Sexta-feira, 17 de Maio de 2013

Enerva-me tanto, e se eu ando enervadiça

Não, o casamento não é gay. A adopção também não é gay, tal como um contrato não é gay e, já agora, uma porta ou uma parede também não o são. O casamento é (ou pode ser) entre pessoas do mesmo ou de sexo diferente. A adopção é feita (ou pode ser, ou será, que eu sou optimista) por uma pessoa singular, ou por um casal, sendo que esse casal pode ser formado por pessoas do mesmo ou diferente sexo.
Não é apenas semântica: é a fina linha que separa um princípio de conversa séria da caixa tablóide. Digo eu.

(já agora, que ainda não li uma notícia de fio a pavio, mas o que me parece foi aprovado não é adopção por um casal do mesmo sexo, mas a extensão aos casais do mesmo sexo daquilo que já era reconhecido a casais de sexo diferente, ou seja, a possibilidade de adoptar o filho - biológico ou adoptivo - do cônjuge. baby steps, eu sei, mas continuo a achar inconstitucional vedar, por princípio e genericamente, a adopção por casais do mesmo sexo: é a restrição de um direito devido a uma característica como a orientação sexual, o que é tão discriminatório como impedir a adopção por casais de cores de pele diferentes. a questão do interesse da criança é vista caso a caso, sempre, e é em cada caso particular que se deverá aferir se determinado casal deve ser admitido à adopção e, em caso afirmativo, determinar se a criança A ou a criança B se adaptarão a tal casal. claro que se o casal é composto por um membro verde e outro amarelo, e a criança é lilás, não pode ser: não combina e o colour block já não é tandance.)

Cabeça no ar

Ontem pode ter sido um dia trabalhisticamente horrendo (o de hoje não está melhor), mas foi ornitologicamente muito interessante: vi, a voar, duas aves exóticas, ali entre o periquito e o papagaio, uma ave de rapina e um pato. Lisbon geographical, indeed.
Gota muito p'sarinhos. Muito.

Quinta-feira, 16 de Maio de 2013

A minha vida é um terreno baldio de terra argilosa seca, que serve de vazadouro clandestino para entulhos e outros lixos nojentos, ladeado por um regato feito de esgotos de um aviário e uma criação de porcos nunca visitados pela inspecção de saúde, onde pululam os germes mais infectos

Era só isto.

(não sou nada uma drama queen, sou uma pessoa com uma visão muito especial da realidade)

Devia era ter seguido a aliciante carreira de rainha da sucata, que lixarada é o que não me falta

E aquelas vezes em que tens um trabalho para fazer - dois, na verdade - mas adias o mais que podes, que cada vez que olhas para aquilo e te lembras de quem são os abestalhados fregueses em causa tens assim como que um vómito, um arrepio de repulsa, uma vontade súbita de fazer uma busca pelo google por "hitman/ sniper nice price two for one" ou vá, seres empreendedora e dares os primeiros passos pelo serial killerismo?

E aquelas situações em que herdas trabalho de outros colegas, e não há maneira de te esquivares com um não, obrigada, já almocei, e se chegares fogo à papelada é provável que alguém descubra e depois é um sarilho, mas nunca um sarilho pior que aquela resma de disparate pegado já está, e que se o anterior colega se tivesse importado, visto a coisa com olhos de ver, se dado ao trabalho, não tinha chegado aos pontos de loucura pegada a que chegou?

Eh pá, juro, não fosse o poder profilático do chocolate já estava presa, internada, ou ambas.

Quarta-feira, 15 de Maio de 2013

Aqui entre nós

Desde o célebre episódio em que contemplou e elogiou o semblante plácido de um grupo de vaquinhas que tenho esta intuição: o homem anda a chocar uma bela demência senil ou, quiçá, quiçá, apanhou uma pontinha de alzheimer.
Nossa Senhora lhe valha, de facto.

Terça-feira, 14 de Maio de 2013

Em verdade vos digo

Sou do cepórtem porque senhora minha mãe me inscreveu nesse clube, em aulas de ginástica, no tempo em que a opinião dos filhos pequenos não contava para nada. Mais tarde, quando, ao que diziam as leis maternas, a minha preguiça não era regra a ter em conta, também lá fiz natação. Era mais natacinha, quando passaram para a pocinha de auga que era a piscina do Campo Grande, mas adiante. Depois, chegada à idade em que já não era levada e trazida pela progenitora, emancipei-me e deixei-me de vez de desportos extra-curriculares, aleluia.

Na idade em que se pergunta aos pais de que clube são, mamã respondia cepórtem, acho que como estratégia para nos fazer amar o clube onde nos conduzia umas três vezes por semana. Papá afirmava-se do benfa, porque era lisboeta. Verdade seja dita, acho que papai nunca entrou em estádio nenhum em dia de jogo, e muito menos os via na tv. Mudava de canal, até. Só o telejornal era sagrado, naquela casa.

Eu e mano ficámos assim indiferentemente do cepórtem, apesar de mano ainda ter nadado no benfa. Mano também não vê bola. Vê pouco, vá, talvez algum jogo da selecção; eu, nem isso, e pais idem. Para além do Jordão e Manuel Fernandes, os cromos mais difíceis de uma colecção de puto-mano, nunca soube de cor qualquer nome do plantel. Coisas. Depois de ter estado (tempo demais) com um doente da bola, agora tive a fortuna de encontrar um tipo que nem clube tem. Verdadinha. Diz só que nunca seria benfa, porque ouve a palavra e cheira-lhe logo a couratos muito passados. 

E fujo de jogos: acho uma seca, hora e meia com 22 macacos a brincar na relva. Se-ca. Nem a selecção me comove: são só outros 22 macacos. Nem mesmo quando cá se fez o euro (ou mundial, nunca me lembro) abri excepção: a única coisa que me importava era saber onde eram os jogos, a ver se não calhava ir para a segunda circular apanhar com malucos no trânsito. Ou para o Rossio, onde os adeptos estrangeiros andavam a fazer figurinhas, embriagadíssimos.

Há uma coisa boa, nisso dos jogos muito importantes: é uma altura bestial para ir ao hipermercado. Maravilha, é tudo nosso. Tenho com o futebol uma relação muito parecida com a que tenho com a fé: não acredito, não aprecio, e é quando está tudo na missa que se anda bem na praça.

