Oh mas se tivermos trabalhado muito muito muito para isso podemos achar que é 99% responsabilidade nossa, não podemos? É que se não pudermos também acabamos a acreditar que é tudo destino ou sorte ou falta dela e não arregaçamos as mangas para nada.
olha que eu sou da opinião que 90% do que nos acontece é puro acaso ou sorte, o resto esforço e transpiração. Se uma pessoa não arregaça as mangas e se põe no caminho, é claro que não acontece nada (exceptuando cunhas flagrantes e famílias muito ricas e influentes); mas o resto raramente depende da nossa vontade, empenhamento ou merecimento.
Depende. Há coisas em que a dose de sorte é maior do que a do esforço e coisas em que é o contrário. Mas mesmo assim, eu acredito que é melhor pensar que o esforço é sempre a componente mais pesada da coisa, que é para não nos acomodarmos.
O esforço é a componente mais pesada, porque dá uma trabalheira :D Mas agora voltando ao post citado: se merecemos o que de bom nos acontece, também merecemos o mau ou muito mau? Ou vamos naquela de "oh, porque acontecem coisas más a pessoas boas", que somos sempre nós? Tázaver?
Toutaver, tou. Eu não acredito nisso do karma e coiso. Mas acho, claro, que se fizermos coisas boas também aumentamos a probabilidade de que nos façam coisas boas a nós (isto soou um bocado esquisito, mas não era nada disso). Claro que também há coisas más que não merecemos, como também há coisas boas que não merecemos. Mas o merecer é que está aqui a mais, não é? Há coisas más e há coisas boas. Se não há karma nem deus nem o diabo, então não há o merecer e o não merecer. Eu acredito nas pessoas e na capacidade das pessoas de fazerem coisas boas, por si e pelos outros. E claro que me sinto muito mais inclinada a fazer coisas boas por quem sei que também faz coisas boas, apesar de tentar ser boa menina e fazer coisas boas sempre.
(depois descarrego o stress de só fazer coisas boas dizendo coisas más, nos variados cortes e costuras blogosféricos, do qual o teu estaminé é o cabeleireiro com as línguas mais viperinas e divertidas da praça)
Obrigada pela citacão! (não há cedilhas) É que estou fartinha de ver gente a dizer que não acredita na sorte e está onde está, ou onde não está, porque trabalhou muito. E eu acho certo que se trabalhe e se tenha orgulho nisso mas caramba, temos que ter sorte na vida! Há outros que fazem/fizeram/farão tanto ou mais que nós e não têm a sorte de estar tão bem. Depois há outros que se calhar fizeram muito menos e estão melhor, tiveram mais sorte. Há que trabalhar, sim, há que ter sorte, também.
"Há outros que fazem/fizeram/farão tanto ou mais que nós e não têm a sorte de estar tão bem. Depois há outros que se calhar fizeram muito menos e estão melhor, tiveram mais sorte. Há que trabalhar, sim, há que ter sorte, também."
Eu reconheço-me nisto. Já trabalhei imenso e dei o litro que me fartei, mas porque me faltou marketing pessoal e convencer-me que sou boa (diferente de me achar a melhor, apenas achar que sou boa), assim como tive percalços, hoje em dia estou a anos luz de outras pessoas da minha geração que também trabalharam, mas tiveram sorte. Ou, ok, não tiveram azares, que se calhar não é exactamente o mesmo. E eu tive-os.
Há uma coisa que também tem muito a ver com o estar bem ou estar mal: o quanto se valoriza ganhar-se bem e ter conforto material. Como sempre estive mais preocupada com estar na minha zona de conforto de trabalho e nunca fui ambiciosa - só por conhecimento - também não pus o foco nisso. Hoje em dia arrependo-me de não ter traçado mais cedo um caminho. Peço desculpa por comentário tão longo e de desabafo.
Mariana, eu também acredito no esforço e dedicação porque sim, e também acredito que devemos fazer coisas boas porque sim, e acredito nas pessoas e que o fazer coisas boas aumenta a probabilidade de recebermos coisas boas (embora não o espere, à partida).
Margarida, acredito na sorte e acaso e sou muito grata pelas sortes que já me calharam. A sério.
