase que me fez ganhar o dia foi: "imperdoável, não haver uma perseguição de caleches com direito a explosões nas Ruas de Viena". Muito bom!

AnaLu disse...

By the way eu também não reconheci o Fassbender

Izzie disse...

SSV, já comecei a investigar, alguma sugestão de livrinho para me instruir?

AnaLu, oh, dois elogios, uau, não mereço ;)

Bela Monstro disse...

Podes pensar que não mas sim. Para além de escreveres muito bem tens um humor dos que me apraz. Gostei mesmo do blogue.

Izzie disse...

Awwww. Depois queixem-se, se eu fico uma toleirona. Estragam-me com mimos (bigada!).

diasdetelha disse...

Hoje ia ver o Freud e o Jung à batatada, mas estava prometido ao rapaz que íamos ver antes o Ides of March. Realizador sem tomates, pá! Não era filme para ficar sem fim!

Red disse...

já fui ver, e oh *.*, tão oh *.*
(e uma bela plateia de psicólogos e psiquiatras, Geez, tanta gente da faculdade)


(e dou-te toda a razão, aquele Jung era capaz de me levar para casa e fazer-me esquecer toda a problemática da transferência e contra-transferências, aiai.).

(o que me faz lembrar que bem, estes são actores, mas ei, o próprio do querido sr. Hermann Rorschach é um belo Brad Pitt do início do século XX, oh, é só pesquisares no google images e vês logo. Pois que a psicologia tem muito de interessante, portanto!!)

Izzie disse...

Mariana, esse não vi :/

Red, podemos dividir-nos entre Freud e Jung, mas somos todas mulheres de bom gosto, da team Fassbender. Ó homem a puxar ao pecado. :D

Raquel Fernandes disse...

Jung Jung Jung!!!

Curiosamente o filme não me encantou. Serviu bem o propósito de entretenimento mas a nivél da psicanálise esperava bem mais. Julgo que se prendeu demasiado em algumas ideias pré definidas ou talvez eu esteja, como se costume, a ser excessivamente critica.

Se a Izzie é Team Freud poder-lhe-à interessar umas leituras que aqui tenho aos megas no computador. A minha tese de mestrado foi sobre "O Sonho e o Cinema" e durante um ano não fiz outra coisa senão ler do senhor.

Um beijinho

SS disse...

Já fui! yeay to me!!

Achei benzinho, mas com excecional trabalho de actores (Freud e jung). o filme ficou-se ali na dialética da psicanálise (tema que muito gosto), mas não desenvolveu mais que isso, como se fosse apenas um tratado de duas correntes distintas.

engraçado mesmo foi ter ficado sentada ao lado de um psi godinho e já pró velhote, casado também com uma psi e com uma filhota provavelmente wannabe psi que quase saltavam da cadeira de cada vez que as discussões sobre psicanálise se tornavam mais acesas! quando o filme terminou trataram de falar sobre os seus casos e experiências semelhantes :-)

Izzie disse...

Raquel, houvesse maisd tempo e muito leria do senhor Sigmund! Tema muito interesante, o da tese, sim senhora!

SS, ena, eu cá colava-me a eles e quando dessem conta tinham uma nova familiar para contar tuuuuudo sobre freuds jungues e que tais ;)