Concluindo, não me levem a mal não estar toda em pulgas com jogo algum, ainda que seja um dos "nossos" contra outros, quero lá saber. Não quero mesmo saber, não torço por ninguém, não nada. É como a minha relação com Deus: não conheço, no que me diz respeito, não existe. E se por acaso me vem um adepto armado em Testemunha de Jeová eu faço o ar mais depravado possível e, se necessário, até me afirmo adoradora de satã para o ver fugir. Chô.

Dito isto, até me dava jeito saber de que horas a que horas é o jogo, que tenho umas porcas e parafusos para aviar, e nessa altura é que se deve estar bem no Leroy Merlin. 

Segunda-feira, 13 de Maio de 2013

É que nem sei por onde começar

Ouvido à hora de almoço: "Sabes que já não existe a Rua do Ouro? Agora chama-se Rua da Áurea".

[O que me choca não é a ignorância, que felizmente é mal que tem cura, nomeadamente num dicionário, que evidentemente não foi consultado. O que me choca é alguém nem saber ler a placa devidamente (tira o "da", filha), ou achar normal que uma rua do centro histórico, da Baixa pombalina, possa ter mudado de nome, e não ter sentido crítico que a impulsione a pesquisar sobre tamanho fenómeno.]

Desisto, arrumo as botas, atiro a toalha

Vou fazer uma longa pausa de policiais escandinavos, que isto de a menos de meio do livro já estar mesmo a ver o quem, o como e o porquê é uma seca. Surpreendam-me, caricas, surpreendam-me!


(depois de ter dado uma segunda oportunidade a Camilla Lackberg com The Stranger, que até é iá, ok, descarreguei o The Hidden Child, porque ihihihihih, mete cenas da segunda guerra mundial, e que um gajo acaba de ler para confirmar que sim senhora, era aquilo, tirando alguns pormenores que também não sou bruxa. não vale, pá, assim não brinco mais. carinha triste.)

Titi Izzie oferece ombro almofadado a quem precisar

Queridos benfas, se quando ganhais não hesitais em esfregar na cara de quem quer que seja vosso glorioso contentamento (carrega o quê, é algo que nunca entendi), tendes de aceitar graciosa e elegantemente que, quando são outros a ganhar, lhes apeteça fazer-vos o mesmo.
De nada.

Quinta-feira, 9 de Maio de 2013

Preciso de um ano sabático e um subsídio, para voltar à primária

Não sei escrever acordo-ortografês, não sei se quero aprender a escrever acordo-ortografês, e palpita-me que não tenho tempo para aprender a escrever acordo-ortografês.

(um dia hei-de poder contar aos meus sobrinhos-netos que sou do tempo em que uma acta passou a ser uma ata. depois mostro-lhes o filme do Almodovar, a ver se percebem a piada da coisa.)

Não sou jovem mas tenho sonhos

Um dia, se ganhar o euromilhões, vou tornar-me na excêntrica que compra prédios e andares em mau estado, os remodela e depois vende ou arrenda, tornando esta cidade mai'linda ainda, tendo o gostinho de ser a querida mudei a cidade da urbe. Vou ainda bater à porta do gabinete de urbanismo da Câmara e propor-lhes a recuperação e remodelação dos (muitos) prédios de que o município é proprietário, a custas minhas, e depois seria reembolsada pelas rendas e tal, até aceitava uma redução em troca de recibos para o irs como mecenato social ou coiso, acho que era um bom negócio para ambos, ninguém perdia nada e ganhávamos todos, a cidade mais airosa e habitada, a preços comportáveis, a ver se revertíamos esse movimento capital-subúrbios que deu a ganhar muito mercedes, vinho verde e putas a tanto construtor nas décadas de 80 em diante, e isso é que era e eu gostava de ver, coisas cá minhas, cada um com as suas.

Quarta-feira, 8 de Maio de 2013

Não sou eu, és tu

De ora em diante, quando me tentaram vencer pelo cansaço, endrominar pela insistência, acho que vou passar a dar logo o telefone de mãe querida, e sugerir que se informem com quem sabe do tamanho da minha teimosia. Não, não me ganham.

(sou filha de um senhor que, durante os tempos do prec e da auto-gestão, ficava nas assembleias de trabalhadores mesmo até ao fim, para que os comunas chatos, que esperavam que toda a gente se pirasse porque tinha mais que fazer, não terem o gostinho de ganhar por unanimidade. diz que era assim que funcionava, e ainda bem que o 25.11 deu para o que deu, que se calhar ainda acabava no campo pequeno. e zut, se mamã é de gancho, papá não lhe fica atrás, e eu não sou de Genebra.)

Terça-feira, 7 de Maio de 2013

Mais vale rir

Lá em casa somos um casal misto, como a tosta: ele no privado, eu no público. E lidamos bem um com o outro, veja-se; talvez um dia façamos um bed in como o Lennon e a Ono, e passemos a ser o poster couple para a união público-privado. Adiante. Ora lá na chafarica onde o homem aluga o seu tempo a troco de senhas para comer, todos seus coleguinhas têm uma opinião muito vincada sobre o pessoal que trabalha para o Estado. E a opinião é a do costume (bocejo), e com muito pouco conhecimento de causa, que só mate é casado com, genro de, irmão de, filho de, enteado de, e cunhado de pessoal que ganha as tais senhas no serviço público. Sucede que ontem o primeiro a vozear a sua opinião relativamente ao "novo" horário de 40 horas semanais no público, e zurrando ainda que deviam era ser umas 50, foi precisamente o fulano que anda a arrastar o traseiro todo o santo dia; o tipinho que quando o chamam à pedra para fazer o seu trabalho se exalta que façam outros, que ele já faz muito; o sujeito que entra precisamente à hora, e meia hora antes de encerrar o expediente vai lanchar e volta só para ir buscar o casaco. Dizia ele, contava mate, que conhece imensa gente no público que não faz nenhum, e não sei que mais, e que precisam é de saber o que é trabalhar.
Como é aquela do condimento que no nalguedo alheio é fresquinho, como é?

Segunda-feira, 6 de Maio de 2013

Eu cá respondia que é um tipo muito empreendedor, e ai de quem me marcasse como errado

visto no feicebuque, parece que é um teste

Outras respostas possíveis:
- é mas é trabalhador do privado, e vende a funcionários públicos, os malandros.