Polo Norte, hoje, depois de já ter roubado o post, uma amiga contou-me que a partir de Janeiro vai para o desemprego, foi "dispensada". É uma pessoa qualificada (mais que eu), esforçada e boa profissional, e não tem tido porra de sorte na vida, ou ao menos a que merece. Face a estas situações, pouco tenho a dizer (me trate por tu, que o você me envelhece horrores, e para isso já tenho cabelos brancos que cheguem :D)
Borboleta, podes desabafar à vontade. Há quem mereça mais sorte que a que tem, e se atendessemos só ao seu esforço hoje estava melhor do que está. I rest my case, já vi muito disso, bem como já estou cheia de palermas mal agradecidos a chegar sempre onde querem, sem mérito que se veja.
Não concordo nem com a teoria da transpiração, nem com a da inspiração/sorte: é tudo visto numa perspectiva imediatista. Ora, o que faz feliz um gajo? Ter a consciência de que fez de tudo para merecer as coisas boas, ou seja, ter a consciência limpinha com'um passarinho que tanto trabalhou, como procurou a sorte. É a vida...
Dizia há tempo o "meu" querido António Lobo Antunes, que os países onde o povo tem mais cultura e melhor informação (que no fundo se tenta cultivar e ter pensamentos próprios por si mesmo)não estão em crise.
Em Pt para além da crise financeira, vê-se cada vez mais a crise de valores. É gritante...
Beatriz ( a tal da terra do Pai Natal ;)) Beijinho
Paulo, consciência limpa é regra que vale para tudo, isso é! E dorme-se muito melhor :)
Beatriz, a crise de valores é cíclica. Isto pode parecer uma visão poucochinha, mas ando impressionada com a facilidade com que as pessoas quebram regras só porque são eles, e eles é que sabem. Acho que este ano vi mais gente a passar sinais vermelhos que numa década. Falta de respeito pelo próximo.
Aflito, e os Trovante nunca acabarem, e os Delfins voltarem sempre para só mais um... uma fatalidade :D
Não consigo mesmo concordar. Acredito piamente que o esforço árduo e determinado tem sempre frutos, mais tarde ou mais cedo. O trabalho também. A sorte - que eu não chamaria sorte mas sim circunstâncias - também têm de ser levadas em conta, mas não devem definitivamente guiar a nossa vida. Irrita-me profundamente comentários de "epá, ganda vida, aquele gajo tem mesmo sorte" disparados a torto e a direito por quem inveja a boa vida dos outros sem olhar ao que eles fazem e fizeram para a conseguir. As coisas não caem do céu, como muita gente parece crer.
Agora, há é que saber tomar a responsabilidade pela nossa situação, quer seja boa ou má. E não ter vergonha de ter orgulho no nosso mérito e no que conquistámos com o nosso esforço; isso não é falta de humildade, é sentimento de conquista.
Gosto mais da palavra circunstâncias que de sorte, verdade. Não sei quem disse que nós somos as nossas circunstâncias, e a verdade é que acredito muito nisto. Não quero parecer uma pessoa que se desresponsabiliza, porque não o faço. Assumo as minhas opções, mesmo que não domine as circunstâncias. Agora lembrei-me de O Estrangeiro, houve uma qualquer circunstância desconhecida que o impeliu a matar, mas ele assumiu a sua responsabilidade. Enfim, estou a ser confusa, mas sim, sou muito existencialista nestas coisas, Team Freud e o poder das motivações inconscientes e tal, Team Sartre e o poder das circunstâncias externas. Resumidamente, ninguém ganha o euromilhões se não jogar, mas para ganhar (mesmo 10 euritos) é preciso mais que jogar. Não acredito que todo o esforço tenha recompensa e que todo o mérito tenha reconhecimento, isso não.
eu ainda estou naquela fase inicial da vida em que tenho fé que se trabalhar muito e se for boa naquilo que faço hei-de chegar onde quero, boa? deixa-me viver na ilusão... ;)
O importante aqui é a palavra EXCLUSIVAMENTE. Claro que se eu não varrer a cozinha nunca vou encontrar uma moeda como aconteceu à Carochinha, mas não é por varrer que a vou encontrar, é o mesmo que o Euromilhões da Izzie. O sentimento de conquista é bom e até saudável, ninguém acha que as coisas caem do céu. Mas se achamos que se temos emprego e comida é SÓ por nossa causa, então se calhar também achamos que quem não tem é só por sua culpa. Mais uma vez repito, no exclusivamente reside o segredo.
