Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011

É tão bom (e acertado) que roubei

O cúmulo da falta de humildade é achar que o que de bom nos acontece é responsabilidade exclusivamente nossa.

Da Margarida

21 comentários:

diasdetelha disse...

Oh mas se tivermos trabalhado muito muito muito para isso podemos achar que é 99% responsabilidade nossa, não podemos? É que se não pudermos também acabamos a acreditar que é tudo destino ou sorte ou falta dela e não arregaçamos as mangas para nada.

Izzie disse...

olha que eu sou da opinião que 90% do que nos acontece é puro acaso ou sorte, o resto esforço e transpiração. Se uma pessoa não arregaça as mangas e se põe no caminho, é claro que não acontece nada (exceptuando cunhas flagrantes e famílias muito ricas e influentes); mas o resto raramente depende da nossa vontade, empenhamento ou merecimento.

diasdetelha disse...

Depende. Há coisas em que a dose de sorte é maior do que a do esforço e coisas em que é o contrário. Mas mesmo assim, eu acredito que é melhor pensar que o esforço é sempre a componente mais pesada da coisa, que é para não nos acomodarmos.

Izzie disse...

O esforço é a componente mais pesada, porque dá uma trabalheira :D
Mas agora voltando ao post citado: se merecemos o que de bom nos acontece, também merecemos o mau ou muito mau? Ou vamos naquela de "oh, porque acontecem coisas más a pessoas boas", que somos sempre nós? Tázaver?

diasdetelha disse...

Toutaver, tou. Eu não acredito nisso do karma e coiso. Mas acho, claro, que se fizermos coisas boas também aumentamos a probabilidade de que nos façam coisas boas a nós (isto soou um bocado esquisito, mas não era nada disso).
Claro que também há coisas más que não merecemos, como também há coisas boas que não merecemos. Mas o merecer é que está aqui a mais, não é? Há coisas más e há coisas boas. Se não há karma nem deus nem o diabo, então não há o merecer e o não merecer.
Eu acredito nas pessoas e na capacidade das pessoas de fazerem coisas boas, por si e pelos outros. E claro que me sinto muito mais inclinada a fazer coisas boas por quem sei que também faz coisas boas, apesar de tentar ser boa menina e fazer coisas boas sempre.

diasdetelha disse...

(depois descarrego o stress de só fazer coisas boas dizendo coisas más, nos variados cortes e costuras blogosféricos, do qual o teu estaminé é o cabeleireiro com as línguas mais viperinas e divertidas da praça)

margarida disse...

Obrigada pela citacão! (não há cedilhas)
É que estou fartinha de ver gente a dizer que não acredita na sorte e está onde está, ou onde não está, porque trabalhou muito. E eu acho certo que se trabalhe e se tenha orgulho nisso mas caramba, temos que ter sorte na vida!
Há outros que fazem/fizeram/farão tanto ou mais que nós e não têm a sorte de estar tão bem. Depois há outros que se calhar fizeram muito menos e estão melhor, tiveram mais sorte. Há que trabalhar, sim, há que ter sorte, também.

Pólo Norte disse...

Não concordo nada.

Mas gosto de si na mesma.

Borboleta disse...

"Há outros que fazem/fizeram/farão tanto ou mais que nós e não têm a sorte de estar tão bem. Depois há outros que se calhar fizeram muito menos e estão melhor, tiveram mais sorte. Há que trabalhar, sim, há que ter sorte, também."

Eu reconheço-me nisto. Já trabalhei imenso e dei o litro que me fartei, mas porque me faltou marketing pessoal e convencer-me que sou boa (diferente de me achar a melhor, apenas achar que sou boa), assim como tive percalços, hoje em dia estou a anos luz de outras pessoas da minha geração que também trabalharam, mas tiveram sorte. Ou, ok, não tiveram azares, que se calhar não é exactamente o mesmo. E eu tive-os.

Há uma coisa que também tem muito a ver com o estar bem ou estar mal: o quanto se valoriza ganhar-se bem e ter conforto material. Como sempre estive mais preocupada com estar na minha zona de conforto de trabalho e nunca fui ambiciosa - só por conhecimento - também não pus o foco nisso. Hoje em dia arrependo-me de não ter traçado mais cedo um caminho. Peço desculpa por comentário tão longo e de desabafo.

Izzie disse...

Mariana, eu também acredito no esforço e dedicação porque sim, e também acredito que devemos fazer coisas boas porque sim, e acredito nas pessoas e que o fazer coisas boas aumenta a probabilidade de recebermos coisas boas (embora não o espere, à partida).

Margarida, acredito na sorte e acaso e sou muito grata pelas sortes que já me calharam. A sério.