E também almejo ser a Eduardinha Sá da blogosfera

Outro dia tive a oportunidade de explicar a me mate porque passo tanto tempo a ver o Cesar Millan. Não é porque tenha tempo a mais e critério a menos - bom, e daí - nem que seja burra - eu sei que não temos um cão - e muito menos porque sou iludida - eu sei que aquilo não resulta com a senhora dona alteza realíssima, D. Gatérrima. Eu sou é uma visionária, e já vi o potencial de auto-ajuda que aquilo tem: imagine-se este livro:


Mas em vez dos cães, catraios. Ou jóves. Agora pensem nisto: líder da matilha + crianços + os métodos deste senhor. Não? Ai que horror, és uma bruta, uma insensível? Adevias era de ser mãe e já não pensavas assim? Venham cá chamar-me nomes depois da próxima birra de vossos reais rebentos. Ando a fazer testes com os meus sobrinhos (sem que os pais saibam, claro), e depois vamos lá a ver quem é que vai enriquecer à brava sem ter tido uma única ideia original. O que também não é original. Enriquecer à brava sem ter uma única ideia original.

Eu é que sou a Doutora Máguida Despenteada da blogosfera

Também conheço uma dieta de 31 dias infalível: coma; alimentação intravenosa. De nada.

Swapa-me isso por miúdos

Tenho p'ra mim que esta novidade da "rescisão por mútuo acordo" que o governo inventou para reduzir quadros na função pública vai ser a nova pré-reforma. Eu explico: quem é que, nesta actual conjuntura económica, vai arriscar aceitar uma rescisão, sem direito a subsídio de desemprego, com 18 meses de salário de indemnização? Ora, quem está a 18 meses de se reformar. Ou então médicos* com opção de carreira no privado, que já tenham anos valentes de experiência.
Portanto, gasta-se o mesmo que se gastaria mantendo essas pessoas no activo e, em certos sectores, como da saúde, perde-se profissionais de grande valia.

Depois, claro, temos aquelas pessoas que vão ser encostadas à parede com um "ou isto ou a mobilidade especial", mediante a qual vão para casa ganhar muito menos e, passados uns tempos, podem mesmo ficar em situação de desemprego.

*no caso dos médicos, e porque por cá não os há em excesso, antes pelo contrário, vamos ter uma coisa gira, digo eu, que nem sequer deito cartas como a Maya: ficam impedidos de voltar a trabalhar para o Estado, mediante vínculo com este, seja por contrato individual de trabalho ou de prestação de serviços. Mas nada impede que prestem serviços no sector público mediante contratos de trabalho temporário, isto é, em que o médico tem vínculo com empresa que "cede" trabalhadores ao Estado, esta empresa recebe a retribuição, e depois paga ao médico, muito abaixo do "preço" que o médico receberia se fosse quadro. Outsorcing, a nova precariedade, uma maravilha. E olhem que eu é que não fui eleita coisíssima nenhuma, mas isto tudo tresanda a esturro.

Sexta-feira, 3 de Maio de 2013

A espoNZa perfeita

As minhas ricas meninas, queridas leitoras da sua titi Izzie, coisas ma'boas, sabem que a titi Izzie é uma mulher moderna, uma mulher que lê (a Dica da Semana), uma mulher que se informa (na mercearia do bairro), uma mulher com carreira (duas, até; depende do autocarro que chega primeiro). Sabem também, decerto, que titi Izzie já passou pela vossa viçosa idade casadoira, quiçá cheia de ilusões românticas, e que até desencalhou vive em feliz matrimónio, desde que agrafou arranjou rapaz jeitoso que corresponde às mais criteriosas exigências da mulher moderna.

O que as minhas florzinhas em botão não sabem, mas a titi Izzie se apressa a informar, é como manter este sagrado vínculo sempre em bom estado. Não é fácil, não! Requer muito trabalho, e denodada dedicação! E aquilo que muitas não querem ver: sacrifício em prol do outro. Guardaide lá os isqueiros com que iam queimar esse soutien de delicada renda, que a titi Izzie vai dizer a verdade: o que mantém um casamento sólido é reconhecer que não lhes podemos dar tudo, e que um homem tem necessidades. Por isso, minhas borboletinhas avoadoras, é preciso que uma boa espoNZa encare essa realidade com coragem, e que os deixemos procurar fora de casa o que não lhes podemos, ou não nos apetece dar. Verdade, queridas hortelãs pimenta em primoroso vasinho. Não vos sentides vós amiúde cansadas, sem vontade de satisfazer os caprichos carnais de amantíssimo espoNZo, desejosas de passar um sossegado serão frente ao televisor, sintonizado no TLC, enquanto dão devida guia de marcha a uma tacinha de revigorante gelado? Naturalíssimo. Mas não espereis, queridas, que eles aguardem por melhores humores e que os servides. Deixaide-os buscar a satisfação das suas necessidades, lá fora, no imenso e grande mundo! E até é um descanso. Pensaide nisso: enquanto vossos machos vigorosos dão ocupação a outrem, mais tempo livre vos sobra! Um cantinho de tempo só vosso, de chinelo e t-shirt largalhona, um pedaço com o comando só para vós. Aaaahhhhhh. Com o tempo, pequenitas alforrecas, aprendereis a apreciar. 

Por isso, digo-vos eu: se ele há empresas que fazem os almocinhos e os entregam no local de trabalho de vossos queridos companheiros, não façais - por favor! - questão de comprar frescas vitualhas e lhes preparar saborosos repastos. Há outras que por bem pouco se prestam a tal, deixaide-as! Fechai os olhos, penduraide o avental, reformaide a frigideira, e viveide felizes. É destas pequenas alienações que se faz uma sólida e feliz vivência em comum. Confiaide na titi Izzie, e na marmita take away. Abençoada seja.

Maldita a sorte de quem tem de ganhar a vida a trabalhar

Passar a hora de almoço (toda não, que o tempo da caridade já era, e depois de logo à noite, falece de todo) a pesquisar uma cena que, pelos vistos, anda muito esquecida (ou está muito mal catalogada nas bases de dados, regra número um da pesquisa, ser criativo e pesquisar por todos os descritores possíveis e imagináveis); ter já outra na calha para investigar que, ao menos, é mais interessantezinha, mas me vai fazer ler muita coisinha em istrangeiro, rasparta o tribunal europeu, que publica quase tudo em franciú.
Se o home não joga hoje no euromilhões, é porque não ama eu, malas à porta.