21 comentários:
Oh mas se tivermos trabalhado muito muito muito para isso podemos achar que é 99% responsabilidade nossa, não podemos? É que se não pudermos também acabamos a acreditar que é tudo destino ou sorte ou falta dela e não arregaçamos as mangas para nada.
olha que eu sou da opinião que 90% do que nos acontece é puro acaso ou sorte, o resto esforço e transpiração. Se uma pessoa não arregaça as mangas e se põe no caminho, é claro que não acontece nada (exceptuando cunhas flagrantes e famílias muito ricas e influentes); mas o resto raramente depende da nossa vontade, empenhamento ou merecimento.
Depende. Há coisas em que a dose de sorte é maior do que a do esforço e coisas em que é o contrário. Mas mesmo assim, eu acredito que é melhor pensar que o esforço é sempre a componente mais pesada da coisa, que é para não nos acomodarmos.
O esforço é a componente mais pesada, porque dá uma trabalheira :D
Mas agora voltando ao post citado: se merecemos o que de bom nos acontece, também merecemos o mau ou muito mau? Ou vamos naquela de "oh, porque acontecem coisas más a pessoas boas", que somos sempre nós? Tázaver?
Toutaver, tou. Eu não acredito nisso do karma e coiso. Mas acho, claro, que se fizermos coisas boas também aumentamos a probabilidade de que nos façam coisas boas a nós (isto soou um bocado esquisito, mas não era nada disso).
Claro que também há coisas más que não merecemos, como também há coisas boas que não merecemos. Mas o merecer é que está aqui a mais, não é? Há coisas más e há coisas boas. Se não há karma nem deus nem o diabo, então não há o merecer e o não merecer.
Eu acredito nas pessoas e na capacidade das pessoas de fazerem coisas boas, por si e pelos outros. E claro que me sinto muito mais inclinada a fazer coisas boas por quem sei que também faz coisas boas, apesar de tentar ser boa menina e fazer coisas boas sempre.
(depois descarrego o stress de só fazer coisas boas dizendo coisas más, nos variados cortes e costuras blogosféricos, do qual o teu estaminé é o cabeleireiro com as línguas mais viperinas e divertidas da praça)
Obrigada pela citacão! (não há cedilhas)
É que estou fartinha de ver gente a dizer que não acredita na sorte e está onde está, ou onde não está, porque trabalhou muito. E eu acho certo que se trabalhe e se tenha orgulho nisso mas caramba, temos que ter sorte na vida!
Há outros que fazem/fizeram/farão tanto ou mais que nós e não têm a sorte de estar tão bem. Depois há outros que se calhar fizeram muito menos e estão melhor, tiveram mais sorte. Há que trabalhar, sim, há que ter sorte, também.
Não concordo nada.
Mas gosto de si na mesma.
"Há outros que fazem/fizeram/farão tanto ou mais que nós e não têm a sorte de estar tão bem. Depois há outros que se calhar fizeram muito menos e estão melhor, tiveram mais sorte. Há que trabalhar, sim, há que ter sorte, também."
Eu reconheço-me nisto. Já trabalhei imenso e dei o litro que me fartei, mas porque me faltou marketing pessoal e convencer-me que sou boa (diferente de me achar a melhor, apenas achar que sou boa), assim como tive percalços, hoje em dia estou a anos luz de outras pessoas da minha geração que também trabalharam, mas tiveram sorte. Ou, ok, não tiveram azares, que se calhar não é exactamente o mesmo. E eu tive-os.
Há uma coisa que também tem muito a ver com o estar bem ou estar mal: o quanto se valoriza ganhar-se bem e ter conforto material. Como sempre estive mais preocupada com estar na minha zona de conforto de trabalho e nunca fui ambiciosa - só por conhecimento - também não pus o foco nisso. Hoje em dia arrependo-me de não ter traçado mais cedo um caminho. Peço desculpa por comentário tão longo e de desabafo.
Mariana, eu também acredito no esforço e dedicação porque sim, e também acredito que devemos fazer coisas boas porque sim, e acredito nas pessoas e que o fazer coisas boas aumenta a probabilidade de recebermos coisas boas (embora não o espere, à partida).
Margarida, acredito na sorte e acaso e sou muito grata pelas sortes que já me calharam. A sério.