Polo Norte, hoje, depois de já ter roubado o post, uma amiga contou-me que a partir de Janeiro vai para o desemprego, foi "dispensada". É uma pessoa qualificada (mais que eu), esforçada e boa profissional, e não tem tido porra de sorte na vida, ou ao menos a que merece. Face a estas situações, pouco tenho a dizer (me trate por tu, que o você me envelhece horrores, e para isso já tenho cabelos brancos que cheguem :D)

Izzie disse...

Borboleta, podes desabafar à vontade. Há quem mereça mais sorte que a que tem, e se atendessemos só ao seu esforço hoje estava melhor do que está. I rest my case, já vi muito disso, bem como já estou cheia de palermas mal agradecidos a chegar sempre onde querem, sem mérito que se veja.

Paulo de Abreu e Lima disse...

Não concordo nem com a teoria da transpiração, nem com a da inspiração/sorte: é tudo visto numa perspectiva imediatista. Ora, o que faz feliz um gajo? Ter a consciência de que fez de tudo para merecer as coisas boas, ou seja, ter a consciência limpinha com'um passarinho que tanto trabalhou, como procurou a sorte.
É a vida...

Anónimo disse...

Dizia há tempo o "meu" querido António Lobo Antunes, que os países onde o povo tem mais cultura e melhor informação (que no fundo se tenta cultivar e ter pensamentos próprios por si mesmo)não estão em crise.

Em Pt para além da crise financeira, vê-se cada vez mais a crise de valores. É gritante...

Beatriz ( a tal da terra do Pai Natal ;))
Beijinho

Aflito disse...

Isso e os Xutos continaarem a fazer música. :|

Izzie disse...

Paulo, consciência limpa é regra que vale para tudo, isso é! E dorme-se muito melhor :)

Beatriz, a crise de valores é cíclica. Isto pode parecer uma visão poucochinha, mas ando impressionada com a facilidade com que as pessoas quebram regras só porque são eles, e eles é que sabem. Acho que este ano vi mais gente a passar sinais vermelhos que numa década. Falta de respeito pelo próximo.

Aflito, e os Trovante nunca acabarem, e os Delfins voltarem sempre para só mais um... uma fatalidade :D

D.S. disse...

Não consigo mesmo concordar. Acredito piamente que o esforço árduo e determinado tem sempre frutos, mais tarde ou mais cedo. O trabalho também. A sorte - que eu não chamaria sorte mas sim circunstâncias - também têm de ser levadas em conta, mas não devem definitivamente guiar a nossa vida. Irrita-me profundamente comentários de "epá, ganda vida, aquele gajo tem mesmo sorte" disparados a torto e a direito por quem inveja a boa vida dos outros sem olhar ao que eles fazem e fizeram para a conseguir. As coisas não caem do céu, como muita gente parece crer.

Agora, há é que saber tomar a responsabilidade pela nossa situação, quer seja boa ou má. E não ter vergonha de ter orgulho no nosso mérito e no que conquistámos com o nosso esforço; isso não é falta de humildade, é sentimento de conquista.

Izzie disse...

Gosto mais da palavra circunstâncias que de sorte, verdade. Não sei quem disse que nós somos as nossas circunstâncias, e a verdade é que acredito muito nisto. Não quero parecer uma pessoa que se desresponsabiliza, porque não o faço. Assumo as minhas opções, mesmo que não domine as circunstâncias. Agora lembrei-me de O Estrangeiro, houve uma qualquer circunstância desconhecida que o impeliu a matar, mas ele assumiu a sua responsabilidade. Enfim, estou a ser confusa, mas sim, sou muito existencialista nestas coisas, Team Freud e o poder das motivações inconscientes e tal, Team Sartre e o poder das circunstâncias externas.
Resumidamente, ninguém ganha o euromilhões se não jogar, mas para ganhar (mesmo 10 euritos) é preciso mais que jogar. Não acredito que todo o esforço tenha recompensa e que todo o mérito tenha reconhecimento, isso não.

Red disse...

eu ainda estou naquela fase inicial da vida em que tenho fé que se trabalhar muito e se for boa naquilo que faço hei-de chegar onde quero, boa? deixa-me viver na ilusão... ;)

Red disse...

(e eu gosto de acreditar que os bons são recompensados, ainda que raramente da forma que pretendem.)

margarida disse...

O importante aqui é a palavra EXCLUSIVAMENTE. Claro que se eu não varrer a cozinha nunca vou encontrar uma moeda como aconteceu à Carochinha, mas não é por varrer que a vou encontrar, é o mesmo que o Euromilhões da Izzie.
O sentimento de conquista é bom e até saudável, ninguém acha que as coisas caem do céu. Mas se achamos que se temos emprego e comida é SÓ por nossa causa, então se calhar também achamos que quem não tem é só por sua culpa.
Mais uma vez repito, no exclusivamente reside o segredo.

Herético disse...

Não exclusiva, mas sempre maioritariamente.