Quinta-feira, 2 de Maio de 2013

Haja paciência

Na Visão desta semana, uma pequena reportagem sobre uma nova tendência muito trêndi, passe o pleonasmo, que começou nos EUA e, como toda a boa praga, já chegou a Portugal: a do pessoal anti-vacinas. Pois diz que há quem ache que as vacinas fazem muito mal, e optam por não vacinar os seus filhos. 

Até sinto alguma empatia por este movimento, no que se refere à parte da pica: ando há c'anos à espera que algum cientista caridoso invente a vacina sem pica, mas ninguém tem piedade desta aqui. Agora no que respeita à coisa de não vacinar as crianças, caraças, só me apetece distribuir pontapés e bofetões. Faço isso de borla, se alguém considerar contratar-me. E porquê? Veja-se a lógica da batata desta gente. 

Dizem os progenitores afectos a esta tendência que as vacinas podem causar sequelas, como o autismo. Mentira: parece que houve um tontinho que fez um estudo, mas este era uma fraude, e bem paga por gente interessada em sacar indemnizações. Pronto, uma alegação sem qualquer sustentação científica, o que parece não deter estes pais, que argumentam que ah, a ciência não explica tudo, e confia-se demasiado na ciência. Ah, pois. De um lado temos a ciência e o método científico, gente que anda anos a estudar e testar aquelas coisas; do outro, pessoal que diz que acha que não é verdade o que a ciência diz. Acha que, porque sim, sem argumento, sem qualquer suporte. Mentira: defendem que as doenças são uma coisa natural, e que o corpo é que deve desenvolver defesas. Ora batatas, a morte também é uma coisa natural, mas quanto mais tarde melhor, não? Lá pelo meio uma defende que o sarampo é natural, limpa o corpo, é uma crise de crescimento. Decerto nunca averiguou a origem da expressão "limpar o sarampo". Pois.

A sorte desta gente, como referem médicos mencionados no corpo do artigo, é que vive à sombra da imunidade de grupo, isto é, como 95% da população portuguesa está imunizada (e por cá há tratamento de águas e saneamento, já agora), muito dificilmente seus pequenos e não vacinados rebentos serão contaminados com tifo, polio, ou difteria. Kudos. Agora, já que é tão natural, que tal enfiarem-se num avião para África ou Ásia, hum? E beber auguinha da torneira, comer vegetais lavados em auguinha corrente, e tudo e tudo? Força aí, a adquirir defesas com o método natural! 

Mas no que respeita ao sarampo, a coisa é diferente: é que a vacina é eficaz para 99% dos vacinados, ou seja, existe 1% que apanhará a doença, mesmo após vacina. Ora eu fui um desses 1%. Vacinada contra tudo e um par de botas, que mamãe não vai em cenas, ainda assim apanhei sarampo. Foi uma coisa leve, vá lá, se calhar devido à imunização. Mas quem não está vacinado é um risco, e para todos. São potenciais focos de contaminação. E por isso é quando eu era petiza ninguém conseguia inscrever os putos na escola sem terem o boletim de vacinas devidamente actualizado.

Ser calhar até há quem defenda que este pessoal new age tem todo o direito às suas crenças, a liberdade e tal, e eu até nem me opunha se não fossem dois pequenos pormenores: 1- eles não vivem numa bolha; 2- estamos a falar de decidir por crianças. À uma, imaginem que na escola onde estão os vossos pequenos, há também meninos não vacinados. Dormem descansados? Hum? É que isto não é bem a mesma coisa que aparecer um com piolhos, trata-se de doenças mortais, caneco. Às duas, com que direito os pais tratam os filhos como uma coisa, decidindo por as suas crenças à frente do seu eventual bem-estar, contra evidências científicas mais que comprovadas. Ai, eu não acredito. Olha, eu também não acredito que alguma vez me saia o euromilhões, mas continuo a jogar.

De resto, acho comovente que meia dúzia de totós ande por aí com a crença do natural e tal. Espero que também não tenham electricidade em casa, credo, que aquilo tem raios e campos e assim que fazem mal e coiso. Anda o Bill Gates a gastar a sua fortuna a tentar erradicar doenças mediante vacinação, e às tantas melhor fazia a distribuir frasquinhos de água, digo, "medicamentos" homeopáticos. Eu cá oferecia a este pessoal era um bilhete de ida para o terceiro mundo, onde se podiam entreter a pregar a mães aflitas que aquilo que lhes mata a prole é uma coisa natural, quiçá selecção natural, e depois ver como se sentiriam no dia em que os seus filhos também fossem atingidos. Tanta evolução, tanta ciência, e ainda não se inventou um detergente eficaz para disparates deste coturno. 

Quarta-feira, 1 de Maio de 2013

Não tem nada a ver com nada, e muito menos com este dia

Tenho a salsa cheia de piolho verde, ou pulgões, ou lá como se chama essa praga. O que me dava jeito era uma mão cheia de joaninhas; diz que as joaninhas são o predador natural deste bicho e, se não os exterminam a todos, pelo menos mantêm a população controlada. Ora joaninhas, já não há: parece que são muito sensíveis aos pesticidas que as pessoas usam para acabar com os pulgões que elas ainda deixavam vivos, e fogem dos locais onde se usam pesticidas. Que cada vez são mais. E eu não quero usar pesticidas, mas também não tenho joaninhas que me ajudem, e cada vez que apanho um raminho de salsa lá vai ele de molho, para tirar os bitchos maus, que são mesmo muitos, se fosse só meia dúzia vivia-se, e esta complicação toda bule-me com os nervos, enfim, e se calhar preciso mesmo é da sesta que vou fazer já de seguida, em vez de deste meu pequeno busílis pesticidas-joaninhas estar a tentar extrair grandes metáforas para a humanidade e assim.