Polo Norte, hoje, depois de já ter roubado o post, uma amiga contou-me que a partir de Janeiro vai para o desemprego, foi "dispensada". É uma pessoa qualificada (mais que eu), esforçada e boa profissional, e não tem tido porra de sorte na vida, ou ao menos a que merece. Face a estas situações, pouco tenho a dizer (me trate por tu, que o você me envelhece horrores, e para isso já tenho cabelos brancos que cheguem :D)
Borboleta, podes desabafar à vontade. Há quem mereça mais sorte que a que tem, e se atendessemos só ao seu esforço hoje estava melhor do que está. I rest my case, já vi muito disso, bem como já estou cheia de palermas mal agradecidos a chegar sempre onde querem, sem mérito que se veja.
Não concordo nem com a teoria da transpiração, nem com a da inspiração/sorte: é tudo visto numa perspectiva imediatista. Ora, o que faz feliz um gajo? Ter a consciência de que fez de tudo para merecer as coisas boas, ou seja, ter a consciência limpinha com'um passarinho que tanto trabalhou, como procurou a sorte.
É a vida...
Dizia há tempo o "meu" querido António Lobo Antunes, que os países onde o povo tem mais cultura e melhor informação (que no fundo se tenta cultivar e ter pensamentos próprios por si mesmo)não estão em crise.
Em Pt para além da crise financeira, vê-se cada vez mais a crise de valores. É gritante...
Beatriz ( a tal da terra do Pai Natal ;))
Beijinho
Isso e os Xutos continaarem a fazer música. :|
Paulo, consciência limpa é regra que vale para tudo, isso é! E dorme-se muito melhor :)
Beatriz, a crise de valores é cíclica. Isto pode parecer uma visão poucochinha, mas ando impressionada com a facilidade com que as pessoas quebram regras só porque são eles, e eles é que sabem. Acho que este ano vi mais gente a passar sinais vermelhos que numa década. Falta de respeito pelo próximo.
Aflito, e os Trovante nunca acabarem, e os Delfins voltarem sempre para só mais um... uma fatalidade :D
Não consigo mesmo concordar. Acredito piamente que o esforço árduo e determinado tem sempre frutos, mais tarde ou mais cedo. O trabalho também. A sorte - que eu não chamaria sorte mas sim circunstâncias - também têm de ser levadas em conta, mas não devem definitivamente guiar a nossa vida. Irrita-me profundamente comentários de "epá, ganda vida, aquele gajo tem mesmo sorte" disparados a torto e a direito por quem inveja a boa vida dos outros sem olhar ao que eles fazem e fizeram para a conseguir. As coisas não caem do céu, como muita gente parece crer.
Agora, há é que saber tomar a responsabilidade pela nossa situação, quer seja boa ou má. E não ter vergonha de ter orgulho no nosso mérito e no que conquistámos com o nosso esforço; isso não é falta de humildade, é sentimento de conquista.
Gosto mais da palavra circunstâncias que de sorte, verdade. Não sei quem disse que nós somos as nossas circunstâncias, e a verdade é que acredito muito nisto. Não quero parecer uma pessoa que se desresponsabiliza, porque não o faço. Assumo as minhas opções, mesmo que não domine as circunstâncias. Agora lembrei-me de O Estrangeiro, houve uma qualquer circunstância desconhecida que o impeliu a matar, mas ele assumiu a sua responsabilidade. Enfim, estou a ser confusa, mas sim, sou muito existencialista nestas coisas, Team Freud e o poder das motivações inconscientes e tal, Team Sartre e o poder das circunstâncias externas.
Resumidamente, ninguém ganha o euromilhões se não jogar, mas para ganhar (mesmo 10 euritos) é preciso mais que jogar. Não acredito que todo o esforço tenha recompensa e que todo o mérito tenha reconhecimento, isso não.
eu ainda estou naquela fase inicial da vida em que tenho fé que se trabalhar muito e se for boa naquilo que faço hei-de chegar onde quero, boa? deixa-me viver na ilusão... ;)
(e eu gosto de acreditar que os bons são recompensados, ainda que raramente da forma que pretendem.)
O importante aqui é a palavra EXCLUSIVAMENTE. Claro que se eu não varrer a cozinha nunca vou encontrar uma moeda como aconteceu à Carochinha, mas não é por varrer que a vou encontrar, é o mesmo que o Euromilhões da Izzie.
O sentimento de conquista é bom e até saudável, ninguém acha que as coisas caem do céu. Mas se achamos que se temos emprego e comida é SÓ por nossa causa, então se calhar também achamos que quem não tem é só por sua culpa.
Mais uma vez repito, no exclusivamente reside o segredo.
Não exclusiva, mas sempre maioritariamente.
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