Segunda-feira, 29 de Abril de 2013

Ding, dong, the witch is dead

Não foi só no excell que o Gaspar se enganou: este ano vamos ter um reembolso superior ao do ano passado. Como é que isto é possível, não sei, ah, se calhar terem-me gamado (gatunos! bandidos!) quase dois subsídios teve a ver com isso, sei lá.
Pronto, o nosso rendimento bruto também diminuiu p'ra lá de muito, upa-upa, aquilo é que foi roubar, mas assim sinto-me menos mal, não vamos pagar e isso é essencial, e já não vou passar o feriado em posição fetal, a chorar amargas lágrimas de sal, estou a versejar mas não faz mal.

Brave new world

Não percebo porque há gente que se chateia (e perde) tanto (tempo) com tricas e bocas, guerras de nervos, diz-que-diz e outros que tais, quando neste maravilhoso mundo virtual é tão fácil matar alguém com um delete.

Sim senhora, que está fresquinho

Mas está um dia lindo, dormi que me fartei e sinto-me fresquinha que nem uma alface, descobri um autor português que estou a adorar, não me canso com aquilo e quem não interessa, e parece que o Rufus vai voltar a Portugal. Só coisas boas, portanto.


Domingo, 28 de Abril de 2013

Não guardo rancores: estragam-se num instante, e fazem um cheirete que empesta tudo

Vantagens de ser adulto:
- poder passar a tarde de domingo a por o sono em dia, e não ter de dar satisfações a ninguém;
- poder almoçar ou jantar gelado, e não dar satisfações a ninguém;
- poder optar por só pagar o IMI, a taxa de saneamento, e fazer a entrega do IRS no final do prazo, e não ter de dar satisfações a ninguém.
- saber que daqueles actos podem advir consequências e aceitá-las, saber prevê-las e ponderar o custo benefício das mesmas antes de os por em prática.
- saber que há opções que tomamos na vida cujas consequências poderão afectar só a nossa excelsa pessoa, e quanto a essas ser totalmente livre;
- saber que há as outras; e, quanto a essas, saber que a nossa liberdade acaba quando começa a dos outros,  ou que podemos ter de as explicar/justificar.
- em caso de dúvida, jantar gelado: o risco de diabetes atenua-se se não for hábito frequente, e sempre nos adoça um bocadinho a existência - o risco de amargar é tão mais penoso, pá. 

Tocar às campainhas e fugir

Que toda a gente tem direito à sua opinião e a exprimi-la, é um facto adquirido. Mas se, perante certa opinião, que não consideramos nem adequada nem justa, pedimos explicações, ou uma justificação sobre como se chegou àquela opinião, a falta de resposta, ou a negação em a dar, já é uma resposta. Clarinha, clarinha, e que diz mais sobre quem formou a tal opinião, que sobre o visado pela mesma.

Não deixar a porta aberta

Porque, como concluiu o pai da Mafaldinha, de repente entram 41 anos e 3/4. É. Caiu: tenho mais de 50% de cabelos brancos. O meu pescoço, bom, o meu pescoço. Moi, fulana com fobia séria a picas e hospitais, já deu por si, mais que um par de vezes, a mimar os resultados de um lift em frente ao espelho.

Anyhoo, amanhã a pintar as pistas, que eu não tenho idade para ter 41 anos e 3/4.

Sexta-feira, 26 de Abril de 2013

Por falar em trapos e novo-riquismos

Ontem passou uma reportagem no canal um sobre a Avenida da Liberdade e o comércio de luxo que por lá abunda (de dia, suas mentes porcas), e eu quis ver. Sou assim, um bocado voyeur; não me deu para big brothers, deu-me para isto. Adoro desfiles de pobreza (de espírito). Me mate aguentou, de cara enjoada, porque, diz, aquela gentinha lhe faz impressão. Compradores e vendedores, o homem tem uma alergia grande a sabujos, é problema muito lá de casa. Às tantas, e porque é inevitável, fala-se dos sem abrigo que fazem sua casa das muitas arcadas daquela avenida. Uma dor de alma, verdade. Mas o verdadeiro dó começa quando ouvimos o que têm a dizer os finérrimos lojistas. Uma loyra de olhitos abertos assiiiiiiim lá fala como elas faaaalaaaaam, e eu já nem me lembro do que ela disse, só me lembro dos olhinhos assiiiiiim. Passa para um fulaneco que ganha a vida atrás do balcão da montblanc, e lá exprime a sua preocupação, que sim, é muito triste e tal, e conclui que é preciso fazer alguma coisa, para preservar aquela avenida tão linda. Lógica Susaninha: para quê acabar com a pobreza se podemos esconder os pobres. Aí mate não aguenta mais. Tira os ólicos, levanta-se, diz já chega, já chega, que me está a subir a esquerda ao nariz.

Pá, a sério, a reportagem era deprimente q.b., mas olha que subir a esquerda ao nariz made my day.

Quanto custa aquilo que vestes



Para responder adequadamente a esta pergunta, era necessário que fosse possível atribuir um preço a cada uma das 275 (duzentas e setenta e cinco!) pessoas que, até agora, se sabe perderam a vida no colapso de um prédio que servia de fábrica de roupas. Não, não há nada que pague. Quando se leva para casa uma t-shirt por 10 euros (ou metade), umas calças por 20 (ou menos), com o look mais actual, aquele que nos é dito ser um must have, alguém olhou antes para a etiqueta? Verificou onde foi fabricado? Pensou em como será a vida daquela gente que fabrica a nossa vaidade? O que comem, e quantas vezes por dia? Quantas t-shirts fabricaram, naquele dia, e em quantas horas? 

Cada um tem as suas causas, cada um se comove com o que lhe diz mais. Verdade, este mundo é lá muito longe. Verdade, há muita gente que apazigua o seu consumismo pensando que está a dar trabalho e sustento a quem não o teria de outra forma. Mas tem de ser assim? E se em vez de 5 t-shirts a meia centena de euros, comprarmos só uma, com a satisfação de saber que quem a cortou e coseu vive numa casa decente, ingere o necessário, pode mandar os filhos à escola? Temos mesmo de ter tanta coisa, tão barata, se o preço real implica tamanho sofrimento?

(por mim falo, e sou só uma: deixei de comprar cenas fabricadas em países onde não há garantias e direitos para os trabalhadores. tal como deixei de comprar alimentos que me chegam às mãos à custa do sofrimento de outros seres vivos. o mundo é uma comunidade, e fazemos parte dela; tivemos apenas a sorte de nascer na parte mais afortunada desta comunidade. eu sou só uma. 'bora sermos muitos? )

Quinta-feira, 25 de Abril de 2013

Já passou muito tempo

Não grita. Não protesta: faz algo, ao invés. De que serve, todo esse berreiro? Veste uma camisolinha. Fecha o botão de cima. Tchhhh, fala baixo. Não: cala-te e ouve, ao invés. Presta atenção ao senhor doutor. Ouve bem o senhor engenheiro. Faz o que diz o senhor empreendedor. Afinal, para que serve uma constituição, se não há dinheiro? Vénia ao bezerro de ouro. Isso não são maneiras. Isso não é de uma senhora. Isso não é decente. Vamos mas é trabalhar. Não: produzir. Bife é acima das tuas possibilidades. Dentista é acima das tuas possibilidades. Hemodiálise é acima das nossas possibilidades. Chut, chut: o senhor professor está a falar na televisão. Ouve. É preciso é trabalho. Trabalho há, não há é empregos. Cuidado com os mercados. Não pise os mercados. É de pessoas destas que o país precisa. O país não precisa de quem não trabalha. Tira um curso com saída. Do país. Eu trabalho muito, mas sei de quem não quer fazer nada. E recebe por isso. Vou buscar o menino ao colégio. 

Segunda-feira, 22 de Abril de 2013

Não deixem que o instalem

Não tenho tempo para mais, venho só fazer aqui uma publicidade nada subliminar, antes, é mais uma ordem, ide a correr comprar, e lede, lede, lede:




Não deixem que se instale.

(às editoras: fónix, estive meses, meses à espera que saísse a segunda edição, caneco, pá.)

Sexta-feira, 19 de Abril de 2013

Notícias da Despesa Pública

Por aqui ainda há papel higiénico, obrigada por perguntarem. O papel de secar mãos - eu sei, é uma forma muito pouco ecológica de secar mãos, aqueles secadores sopradores são mais nãoseiquê, mas eu não mando nada, ok? - é que já acabou, mas enquanto há fundilhos há esperança.

Anyhoo, não sei porque é que o Gaspar e companhia não se deixam de mariquices e mandam mas é algaliar o pessoal todo. O que se poupava em papel e auga era digno de nota. Além de que funcionário diligente não perde tempo a excretar fluidos. Não os ingere, sequer. Defecar, nem me falem, isso é coisa para tratar no remanso do lar. Sugiro ainda que o subsídio de alimentação seja pago em géneros, i.e., garrafas de soro. Litro e meio por dia, o pessoal liga-se quando chega, hidrata e alimenta enquanto produz, e acaba-se assim com a rambóia da hora de almoço. Fica a nota. Já agora, quanto se gasta em canetas e lápis? E escrever a sangue, hum? Pensar nisso.

Quinta-feira, 18 de Abril de 2013

Biografia mínima

Um dia meti na cabeça que havia de aprender a bordar ponto cruz, e aprendi. Sozinha. Comprei umas revistas, linhas, quadrilé e agulha romba; os primeiros trabalhos não saíram grandes obras de arte, mas passado pouco tempo já bordava quadrinhos, sacos de cheiro, monogramas, toalhas e panos de cozinha. Depois passou-me.

Um dia, depois de ver à venda umas cenas muita giras que queria muito ter e não tinha dinheiro para comprar, meti na cabeça que havia de aprender a fazer bijuteria. E aprendi, sozinha. Fiz muito anel, brinco, colar; usava, oferecia e até vendi: foi um bom fundo de maneio. Continuo a fazer umas coisas, esporadicamente; tenho um caderninho onde anoto e rabisco ideias. Mas já nem sempre apetece, e torcer arames lixa-me as mãozinhas (e o verniz, quando o ponho), para cada projecto é preciso fazer um estendal do caraças, e embora tenha um canto da casa onde tenho o stash todo arrumado, já me falta a paciência e a iniciativa para me sentar lá. Um dia destes.

Um dia decidi que havia de aprender a fazer crochet, e aprendi. Sozinha. Comprei revistas, lãs, meti mãos à obra nuns rudimentares granny squares, fiz uma espécie de écharpe que um dia ainda acaba na cesta da gata. Tenho montes de cachecóis em projecto, coisas mais avançadas, quiçá; mas dá-me a preguiça, e mesmo que execute as partes, montá-las é o diabo, que cena, mas sempre vou fazendo umas coisitas insípidas, ao menos tenho as mãos ocupadas.

Um dia decidi que havia de aprender a trabalhar metais a sério, fazer cangalhadas a sério, e aprendi. Não foi sozinha, inscrevi-me numa escola. Durante três semestres fazia quilómetros depois do trabalho, duas vezes por semana, e derretia atrás de maçaricos, aprendi as gramagens certas, a entender quando a prata está pronta a ser vertida, a repetir o processo quando não se verte devidamente, a laminar, a bater, recozer, voltar a laminar, bater, recozer, depois serrar, limar, lixar, soldar. Fiz um par de brincos, duas pulseiras, um colar, um travessão, uma pregadeira; tenho ainda meio por acabar um outro colar, uma caixa a um canto com a ferramenta específica, restos de solda (feita por mim!), pedaços de fio, restos de chapa. Não dá para trabalhar em casa: não tenho bancada, maçarico a sério, é preciso manusear ácidos; mas conheço uma oficina perto onde posso alugar bancada. Aliás, a escola onde andei é (agora) a umas paragens de eléctrico da minha casa. Mas à noite quero é sopas e descanso, quero estupidificar em frente a mais um episódio da temporada oito de Ossos - que eles estão a estragar da mesma maneira que estragaram Modelo e Detective, incrível, é a lei do eterno retorno guionista - no dia seguinte tenho de acordar às seis e meia sete, antes também tinha, mas agora é diferente, quinze anos de diferença.

Se já não tenho ilusões quanto ao acabar o que começo, apetece-me apetecer-me aprender algo novo.

Eu cá não sou de intrigas

Mas se me farto de gozar com os mitras que não tiram o toc'lante holográfico da pala dos bonés, e com os bombocos que usam as timberland amarelas com a tag de pele pendurada na ilhós, sim, aquela presa com corrente de bolinhas, também tenho a dizer que não era a filha da minha mãe que ia dar €475 por uma malucha com uma tag taliqual, e ainda por cima em cor contrastante.


*já agora, €475 por uma malonca é totalmente off limits. eu tenho os meus tectos despesistas.

São misteriosos, os caminhos da fé (ou as desvantagens de ser ateu)

*Caravaggio retrata São Paulo, na estrada para Damasco. Só para ilustrar e meter nojo, que o vi ao vivo aqui há coisa de um mês.

Hoje travei conhecimento com uma pessoa de tal modo irritante, detestável, odiosa, mesmo, que sinto uma forte necessidade emocional de acreditar no castigo eterno.

Tive esta revelação há poucochinho (e através dela estão à vontade para adivinhar o quão adorável foi a minha manhã)

O problema do mundo é que está cheio de pessoas.

Quarta-feira, 17 de Abril de 2013

Um niquinho enfadada, e ninguém para me entreter

Foi tudo apanhar banhos de sol, foi? Sintetizar vitamina D? E a desgraçada que está a trabalhar, entretem-se com o quê, nos intervalinhos para fumaça? Hum? Vá, lá a bloggar. Vá.

Um novo e entusiasmante desafio profissional

Conseguir revirar os olhos sem que quem me causa tal revirar de olhos perceba que estou a revirar os olhos.


(cada um desabafa como pode, e se não os posso mandar à merdinha, this is the next best thing)

Terça-feira, 16 de Abril de 2013

Acho que ninguém valoriza devidamente o facto de não ter filhos - com prémios monetários, por exemplo

O meu sobrinho mai'novo (4 anos) anda numa fase que só sabe falar aos gritos. Se o petiz fosse surdo, ainda se entendia, mas acho que se lhe sussurrarem "chocolate" pelas costas, ele vai querer (é um problema de família, o chocolate). Berra, berra, berra; não há nada que não diga aos berros. E o meu irmão, com a mariquice das pedagogias, corrige sempre, com os habituais não se grita, aqui ninguém é surdo (um clássico que nunca morre), ou um mais agastado não se fala aos gritos, se faz favor! Não resulta. O catraio lá deve pensar que nasceu para buzina, e não há maneira. Ora aqui há tempos decidiu que tinha qualquer coisa importantíssima para me dizer e, achando que do outro lado da mesa eu não o ia ouvir bem, falou como se eu estivesse no distrito do lado. Lembrei-me daquele sketch dos Monty Python da esquadra da polícia*, e respondi-lhe que não tinha percebido nada, que sofro de um mal que faz com que só consiga ouvir quando me falam em tom de voz normal. O chavalito olhou para mim, desconfiadíssimo (pudera, diz que é burro, diz; temos ali um que nasceu para mandar vir), fez uma boa pausa, e repetiu tudo, em tom de voz normal, e pausadamente. Confesso que nunca li ou me ensinaram Piaget, mas sou uma pessoa que, quando me interessa, se guia pelos resultados. De maneiras que acho que estou a modos que tentada a usar esta experiência para desenvolver uma teoria educacional revolucionária, quiçá até fazer uorquechópes ou escrever um livro. "Educação segundo Monty Python", que tal? A ver se consigo um prefácio do Eduardo Sá. Digo-lhe que é sobre muito amor e carinho e assim, malandrice.

Segunda-feira, 15 de Abril de 2013

A lavoura é uma alegria, uma luta, uma guerra

O ano passado foram as lagartas e as formigas, este ano as lesmas e caracóis. Estou a três pragas de ter um episódio biblíco, e lá em casa somos dois primogénitos, cuidadinho, medinho. Os bitchos ruins andam a temperar-se e a multiplicar-se às custas da minha cidreira, hortelã e salsa. Fisdeputa. Malvados. Bandidos. Uma sujeita não pode ter um pequeno reduto bucólico na varanda, que vem logo a natureza estragar o divertimento. Vai daí, atirei-me ao minigarden: desempilhei, destapei, catei a bicheza à mão, e atirei-os para um quintal ao deus-dará, para almoço dos melros. Juro que não sou budista, mas não consigo matá-los. Entrego-os à natureza que mos deu, a ver se entende o recado. Passam duas semanas na paz, e de novo os buraquinhos nas folhas. Às malvas o pacifismo: adquiri uma arma de  destruição massiva. Limacide, não me falhes. Se não há holocausto caracalesmal, e acabas com todos, qualquer dia tenho os bichos a passear-se na plantação de coletes explosivos, bolas.

Doggy style

Quando o indivíduo* com quem partilhas o chuveiro te nota que se calhar já é altura de ires cortar o cabelo, porque "pareces um daqueles cãezinhos a quem nunca se vê os olhos", se calhar é mesmo altura de marcar cabeleireiro.

*nestas situações, usar a palavra "marido" parece-me muito exagerada. até porque o casamento pode ser um estado transitório, sei lá.

Sexta-feira, 12 de Abril de 2013

E

já passar das sete de uma sexta, desejar desesperadamente estar em casa, no sweet cafonfo, estar tão cansado/a que nem forças se tem para levantar o traseiro da cadeira e muito menos por os pés a caminho, e até ter vontade de chorar porque apesar de já se ter adiantado imenso xervixo para a semana que depois de amanhã começa, ainda assim o que se tem para fazer na segunda é tanto que se sufoca por antecipação?
É, diz que acontece.

Ando um bocadinho ácida

é uma responsabilidade, escolher o nome da criança.

Se a burrice pagasse imposto, não havia crise que nos consumisse

Acabei eu o fideputa ruim do curso com uma mísera média de doze valores, arrancada a ferros e por arredondamento, e dou por mim a poder falar de cátedra perante certos indivíduos cujo salário deveria fazer pressupor que tinham ficado melhor que eu na pauta final.
A vida é muito injusta, que é. Atenção: o injusto é eu não ganhar o que ganham certos indivíduos, e para debitar disparate com fartura.

Quinta-feira, 11 de Abril de 2013

Descomprimindo: um momento féchion

Uma devotada fã deste blog, que sabe bem que eu é que sou a rainha da pipocada féchion, e aqui é que se lançam tândances, mandou-me a imagem da nova hipé loucura sapatal, que tenho de partilhar, para que toooodas as queridas amiguinhas se guiem pelos obscuros e sinuosos caminhos do que 'tá a dar, 'tá a ver.
Meninas, é correr às lojas e encomendar, que deve esgotar.




Rainha má

Há uma tirinha da Mafaldinha que gosto muito (é, fora esta são todas, mas adiante), em que o mano-mai-novo Gui lhe tira (acho que) um lápis, e grita qualquer coisa como dá cá, ête lápi é meu, e ela responde ah, queres ser mau, é? e ele shiiiim, e ela, ó meu palerma, não vês que já não deve haver vagas?.

Há momentos na minha vida em que me lembro disto, quando confrontada com certas e determinadas coisas de trabalho, e só me apetece responder às pessoas que não adianta armarem-se em más, já não há vagas, só não podia era estragar a piada explicando que a única que havia ocupei eu. 

[só por causa das tosses o freguês que se queixa que isto está a demorar muito, mas não me larga, a chatear , a chatear, e gasta o meu tempo em merdinhas de nada, vai esperar mais um dia, qué p'ra ver quem é que manda aqui]

Só a mim

Ter feito um corte jeitoso na membrana entre indicador e polegar da mão direita, e hoje ser dia de passou-bens.

(o que vale é que depois de almoço é só um. ou dois, vá. tomara que não tragam entourage.)

Terça-feira, 9 de Abril de 2013

Duas ou três coisitas


1- Uma das coisas que me deixa mais feliz-contente, tipo criança em manhã de Natal, é alguém gostar de um livro que recomendei. Vontade de fazer uma (ridícula) dança de vitória.

2- Por outro lado, e apesar da vontade de partilha quase infantil, é uma coisa que me deixa muito nervosa, recomendar um livro a alguém. E se não gostam? E se perdem o seu tempo - e dinheiro - com algo por minha responsabilidade? Talvez por isso saiba a vitória saber que sim, valeu a pena dar aquela recomendação.

3- Uma das coisas que considero como uma vitória pessoal, nesta minha vida, é ter atingido um nível económico que me permite comprar um livro só porque me apetece muito. Assim, à doida, sem planos imediatos de o ler, mas planos de lhe pegar um dia. É um luxo que muito aprecio. Nem sempre foi assim: embora lá em casa papais nunca me tenham regateado o que custava um livro, a verdade é que não se podia comprar tudo o que apetecia. Já independente - ou a caminho disso - muitas vezes suspirei e disse adeus a capas que deixei na livraria. Eram - são! - caros, os livros, porra. Tenho uma colecção de Agatha Christie em inglês que venho comprando desde os tempos da faculdade, ainda com o que sobrava das mesadas. Terminei-a só há uns três anos, na penúltima viagem a Londres. Foram comprados conforme as disponibilidades, de dinheiro e de títulos. É uma história minha, a que aquelas lombadas de edições diferentes contam.

4- Se sou incapaz de me separar da maioria dos meus livros, se aqui há uns tempos achava que era incapaz de me apartar de um, sequer, a verdade é que luto por ser mais desprendida. Com o kindle tenho acesso a muito do que há lá por casa, e de borla. Vou fazer um montinho e doar à biblioteca da minha freguesia. Até podem ficar a ganhar pó na prateleira, mas o que conta é a partilha, o possibilitar o acesso aos demais, daquilo que me deu tanto prazer. Se uma pessoa, que seja, gostar de ler o original em inglês do Pride and Prejudice, já é bom. E eu, ao pensar nessa hipótese, já me considero satisfeita e compensada pela perda daqueles objectos queridos.

(afinal saíram quatro. nunca fui boa em previsões, dava uma boa ministra das finanças.) 

Segunda-feira, 8 de Abril de 2013

Comovi :')

Achei enternecedor, ontem o Sócrates comentador. Finalmente, um Sócrates de quem consigo gostar. Quanto ao conteúdo, como posso eu explicar? Hum, talvez assim:


Espero que o Seguro tenha tomado notas. É ao mesmo tempo triste e irónico que o único contraditório decente que temos em relação ao governo venha deste antigo pm, mas bom, a cavalo dado, já sabem o resto.

(apenas um conselho, amigo - not really - Socas: um xanax ou um inderal para a próxima, sim? essa sanha, essa impaciência, essa coisa de falar a jacto - coitada da jornalista, até podia estar a comer uma sandes de presunto e a beber uma mine, estar ali ou não era igual - não resulta muito bem. você consegue ser doce na sua acutilância, você consegue ser carinhoso enquanto injecta o seu veneno, você consegue ternura no assassinato do pm e pr. ficava-lhe melhor. de nada.)

Sábado, 6 de Abril de 2013

Deixem-me 'tar

Vou aproveitar enquanto não aparecem as represálias consequências o pior que ainda aí virá whatever e viver a fundo esta linda história de amor com o meu ressuscitado subsídio de férias.
 
 
[notas mui breves, que tenho imensa dificuldade em ficar calada:
1- não percebo o choque com a decisão. nem tirei grandes notas a constitucional, mas consegui acertar na maioria das posições do TC - e, com alguma surpresa por o TC também ter ido por aí, confesso, também achava não inconstitucional a CES.
2- ai, os juízes do TC não foram sensíveis às circunstâncias especiais, e os mercados blábláblá. pois, não são pagos para isso. os mercados não são fonte de lei, e a única circunstância especial que suspende a aplicação da constituição é o estado de guerra - e o de sítio?, já não me lembro.
3- ai, se o governo cai, ai. sejam mas é homenzinhos: ganharam as eleições com a conversa de que sabiam como consertar esta merda toda, não foi? então aguentem-se, que é para isso que vos pagamos. dizer que não há plano b, fazer birra e bater com a porta não é opção, temos pena. não chora, não grita. despede o Gaspar, arranja um plano b, e come a sopa toda. lindos meninos.
4- em vez de se estar a por em biquinhos de pés, a dizer-se pronto a substituir ppc, como um garoto armado em teacher's pet, o Seguro devia era disponibilizar-se para um governo de salvação nacional. novidades: ninguém quer eleições agora, ninguém o quer a governar sozinho, e ninguém lhe vai dar maioria para tanto. cresça e seja homenzinho, menino.
E pronto, era só isto. Vou ali fazer um pugrama romântico com o meu futuro subsídio, que estamos muito in love, desde que acordou do coma.]